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  • Feira deve ampliar mercado para vinhos brasileiros em 2026

    Feira deve ampliar mercado para vinhos brasileiros em 2026

    A Wine South America 2026 deve movimentar o setor vitivinícola ao reunir produtores, compradores e investidores entre os dias 12 e 14 de maio, em Bento Gonçalves (RS). O evento aposta em rodadas de negócios e projetos estratégicos para ampliar a comercialização de vinhos brasileiros e fortalecer a presença no mercado nacional e internacional.

    Foto: Cesar Silvestro/Divulgação

    Antes mesmo de chegar às prateleiras, o vinho já passa por ambientes decisivos de negociação. Na feira, compradores e vinícolas participam de encontros direcionados que geram acordos comerciais, abrem novos mercados e antecipam tendências de consumo.

    Rodadas nacionais conectam vinícolas e compradores

    O Projeto Comprador Nacional reúne cerca de 100 compradores brasileiros e aproximadamente 150 vinícolas. O Sebrae-RS e o Consevitis-RS organizam os encontros, que têm duração média de 15 minutos e ocorrem com agendamento prévio.

    Nesse formato, produtores apresentam rótulos, condições comerciais e logística diretamente a decisores de compra. A dinâmica aumenta a eficiência das negociações e fortalece a conexão entre oferta e demanda.

    Segundo Angélica Brandalise, do Sebrae-RS, o projeto também revela tendências do setor. “Os encontros mostram mudanças no perfil de consumo, nos estilos mais procurados e nas exigências comerciais”, afirma.

    Entre as vinícolas participantes, cerca de 50 são gaúchas e integram o estande coletivo “Vinhos Gaúchos”. O espaço reúne pequenos produtores e valoriza Indicações Geográficas como Vale dos Vinhedos, Campanha Gaúcha e Altos de Pinto Bandeira.

    Para a Vinícola Don Laurindo, a iniciativa abre portas estratégicas. O diretor Moisés Brandelli destaca que o contato direto com compradores fortalece relações comerciais e aumenta as chances de negócios futuros.

    Exportações ganham força com compradores internacionais

    A internacionalização do vinho brasileiro avança com o projeto Exporta Mais Vinhos, realizado pelo Wines of Brazil em parceria com a ApexBrasil. A iniciativa conecta vinícolas a compradores de mercados como Estados Unidos, China, Reino Unido, Japão, Canadá e Rússia.

    Além das rodadas de negócios, o programa inclui visitas técnicas e experiências imersivas. Em 2025, as vinícolas participantes projetaram US$ 640 mil em negócios internacionais nos 12 meses seguintes ao evento.

    Segundo Rafael Romagna, do Wines of Brazil, a estratégia prepara pequenas e médias vinícolas para exportar. “O projeto transforma planejamento em oportunidades reais no mercado externo”, afirma.

    Neste ano, sete compradores internacionais e 22 vinícolas participam da ação.

    Projeto internacional amplia oferta de rótulos no Brasil

    O B2B Connection, também conhecido como Projeto Comprador Internacional, promove encontros entre cerca de 35 compradores brasileiros e 80 vinícolas estrangeiras. A iniciativa amplia o acesso a rótulos internacionais e fortalece o intercâmbio comercial. Em 2025, o Brasil importou mais de 165 milhões de litros de vinho, alta de 3,5% na comparação com 2024, com gastos que chegaram a US$ 558,7 milhões.

    As reuniões seguem o mesmo modelo das rodadas nacionais, com suporte multilíngue para facilitar as negociações. A feira reúne mais de 20 países, com destaque para estreias como Nova Zelândia e Alemanha, além da forte presença de Itália, Portugal e Argentina.

    A argentina Finca Flichman vê o projeto como estratégico para acessar novos clientes no Brasil. Já a portuguesa Adega de Azueira retorna ao evento após fechar negócios em edições anteriores, reforçando o potencial comercial da feira.

    Entre os principais fornecedores, a Itália ganhou espaço e se consolidou como o quinto maior exportador em valor para o Brasil, atrás de Chile, Argentina, Portugal e França. No ano passado, as vendas italianas somaram US$ 49,2 milhões, avanço de 13,9% sobre 2024, enquanto o volume exportado ficou estável em cerca de 9,8 milhões de litros.

    Valor agregado

    Mais do que o crescimento em volume, o setor vive um movimento de premiumização. O consumidor brasileiro passou a buscar rótulos de maior valor agregado, o que amplia a demanda por vinhos de origem, espumantes, brancos, rosés e produtos de regiões menos conhecidas no país.

    Para Milena Del Grosso, diretora da ICE no Brasil, a Itália representa de forma clara essa mudança de comportamento. Ela destaca que o volume exportado para o Brasil se manteve estável, mas o faturamento avançou, impulsionado pela valorização dos rótulos italianos no mercado nacional.

    Millena Del Grosso, diretora da Agência ICE no Brasil. Foto: Divulgação

    Nesse contexto, a Agência ICE organiza o Pavilhão Italiano na Wine South America 2026, que será realizada entre 12 e 14 de maio, em Bento Gonçalves (RS). O espaço reunirá mais de 30 empresas e cerca de 300 rótulos de diferentes regiões vitivinícolas da Itália, com foco em novos terroirs, denominações de origem, espumantes, vinhos vulcânicos, brancos de altitude e produtores que buscam importadores e canais de distribuição qualificados.

  • Evento destaca acordo Mercosul-UE e tendências do vinho

    Evento destaca acordo Mercosul-UE e tendências do vinho

    A Wine South America 2026 vai reunir profissionais e especialistas do setor vitivinícola entre os dias 12 e 14 de maio, em Bento Gonçalves (RS), com foco em negócios, qualificação e tendências do mercado de vinhos. A feira reforça seu papel como um dos principais pontos de conexão do setor ao integrar conteúdo técnico e oportunidades comerciais.

    A programação contará novamente com a curadoria da Associação Brasileira de Sommeliers do Rio Grande do Sul (ABS-RS), responsável pelas masterclasses. Ao longo dos três dias, o evento oferecerá 12 aulas exclusivas, com quatro sessões diárias voltadas à análise de regiões produtoras, estilos de vinhos e novas tendências do mercado.

    Os professores da ABS-RS conduzirão as atividades, com participação de convidados especiais. Segundo o sommelier Maurício Roloff, a curadoria busca equilibrar temas como produto, mercado, serviço, tendências e história, alinhando o conteúdo ao perfil do público e dos expositores.

    A programação atende desde iniciantes até profissionais experientes. Entre os destaques estão os vinhos do Norte da Itália, o protagonismo da uva Chardonnay no Vale dos Vinhedos e as diferentes expressões do vinho brasileiro. O evento também inclui conteúdos sobre análise sensorial e formação profissional, ampliando o foco para além do produto.

    Jornada do Sommelier

    Outra novidade será a realização da Jornada do Sommelier dentro da feira. A iniciativa da ABS-RS passa a integrar oficialmente a programação e amplia o debate entre profissionais do setor. O encontro também celebra o Dia do Sommelier e o Dia do Vinho Brasileiro, promovendo troca de experiências e valorização da cultura do vinho.

    A presidente da ABS-RS, Caroline Dani, afirma que a integração da Jornada ao evento fortalece o diálogo e amplia o alcance das discussões. Nesta edição, o principal tema será o impacto do acordo entre Mercosul e União Europeia no mercado de vinhos.

    O debate reunirá produtores, importadores e especialistas para analisar possíveis cenários e estratégias diante das mudanças no comércio internacional. A proposta é compreender como o setor pode se preparar para os efeitos do acordo, considerando o vinho como produto cultural, agrícola e econômico.

    Além disso, especialistas vão discutir tendências globais que devem influenciar o futuro da vitivinicultura, reforçando a importância de adaptação e planejamento estratégico no setor.

  • Safra 2026 do RS deve bater 900 milhões de quilos de uvas e anima setor

    Safra 2026 do RS deve bater 900 milhões de quilos de uvas e anima setor

    O mês de março marca a reta final da safra das uvas no Rio Grande do Sul, e o balanço anima o setor. A produção de 2026 deve se aproximar de 900 milhões de quilos colhidos. Um crescimento de até 15% sobre a safra anterior, segundo dados do Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS). O volume supera as projeções iniciais e reforça o otimismo da vitivinicultura brasileira às vésperas da próxima edição da Wine South America (WSA), feira profissional que ocorre de 12 a 14 de maio, em Bento Gonçalves (RS).

    A estimativa contempla uva destinada à indústria, ao consumo in natura e à elaboração de vinhos artesanais. Para muitas vinícolas, a WSA representa o primeiro grande palco para apresentar ao mercado as expectativas da nova colheita e ampliar conexões comerciais. O evento reúne produtores, compradores e especialistas da cadeia vitivinícola da América Latina.

    Vinícola de Pinto Bandeira celebra condições climáticas favoráveis

    Na Vinícola La Grande Bellezza, em Pinto Bandeira, na Serra Gaúcha, os proprietários Rossano Biazus e Cristiana Petriz descrevem uma colheita excepcional. “Todas as variedades se ajustaram bem às condições climáticas, resultando em uvas sadias e com maturação precisa. Chardonnay e Pinot Noir originaram vinhos base para espumantes muito equilibrados, enquanto as uvas tintas alcançaram sua maturação em excelentes condições”, destacam.

    A vinícola planeja levar à WSA toda a sua linha de vinhos e espumantes. “É uma feira onde os vinhos nacionais se sentem à vontade, alinhados às expectativas dos compradores”, afirmam os proprietários.

    Além de espaço para negociações, a WSA funciona como vitrine para tendências do setor. A realização na Serra Gaúcha, maior região produtora de vinhos e espumantes do país, favorece a prospecção comercial e oferece experiência imersiva aos compradores: representantes de redes varejistas, importadoras e distribuidoras podem visitar vinícolas da região e conhecer de perto os processos produtivos.

    Safra 2026 supera desafios climáticos na Serra Gaúcha

    Enfrentar adversidades climáticas faz parte da rotina da vitivinicultura, e a vindima 2026 não fugiu à regra. Em regiões como Flores da Cunha e Nova Pádua, onde fica a Indicação de Procedência (IP) Altos Montes, as vinícolas avaliam a safra como promissora, com boas condições de maturação.

    O enólogo André Tonet, presidente da Altos Montes, aponta o ciclo climático como diferencial. “Tivemos um inverno rigoroso e uma primavera com chuvas dentro da normalidade, o que favoreceu a brotação. O início de 2026 registrou precipitações abaixo da média, permitindo maturação plena das uvas. Vislumbramos uma safra de grande destaque, semelhante à de 2020”, afirma.

    O caminho até a colheita, porém, exigiu resiliência. Em dezembro de 2025, um tornado atingiu o interior de Flores da Cunha, na localidade Travessão Alfredo Chaves, danificando vinhedos e estruturas produtivas. A Vinícola Terrasul Vinhos Finos perdeu tanques de armazenagem e parte das instalações. A resposta da comunidade foi rápida: produtores da região, viticultores de outras cidades da Serra e o Exército organizaram mutirões para reconstruir as estruturas e retomar as atividades.

    “Mesmo com todos esses desafios, acreditamos que a qualidade da safra 2026 foi muito boa e, no geral, com produção acima da média”, afirma Augusto Salvador, enólogo e proprietário da Terrasul.

    Mais de 200 vinícolas brasileiras confirmam presença na WSA 2026

    A edição de 2026 da Wine South America deve reunir um número recorde de vinícolas brasileiras. Na edição anterior, em 2025, cerca de 200 marcas nacionais participaram, representando terroirs como Serra e Campanha Gaúcha, Serra do Sudeste, Campos de Cima da Serra, Serra Catarinense, Vales da Uva Goethe, Cerrado Goiano, Vale do São Francisco, Serra da Mantiqueira e Brasília, região que estreou no evento em 2025 e já confirmou retorno.

    Foto: Cesar Silvestro/Divulgação

    Entre os nomes confirmados para 2026 estão Miolo, Aurora, Don Guerino, Pizzato e Nova Aliança, além de entidades como Aprobelo (Monte Belo do Sul), Afavin (Farroupilha), Aprovale (Vale dos Vinhedos) e Altos Montes (Flores da Cunha). O evento destaca também regiões com certificação de origem, como as Denominações de Origem Vale dos Vinhedos e Pinto Bandeira, e Indicações de Procedência como Altos Montes e Farroupilha. Um sinal do avanço qualitativo da vitivinicultura nacional rumo ao padrão internacional.

    Wine South America recebe novos países e amplia alcance internacional

    A WSA consolida sua posição como plataforma internacional de negócios. Na edição de 2026, rótulos de mais de 20 países estarão presentes. Incluindo as estreias de Nova Zelândia e Alemanha e o retorno da África do Sul. Itália e Portugal ampliam sua participação, e Chile, Argentina e Uruguai mantêm presença expressiva.

    Ao todo, mais de 400 marcas nacionais e internacionais ocuparão o mesmo espaço durante os três dias de feira, conectando produtores, importadores, distribuidores e compradores de diferentes mercados. A diversidade de origens e estilos consolida a Wine South America como um dos principais pontos de encontro do setor vitivinícola na América Latina.