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  • Por que os morcegos são hospedeiros de tantos vírus diferentes?

    Por que os morcegos são hospedeiros de tantos vírus diferentes?

    Ebola. Nipah. Hendra. Marburg. SARS. COVID-19. A lista de vírus mortais que compartilham um ponto de origem em comum é longa e assustadora. E esse ponto é o morcego. Mais de 200 vírus de 27 famílias já foram isolados ou detectados em diferentes espécies desses mamíferos. O que intriga os cientistas não é apenas o número, mas o fato de que os morcegos carregam tudo isso sem adoecer. Como?

    A resposta está no sistema imunológico mais sofisticado que a evolução já produziu em um mamífero. E entendê-la pode mudar a medicina, a agricultura e a forma como o Brasil lida com surtos zoonóticos.

    O voo como origem de tudo

    A chave para entender a imunidade dos morcegos começa antes de qualquer vírus. Começa no ato de voar. Durante o voo, o metabolismo desses animais aumenta drasticamente, gerando níveis mais elevados de radicais livres de oxigênio e, consequentemente, mais moléculas de DNA danificado. Para qualquer outro mamífero, esse nível de estresse celular seria devastador.

    Segundo um estudo publicado no Emerging Infectious Diseases, morcegos liberam tanta energia quando voam que a temperatura corporal pode atingir entre 38 °C e 41 °C. Os patógenos que evoluíram dentro desses animais aprenderam a sobreviver nesse ambiente quente e turbulento. Fora dele, porém, num corpo humano com temperatura estável, esses mesmos vírus se comportam de forma errática e, muitas vezes, letal.

    O voo, portanto, não foi apenas uma vantagem evolutiva para fugir de predadores. Foi o motor que redesenhou o sistema imunológico desses animais de dentro para fora.

    O interferon que nunca dorme

    O principal elemento da resposta imune dos morcegos é a molécula de interferon, uma citocina que permite que as células imunológicas troquem sinais e que age diretamente contra patógenos. Em qualquer outro mamífero, o interferon é liberado em resposta a uma infecção. Nos morcegos, não. O interferon já circula em níveis permanentemente elevados, mesmo sem nenhum vírus presente, o que impede que o organismo seja sobrecarregado pela multiplicação precoce de um patógeno.

    Isso tem um impacto imediato: quando um vírus entra no corpo de um morcego, encontra uma defesa já ativada, não uma que precisa de horas ou dias para se organizar.

    Algumas espécies chegam a ter 46 genes para produzir interferons, enquanto humanos têm cerca de 20. Essa diferença não é pequena. É o tipo de vantagem que separa quem sobrevive de quem colapsa diante de um agente infeccioso.

    Há, porém, um custo que só os morcegos parecem conseguir pagar. Em humanos, níveis muito altos de interferon causam efeitos colaterais graves, como fadiga, arritmia cardíaca, hipertermia e fenômenos autoimunes como o lúpus. O corpo humano simplesmente não tolera o que o morcego usa como estado normal.

    Tolerância no lugar de eliminação

    Outro mecanismo central é a forma como os morcegos respondem à inflamação. No organismo desses mamíferos, a proteína NLRP3, responsável por ativar a resposta inflamatória de combate a infecções, praticamente não reage quando encontra uma carga viral. Isso significa que o corpo do morcego não tenta destruir o vírus a qualquer custo. Em vez disso, aprende a conviver com ele.

    Essa estratégia tem um nome na imunologia: tolerância a doenças. A abordagem limita os danos ao hospedeiro sem se preocupar em eliminar completamente o patógeno. O vírus replica, mas de forma controlada. O morcego sobrevive. E o vírus permanece, pronto para dar o salto quando houver contato com outro hospedeiro, como um humano.

    Morcegos possuem mutações e supressão de expressão de moléculas envolvidas nas respostas inflamatórias, o que permite que o sistema imunológico controle os vírus sem causar uma resposta exacerbada capaz de danificar tecidos. Esse equilíbrio fino é justamente o que os cientistas tentam replicar em laboratório para tratar doenças em humanos.

    O que isso tem a ver com a sua lavoura?

    Aqui o tema sai do laboratório e entra no campo. Os morcegos hospedam uma proporção significativamente maior de zoonoses do que todas as outras ordens de mamíferos. Esse dado preocupa e exige atenção do produtor rural, que convive com esses animais no ambiente agropecuário.

    No entanto, a mesma biologia que faz dos morcegos reservatórios virais os torna indispensáveis para a agricultura brasileira. Pesquisadores da UnB identificaram nas fezes de morcegos insetívoros urbanos mais de 40 espécies de insetos, muitos deles pragas agrícolas de culturas como soja, milho e algodão.

    O impacto econômico disso é concreto. Só a produção de milho no Brasil tem um benefício estimado de 390 milhões de dólares por ano com a supressão de pragas como a lagarta do cartucho e mariposas, segundo o professor Enrico Bernard, da UFPE. Além disso, morcegos de uma única caverna podem retirar até 82 toneladas de insetos em um ano.

    Exterminar esses animais, portanto, não é apenas um erro ecológico. É um prejuízo financeiro direto ao agronegócio. Pesquisadores são categóricos: exterminar morcegos não é saída para a prevenção de epidemias, e eles podem até trazer a solução para doenças futuras.

    “Em vez de tentar reinventar a roda, poderíamos aprender com o que a evolução desenvolveu no morcego, onde o resultado não é uma doença, mas é algo que permite a sobrevivência após a infecção por um vírus específico”, diz a imunologista Judith Mandl, da Universidade McGill.

    O morcego carrega o vírus. Carrega também a resposta. E a agricultura brasileira, que depende diretamente desse equilíbrio, precisa entender os dois lados dessa equação.

  • Como a vacinação está revolucionando a criação de tilápia no Brasil

    Como a vacinação está revolucionando a criação de tilápia no Brasil

    A criação de tilápia no Brasil enfrenta um inimigo duplo: Iridovírus e bactérias do gênero Streptococcus podem dizimar até 70% de um lote em poucas semanas. A boa notícia é que a vacinação combinada contra os dois agentes já demonstra resultados concretos. E transforma a equação econômica do produtor.

    Dados apresentados pela MSD Saúde Animal revelam que lotes de tilápia (Oreochromis niloticus) imunizados simultaneamente contra Iridovírus e Estreptococose atingiram taxa de sobrevivência de 95,3%. Ante apenas 71,9% nos grupos vacinados apenas contra Streptococcus. Além disso, o uso de antibióticos caiu mais de 60%, reduzindo custos operacionais e adequando a produção às exigências dos principais mercados importadores.

    “Os programas de sanidade na aquicultura evoluíram do tratamento com antimicrobianos para a prevenção abrangente, na qual a vacinação desempenha um papel essencial”, afirma Talita Morgenstern, coordenadora técnica da unidade de Aquicultura da MSD Saúde Animal.

    O problema: dois patógenos que se potencializam

    A intensificação da piscicultura brasileira criou condições favoráveis à proliferação de doenças. Altas densidades de estocagem em tanques-redes, reservatórios compartilhados e variações frequentes de temperatura elevam o estresse fisiológico dos peixes. Abrindo caminho para infecções em cadeia.

    O Vírus Infeccioso do Baço e da Necrose Renal (ISKNV), principal Iridovírus que afeta tilápias, pode provocar mortalidades superiores a 70% em um único surto, causando necrose de órgãos, anemia e letargia. Já a Estreptococose, provocada por Streptococcus agalactiae e Streptococcus iniae, responde por perdas que variam entre 30% e 80% em águas quentes, sendo considerada uma das doenças bacterianas mais devastadoras da espécie.

    A combinação dos dois agentes é especialmente perigosa. “O vírus compromete a imunidade do peixe, favorecendo a proliferação bacteriana secundária. A infecção bacteriana, por sua vez, gera inflamação e estresse metabólico que aceleram a replicação viral”, explica Talita. O resultado são surtos mais rápidos e letais do que os causados por um único patógeno.

    Além da mortalidade: o custo invisível das doenças

    As perdas não se limitam aos peixes mortos. Surtos de doença impactam a taxa de crescimento do lote, aumentam o descarte no abate e comprometem a uniformidade de peso. Portanto, fatores que corroem diretamente a margem do produtor.

    “Durante surtos, também são observadas deformidades, queda na conversão alimentar e aumento do tempo de cultivo”, alerta a coordenadora técnica. Lotes vacinados com o protocolo combinado apresentaram menor variabilidade de peso e maior uniformidade no abate, segundo os dados da empresa.

    Vacinação como investimento, não como custo

    Do ponto de vista financeiro, a redução no uso de antibióticos tem impacto direto nos custos de produção e na viabilidade de exportação. Mercados como a União Europeia e os Estados Unidos impõem limites rígidos ao uso de antimicrobianos em produtos aquícolas> E a conformidade com essas regras é condição para acesso a compradores internacionais.

    “Nos mercados externos, essas práticas fortalecem a imagem de sustentabilidade da aquicultura latino-americana”, destaca Talita, que reforça a necessidade de tratar a vacinação como parte de uma estratégia mais ampla: “Integrar o controle viral e bacteriano a um programa de biossegurança e gestão da qualidade da água é a chave para o sucesso.”

    Para o produtor, a mensagem é direta: a imunização combinada não é um gasto adicional, mas um investimento com retorno mensurável em sobrevivência, uniformidade de lote, redução de insumos e abertura de mercado.

  • Pesquisadores identificam vírus raro de encefalite equina na fronteira amazônica

    Pesquisadores identificam vírus raro de encefalite equina na fronteira amazônica

    Pesquisadores da Fiocruz identificaram três casos humanos de encefalite equina venezuelana no Amazonas. A descoberta marca a primeira detecção do vírus em residentes brasileiros de Tabatinga, município na fronteira com Colômbia e Peru.

    Dois homens e uma mulher contraíram a doença na região do Alto Solimões em 2025. Os cientistas confirmaram os diagnósticos através de PCR em tempo real e sequenciamento genético.

    Projeto FrontFever mapeia doenças febris em áreas de fronteira

    O projeto FrontFever viabilizou a detecção dos casos. A iniciativa monitora doenças febris agudas em regiões amazônicas de fronteira, áreas com intensa circulação de agentes infecciosos.

    “Nossos achados identificam o VEEV como uma causa subdiagnosticada de doença febril aguda na Amazônia brasileira”, explica Felipe Gomes Naveca, virologista do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia).

    A equipe publicou os resultados da pesquisa como pré-print no último dia 21. O estudo recebe financiamento da Fapeam, CNPq e INCT-VER.

    Vírus pode causar sequelas neurológicas graves

    A encefalite equina venezuelana é uma doença viral transmitida por mosquitos. O alphavirus afeta tanto humanos quanto equinos, causando inflamação cerebral.

    A doença pode deixar sequelas motoras, cognitivas, comportamentais e emocionais. Estas complicações afetam diretamente a qualidade de vida do paciente. Contudo, a maioria dos casos evolui como doença febril sem consequências graves.

    O vírus já é endêmico no norte da América do Sul e América Central. Casos nos Estados Unidos são raros.

    Vigilância genômica identifica patógeno negligenciado

    A Fiocruz informou as autoridades de saúde sobre os casos em 31 de julho. O município de Tabatinga emitiu posteriormente um alerta de risco.

    Naveca coordena o Núcleo de Vigilância de Vírus Emergentes, Reemergentes ou Negligenciados da Fiocruz Amazônia. Ele também integra a Rede Genômica da Fundação.

    “A Rede ampliou sua atuação para outros vírus, como dengue, zika, chikungunya, oropouche e mayaro”, destaca o pesquisador.

    O Sistema Único de Saúde (SUS) monitora atualmente os casos identificados. O genoma parcial do vírus está disponível no GenBank desde 18 de agosto.

    Diversos institutos participaram do estudo: Fundação de Medicina Tropical Dr Heitor Vieira Dourado, IOC/Fiocruz, Fundação de Vigilância em Saúde Dra Rosemary Costa Pinto, Fiocruz Rondônia e Lacen-AM.

    A descoberta reforça a importância da vigilância genômica no enfrentamento de arbovírus emergentes, especialmente na região amazônica.

     

  • O que a ciência diz sobre os coelhos com chifres

    O que a ciência diz sobre os coelhos com chifres

    Coelhos com “chifres” estão chamando a atenção nos Estados Unidos, especialmente na região de Fort Collins, no Colorado. Esses animais exibem protuberâncias incomuns no rosto e na cabeça, que têm sido descritas como tentáculos, espinhos pretos ou chifres. Apesar da aparência bizarra e até assustadora, cientistas explicam que essas deformações são causadas por uma infecção viral rara conhecida como vírus do papiloma de Shope, que afeta exclusivamente os coelhos.

    Esse vírus provoca o crescimento de tumores benignos ou verrugas, geralmente na cabeça e no rosto dos coelhos, resultando nessas estruturas que se assemelham a chifres ou tentáculos. O vírus é transmitido entre os coelhos por meio de pulgas e carrapatos e tem surtos mais comuns nos meses de verão e outono, quando os vetores estão mais ativos.

    As autoridades locais do Departamento de Parques e Vida Selvagem do Colorado afirmam que o vírus não se transmite para humanos, cães ou outras espécies silvestres, reduzindo o risco para a população em geral.No entanto, eles recomendam que as pessoas evitem contato com os coelhos afetados e não tentem removê-los ou manipulá-los, orientando a deixar esses animais em paz em seu habitat natural.

    Do ponto de vista dos coelhos, a infecção não é necessariamente fatal, mas em casos avançados, os tumores podem crescer em locais sensíveis como olhos e boca, dificultando a alimentação, a visão e até a respiração, o que pode levar à morte dos animais. Em muitos casos, o sistema imunológico dos coelhos pode combater o vírus e fazer as deformações desaparecerem.

    Esse fenômeno tem gerado bastante repercussão nas redes sociais, com imagens dos chamados “coelhos Frankenstein” circulando. E despertando tanto fascínio quanto preocupação entre os moradores locais e internautas.

    Efeitos físicos e na saúde dos coelhos

    Os tumores e verrugas podem crescer na cabeça, boca e olhos dos coelhos. Quando localizados em áreas sensíveis, essas massas podem dificultar a alimentação, restringir a visão ou, em casos extremos, afetar a respiração dos animais.

    Em muitos casos, a infecção não é fatal nem provoca sofrimento imediato, e boa parte dos coelhos consegue sobreviver tranquilamente caso as protuberâncias não atrapalhem funções vitais.

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    O sistema imunológico dos coelhos pode superar o vírus, levando à regressão das deformidades em diversos animais; em outros casos, quando a doença avança, pode levar à morte por inanição ou limitações funcionais.

    Alterações comportamentais e na rotina

    Coelhos com tumores intensos podem mostrar comportamento mais recluso, evitar exposição e dificuldades de locomoção devido à restrição de visão.

    Mesmo debilitados, os animais infectados continuam vivendo normalmente no ambiente silvestre e não oferecem ameaça a outras espécies nem aos humanos. Não há alterações agressivas ou anormais no padrão de socialização oriundas diretamente da infecção.

    Impacto ecológico

    O vírus é transmitido principalmente por parasitas como pulgas e carrapatos. E tende a se espalhar mais durante períodos quentes (verão, início do outono), quando coelhos são mais ativos e a densidade populacional aumenta.

    Apesar do aspecto visual chocante, a doença não provoca surtos de mortalidade elevados nem desestabiliza ecossistemas locais. Isso porque grande parte dos coelhos apresenta remissão ou adaptação à infecção.

    Autoridades ambientais recomendam que os coelhos infectados permaneçam em seu ambiente natural, para não interferir no equilíbrio do ecossistema urbano e silvestre.

    Em resumo, os coelhos com chifres vistos nos EUA são vítimas de uma doença viral incomum que causa tumores benignos. E o fenômeno, apesar de estranho e visualmente impactante, não representa perigo para humanos nem para outros animais domésticos.

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  • Doença da Língua Azul – autoridades sanitárias da Europa em alerta

    Doença da Língua Azul – autoridades sanitárias da Europa em alerta

    A recente identificação de casos da doença da Língua Azul em rebanhos na Europa acendeu um alerta entre produtores e autoridades sanitárias do continente. A doença, causada por um vírus transmitido por mosquitos do gênero Culicoides, afeta principalmente ovinos, embora também possa infectar bovinos e caprinos. Os sintomas que incluem febre alta, inchaço da língua e das mucosas, além de lesões nos cascos e hemorragias. A Língua Azul pode levar a graves prejuízos econômicos e impactos na saúde animal.

    A presença da Língua Azul em rebanhos europeus representa uma preocupação significativa para o setor agropecuário. Especialmente em países com alta densidade de criação de ovinos e bovinos. A doença não é transmissível aos seres humanos, mas sua alta taxa de mortalidade entre os animais e as consequências econômicas resultantes das restrições ao comércio de produtos de origem animal são motivos de grande apreensão.

    Nas últimas semanas, surtos da doença foram confirmados em países como Espanha, França e Alemanha. Principalmente em regiões onde a pecuária é um dos principais pilares da economia. As autoridades sanitárias europeias têm intensificado os esforços para controlar a propagação do vírus. E implementando medidas como a restrição de movimentação de animais e a ampliação das campanhas de vacinação em áreas afetadas.

    Controle e prevenção da doença

    A prevenção da Língua Azul envolve principalmente a vacinação dos rebanhos, mas também passa por ações de manejo para reduzir a exposição dos animais aos mosquitos transmissores. Em áreas onde a doença é endêmica, a vacinação é a principal estratégia para minimizar os surtos. Além disso, o controle dos insetos vetores, por meio de medidas como o uso de repelentes e a melhoria das condições de higiene nos locais de criação, é essencial para reduzir a transmissão do vírus.

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    As autoridades sanitárias da União Europeia têm trabalhado em conjunto com produtores e associações do setor para garantir que as medidas de controle sejam efetivas e abrangentes. O monitoramento contínuo dos rebanhos e a comunicação rápida de novos casos são fundamentais para impedir a disseminação do vírus.

    Consequências econômicas e comerciais

    Os surtos de Língua Azul na Europa não apenas afetam a saúde dos rebanhos, mas também têm consequências significativas para o comércio de produtos agropecuários. A doença pode levar à imposição de restrições à exportação de carne, leite e outros produtos derivados dos animais infectados, causando perdas econômicas para os produtores e afetando as cadeias de suprimento.

    Além disso, o aumento dos custos com vacinação e manejo dos rebanhos em áreas afetadas representa um ônus adicional para os produtores, que já enfrentam desafios como as variações climáticas e as flutuações dos preços das commodities agrícolas.

    França relata surto de doença da língua azul próximo à fronteira com a Bélgica

    A França registrou um surto de doença da língua azul em uma fazenda localizada perto da fronteira com a Bélgica. Isso conforme informou a Organização Mundial da Saúde Animal (WOAH) na quarta-feira. Em 29 de julho de 2024, as autoridades belgas declararam um surto de febre catarral ovina do sorotipo 3 (FCO-BTV3). O surto ocorreu na comuna de Chimay, que faz divisa com a França.

    A febre da língua azul, transmitida por insetos, representa uma ameaça significativa para ruminantes domésticos, como ovelhas, gado e cabras. Desde o final do ano passado, a doença tem circulado na Holanda, no norte da Bélgica e no oeste da Alemanha. E sua progressão em direção ao sul da Bélgica aumentou na última semana.

    Medidas do governo francês

    Em resposta ao surto, o Ministério da Agricultura e da Soberania Alimentar da França ativou as medidas previstas na regulamentação para combater a difusão do FCO-BTV3, que ainda não foi caracterizado no território francês. As autoridades estão monitorando a situação de perto e implementando estratégias para proteger a saúde animal e prevenir a propagação da doença.

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    A febre da língua azul pode ter consequências graves para a produção agrícola, uma vez que a escassez de ruminantes pode afetar a polinização e a produção de diversas culturas. O governo francês trabalha em conjunto com as autoridades belgas para coordenar esforços de contenção e garantir a segurança alimentar na região.

    O surto de doença da língua azul na França destaca a importância da vigilância sanitária e da cooperação internacional na luta contra doenças que afetam a agricultura. Isso inclui a implementação de medidas preventivas e a colaboração entre os países. Espera-se que a situação seja controlada e que os impactos na produção agrícola sejam minimizados.

    Perspectivas e Ações Futuras

    Com a ameaça da doença da Língua Azul se espalhando pelo continente europeu, a cooperação entre países e a implementação de estratégias de controle eficazes são cruciais para conter a doença. As autoridades europeias continuam a reforçar as medidas de vigilância. E a apoiar os produtores na adoção de práticas que minimizem os riscos para os rebanhos.