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  • Enoturismo na Serra da Mantiqueira cresce 27% 

    Enoturismo na Serra da Mantiqueira cresce 27% 

    A Serra da Mantiqueira transforma o enoturismo em motor econômico regional. A região combina natureza, gastronomia e agricultura de altitude para atrair visitantes que buscam experiências autênticas relacionadas à produção local de vinhos e azeites.

    As vinícolas paulistas expandem operações e consolidam a Mantiqueira como polo estratégico do turismo de experiência no estado de São Paulo. A diversidade de rótulos, circuitos gastronômicos e azeites artesanais converte a Serra em destino preferencial para quem valoriza cultura e produtos regionais.

    Dados oficiais confirmam expansão do setor

    A Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP) e o Centro de Inteligência da Economia do Turismo (CIET) divulgaram em setembro dados que comprovam o crescimento do enoturismo. O levantamento aponta que 82% das vinícolas aumentaram o número de visitantes desde o lançamento das Rotas do Vinho de São Paulo.

    O fluxo turístico cresceu 27% em média nas vinícolas participantes. Cada turista gasta, em média, R$ 204 por visita. A Setur-SP projeta crescimento adicional até o fim do ano.

    Vinícola Essenza une dois estados em experiência integrada

    A Vinícola Essenza, localizada a 14 quilômetros do centro de Santo Antônio do Pinhal, exemplifica o modelo de negócio que impulsiona o setor. O empreendimento integra as Rotas do Vinho de São Paulo — iniciativa que reúne 66 vinícolas no estado — e recebe visitantes em espaço enogastronômico estruturado.

    O fundador e produtor Herbert Sales desenvolveu um conceito que conecta produção e hospitalidade. “A Serra tem uma vocação agrícola consolidada. O enoturismo é a continuidade natural desse processo, porque mostra que cada garrafa representa um território inteiro”, explica Sales.

    Foto: Régis Silva/Divulgação

    A empresa mantém duas propriedades produtivas. A unidade de Maria da Fé (MG) abriga o olival mais alto do mundo e o vinhedo mais alto do Brasil, a 1.910 metros de altitude. A localização em Santo Antônio do Pinhal funciona como espaço de recepção e degustação.

    “Ambas as propriedades estão na Serra da Mantiqueira. Maria da Fé é o coração produtivo e Santo Antônio do Pinhal é o espaço de acolhimento. Essa combinação permite que o visitante tenha uma experiência com os dois terroir”, afirma Herbert Sales.

    Reconhecimento internacional marca produção

    A Vinícola Essenza conquistou quatro medalhas de Bronze no Decanter World Wine Awards (DWWA) 2025, considerado o maior concurso de vinhos do mundo. Os rótulos premiados incluem Espumante Rosé Extra Brut, Mantikir Merlot 2024, Mantikir Pinot Noir 2024 e Mantikir Alvarinho 2024.

    A vinícola também produz azeites premiados a partir das variedades Koroneiki, Grappolo, Arbequina e Coratina. As condições de montanha e o manejo técnico especializado geram produtos de caráter singular.

    Herbert Sales atribui os resultados ao estudo contínuo do microclima regional. “As altitudes da Mantiqueira exigem técnicas específicas. Nosso foco é interpretar o solo, o clima e as variedades para alcançar equilíbrio e identidade em cada rótulo”, explica o produtor.

    Menu franco-brasileiro harmoniza experiência gastronômica

    A Vinícola Essenza lançou em dezembro o novo menu enogastronômico Estação Franco Mantikir. A proposta combina técnicas da culinária francesa com ingredientes regionais da Serra da Mantiqueira.

    O menu apresenta quatro etapas harmonizadas com vinhos premiados da vinícola. A experiência começa com welcome drink de espumante Essenza acompanhado de presunto cru produzido localmente. A sequência inclui peixe branco com beurre blanc e caviar de azedinha, corte suíno nobre com demiglacê de mirtilo, filé mignon com molho dijon e mil-folhas de batata, e entremet de café como sobremesa.

    Os visitantes também participam de tour pelo espaço produtivo e têm acesso à loja de produtos regionais.

    “Nosso propósito é que o visitante entenda o ciclo completo. Do cultivo ao prato, do azeite ao vinho. Tudo o que produzimos aqui na Essenza reflete o mesmo solo e o mesmo clima”, destaca Herbert Sales.

    Terroir da Mantiqueira valoriza conceito slow food

    O modelo de enoturismo desenvolvido na Serra da Mantiqueira conecta visitantes à origem dos produtos e valoriza o conceito slow food. A proposta enfatiza a relação entre território, produtores e sabores locais.

    Herbert Sales durante colheita da safra de uvas 2025. Foto: Régis Silva/Divulgação

    “Queremos que o cliente se sinta parte da Mantiqueira e perceba que por trás de cada garrafa há um território vivo, com produtores, histórias e sabores locais. Nosso propósito é mostrar que a Mantiqueira é um território produtivo, inovador e em expansão. A Essenza é um reflexo desse movimento que une sustentabilidade, turismo e qualidade”, conclui Herbert Sales.

  • Grão Mogol impulsiona produção de vinhos no sertão mineiro

    Grão Mogol impulsiona produção de vinhos no sertão mineiro

    Grão Mogol, município localizado ao pé da Cordilheira do Espinhaço, no Norte de Minas Gerais, está se destacando como referência na produção de uvas e vinhos de alta qualidade, mesmo em condições climáticas desafiadoras típicas do semiárido. Com técnicas modernas de irrigação, manejo adequado e apoio técnico de instituições como a Epamig e a Unimontes, produtores locais têm alcançado produtividade excepcional e reconhecimento nacional.

    Apesar da baixa incidência de chuvas – cerca de 900 mm por ano – e do clima quente e seco, os vinhedos de Grão Mogol apresentam produtividade média de 4 quilos por planta da variedade Merlot, com duas safras anuais. Essa performance é resultado da adoção de fertirrigação, manejo eficiente e constante troca de informações entre produtores e pesquisadores. O município já produz vinhos de diversos estilos, incluindo espumantes, vinhos licorosos, brancos, jovens e tintos de guarda, que podem envelhecer por até 20 anos.

    Reconhecimento nacional e desenvolvimento local

    O sucesso da vitivinicultura local foi reconhecido em 2024, quando o vinho Casa Velha, produzido pela vinícola Vale do Gongo, conquistou a medalha Grande Ouro no Concurso Nacional de Vinhos de Mesa, realizado em Bento Gonçalves (RS), referência nacional no setor. Essa foi a primeira vez que um vinho do Norte de Minas obteve destaque em um concurso desse porte, comprovando o potencial do terroir sertanejo para a produção de vinhos de excelência.

    Foto: Diego Vargas /SEAPA

    A parceria entre produtores e instituições de pesquisa tem sido fundamental para o avanço da viticultura em Grão Mogol. Segundo a coordenadora do Programa Estadual de Pesquisa em Vitivinicultura da Epamig, Renata Vieira, as condições de solo e clima da região permitem duas safras anuais apenas com manejo de irrigação e poda, sem a necessidade da técnica de dupla poda utilizada em outras regiões do estado. Estudos em andamento buscam aprimorar ainda mais o manejo das variedades cultivadas, especialmente a Merlot.

    Impacto econômico e fortalecimento do enoturismo

    Além da produção de uvas e vinhos, Grão Mogol também se destaca pelo desenvolvimento do enoturismo. O setor turístico local cresceu mais de 300% nos últimos anos, impulsionado pelas experiências oferecidas nas vinícolas e pela valorização dos produtos regionais. O secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, Thales Fernandes, destacou o potencial do município não apenas para a vitivinicultura, mas também para o cultivo de café, devido à topografia e altitude favoráveis.

    Com produção anual de 60 toneladas de uvas e 15 mil litros de vinho, além de uma produtividade de até 50 toneladas por hectare para uvas de mesa, Grão Mogol consolida-se como um novo polo da vitivinicultura brasileira. O microclima local, marcado por noites frias e clima seco, contribui para a qualidade das uvas, favorecendo a maturação fenólica e o controle de patógenos, fatores essenciais para a produção de vinhos premiados.

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