Tag: vinhos brasileiros

  • Vinhos do DF têm até três vezes mais compostos antioxidantes que rótulos internacionais, diz pesquisa

    Vinhos do DF têm até três vezes mais compostos antioxidantes que rótulos internacionais, diz pesquisa

    Pesquisa financiada pela FAPDF analisou safras de 2022 e 2023 de dez vinhedos do Distrito Federal. Em alguns indicadores, os vinhos brasilienses apresentaram concentrações superiores às encontradas em referências da França, Itália, Espanha, Austrália, Argentina e África do Sul.

    O levantamento recebeu reconhecimento da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), sediada em Dijon, na França. A entidade estabelece padrões técnicos para o setor vinícola mundial.

    Estudo avaliou três grupos

    O trabalho investigou a presença de resveratrol, catequinas, epicatequinas e antocianinas nos vinhos produzidos com a uva Syrah.

    Os pesquisadores realizaram as análises no Laboratório de Referência Enológica Evanir da Silva (Laren). Rafael Lavrador Sant’Anna, do Instituto Federal de Brasília (IFB), coordenou o estudo com Caroline Dani, da Associação Brasileira de Sommeliers do Rio Grande do Sul (ABS-RS), e Fernanda Spinelli, do Laren-RS e da OIV.

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    Resveratrol

    As amostras de Syrah do DF apresentaram até 12,08 mg/l de resveratrol. O composto tem propriedades antioxidantes e aparece associado, em estudos sobre o vinho, à proteção cardiovascular e neurológica.

    Os valores de referência foram:

    • Barossa Valley, na Austrália: 3,85 mg/l.

    • Toscana, na Itália: 3,2 mg/l.

    • Médoc e Bordeaux, na França: 2,9 mg/l.

    Catequinas e epicatequinas

    Os vinhos do Distrito Federal chegaram a 49,70 mg/l de catequinas e epicatequinas. Esses compostos apresentam ação antioxidante e anti-inflamatória.

    Na comparação, os pesquisadores encontraram:

    • Rioja e Priorat, na Espanha: entre 18 e 25 mg/l.

    • Vale do Rhône, na França: cerca de 20 mg/l.

    • África do Sul: até 17,76 mg/l.

    Antocianinas

    As antocianinas contribuem para a coloração dos vinhos tintos e também apresentam propriedades antioxidantes.

    Nas amostras do DF, os pesquisadores registraram:

    • Malvidina: até 17,90 mg/l.

    • Cianidina: até 46,84 mg/l.

    • Delfinidina: até 14,92 mg/l.

    Nos vinhos da Argentina, os índices chegaram a 9,75 mg/l de malvidina, 10,8 mg/l de cianidina e 22 mg/l de delfinidina. Já os rótulos de Hermitage e Côte Rôtie, na França, apresentaram entre 8,5 mg/l e 11 mg/l de malvidina.

    Dez vinhedos participaram

    A pesquisa analisou a produção das seguintes propriedades:

    • Oma Sena

    • Marchese

    • Ercoara

    • Alto Cerrado

    • Horus

    • Villa Triacca

    • Casa Vitor

    • Miro

    • Monte Alvor

    • Vista da Mata.

    Dupla poda favorece a colheita

    A uva Syrah concentra boa parte da produção vinícola do Distrito Federal. Segundo os pesquisadores, a variedade combina rusticidade, produtividade e adaptação às condições do Cerrado.

    Mais de 20 anos de pesquisas e investimentos ajudaram a aprimorar o cultivo na região. Entre as principais técnicas adotadas está a dupla poda, que altera o ciclo da planta e permite colher as uvas no inverno.

    Com a mudança no período de colheita, os produtores buscam condições mais favoráveis para concentrar açúcar, acidez, aromas e compostos fenólicos.

    Solo diferencia os rótulos

    Os dez vinhedos ficam em áreas de Cerrado de altitude, mas apresentam solos diferentes. Há propriedades com terrenos arenosos, montanhosos, argilosos e de tapiocanga.

    Alguns vinhedos reúnem mais de um tipo de solo na mesma área. Para os pesquisadores, essa diversidade contribui para a identidade de cada vinho.

    “Há vinhedos de solo arenoso, montanhoso, argiloso, tapiocanga, tendo até mais de um tipo de solo no mesmo vinhedo, o que dá a cada vinho ainda mais singularidade”, afirma Rafael Lavrador Sant’Anna.

    Segundo o estudo, a combinação entre altitude, clima, solo e dupla poda ajuda a definir a estrutura, a longevidade e a complexidade aromática dos vinhos.

    Vinhos ainda podem evoluir

    Os pesquisadores descrevem o Syrah do Cerrado como um vinho harmônico e versátil, com potencial para acompanhar diferentes pratos.

    Sant’Anna também destaca a idade dos vinhedos e projeta espaço para evolução da qualidade ao longo dos próximos anos.

    “Os vinhedos entregam os melhores vinhos com o passar do tempo. Se esse vinhedo jovem já está entregando tudo isso, o que vai ser daqui a alguns anos? A gente fica curioso”, diz o pesquisador.

    Pesquisa recebeu R$ 1,5 milhão

    O estudo começou em 2023 e tinha previsão de término em dezembro de 2025. A FAPDF destinou R$ 1,5 milhão ao trabalho por meio dos editais FAPDF Learning Agro de 2022 e 2023.

    A pesquisa avaliou a adaptação da Syrah ao solo e ao clima do Distrito Federal, além das características químicas e sensoriais dos vinhos produzidos na região.

    Consumo deve ser moderado

    Os pesquisadores ressaltam que qualquer possível benefício associado aos compostos analisados depende de consumo moderado. O estudo cita uma taça de 125 ml por dia para pessoas com mais de 18 anos.

    A pesquisa não recomenda que pessoas que não bebem comecem a consumir vinho por causa da presença desses compostos.

    Enoturismo cresce no DF

    As vinícolas do Distrito Federal oferecem passeios guiados, degustações e atividades sobre o cultivo da uva Syrah e a produção de vinhos no Cerrado.

    As experiências também apresentam a história e as características dos vinhedos brasilienses, além dos diferentes rótulos produzidos na região.

  • Feira deve ampliar mercado para vinhos brasileiros em 2026

    Feira deve ampliar mercado para vinhos brasileiros em 2026

    A Wine South America 2026 deve movimentar o setor vitivinícola ao reunir produtores, compradores e investidores entre os dias 12 e 14 de maio, em Bento Gonçalves (RS). O evento aposta em rodadas de negócios e projetos estratégicos para ampliar a comercialização de vinhos brasileiros e fortalecer a presença no mercado nacional e internacional.

    Foto: Cesar Silvestro/Divulgação

    Antes mesmo de chegar às prateleiras, o vinho já passa por ambientes decisivos de negociação. Na feira, compradores e vinícolas participam de encontros direcionados que geram acordos comerciais, abrem novos mercados e antecipam tendências de consumo.

    Rodadas nacionais conectam vinícolas e compradores

    O Projeto Comprador Nacional reúne cerca de 100 compradores brasileiros e aproximadamente 150 vinícolas. O Sebrae-RS e o Consevitis-RS organizam os encontros, que têm duração média de 15 minutos e ocorrem com agendamento prévio.

    Nesse formato, produtores apresentam rótulos, condições comerciais e logística diretamente a decisores de compra. A dinâmica aumenta a eficiência das negociações e fortalece a conexão entre oferta e demanda.

    Segundo Angélica Brandalise, do Sebrae-RS, o projeto também revela tendências do setor. “Os encontros mostram mudanças no perfil de consumo, nos estilos mais procurados e nas exigências comerciais”, afirma.

    Entre as vinícolas participantes, cerca de 50 são gaúchas e integram o estande coletivo “Vinhos Gaúchos”. O espaço reúne pequenos produtores e valoriza Indicações Geográficas como Vale dos Vinhedos, Campanha Gaúcha e Altos de Pinto Bandeira.

    Para a Vinícola Don Laurindo, a iniciativa abre portas estratégicas. O diretor Moisés Brandelli destaca que o contato direto com compradores fortalece relações comerciais e aumenta as chances de negócios futuros.

    Exportações ganham força com compradores internacionais

    A internacionalização do vinho brasileiro avança com o projeto Exporta Mais Vinhos, realizado pelo Wines of Brazil em parceria com a ApexBrasil. A iniciativa conecta vinícolas a compradores de mercados como Estados Unidos, China, Reino Unido, Japão, Canadá e Rússia.

    Além das rodadas de negócios, o programa inclui visitas técnicas e experiências imersivas. Em 2025, as vinícolas participantes projetaram US$ 640 mil em negócios internacionais nos 12 meses seguintes ao evento.

    Segundo Rafael Romagna, do Wines of Brazil, a estratégia prepara pequenas e médias vinícolas para exportar. “O projeto transforma planejamento em oportunidades reais no mercado externo”, afirma.

    Neste ano, sete compradores internacionais e 22 vinícolas participam da ação.

    Projeto internacional amplia oferta de rótulos no Brasil

    O B2B Connection, também conhecido como Projeto Comprador Internacional, promove encontros entre cerca de 35 compradores brasileiros e 80 vinícolas estrangeiras. A iniciativa amplia o acesso a rótulos internacionais e fortalece o intercâmbio comercial. Em 2025, o Brasil importou mais de 165 milhões de litros de vinho, alta de 3,5% na comparação com 2024, com gastos que chegaram a US$ 558,7 milhões.

    As reuniões seguem o mesmo modelo das rodadas nacionais, com suporte multilíngue para facilitar as negociações. A feira reúne mais de 20 países, com destaque para estreias como Nova Zelândia e Alemanha, além da forte presença de Itália, Portugal e Argentina.

    A argentina Finca Flichman vê o projeto como estratégico para acessar novos clientes no Brasil. Já a portuguesa Adega de Azueira retorna ao evento após fechar negócios em edições anteriores, reforçando o potencial comercial da feira.

    Entre os principais fornecedores, a Itália ganhou espaço e se consolidou como o quinto maior exportador em valor para o Brasil, atrás de Chile, Argentina, Portugal e França. No ano passado, as vendas italianas somaram US$ 49,2 milhões, avanço de 13,9% sobre 2024, enquanto o volume exportado ficou estável em cerca de 9,8 milhões de litros.

    Valor agregado

    Mais do que o crescimento em volume, o setor vive um movimento de premiumização. O consumidor brasileiro passou a buscar rótulos de maior valor agregado, o que amplia a demanda por vinhos de origem, espumantes, brancos, rosés e produtos de regiões menos conhecidas no país.

    Para Milena Del Grosso, diretora da ICE no Brasil, a Itália representa de forma clara essa mudança de comportamento. Ela destaca que o volume exportado para o Brasil se manteve estável, mas o faturamento avançou, impulsionado pela valorização dos rótulos italianos no mercado nacional.

    Millena Del Grosso, diretora da Agência ICE no Brasil. Foto: Divulgação

    Nesse contexto, a Agência ICE organiza o Pavilhão Italiano na Wine South America 2026, que será realizada entre 12 e 14 de maio, em Bento Gonçalves (RS). O espaço reunirá mais de 30 empresas e cerca de 300 rótulos de diferentes regiões vitivinícolas da Itália, com foco em novos terroirs, denominações de origem, espumantes, vinhos vulcânicos, brancos de altitude e produtores que buscam importadores e canais de distribuição qualificados.

  • Safra 2026 do RS deve bater 900 milhões de quilos de uvas e anima setor

    Safra 2026 do RS deve bater 900 milhões de quilos de uvas e anima setor

    O mês de março marca a reta final da safra das uvas no Rio Grande do Sul, e o balanço anima o setor. A produção de 2026 deve se aproximar de 900 milhões de quilos colhidos. Um crescimento de até 15% sobre a safra anterior, segundo dados do Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS). O volume supera as projeções iniciais e reforça o otimismo da vitivinicultura brasileira às vésperas da próxima edição da Wine South America (WSA), feira profissional que ocorre de 12 a 14 de maio, em Bento Gonçalves (RS).

    A estimativa contempla uva destinada à indústria, ao consumo in natura e à elaboração de vinhos artesanais. Para muitas vinícolas, a WSA representa o primeiro grande palco para apresentar ao mercado as expectativas da nova colheita e ampliar conexões comerciais. O evento reúne produtores, compradores e especialistas da cadeia vitivinícola da América Latina.

    Vinícola de Pinto Bandeira celebra condições climáticas favoráveis

    Na Vinícola La Grande Bellezza, em Pinto Bandeira, na Serra Gaúcha, os proprietários Rossano Biazus e Cristiana Petriz descrevem uma colheita excepcional. “Todas as variedades se ajustaram bem às condições climáticas, resultando em uvas sadias e com maturação precisa. Chardonnay e Pinot Noir originaram vinhos base para espumantes muito equilibrados, enquanto as uvas tintas alcançaram sua maturação em excelentes condições”, destacam.

    A vinícola planeja levar à WSA toda a sua linha de vinhos e espumantes. “É uma feira onde os vinhos nacionais se sentem à vontade, alinhados às expectativas dos compradores”, afirmam os proprietários.

    Além de espaço para negociações, a WSA funciona como vitrine para tendências do setor. A realização na Serra Gaúcha, maior região produtora de vinhos e espumantes do país, favorece a prospecção comercial e oferece experiência imersiva aos compradores: representantes de redes varejistas, importadoras e distribuidoras podem visitar vinícolas da região e conhecer de perto os processos produtivos.

    Safra 2026 supera desafios climáticos na Serra Gaúcha

    Enfrentar adversidades climáticas faz parte da rotina da vitivinicultura, e a vindima 2026 não fugiu à regra. Em regiões como Flores da Cunha e Nova Pádua, onde fica a Indicação de Procedência (IP) Altos Montes, as vinícolas avaliam a safra como promissora, com boas condições de maturação.

    O enólogo André Tonet, presidente da Altos Montes, aponta o ciclo climático como diferencial. “Tivemos um inverno rigoroso e uma primavera com chuvas dentro da normalidade, o que favoreceu a brotação. O início de 2026 registrou precipitações abaixo da média, permitindo maturação plena das uvas. Vislumbramos uma safra de grande destaque, semelhante à de 2020”, afirma.

    O caminho até a colheita, porém, exigiu resiliência. Em dezembro de 2025, um tornado atingiu o interior de Flores da Cunha, na localidade Travessão Alfredo Chaves, danificando vinhedos e estruturas produtivas. A Vinícola Terrasul Vinhos Finos perdeu tanques de armazenagem e parte das instalações. A resposta da comunidade foi rápida: produtores da região, viticultores de outras cidades da Serra e o Exército organizaram mutirões para reconstruir as estruturas e retomar as atividades.

    “Mesmo com todos esses desafios, acreditamos que a qualidade da safra 2026 foi muito boa e, no geral, com produção acima da média”, afirma Augusto Salvador, enólogo e proprietário da Terrasul.

    Mais de 200 vinícolas brasileiras confirmam presença na WSA 2026

    A edição de 2026 da Wine South America deve reunir um número recorde de vinícolas brasileiras. Na edição anterior, em 2025, cerca de 200 marcas nacionais participaram, representando terroirs como Serra e Campanha Gaúcha, Serra do Sudeste, Campos de Cima da Serra, Serra Catarinense, Vales da Uva Goethe, Cerrado Goiano, Vale do São Francisco, Serra da Mantiqueira e Brasília, região que estreou no evento em 2025 e já confirmou retorno.

    Foto: Cesar Silvestro/Divulgação

    Entre os nomes confirmados para 2026 estão Miolo, Aurora, Don Guerino, Pizzato e Nova Aliança, além de entidades como Aprobelo (Monte Belo do Sul), Afavin (Farroupilha), Aprovale (Vale dos Vinhedos) e Altos Montes (Flores da Cunha). O evento destaca também regiões com certificação de origem, como as Denominações de Origem Vale dos Vinhedos e Pinto Bandeira, e Indicações de Procedência como Altos Montes e Farroupilha. Um sinal do avanço qualitativo da vitivinicultura nacional rumo ao padrão internacional.

    Wine South America recebe novos países e amplia alcance internacional

    A WSA consolida sua posição como plataforma internacional de negócios. Na edição de 2026, rótulos de mais de 20 países estarão presentes. Incluindo as estreias de Nova Zelândia e Alemanha e o retorno da África do Sul. Itália e Portugal ampliam sua participação, e Chile, Argentina e Uruguai mantêm presença expressiva.

    Ao todo, mais de 400 marcas nacionais e internacionais ocuparão o mesmo espaço durante os três dias de feira, conectando produtores, importadores, distribuidores e compradores de diferentes mercados. A diversidade de origens e estilos consolida a Wine South America como um dos principais pontos de encontro do setor vitivinícola na América Latina.

  • Evento no RJ reúne mais de mil amostras na 11ª Grande Prova Vinhos do Brasil

    Evento no RJ reúne mais de mil amostras na 11ª Grande Prova Vinhos do Brasil

    A Grande Prova Vinhos do Brasil 2026 (GPVB) abriu as inscrições e já registra alta adesão de produtores de todo o país. O principal concurso de vinhos nacionais acontece entre 9 e 12 de março, no Hotel Vila Galé Rio de Janeiro, na Lapa, e deve se firmar como a maior edição desde sua criação, em 2012.

    Reconhecida como a maior prova às cegas de vinhos brasileiros do mercado, a GPVB chega à 11ª edição com recorde de amostras, expansão de categorias e maior representatividade geográfica, refletindo o avanço e a diversidade da vitivinicultura brasileira.

    Segundo Marcelo Copello, presidente do júri, o evento se consolidou como a principal vitrine do setor. “Começamos com pouco mais de 200 amostras de quatro estados. Hoje, ultrapassamos mil amostras de dez estados e, nesta edição, teremos um recorde histórico de 80 categorias”, afirma.

    O júri da GPVB é composto por especialistas nacionais e internacionais. E as degustações são 100% às cegas, com auditoria independente para garantir transparência e credibilidade.

    Expansão reflete novas tendências

    A GPVB 2026 amplia e atualiza suas categorias para acompanhar a transformação do mercado nacional. Entre as novidades estão as castas híbridas, como Lorena; variedades italianas, como Refosco e Barbera; e os Vinhos de Baixa Intervenção. Outra inclusão de destaque é a dos Vinhos sem Álcool, segmento que cresce de forma acelerada.

    “A Grande Prova traduz os objetivos do Grupo BACO de reconhecer, divulgar e incentivar o vinho brasileiro. Acompanhamos o setor há mais de 30 anos, e é gratificante ver o reconhecimento dos produtores e do público”, comenta Sérgio Queiroz, sócio do Grupo BACO, organizador do evento.

    Premiação será durante a Wine South America

    Os vencedores serão conhecidos durante a Wine South America, realizada entre 12 e 14 de maio, em Bento Gonçalves (RS). Segundo Marcos Milaneze, diretor da feira, unir os dois eventos fortalece o reconhecimento do vinho brasileiro. “A entrega dos certificados dentro da principal feira do setor amplia a visibilidade dos rótulos premiados. E conecta os produtores com compradores qualificados do trade”, destaca.

    A edição de 2026 contará com 80 categorias, abrangendo espumantes, vinhos brancos, tintos, rosés, frisantes, vinhos de baixa intervenção, vinhos sem álcool e sucos de uva integrais. Além das medalhas principais, a GPVB também entrega prêmios especiais, como o Best Buy (melhor relação qualidade/preço), Vinícola Revelação e Melhor do Estado, que valoriza os rótulos mais bem pontuados de cada região.

    Produtores interessados podem solicitar a ficha de inscrição pelo site oficial da Grande Prova Vinhos do Brasil ou pelo telefone/WhatsApp (51) 99827‑9198.

  • Exportações de vinhos brasileiros crescem 26%

    Exportações de vinhos brasileiros crescem 26%

    O setor vitivinícola brasileiro encerrou 2025 com resultados expressivos: as exportações de vinhos e espumantes alcançaram US$ 13,3 milhões, crescimento de 26,14% em valor comparado a 2024.

    O Comex Stat compilou os dados, divulgados pelo projeto setorial Wines of Brazil, que o Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS) desenvolve em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).

    As vinícolas brasileiras exportaram seus produtos para 63 países em 2025, um crescimento de 31,25% no número de destinos. Paraguai, Haiti e Estados Unidos ocuparam as primeiras posições entre os mercados compradores. Das empresas exportadoras, 62,9% integram o Wines of Brazil – o projeto apoia 21 vinícolas que atuam no mercado internacional.

    Os espumantes brasileiros protagonizaram a expansão do setor, com aumentos de 37,85% em valor e 48,76% em volume exportado. As vinícolas participantes do projeto setorial respondem por 72,53% das exportações de espumantes. Os vinhos também apresentaram desempenho positivo, com crescimento de 23,64% em valor e 22,16% em volume.

    No total, o volume exportado de vinhos e espumantes brasileiros cresceu 24,27% em relação ao ano anterior.

    Feiras internacionais impulsionam resultados

    Rafael Romagna, gerente de promoção para o mercado externo do Consevitis-RS e gestor do projeto setorial Wines of Brazil, atribui os resultados ao trabalho consistente de promoção internacional e ao investimento das empresas brasileiras.

    “O reconhecimento mundial da qualidade dos vinhos brasileiros através de premiações internacionais amplia o conhecimento sobre nossos produtos. Apesar do cenário macroeconômico difícil, conquistamos resultados positivos”, afirma Romagna.

    Foto: Rodarte/Agência Agro em Campo

    O projeto Wines of Brazil viabilizou a participação das vinícolas brasileiras em seis feiras setoriais internacionais durante 2025. “As feiras constituem nossas principais ações promocionais e, sem dúvida, trazem os maiores resultados para as vinícolas brasileiras. Em duas delas, realizamos encontros exclusivos entre compradores internacionais e vinícolas brasileiras através do projeto comprador”, destaca o gestor.

    Perspectivas para 2026 exigem cautela

    Romagna considera 2026 um ano mais desafiador devido ao cenário macroeconômico global. “Países negociam acordos bilaterais enquanto adotam medidas protecionistas simultaneamente, o que dificulta previsões. Considerando a volatilidade do mercado, repetir o resultado de 2025 já representaria um desempenho muito positivo”, avalia.

    O Brasil participará da Wine Paris 2026, entre 9 e 11 de fevereiro, consolidando sua presença em uma das feiras profissionais que mais crescem internacionalmente. Oito vinícolas marcarão presença na segunda participação brasileira no evento: Aurora, Bárbara Eliodora, Casa Almeida Barreto, Casa Valduga, CRS Brands, Garziera (Grupo Verano), Miolo e Salton.

    As empresas representam a diversidade geográfica da produção nacional, com rótulos do Rio Grande do Sul, Pernambuco, São Paulo e Minas Gerais.

  • Rio Grande do Sul celebra safra histórica de uvas em 2025

    Rio Grande do Sul celebra safra histórica de uvas em 2025

    O Rio Grande do Sul está prestes a fechar a maior safra de uvas da última década, com previsão de colheita de 750 mil toneladas em 2025 – um aumento de 38,5% em relação a 2024. Os dados, divulgados pelo Consevitis-RS (Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura), revelam um cenário promissor para vinhos, espumantes e sucos gaúchos, com destaque para a Serra Gaúcha, responsável por 70% da produção estadual.

    Safra “das safras” impulsiona mercado nacional e internacional

    A combinação de clima seco, tecnologia avançada e recuperação pós-chuvas de 2024 resultou em uvas com aromas intensos, maturação uniforme e alto teor de açúcar. “Esta será a safra das safras de uvas. Temos qualidade para competir globalmente”, afirma Luciano Rebelatto, presidente do Consevitis-RS. A expectativa é que o setor vitivinícola gaúcho amplie suas exportações, principalmente para EUA, China e Europa, com apoio de campanhas da Agavi (Associação Gaúcha de Vinicultores).

    Darci Dani, diretor da Agavi, reforça: “Queremos mostrar ao mundo que os vinhos brasileiros são uma escolha premium. A safra 2025 é nosso cartão de visitas”.

    Clima favorável evita tragédias e garante qualidade

    Após as chuvas devastadoras de maio de 2024, o Estado registrou um inverno rigoroso e primavera estável, essenciais para a brotação das videiras. “Tivemos um ciclo quase perfeito: geadas controladas, dias ensolarados e noites frias, que intensificaram a cor e o aroma das uvas”, explica Carlos Azambuja, enólogo de Pinto Bandeira.

    Dados da Embrapa Uva e Vinho comprovam:

    • Apenas 6 dias com temperaturas abaixo de 10°C durante a primavera;
    • 657 mm de chuva entre agosto e fevereiro (20% abaixo da média histórica);
    • Redução de doenças nas videiras graças à baixa umidade.

    “A seca relativa permitiu maturação técnica impecável, especialmente para as variedades Bordô e Niágara, usadas em vinhos de mesa e sucos”, destaca Henrique Pessoa dos Santos, pesquisador da Embrapa.

    Enólogos projetam vinhos “potentes” e espumantes equilibrados

    A safra 2025 já é considerada a melhor em 10 anos por especialistas. Mário Lucas Ieggli, presidente da Associação Brasileira de Enologia (ABE), antevê:

    • Vinhos tintos: estrutura robusta e teor alcoólico elevado;
    • Espumantes: equilíbrio entre acidez e açúcar;

    Brancos e rosés: intensidade aromática graças às noites amenas.

    Na região dos Campos de Cima da Serra, os enólogos André Donatti e Delto Garibaldi reforçam o otimismo: “Os tintos estão em fase de desenvolvimento, mas os brancos já têm personalidade única. É uma safra para marcar época”, afirma Garibaldi.

    Apesar do cenário positivo, o setor alerta para a necessidade de investimentos em logística e políticas de exportação. “Precisamos vencer barreiras tributárias e melhorar a distribuição para consolidar o Brasil como player global”, conclui Rebelatto.

    Enquanto os primeiros rótulos da safra 2025 chegam ao mercado em setembro, produtores já planejam ações para atrair enoturistas à Serra Gaúcha, com roteiros de degustação e colheita participativa.

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