Tag: Vietnã

  • Brasil produz mais café do que os seus três maiores rivais somados

    Brasil produz mais café do que os seus três maiores rivais somados

    O café faz parte da rotina matinal de bilhões de pessoas e figura como uma das commodities agrícolas mais negociadas do planeta. Atualmente, a produção mundial se concentra em um grupo seleto de países localizados no chamado “cinturão do café”, entre os trópicos de Câncer e Capricórnio.

    https://www.instagram.com/p/DbkzWU1Szjq/

    Os dados mais recentes do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para o ano comercial 2025/2026 revelam um cenário de hegemonia brasileira. O Brasil produziu 63 milhões de sacas de 60 kg, o que representa 35% de toda a produção global de café verde.

    Para se ter uma ideia da escala, a colheita brasileira supera a soma total da produção do Vietnã, Colômbia e Indonésia juntas. A maior parte desse volume consiste em café arábica, variedade valorizada em mercados de especialidades e produtos premium devido ao seu cultivo em altitudes elevadas.

    A ascensão asiática e o fenômeno do Vietnã

    Embora a América do Sul ainda lidere o suprimento global, o eixo de produção está mudando para a Ásia. Desde a década de 1960, a participação asiática no mercado saltou de menos de 5% para atuais 32%.

    O grande protagonista dessa mudança é o Vietnã, que consolidou sua posição como o segundo maior produtor mundial em 1999, ao ultrapassar a Colômbia. Com uma produção de 31,7 milhões de sacas (18% do total global), o país foca na variedade robusta, grão mais resistente e com maior teor de cafeína, essencial para cafés instantâneos e misturas de café expresso.

    O top 5 da produção mundial

    Apenas cinco países controlam quase três quartos de todo o café cultivado no mundo. Confira os líderes:

    Brasil: 63 milhões de sacas (35%)

    Vietnã: 31,7 milhões de sacas (18%)

    Colômbia: 12,5 milhões de sacas (7%)

    Indonésia: 12,4 milhões de sacas (7%)

    Etiópia: 11,6 milhões de sacas (6%)

    A Etiópia, reconhecida como o berço do café arábica, mantém sua relevância histórica e econômica fechando o grupo dos cinco maiores.

    Riscos no horizonte: clima e preços

    Apesar dos números robustos, o setor enfrenta desafios crescentes. As mudanças climáticas impactam diretamente a qualidade das safras e reduzem as áreas viáveis para o cultivo, além de aumentarem a pressão de pragas.

    Como a oferta global depende de poucos países, qualquer evento climático extremo nessas regiões gera volatilidade imediata no mercado. Isso pressiona os preços ao consumidor final, tornando o cafezinho diário mais caro em todo o mundo.

  • Expansão do café no Vietnã impulsiona desmatamento e ameaça produção futura

    Expansão do café no Vietnã impulsiona desmatamento e ameaça produção futura

    O avanço da produção de café no Vietnã provocou décadas de desmatamento e reduziu drasticamente a cobertura florestal nas Terras Altas Centrais, principal região produtora do país. A constatação faz parte de um relatório da organização Coffee Watch, com sede em Berlim.

    Segundo o estudo, o Vietnã ocupa atualmente a posição de segundo maior produtor mundial de café e responde por cerca de 40% das exportações globais de robusta (Coffea canephora). Esse crescimento, no entanto, ocorreu com forte pressão sobre os recursos naturais.

    A análise, baseada em dados de satélite e registros oficiais, mostra que a cobertura de florestas tropicais na região caiu de 42,8% em 1990 para apenas 19% em 2020. As Terras Altas Centrais concentram cerca de 95% da produção de café do país.

    Desmatamento avança

    O desmatamento avançou com mais intensidade entre 1995 e 2010. Desde então, a perda florestal desacelerou, mas se mantém em níveis baixos. Hoje, as áreas de floresta remanescentes se concentram em regiões mais íngremes, de difícil acesso e, em muitos casos, dentro de áreas protegidas.

    Foto: Wenderson Araujo/Trilux/CNA

    Políticas públicas e financiamentos internacionais incentivaram a expansão acelerada do café ao longo das últimas décadas. Como consequência, o modelo produtivo gerou impactos ambientais relevantes, como fragmentação de habitats, aumento da erosão do solo e empobrecimento nutricional das áreas cultivadas. Nesse cenário, produtores passaram a depender de maiores volumes de fertilizantes para sustentar a produtividade.

    O relatório também destaca efeitos diretos sobre o equilíbrio ambiental da região, incluindo alterações no fluxo e na recarga hídrica, perda de estabilidade do solo, redução da umidade, diminuição do armazenamento de carbono e aumento da incidência de pragas.

    Risco futuro

    Além disso, a Coffee Watch alerta que até 50% da área atual de cultivo de robusta pode se tornar inadequada nas próximas décadas. O risco decorre da combinação entre degradação ambiental e eventos climáticos extremos, como temperaturas mais altas e chuvas irregulares.

    Para especialistas, o setor já começa a mudar de foco. Ly Thi Minh Hai, diretora da RECOFTC no Vietnã, afirma que a expansão do café foi historicamente um dos principais vetores de desmatamento, mas destaca que o foco atual se volta para ganhos de produtividade e sustentabilidade nas áreas já cultivadas.

    Segundo ela, os produtores precisam adotar práticas mais resilientes às mudanças climáticas, como renovação de lavouras, sistemas consorciados com árvores de sombra, agricultura regenerativa e uso mais eficiente da água. O objetivo consiste em aumentar a produtividade sem ampliar a área plantada.

    A RECOFTC também atua junto a comunidades locais para promover sistemas agroflorestais. Além de fortalecer a regularização fundiária, medidas consideradas essenciais para conter novos avanços sobre áreas naturais.

    Portanto, para Minh Hai, o futuro do café vietnamita dependerá menos da expansão territorial e mais da gestão eficiente das áreas já disponíveis.

  • Piscicultura brasileira avança no primeiro semestre

    Piscicultura brasileira avança no primeiro semestre

    A piscicultura brasileira fechou o primeiro semestre de 2026 com saldo positivo no mercado interno. Impulsionado pela Quaresma, o consumo de peixes de cultivo cresceu e reforçou a trajetória de expansão observada no Brasil ao longo da última década. Mas o setor entra no segundo semestre sob atenção, diante de uma série de questões regulatórias e comerciais que podem definir os rumos da atividade nos próximos anos.

    Segundo a PEIXE BR, a tilápia, que responde por cerca de 70% da produção aquícola nacional, manteve a liderança entre os pescados mais consumidos pelos brasileiros. No segmento de peixes nativos, o tambaqui figurou como a principal preferência dos consumidores.

    “Esse desempenho demonstra a consolidação da piscicultura como uma importante fornecedora de proteína animal à população”, avaliou Francisco Medeiros, presidente executivo da PEIXE BR.

    Exportações em compasso de espera

    No mercado internacional, o cenário é de cautela. Medeiros explicou que a redução temporária da tarifa para 10% não gerou o retorno esperado, pois beneficiou todos os países exportadores de forma indistinta. Com a nova tarifa de 25%, o mercado esfriou. Um movimento que ele considera “normal, dentro da dinâmica comercial”.

    “Acreditamos em uma possível retomada nos volumes de exportação no segundo semestre, porém, tudo depende das decisões de política externa entre Brasil e Estados Unidos”, destacou o dirigente.

    No campo regulatório, a inclusão do tambaqui na lista federal de espécies em risco de extinção acendeu um sinal de alerta. Embora a medida tenha caráter conservacionista, a PEIXE BR avalia que a classificação pode gerar restrições à importação do pescado cultivado em alguns mercados internacionais. Justamente quando o governo brasileiro e o setor produtivo investem na internacionalização da espécie.

    Tilápia como espécie invasora: debate mobiliza setor

    A tilápia também enfrentou turbulências regulatórias. A proposta discutida na CONABIO, no IBAMA e no Ministério do Meio Ambiente para enquadrá-la como espécie exótica invasora mobilizou produtores, entidades do setor e parlamentares.

    Para a PEIXE BR, caso a classificação avance, o setor pode enfrentar restrições ao crescimento da atividade e dificuldades na produção, comercialização e exportação da tilápia. Isso em razão dos compromissos internacionais do Brasil para o controle de espécies invasoras.

    Importação de tilápia vietnamita pressiona produtor nacional

    Outro ponto de tensão é a abertura do mercado brasileiro para a tilápia importada do Vietnã. A entidade avalia que a medida integrou negociações comerciais mais amplas, relacionadas à exportação de carnes brasileiras, sem considerar as assimetrias de competitividade entre os dois países.

    “A importação, nos moldes atuais, está impactando muito a comercialização de filé de tilápia no Brasil. Os custos de produção entre Vietnã e Brasil são semelhantes, mas a política de estímulos e subsídios do governo vietnamita permite que o produto chegue ao mercado brasileiro por um preço inferior ao custo da matéria-prima produzida aqui. Além disso, permanecem preocupações relacionadas aos riscos sanitários”, ressaltou Medeiros.

    Perspectiva positiva para o segundo semestre

    Apesar do cenário de incertezas, a entidade mantém expectativas positivas para os próximos meses. Historicamente, o consumo de pescado cresce no fim do terceiro trimestre, acompanhando a elevação das temperaturas nas regiões Sul e Sudeste do país.

    “O consumo continua aquecido e confirma o comportamento observado na última década para os peixes de cultivo. É um mercado que segue em expansão, mas os riscos sanitários e regulatórios também aumentaram. Para o segundo semestre, esperamos uma recuperação natural do consumo com a elevação das temperaturas e, se houver estabilidade nas questões regulatórias e comerciais, também uma retomada das exportações”, concluiu o presidente executivo.

  • Safra bilionária faz café perder valor no mercado global

    Safra bilionária faz café perder valor no mercado global

    Os preços do café voltaram a cair no mercado internacional. Na última sexta-feira (28), o contrato do café arábica recuou 3,15%, enquanto o robusta perdeu 2,19%. Já na segunda-feira (1), o arábica atingiu o menor patamar dos últimos 1,5 ano no contrato futuro mais próximo.

    A principal pressão veio das previsões meteorológicas para as regiões produtoras do Brasil. Segundo os modelos climáticos, o tempo mais seco previsto para esta semana deve favorecer o avanço da colheita do café, que sofreu atrasos nos últimos dias devido às chuvas intensas registradas em importantes áreas produtoras.

    Safra será maior?

    Além das condições climáticas favoráveis, o mercado também reage às projeções de uma oferta global mais robusta nos próximos meses.

    A Coffee Trading Academy estima que a safra brasileira de café 2026/27 alcançará 71,4 milhões de sacas, volume 12% superior ao registrado no ciclo anterior.

    Por sua vez, o Marex Group Plc divulgou uma projeção ainda mais otimista. A consultoria prevê uma colheita recorde de 75,9 milhões de sacas no Brasil, superando a estimativa da Sucafina, que calcula uma produção de 75,4 milhões de sacas, equivalente a uma alta anual de 15,5%.

    Da mesma forma, a StoneX revisou para cima suas projeções. Em março, a empresa elevou sua estimativa para a safra brasileira de 2026/27 para 75,3 milhões de sacas, acima das 70,7 milhões de sacas previstas em novembro.

    Além disso, a consultoria projeta que o superávit global de café chegará a 10 milhões de sacas em 2026, ante 1,8 milhão de sacas em 2025. Caso a previsão se confirme, será o maior excedente mundial dos últimos seis anos.

    Vietnã amplia exportações do robusta

    O crescimento da oferta também vem do Vietnã, maior produtor mundial de café robusta.

    Segundo o Escritório Nacional de Estatísticas do país, as exportações vietnamitas cresceram 15,8% entre janeiro e abril de 2026, totalizando 810 mil toneladas métricas.

    O café robusta possui maior teor de cafeína e costuma apresentar sabor mais intenso e encorpado que o arábica — Foto: Embrapa

    No ano anterior, os embarques já haviam registrado forte expansão, avançando 17,5% e alcançando 1,58 milhão de toneladas métricas.

    Enquanto isso, a produção vietnamita de café em 2025/26 deve atingir 1,76 milhão de toneladas métricas, o equivalente a 29,4 milhões de sacas. O volume representa crescimento de 6% em relação à safra anterior e marca o maior nível em quatro anos.

    Estoques menores limitam quedas mais acentuadas

    Apesar da pressão baixista causada pelo aumento da oferta, a redução dos estoques monitorados pela Intercontinental Exchange (ICE) tem ajudado a sustentar parte das cotações.

    Os estoques de café arábica armazenados pela bolsa recuaram para 434.930 sacas, o menor nível em aproximadamente três meses e meio.

    Já os estoques de robusta atingiram uma mínima de dois anos ao registrar 3.631 lotes em maio. Posteriormente, houve leve recuperação para 3.864 lotes.

    El Niño ainda preocupa mercado

    Por outro lado, o risco climático continua no radar dos investidores. A possível formação do fenômeno El Niño pode atrasar as chuvas previstas para setembro e outubro no Brasil, período considerado crucial para a floração dos cafeeiros.

    Caso esse cenário se confirme, a produtividade da safra brasileira de 2026/27 poderá ser afetada.

    A preocupação ganhou força após a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) indicar 82% de probabilidade de formação do El Niño entre maio e julho. Além disso, o órgão aponta 67% de chance de ocorrência de um Super El Niño até o final do ano.

    Exportações brasileiras recuam

    Outro fator que oferece suporte aos preços é a redução das exportações brasileiras.

    Segundo dados divulgados pela Cecafé em 12 de maio, os embarques de café verde do Brasil somaram 2,76 milhões de sacas em abril, resultado 1,3% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado.

    Além disso, o mercado também acompanha os impactos do fechamento contínuo do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do mundo.

    Produção mundial deve bater recorde

    Mesmo diante dos desafios logísticos e climáticos, a perspectiva para a oferta global continua positiva.

    A Organização Internacional do Café (OIC) informou que as exportações mundiais recuaram apenas 0,3% no atual ano comercial, que vai de outubro a setembro, totalizando 138,658 milhões de sacas.

    Além disso, relatório divulgado pelo Serviço de Agricultura Exterior (FAS) projeta que a produção mundial de café em 2025/26 alcançará um recorde de 178,848 milhões de sacas, crescimento de 2% em relação ao ciclo anterior.

    Segundo o levantamento, a produção global de arábica deverá cair 4,7%, para 95,515 milhões de sacas. Em contrapartida, a produção de robusta deverá crescer 10,9%, chegando a 83,333 milhões de sacas.

    O USDA também estima que a safra brasileira de café em 2025/26 recue 3,1%, totalizando 63 milhões de sacas. Já a produção do Vietnã deve avançar 6,2%, alcançando 30,8 milhões de sacas, o maior volume em quatro anos.

    Por fim, o órgão projeta que os estoques finais globais diminuam 5,4%, passando de 21,307 milhões para 20,148 milhões de sacas no ciclo 2025/26.

  • Brasil mira México, Colômbia e Peru para diversificar exportações de tilápia

    Brasil mira México, Colômbia e Peru para diversificar exportações de tilápia

    A piscicultura brasileira vive um momento de inflexão. Diante de novas barreiras comerciais e da concorrência internacional crescente, o setor intensifica a busca por mercados alternativos para a tilápia, hoje concentrada nos Estados Unidos, destino de cerca de 92% das exportações.

    O presidente da PEIXE BR, Francisco Medeiros, vê o cenário atual como um catalisador de mudanças. “Estamos entrando nos anos de ouro da tilapicultura nacional. Não é um caminho sem desafios, mas é um período com mais oportunidades para quem estiver preparado”, afirma.

    Apesar da forte dependência do mercado norte-americano, o desempenho recente surpreendeu. O pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura, Manoel Xavier Pedroza Filho, destaca que as exportações cresceram cerca de 2% no último ano, mesmo com a adoção de novas tarifas a partir de agosto. Para ele, o dado comprova a resiliência do setor, mas não elimina o risco. “A dependência de um único mercado exige atenção”, alerta.

    América Latina entra no radar

    Com o cenário em transformação, países da América Latina ganham peso na estratégia de expansão. O México lidera as atenções: o país importa cerca de 92 mil toneladas de tilápia por ano, mais da metade do volume adquirido pelos Estados Unidos. Ainda assim, a presença brasileira no país segue tímida.

    “É um mercado que começou a ser explorado mais recentemente, ainda com volumes modestos, mas com grande potencial de crescimento”, avalia Pedroza.

    Colômbia e Peru também figuram como oportunidades concretas. Além do volume expressivo de importações, a proximidade geográfica pode dar ao Brasil vantagem logística frente a concorrentes asiáticos.

    Gargalo industrial trava avanço nos mercados de maior volume

    O principal entrave para avançar nesses mercados não está na produção, está no produto. O Brasil exporta majoritariamente filé fresco, item de maior valor agregado, mas de menor escala. No mercado global, quem domina o volume é o produto congelado, mais barato e amplamente controlado por China e Vietnã.

    “A indústria brasileira passa por um momento de reorganização. A expectativa é que novas regras ampliem a competitividade no filé congelado, o que pode mudar o posicionamento do país no mercado internacional”, explica Pedroza.

    A possível flexibilização de normas industriais aparece como ponto-chave nessa equação. Para Medeiros, o impacto pode ser rápido. “Ajustes industriais têm potencial de gerar resultados em curto prazo, ao contrário de avanços produtivos, que levam anos”, ressalta. Segundo ele, a vantagem dos concorrentes asiáticos está diretamente ligada à eficiência industrial. E é essa diferença que o Brasil precisa reduzir para disputar mercados de maior volume.

    O setor enfrenta ainda outro obstáculo relevante: o fechamento do mercado europeu para o pescado brasileiro desde 2017. Na avaliação de Medeiros, a reabertura depende de negociações diplomáticas e adequações sanitárias que fogem do alcance direto do setor produtivo. “Esse bloqueio reforça ainda mais a necessidade de diversificar mercados e reduzir riscos”, completa Pedroza.

    Coordenação e inteligência de mercado ganham protagonismo

    Com o ambiente mais competitivo, a articulação entre indústria, associações e pesquisa passa a ocupar papel central na estratégia do setor. A atuação conjunta entre PEIXE BR e Embrapa orienta a identificação de mercados e o direcionamento das empresas.

    Diego Vargas / Seapa MG

    “A associação organiza informações, aponta caminhos e antecipa tendências. A decisão é do empresário, mas é fundamental ter clareza sobre onde estão as oportunidades”, reforça Medeiros.

    A próxima fase da produção de tilápia brasileira aponta para maior inserção internacional e pressão crescente por competitividade. Além da tilápia, espécies nativas como o tambaqui despontam como vetor de crescimento. Principalmente no mercado interno e, no longo prazo, nas exportações.

    “A palavra-chave para 2026 é ampliação de mercado, dentro e fora do Brasil”, resume Pedroza.

  • Brasil importa mais tilápia do que exporta pela primeira vez

    Brasil importa mais tilápia do que exporta pela primeira vez

    Pela primeira vez, o Brasil importou mais tilápia do que exportou. Em fevereiro de 2026, chegaram ao país mais de 1,3 mil toneladas de filé vietnamita. O equivalente a 4,1 mil toneladas de peixe vivo, volume que já representa 6,5% da produção mensal brasileira. O avanço acende um alerta em um dos segmentos mais dinâmicos do agronegócio nacional.

    Segundo a Associação Brasileira da Piscicultura (PEIXE BR), o setor vinha registrando crescimento constante. “A tilápia brasileira é a proteína que mais cresceu nos últimos 11 anos, com expansão média de 10% ao ano, superando outras cadeias como suínos, aves, bovinos, leite e ovos. Esse é um mérito de toda a cadeia produtiva”, afirma o presidente da PEIXE BR, Francisco Medeiros.

    Tilápia importada pressiona preços e margens

    O filé de tilápia do Vietnã entra no mercado brasileiro com preços entre R$ 25 e R$ 29 por quilo. O valor é considerado agressivo pelo setor, pois se aproxima do custo da matéria-prima usada pelas indústrias locais. “Esse é praticamente o preço do peixe ao chegar ao frigorífico nacional. Isso cria uma distorção importante na concorrência”, explica Medeiros.

    Mesmo com ganhos de produtividade e avanços tecnológicos dentro da porteira, o Brasil ainda enfrenta entraves fora dela. Custos tributários elevados, encargos trabalhistas e maior complexidade ambiental reduzem a competitividade nacional, enquanto o produto importado conta com vantagens, como a isenção de ICMS em alguns estados.

    “Temos uma produção altamente eficiente, talvez a mais competitiva do mundo dentro da porteira. Mas, fora dela, a carga tributária e a burocracia acabam comprometendo o desempenho”, destaca o dirigente.

    Setor pede equilíbrio e alerta para riscos sanitários

    O setor não defende limitar as importações, mas busca garantir uma concorrência equilibrada. “Queremos isonomia tributária, sanitária, trabalhista e ambiental. Só assim teremos uma disputa justa”, afirma Medeiros.

    Além da competição de preços, o risco sanitário também preocupa. O Vietnã registra o vírus TiLV, considerado altamente letal para tilápias e ainda inexistente no Brasil. Por isso, a PEIXE BR solicitou ao Ministério da Agricultura (MAPA) o envio de uma missão técnica ao país asiático para realizar a Análise de Risco de Importação (ARI), processo previsto em lei.

    “Existem enfermidades graves no Vietnã que não ocorrem aqui. Precisamos dessa análise com urgência”, reforça o presidente.

    Mercado vive momento de transição

    O aumento das importações ocorre em meio à recuperação dos preços internos impulsionada pela Quaresma. Mesmo assim, a entrada crescente de produto externo pode neutralizar esse movimento e reduzir a rentabilidade dos produtores brasileiros.

    “As exportações ajudam a equilibrar o mercado interno. Quando as importações ganham espaço, esse equilíbrio se perde e o impacto sobre o setor é direto”, acrescenta Medeiros.

    O Brasil ocupa hoje a quarta posição mundial na produção de tilápia e ainda tem espaço para crescer. Segundo o dirigente, a continuidade desse avanço exige melhorias no ambiente regulatório e nas condições de competitividade. “Construímos uma cadeia sólida nos últimos 20 anos. Não somos contra a importação, mas precisamos de igualdade para competir”, conclui.

  • Café recua com desvalorização do real e melhora da safra brasileira

    Café recua com desvalorização do real e melhora da safra brasileira

    Os preços do café fecharam em baixa nas bolsas internacionais, influenciados pela desvalorização do real e pelas previsões otimistas para a safra brasileira. O contrato de arábica para maio (KCK26) caiu 0,51%, enquanto o robusta para maio (RMK26) recuou 1,78% na ICE.

    A queda do real frente ao dólar, que atingiu o menor nível em um mês e meio, levou produtores brasileiros a aumentar as vendas externas, estimulando realizações de lucro nos contratos futuros.

    Além disso, as chuvas intensas em Minas Gerais, principal região produtora de arábica no Brasil, melhoraram as expectativas para a safra 2026. Segundo a Somar Meteorologia, o estado recebeu 78 mm de chuva na semana encerrada em 20 de fevereiro, 131% acima da média histórica.

    Perspectiva de oferta maior pressiona o mercado

    Nas últimas cinco semanas, o café acumula queda acentuada. O arábica atingiu o menor valor em 15 meses, e o robusta caiu ao patamar mais baixo em quase sete meses. A estimativa da Conab prevê uma produção recorde de 66,2 milhões de sacas em 2026, alta de 17,2% frente a 2025.

    O avanço é impulsionado pelo crescimento de 23,2% na colheita de arábica (44,1 milhões de sacas) e 6,3% no robusta (22,1 milhões). O Rabobank também projeta um novo recorde na produção global, com 180 milhões de sacas na safra 2026/27, cerca de 8 milhões a mais que no ciclo anterior.

    Vietnã amplia exportações e reforça pressão sobre preços

    O aumento das exportações do Vietnã, maior produtor mundial de robusta, intensificou o movimento de baixa. As vendas externas vietnamitas cresceram 38,3% em janeiro em relação ao mesmo período do ano passado, alcançando 198 mil toneladas. Em 2025, o país exportou 1,58 milhão de toneladas, alta de 17,5% no ano.

    A colheita de 2025/26 deve atingir o maior volume em quatro anos, com 1,76 milhão de toneladas (29,4 milhões de sacas), segundo o Escritório Nacional de Estatísticas do Vietnã.

    Estoques e exportações reforçam sinal de equilíbrio no mercado

    Os estoques certificados pela ICE também mostraram recuperação. O arábica subiu para 524.139 sacas, maior nível em quase cinco meses, enquanto o robusta alcançou 4.662 lotes, o maior volume desde janeiro.

    Mesmo assim, o Ministério do Comércio informou queda de 42,4% nas exportações brasileiras de café em janeiro, totalizando 141 mil toneladas. Já na Colômbia, o segundo maior produtor de arábica do mundo, a produção de janeiro despencou 34%, para 893 mil sacas.

    Panorama global do café

    A Organização Internacional do Café (OIC) relatou que as exportações mundiais caíram 0,3% no atual ano-safra, totalizando 138,6 milhões de sacas.

    O relatório do Serviço de Agricultura Estrangeira (FAS/USDA) projeta aumento de 2% na produção global em 2025/26, para um recorde de 178,8 milhões de sacas. A produção de arábica deve cair 4,7%, enquanto a de robusta pode crescer 10,9%. O Brasil deve colher 63 milhões de sacas (-3,1%), e o Vietnã pode chegar a 30,8 milhões (+6,2%).

    Os estoques finais globais devem cair 5,4%, de 21,3 milhões para 20,1 milhões de sacas, sinalizando que o aumento da produção deve ser parcialmente absorvido pela demanda.

  • Produção de café canéfora avança em novas regiões brasileiras

    Produção de café canéfora avança em novas regiões brasileiras

    O cultivo de café canéfora, que abrange as variedades robusta e conilon, está se expandindo rapidamente no Brasil e ganhando espaço em regiões fora de seu berço tradicional, o Espírito Santo. O país, atualmente segundo maior produtor mundial dessa espécie, vem reduzindo a distância em relação ao Vietnã, líder global do segmento.

    De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Minas Gerais e Mato Grosso registraram forte crescimento na produção desde 2020. O movimento reflete os preços elevados e o aumento do consumo mundial de cafés diferenciados, fatores que motivam agricultores a apostar no canéfora.

    “O cenário é favorável para que esse avanço continue”, afirma Ricardo Schneider, presidente da Câmara de Café de Minas Gerais. Ele destaca que a demanda aquecida e a disponibilidade de áreas agrícolas impulsionam o ritmo de expansão. Analistas acrescentam que a melhora na qualidade dos grãos tem reforçado o interesse das torrefações e exportadores.

    Minas Gerais amplia aposta no canéfora

    Conhecido como o principal produtor de café arábica do país, Minas Gerais também começa a se destacar na produção de canéfora. A safra mineira deve alcançar 602,2 mil sacas de 60 quilos em 202. Um salto de 94% em relação a 2020, segundo dados da Conab.

    Mato Grosso mira produtividade de Rondônia

    O Mato Grosso, referência na produção de grãos como soja e milho, agora mira o exemplo do vizinho Rondônia para aumentar sua produtividade no café robusta. “Nossa meta é elevar a média atual de 23 sacas por hectare para o nível de 50 sacas obtido em Rondônia”, explica Dalilhia Nazare dos Santos, engenheira agrônoma da Empaer-MT.

    A Conab projeta que o estado colha 298,7 mil sacas neste ano, ante 158,4 mil em 2020. O avanço confirma o movimento de diversificação agrícola no Centro-Oeste.

    Ceará e Norte entram no mapa do café

    O café canéfora também começa a ganhar espaço no Norte e Nordeste do país. O Ceará, por exemplo, testa o cultivo de conilon e robusta amazônico, variedade tradicionalmente produzida em Rondônia. A produção combinada de Ceará, Acre e Pará deve chegar a 118,7 mil sacas em 2026. Quase o triplo do registrado em 2020.

    “Esperamos alcançar cerca de mil hectares de café conilon até 2026, com potencial para atingir 5 mil hectares”, afirma Silvio Carlos Ribeiro Vieira Lima, secretário executivo do Agronegócio do Ceará. Ele ressalta que a proximidade de portos e infraestrutura logística coloca o estado em posição estratégica para exportar.

    Com o arábica ainda como principal variedade, o Brasil reforça sua posição de destaque no cenário internacional ao diversificar sua produção de canéfora. O país se consolida como competidor direto do Vietnã, ampliando a oferta para atender à crescente demanda global por robusta e conilon, usados em cafés solúveis e espressos.

  • Acordo Mercosul-UE: tilápia brasileira ganha competitividade no mercado europeu

    Acordo Mercosul-UE: tilápia brasileira ganha competitividade no mercado europeu

    O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, anunciado recentemente, deve impulsionar a exportação de tilápia e peixes nativos brasileiros para o continente europeu. A eliminação imediata de tarifas de importação, hoje entre 7,5% e 9%, e a criação de novos mecanismos sanitários são consideradas oportunidades estratégicas para o setor no médio e longo prazo, de acordo com a Associação Brasileira da Piscicultura (PEIXE BR).

    Com a inclusão da tilápia na Categoria “0”, as tarifas serão zeradas logo no primeiro dia de vigência do tratado, sem limitação por cotas. A medida permite ao Brasil competir em igualdade com fornecedores como Vietnã e países da América Central, que já possuem acordos com a UE.

    “O acordo é uma grande janela de oportunidade para a aquicultura nacional, abrindo novos mercados para a tilápia e para nossos peixes nativos. É um mercado exigente, mas que vai nos impulsionar em produção e qualidade”, afirma Francisco Medeiros, presidente da PEIXE BR.

    No aspecto sanitário, o acordo não derruba imediatamente o bloqueio em vigor desde 2017, mas cria instrumentos jurídicos que facilitam futuras negociações. Entre os avanços estão o reconhecimento do pre-listing, que reduz a necessidade de inspeções individuais. E da regionalização sanitária, impedindo que problemas localizados afetem as exportações de todo o país.

    A expectativa é que, com a redução de custos e maior previsibilidade, a piscicultura brasileira aumente sua participação no mercado europeu, hoje marcado por exigências rigorosas de qualidade e sustentabilidade.

  • Vietnã autoriza quatro novos frigoríficos brasileiros a exportar carne bovina

    Vietnã autoriza quatro novos frigoríficos brasileiros a exportar carne bovina

    O Vietnã autorizou mais quatro frigoríficos brasileiros a exportar carne bovina, elevando para oito o total de plantas habilitadas a atender o mercado do país asiático. A decisão veio após a conclusão da avaliação técnica das autoridades sanitárias vietnamitas, que confirmaram o atendimento aos requisitos de segurança alimentar e sanidade exigidos.

    Os novos frigoríficos estão localizados em Rondônia (2), Mato Grosso do Sul (1) e Tocantins (1). Eles se somam aos estabelecimentos já habilitados em Goiás (3) e Mato Grosso (1), ampliando a presença regional do setor nas exportações.

    Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), as autorizações representam um passo importante na consolidação da carne bovina brasileira no mercado asiático. O Vietnã, que abriu seu mercado à carne brasileira em 2025, tem registrado forte crescimento no consumo de proteína animal. O que reforça o potencial de expansão das vendas.

    O Ministério da Fazenda destacou que, além do Vietnã, o Brasil avança nas negociações para ampliar destinos da carne bovina em mercados estratégicos como Indonésia, Filipinas e Arábia Saudita. Em 2025, o país já havia registrado aumento de 17% no volume exportado de carnes e derivados. Isso impulsionado pela reabertura de mercados e pela diversificação de compradores.

    Com as novas habilitações, a capacidade de oferta da carne bovina brasileira praticamente dobrou no Vietnã, fortalecendo a competitividade do produto e consolidando a parceria comercial entre os dois países. O governo brasileiro avalia que o avanço resulta do diálogo técnico constante e da política de abertura de novos mercados adotada pelo agronegócio nacional.