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  • Climatempo prevê verão mais quente. Saiba como o agro será afetado

    Climatempo prevê verão mais quente. Saiba como o agro será afetado

    O Brasil enfrentará um verão com temperaturas acima da média, especialmente nas regiões do interior, segundo previsão da Climatempo, maior empresa de consultoria meteorológica da América Latina. A estação, que começa oficialmente às 12h03 deste domingo (21/12), apresentará características distintas dos anos anteriores.

    Diferentemente das últimas estações, os fenômenos El Niño e La Niña não influenciarão o clima brasileiro neste verão. O anticiclone subtropical do Atlântico Sul (ASAS) assume o papel de principal modulador climático, segundo explica a meteorologista Josélia Pegorim, da Climatempo.

    “O ASAS será o principal modulador do padrão de temperatura e de precipitação do verão brasileiro, que deverá ser mais quente do que o normal, com ocorrência de veranicos e até ondas de calor, e com deficiência de chuva em muitas áreas do País”, afirma a especialista.

    ASAS reduz umidade e eleva temperaturas

    O sistema de alta pressão atmosférica deixa o ar mais seco quando se aproxima do território brasileiro. A baixa umidade reduz a formação de nuvens e diminui as condições para chuva além do padrão normal da estação. Como resultado, o País registrará dias muito quentes com precipitações escassas.

    A presença do ASAS no interior do Brasil dificultará ainda a formação e permanência de grandes áreas de instabilidade climática. Chuvas persistentes por vários dias consecutivos devem ocorrer com menor frequência.

    Josélia Pegorim projeta que as precipitações ficarão ligeiramente abaixo da média em grande parte do território nacional. Janeiro concentrará as temperaturas mais elevadas, período em que todo o Hemisfério Sul recebe a maior incidência solar do ano.

    Chuvas irregulares preocupam abastecimento

    O fenômeno provocará grande irregularidade espacial e temporal nas pancadas de chuva típicas do verão. Essa característica preocupa especialmente pela situação crítica dos reservatórios brasileiros, como o Sistema Cantareira, em São Paulo.

    “São chuvas irregulares, que podem cair forte, mas quase nunca no mesmo local”, explica a meteorologista. Ela acrescenta que a irregularidade dificulta o acúmulo dos grandes volumes necessários para regularizar o nível dos reservatórios que abastecem a população com água e energia.

    Janeiro e fevereiro concentrarão temporais em todas as regiões brasileiras, porém com distribuição desigual. Março, por outro lado, apresentará regime pluviométrico mais regular e volumoso que a média histórica do mês.

    A Climatempo não descarta a possibilidade de formação da ZCAS (Zona de Convergência do Atlântico Sul) durante a estação, apesar da maior atuação do ASAS.

    Previsão regional diferenciada

    As menores precipitações atingirão a costa norte do Brasil, entre o litoral do Pará e Ceará, além de áreas do interior do Maranhão e Piauí.

    O volume pluviométrico ficará acima da média na porção norte do Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, Paraná, sul e leste de São Paulo, Sul de Minas Gerais, Zona da Mata Mineira e sul do Rio de Janeiro. As capitais Florianópolis, Curitiba e São Paulo devem registrar chuvas superiores ao padrão da estação.

    Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima e norte do Amapá também receberão precipitações acima da normalidade.

    Mapas climáticos orientam previsões

    A Climatempo divulgou mapas de anomalia de temperatura e precipitação para o verão 2025/2026. Os tons em vermelho indicam áreas com temperaturas acima da média, concentradas principalmente no interior do País. As áreas em branco representam locais onde a temperatura permanecerá próxima da normalidade, enquanto tons em azul apontam regiões com temperaturas abaixo do padrão.

    No mapa de precipitação, os tons em verde mostram onde choverá mais que o normal, especialmente nas regiões Sul e Sudeste. Tons de marrom indicam áreas com chuvas abaixo da média, como o litoral norte e parte do Nordeste. Áreas em branco representam volume pluviométrico próximo da normalidade.

    Agricultores e população devem se preparar para as condições atípicas desta estação, com atenção especial ao gerenciamento de recursos hídricos e planejamento agrícola adaptado às irregularidades climáticas previstas.