Tag: vassoura de bruxa

  • Embrapa e indígenas combatem vassoura-de-bruxa da mandioca no Amapá

    Embrapa e indígenas combatem vassoura-de-bruxa da mandioca no Amapá

    A Embrapa intensifica ações de pesquisa e transferência de tecnologia em parceria com povos indígenas para conter a vassoura-de-bruxa da mandioca no município de Oiapoque, no Amapá. A iniciativa combina ciência e conhecimento tradicional para enfrentar a praga, identificada inicialmente por agricultores indígenas na região.

    A doença, causada pelo fungo Rhizoctonia theobromae, surgiu em roças indígenas na fronteira com a Guiana Francesa e permanece restrita aos estados do Amapá e do Pará. O Ministério da Agricultura e Pecuária classifica o problema como praga quarentenária presente no Brasil.

    Pesquisadores da Embrapa Amapá e da Embrapa Mandioca e Fruticultura realizam visitas técnicas frequentes às aldeias, onde conduzem experimentos em lavouras de mandioca. O trabalho busca identificar cultivares resistentes ou tolerantes à vassoura-de-bruxa, considerando as condições locais de cultivo e os modos de vida das comunidades.

    Nas aldeias Tukay, Kariá e Galibi, os experimentos já avaliam 210 genótipos de mandioca, incluindo variedades coletadas em diversas regiões do país. Segundo o pesquisador Saulo Oliveira, os testes analisam sintomas como a formação de rosetas, além da incidência e severidade da doença, com foco no desenvolvimento de materiais mais resistentes por meio do melhoramento genético.

    A participação indígena tem papel central no processo. Agricultores colaboram diretamente com os experimentos e indicam variedades que apresentam melhor desempenho em campo. A equipe técnica valida essas informações para confirmar produtividade e resistência à praga.

    Tecnologia e capacitação fortalecem controle da doença

    As ações contam com recursos do TED Indígena, iniciativa do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA). O programa apoia pesquisas e estratégias para reduzir a disseminação do fungo, além de investir em infraestrutura.

    Uma das principais entregas foi a instalação de uma câmara térmica no Centro de Formação dos Povos Indígenas de Oiapoque. A tecnologia elimina patógenos e permite a produção de mudas saudáveis, contribuindo para a recuperação das áreas afetadas e para a segurança alimentar.

    Câmara térmica para sanitização de manivas-sementes a serem cultivadas em experimentos nas aldeias indígenas do Oiapoque. Foto: Girlane Duarte/Embrapa

    De acordo com o agente ambiental indígena Gilmar Nunes André, do povo Galibi Marworno, as mudas tratadas serão multiplicadas rapidamente e distribuídas entre as aldeias. O ciclo de produção permite novos plantios cerca de 120 dias após o início do tratamento.

    O TED Indígena também promove capacitações para diversificar a produção agrícola e ampliar a geração de renda. Na Aldeia do Manga, por exemplo, produtores participaram de um Dia de Campo sobre cultivo de banana, com orientações sobre manejo, controle de pragas e práticas pós-colheita.

    A execução do programa envolve uma rede de instituições, incluindo Embrapa, MDA, Funai, Rurap, SDR, Diagro, além de organizações indígenas e a Prefeitura de Oiapoque, fortalecendo a articulação entre pesquisa, políticas públicas e comunidades locais.

  • Do ouro ao fungo: a história do cacau baiano e o caminho para a recuperação

    Do ouro ao fungo: a história do cacau baiano e o caminho para a recuperação

    Todo 26 de março, o Brasil celebra o Dia Nacional do Cacau. E a data é uma oportunidade para olhar tanto para o passado glorioso quanto para o futuro incerto de um fruto que construiu cidades, inspirou literatura e forjou identidades no sul da Bahia. O cacau foi, por décadas, o coração econômico da região. Sua posição no ranking nacional de culturas já não é a mesma, mas o peso simbólico e histórico permanece intacto.

    Entre 1901 e meados dos anos 1920, o Brasil ocupou o posto de maior produtor mundial de cacau. No sul baiano, aquele período gerou uma cultura própria, marcada pela luta por terras, pelos jagunços e pelo luxo dos coronéis do cacau. Só entre 1890 e 1920, a Bahia chegou a produzir cerca de 370 mil toneladas do fruto em um único ano. Ilhéus e outras cidades da região prosperaram rapidamente, com investimentos em infraestrutura e na construção de prédios luxuosos.

    A queda veio de onde menos se esperava. Em 1989, o fungo Moniliophtora perniciosa, responsável pela vassoura-de-bruxa, apareceu na região de Ilhéus-Itabuna e se alastrou com velocidade, atacando frutos, brotos e flores dos cacaueiros. Entre 1990 e 2000, a produção baiana despencou de 356 mil para 98 mil toneladas. O colapso trouxe efeitos socioeconômicos e ambientais graves para toda a região. E o Brasil, que chegou a ser o segundo maior produtor mundial, caiu para o sexto lugar. Apenas em 2015, mais de 20 anos depois, a Bahia retomou as exportações.

    Solo saudável, chocolate de qualidade

    O cacaueiro é uma planta exigente: precisa de solos profundos e ricos, clima quente e úmido, temperatura média de cerca de 25°C e precipitação anual entre 1.500 e 2.000 milímetros, sem períodos secos prolongados. Qualquer desequilíbrio nutricional compromete diretamente a produtividade e a renda do produtor.

    “Nutrientes como nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio e micronutrientes são essenciais para processos fisiológicos vitais. A deficiência ou o excesso de alguns deles pode prejudicar o processo fotossintético e, consequentemente, a produtividade e a qualidade da produção agrícola”, explica Fellipe Parreira, responsável por Portfólio e Acesso no Grupo GIROAgro.

    Hoje, os produtores cultivam o cacaueiro majoritariamente de forma agroecológica: além de preservar espécies florestais nativas, a produção contribui para a retenção de água, a manutenção dos recursos hídricos e a conservação da fauna local. É uma cultura que já nasceu sustentável.

    Bioinsumos entram em campo contra a vassoura-de-bruxa

    Para enfrentar as principais doenças da cultura, o setor aposta nos bioinsumos. Biofungicidas à base de Trichoderma spp. reduzem a infecção por vassoura-de-bruxa em até 99% no solo e 57% na copa, sem deixar resíduos químicos. Bioinseticidas complementam o manejo ao reforçar o controle biológico por predadores e parasitoides, diminuindo os riscos de resistência e surtos de pragas.

    Foto: Wenderson Araujo/Sistema CNA/Senar

    No Dia Nacional do Cacau, o recado que fica é simples: sem solo bem nutrido e manejo adequado, não há chocolate. E sem chocolate, perde-se muito mais do que um alimento; perde-se um pedaço da história do Brasil.

  • Embrapa lança página sobre vassoura-de-bruxa da mandioca

    Embrapa lança página sobre vassoura-de-bruxa da mandioca

    A vassoura-de-bruxa da mandioca já atinge 10 dos 16 municípios do Amapá. Além disso, a doença alcançou o norte do Pará e territórios indígenas sensíveis. Entre as áreas afetadas, estão Oiapoque e o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque. Por isso, o governo declarou emergência fitossanitária nos dois estados. O Ministério da Agricultura e Pecuária declarou emergência devido ao risco de surto.

    O fungo Rhizoctonia theobromae destruiu roças e comprometeu a segurança alimentar. Diante desse avanço, a Embrapa lançou uma página temática exclusiva na internet. A ferramenta reúne dados técnicos, documentos oficiais e orientações de controle. O portal atende produtores, técnicos e gestores públicos. Assim, apoia decisões rápidas e medidas coordenadas contra a doença.

    O ambiente virtual traz um mapa digital interativo e atualizado. Nele, o usuário acompanha a dispersão do fungo em tempo real. Além disso, a página apresenta sintomas iniciais e avançados da doença. Também orienta a identificação correta no campo. O site detalha recomendações práticas para evitar novas infecções. Por fim, reúne estratégias de manejo preventivo e corretivo.

    O ambiente reúne portarias, notas técnicas e manuais oficiais. Com isso, gestores acessam rapidamente as normas em vigor. A página também disponibiliza vídeos de workshops e materiais educativos. Além disso, responde às perguntas mais frequentes dos produtores.

    Base técnica e científica

    A equipe da Embrapa Mandioca e Fruticultura desenvolveu o conteúdo. O trabalho conta com apoio da Embrapa Amapá e da Assessoria de Comunicação. O chefe-geral Francisco Laranjeira coordena o projeto institucional.
    Segundo ele, a página amplia o acesso à informação qualificada. Laranjeira afirma que a doença tem alto potencial destrutivo. Por isso, defende decisões baseadas na ciência.

    O pesquisador ressalta a importância do manejo integrado. Além disso, destaca atualizações contínuas sobre o avanço da praga. Laranjeira também coordena o Centro de Operações de Emergência da Embrapa. A unidade integra esforços de resposta ao surto.

    O Centro reúne instituições sob coordenação do Ministério da Agricultura. Assim, promove diálogo técnico e ações integradas. O grupo discute pesquisa, assistência e proteção às comunidades afetadas. Nesse contexto, povos indígenas recebem atenção especial.

    O analista Jackson de Araújo dos Santos integra a equipe em campo. Ele atua diretamente nas comunidades atingidas. Segundo Santos, a plataforma agiliza o acesso às informações técnicas. Além disso, facilita orientações seguras sobre a doença.

    O Ministério classifica a praga como quarentenária presente. Isso significa que o país controla oficialmente sua propagação. A doença se dispersa por mudas doentes e ferramentas contaminadas. Além disso, água e solo podem transportar o fungo. O nome científico atual é Ceratobasidium theobromae. No entanto, o órgão oficial mantém a classificação anterior.

    A praga não tem relação com a vassoura-de-bruxa do cacaueiro.Embora tenha nome semelhante, trata-se de outra doença. A confirmação ocorreu em julho de 2024, no Amapá. Até então, não havia registro na América do Sul. Com isso, especialistas reforçam a vigilância sanitária. A prevenção agora se tornou prioridade nacional.

  • Governo cria medidas para garantir renda e abastecimento diante da vassoura-de-bruxa da mandioca

    Governo cria medidas para garantir renda e abastecimento diante da vassoura-de-bruxa da mandioca

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MDR) iniciaram ações emergenciais para apoiar produtores rurais do Amapá atingidos pela vassoura-de-bruxa da mandioca.

    A doença, provocada pelo fungo Ceratobasidium theobromae, já afeta dez municípios e ameaça a produção agrícola e a segurança alimentar de comunidades indígenas e não indígenas.

    O ministro Carlos Fávaro destacou a prioridade do combate à praga no estado. Segundo ele, o Mapa atua de forma integrada para controlar a doença, apoiar os produtores e garantir o abastecimento local. “O Brasil é referência mundial em defesa agropecuária, e essa emergência sanitária recebe total atenção. Já liberamos R$ 2,2 milhões para custear o combate no Amapá e estamos preparados para disponibilizar mais recursos, se necessário”, disse Fávaro.

    Entre as ações adotadas, o Mapa autorizou a comercialização segura da mandioca braba e da macaxeira, medida que mantém a renda dos produtores e a oferta de alimentos. A macaxeira, consumida cozida, agora pode ser processada, cortada e embalada nas regiões produtoras, facilitando a venda direta em feiras e supermercados.

    A mandioca braba, usada na produção de farinha, teve a comercialização flexibilizada para processamento em casas móveis nas comunidades rurais, garantindo transporte e venda seguros.

    Investimento em pesquisa

    O ministro ressaltou também o investimento em pesquisa e inovação por meio da Embrapa, que trabalha no desenvolvimento de variedades resistentes à doença. “O governo do presidente Lula reforçou o orçamento da Embrapa, e já priorizamos o tema na pesquisa. Enquanto isso, distribuímos mudas saudáveis para manter a produção e o abastecimento no Amapá”, afirmou.

    Foto: divulgação MAPA MDR

    Waldez Góes, ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, enfatizou a importância da cooperação entre o governo federal, estadual e municípios para amenizar os impactos sociais e econômicos da doença. “Estamos enfrentando a vassoura-de-bruxa há meses. A mandioca é essencial para a alimentação de índios e não índios. A doença está oficialmente reconhecida em oito municípios. Com recursos e liderança do ministro Fávaro, seguimos investindo no combate, controle e pesquisa para retomar a produção no estado”, concluiu Góes.

  • Pragas ameaçam lavouras de mandioca

    Pragas ameaçam lavouras de mandioca

    Produtores de mandioca do Norte e Centro-Oeste do Brasil enfrentam perdas severas devido ao avanço de pragas como a vassoura-de-bruxa e a mosca-das-galhas. Em estados como Amapá, Pará e Tocantins, áreas inteiras de plantio já registram e est]ap colocando em risco a produção e a renda de milhares de famílias. “Em campo, já estamos vendo perdas de 100% em áreas recém-plantadas. A mosca-das-galhas afeta diretamente o desenvolvimento da planta, bloqueando a fotossíntese e levando à morte de plantas jovens”, alerta o agrônomo Vinícius Vigela, coordenador técnico de mercado da Nitro

    No início do ano, a doença vassoura-de-bruxa, causada pelo fungo Rhizoctonia theobromae, devastou plantações no Amapá e no Pará. Agora, o Tocantins lida com a infestação da mosca-das-galhas (Jatrophobia brasiliensis), praga que antes era considerada secundária, mas que já compromete lavouras recém-plantadas e preocupa técnicos e agricultores.

    As larvas da mosca-das-galhas se alimentam dos tecidos internos das folhas da mandioca, levando à formação de galhas ou verrugas. Esse processo prejudica a fotossíntese, paralisa o crescimento e pode causar a morte precoce das plantas, especialmente as mais jovens. Já a vassoura-de-bruxa provoca brotações finas e deformadas, folhas amareladas e raízes sem valor comercial. “É uma doença que pode dizimar uma lavoura em menos de 40 dias se não for contida, e se espalha com facilidade por mudas contaminadas ou até mesmo por ferramentas de manejo“, explica Vigela.

    Fatores que favorecem o avanço das pragas

    Especialistas apontam que o clima quente e úmido típico do Norte e Centro-Oeste, especialmente durante o período chuvoso, favorece o ciclo reprodutivo dessas pragas. O manejo inadequado, o plantio contínuo na mesma área, o uso de mudas contaminadas e a redução dos inimigos naturais devido ao uso excessivo de inseticidas agravam ainda mais a situação.

    A falta de monitoramento constante também contribui para a rápida disseminação das pragas. Técnicos recomendam inspeções semanais nas lavouras para identificar focos precocemente e evitar prejuízos totais.

    Manejo Integrado de Pragas é fundamental

    O Manejo Integrado de Pragas (MIP) surge como principal estratégia para conter o avanço dessas ameaças. A prática envolve o uso de mudas sadias, rotação de culturas com milho e feijão, escolha de variedades resistentes e destruição dos restos culturais após a colheita. Especialistas também recomendam manter distância entre áreas novas e antigas de plantio, prática conhecida como vazio sanitário.

    Como ainda não existem defensivos químicos comprovadamente eficazes contra a vassoura-de-bruxa, a prevenção se torna indispensável. O uso criterioso de defensivos seletivos e agentes biológicos, como fungos do gênero Trichoderma e bacillus biofungicidas, pode colaborar para um controle mais sustentável.

    Apoio técnico e monitoramento constante

    A assistência técnica especializada é essencial para diagnosticar corretamente as pragas e orientar o manejo adequado. O acompanhamento contínuo das lavouras garante decisões mais seguras, evita o uso excessivo de insumos e protege a renda do produtor.

    A situação no Tocantins serve de alerta para agricultores de todo o país. Produtores precisam intensificar o monitoramento, buscar assistência técnica e adotar práticas preventivas com urgência para preservar a cultura da mandioca, essencial à segurança alimentar e à economia regional.

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  • Mapa confirma foco da praga Vassoura-de-Bruxa da Mandioca em território indígena

    Mapa confirma foco da praga Vassoura-de-Bruxa da Mandioca em território indígena

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou o primeiro foco da praga quarentenária Vassoura-de-Bruxa da Mandioca (Ceratobasidium theobromae) no estado do Pará. A infestação ocorreu na Terra Indígena do Parque do Tumucumaque, no extremo norte do município de Almeirim, próximo à fronteira com o Suriname.

    Técnicos da Superintendência de Agricultura e Pecuária do Amapá (SFA/AP) e da Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária do Amapá (Diagro) inspecionaram a área em 28 de abril após denúncia. Eles coletaram duas amostras de plantas com sintomas suspeitos na Aldeia Bona, dentro da Terra Indígena do Parque do Tumucumaque. O Laboratório Federal de Defesa Agropecuária em Goiás (LFDA/GO) confirmou a presença da praga nas amostras.

    O foco localiza-se em área remota e de difícil acesso, onde vivem comunidades indígenas com vínculo administrativo apenas com o estado do Amapá. A região está longe das principais zonas produtoras de mandioca no Pará e só é acessível por voos fretados.

    Plano Emergencial para Prevenção da Vassoura-de-Bruxa da Mandioca

    A Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará), em parceria com o Mapa, realiza levantamentos fitossanitários em todo o estado como parte do Plano Emergencial para Prevenção da Vassoura-de-Bruxa da Mandioca. Até o momento, não há registros da praga em áreas comerciais nem interceptação de material vegetal suspeito nas barreiras de fiscalização no norte do estado.

    O Mapa esclarece que a Vassoura-de-Bruxa da Mandioca não tem relação com a praga do cacaueiro. Embora o fungo não represente risco à saúde humana, ele destrói lavouras de mandioca. E causa ramos secos, deformações, nanismo, brotos fracos, clorose, murcha, seca das folhas e morte das plantas. A doença se espalha principalmente por material vegetal contaminado, ferramentas, solo e água.

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  • Mosca-da-carambola: praga ameaça fruticultura brasileira e mundial

    Mosca-da-carambola: praga ameaça fruticultura brasileira e mundial

    Durante coletiva no Ministério da Agricultura na última segunda feira, o Ministro Carlos Fávaro citou que apesar de ser mais falada esses dias, a gripe aviária não é a única emergência sanitária que os técnicos do MAPA enfrentam no momento. Ele citou outras que já acompanhamos aqui no Agro em Campo, como a vassoura de bruxa, a monilíase e a menos falada até agora, a praga da mosca-da-carambola.

    A mosca-da-carambola (Bactrocera carambolae) é considerada uma das pragas agrícolas mais perigosas do mundo, capaz de devastar plantações de frutas e causar prejuízos bilionários. Originária do Sudeste Asiático, essa pequena mosca de 7 a 8 mm já se espalhou por partes da América do Sul e, no Brasil, levou o governo a declarar emergência fitossanitária em quatro estados.

    O que é a mosca-da-carambola?

    A Bactrocera carambolae é uma espécie de mosca-das-frutas que deposita ovos dentro de frutos hospedeiros. As larvas se alimentam da polpa, causando apodrecimento e queda prematura, inviabilizando o consumo e a comercialização.

    Características principais:

    • Reprodução acelerada: Uma fêmea pode botar 1.200 a 1.500 ovos em sua vida (cerca de 126 dias) .
    • Diversidade de hospedeiros: Ataca mais de 20 frutas, incluindo manga, goiaba, laranja, acerola, caju e tangerina.
    • Falta de inimigos naturais: Por ser uma espécie exótica, não tem predadores eficazes no Brasil, dificultando o controle.

    Prejuízos econômicos e sociais

    Se a mosca se espalhar para grandes polos frutícolas, como o Vale do São Francisco, as perdas podem chegar a R$ 400 milhões por ano só em exportações. Além disso:

    • Queda na produção: frutas atacadas apodrecem e caem antes da colheita.
    • Barreiras comerciais: países importadores rejeitam frutas de regiões infestadas.
    • Impacto social: pequenos produtores podem perder renda e empregos.

    MAPA Reforça Combate à Mosca-da-Carambola com Nova Portaria

    A praga foi detectada pela primeira vez em 1996, no Amapá, e hoje está presente em Amapá, Pará e Roraima, com risco de chegar ao Amazonas 1012. O Ministério da Agricultura (MAPA) decretou emergência fitossanitária em novembro de 2023, reforçando fiscalizações e restrições ao transporte de frutas.

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) publicou, em 14 de março de 2025, a Portaria nº 776/2025, estabelecendo diretrizes para vigilância, contenção, supressão e erradicação da mosca-da-carambola (Bactrocera carambolae), praga quarentenária presente no Brasil. A medida visa atualizar o programa de controle da praga, incorporando novas tecnologias e ampliando a participação de estados e produtores na sua gestão .

    Desde sua detecção no Brasil em 1996, no município de Oiapoque (AP), a mosca-da-carambola permanece restrita aos estados do Amapá, Roraima e Pará. Apesar disso, a praga representa uma ameaça significativa à fruticultura nacional, afetando culturas como carambola, goiaba, manga, mamão e citros.

    Medidas de controle:
    • Armadilhas com feromônios para monitoramento.
    • Proibição de transporte de frutas de áreas infestadas.
    • Eliminação de frutos caídos para evitar a proliferação.

    A mosca-da-carambola já se estabeleceu no Suriname, Guiana e Guiana Francesa, onde também causa danos à agricultura 3. Países como Estados Unidos e nações europeias impõem barreiras fitossanitárias rigorosas para evitar sua entrada.

    Riscos à saúde humana

    Ao contrário de mosquitos como o Aedes aegypti, a mosca-da-carambola não transmite doenças diretamente aos humanos. No entanto, pode contaminar alimentos ao pousar em matéria orgânica em decomposição antes de ir para frutas.

    A mosca-da-carambola é uma ameaça global à fruticultura, e seu avanço no Brasil exige ações urgentes. Enquanto pesquisadores buscam métodos de controle biológico, a fiscalização e a conscientização são fundamentais para evitar sua dispersão. Se não contida, a praga pode causar prejuízos irreparáveis à economia e à segurança alimentar.

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  • Embrapa lança série de vídeos sobre cultivo de cupuaçu

    Embrapa lança série de vídeos sobre cultivo de cupuaçu

    A Embrapa Amazônia Oriental acaba de lançar uma série de vídeos que resume o sistema de produção do cupuaçuzeiro, fruta típica da Amazônia usada em sucos, sorvetes, doces e cosméticos. Dividida em sete capítulos, a produção audiovisual orienta desde o preparo de mudas até o controle de doenças, como a vassoura-de-bruxa, fungo que já devastou plantações no passado.

    O cupuaçu, antes cultivado principalmente por extrativismo, hoje conta com variedades melhoradas que impulsionam a agricultura racional. Um exemplo é a BRS Carimbó, lançada em 2012, que combate a vassoura-de-bruxa e tem dupla aptidão (polpa e sementes). Em 2022, a Embrapa apresentou o Cupuaçu 5.0, um kit de clones com cinco variedades de alta produtividade e resistência.

    Do desestímulo à expansão do mercado

    O pesquisador Rafael Alves, da Embrapa Amazônia Oriental, lembra que, no passado, a vassoura-de-bruxa desencorajava os agricultores. “A doença afetava tanto que não compensava o trabalho do produtor”, afirma. Com as novas variedades, a cultura se expandiu e ganhou novos mercados.

    Além da polpa – tradicional em sucos e doces –, as amêndoas do cupuaçu agora são valorizadas pela indústria de cosméticos, que busca a manteiga de cupuaçu para cremes e hidratantes. Outro produto em ascensão é o cupulate, um alimento similar ao chocolate, feito das sementes. No entanto, o processamento ainda enfrenta desafios.

    “A película que envolve a amêndoa, se não for removida, deixa um gosto adstringente”, explica Alves. Ainda não há máquinas eficientes para essa etapa, mas iniciativas artesanais mostram que o cupulate tem potencial para diversificar a demanda.

    Cupuaçu em sistemas agroflorestais: sustentabilidade e produtividade

    O cupuaçuzeiro se adapta bem a Sistemas Agroflorestais (SAFs), onde é cultivado junto a outras espécies. “Assim como o cacau, o cupuaçu produz mesmo à sombra e começa a frutificar em três anos”, destaca o pesquisador.

    Essa característica o torna ideal para recuperação de áreas de reserva legal, pois mantém a produtividade por décadas e melhora o solo com sua folhagem abundante. “Quando adulto, a planta forra o chão com folhas, ajudando a reter umidade”, completa Alves.

    Destaques da série de vídeos da Embrapa:
    •  Passo a passo do cultivo do cupuaçu
    •  Controle de pragas e doenças, como a vassoura-de-bruxa
    •  Novas variedades resistentes (BRS Carimbó e Cupuaçu 5.0)
    •  Oportunidades de mercado: polpa, cosméticos e cupulate
    •  Vantagens do cultivo em sistemas agroflorestais

    https://youtu.be/KlyRJVO1joY?list=PLoelF-OuDCfHKlG4cILrUr5oM2LobRjFr

    A série está disponível no canal da Embrapa e é um recurso essencial para produtores rurais, técnicos agrícolas e empreendedores interessados na cadeia do cupuaçu.

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  • Governo cria centro de operações para combater a Vassoura de Bruxa da Mandioca

    Governo cria centro de operações para combater a Vassoura de Bruxa da Mandioca

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) instituiu, na última segunda-feira (17), o Centro de Operações de Emergência Agropecuária (COE-MAPA) Vassoura de Bruxa da Mandioca. Essa medida visa fortalecer a coordenação entre órgãos públicos federais, estaduais e instituições de pesquisa para combater a doença, que afeta a cultura da mandioca.

    A iniciativa surge após a declaração de estado de emergência fitossanitária, que reconhece a necessidade de intensificar medidas coordenadas para o controle da vassoura de bruxa. O COE-MAPA atuará como mecanismo de articulação intra e interinstitucional, garantindo a execução de ações alinhadas às diretrizes da política fitossanitária nacional.

    Entre as atribuições do COE-MAPA estão a coordenação de ações entre as instituições envolvidas e apoio ao Departamento de Sanidade Vegetal e Insumos Agrícolas (DSV/MAPA). Além da divulgação de informações técnicas à sociedade. Participam do centro unidades técnicas da Secretaria de Defesa Agropecuária, ministérios parceiros e instituições de pesquisa.

    A implementação dessa estrutura reforça o compromisso do governo com a proteção fitossanitária da mandioca, promovendo a atuação coordenada entre os diferentes agentes envolvidos no setor. A vassoura de bruxa é uma doença fitossanitária que afeta significativamente a cultura da mandioca. E sua contenção é crucial para a segurança alimentar e a economia rural.

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  • Praga da mandioca: declarada emergência no Amapá e Pará

    Praga da mandioca: declarada emergência no Amapá e Pará

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou uma portaria que declara estado de emergência fitossanitária nos estados do Amapá e Pará em razão do risco de surto da praga quarentenária Rhizoctonia theobromae (Ceratobasidium theobromae), causadora da vassoura-de-bruxa-da-mandioca.

    Equipes da Embrapa Amapá e da Embrapa Mandioca e Fruticultura (Cruz das Almas, BA) inicialmente constataram a presença do fungo em plantios de mandioca nas terras indígenas de Oiapoque, na fronteira do Brasil com a Guiana Francesa. A infecção por esse fungo representa um alto risco para a produtividade das plantas afetadas. Até o momento, a praga ocorreu nos municípios amapaenses de Oiapoque, Calçoene, Amapá, Pracuúba, Tartarugalzinho e Pedra Branca do Amapari.

    Ações coordenadas pelo Mapa

    Cristiane Ramos de Jesus, chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Amapá, explica que as pragas quarentenárias presentes são aquelas exóticas que estão no país com distribuição restrita e sob controle oficial. “A partir da definição desse status, todas as ações referentes a essa praga passam a ser coordenadas pelo Mapa. E com o auxílio das agências estaduais de defesa agropecuária,” afirma.

    Analista da Embrapa Amapá, pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura e Técnico da Diagro do Amapá, em atividade de coleta de material para análises. Foto: Dulcivânia Freitas/Embrapa

    A Embrapa, autorizada pelo Mapa, continua a executar projetos de pesquisa e desenvolvimento financiados pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). Essas iniciativas visam promover a segurança alimentar dos povos indígenas de Oiapoque, com foco na implantação de campos de multiplicação de manivas-semente de mandioca que são tolerantes à praga, além da diversificação de culturas como alternativa de renda.

    A portaria de emergência fitossanitária tem validade de um ano e busca reforçar medidas preventivas para evitar a dispersão da praga para outras áreas cultiváveis. O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, destacou que essa medida demonstra o reconhecimento do problema pelo Mapa. “Durante a vigência do estado de emergência fitossanitária, todas as ações necessárias para erradicar a praga poderão ser adotadas com mais agilidade,” afirmou.

    Mobilização

    Francisco Laranjeira, chefe-geral da Embrapa Mandioca e Fruticultura, acredita que a declaração da emergência permitirá uma maior celeridade nas ações para contenção da praga. “Isso transmite à cadeia produtiva o necessário senso de urgência para que todos colaborem nessa luta,” enfatizou. Ele ressaltou a importância de ações coletivas entre produtores, pesquisadores, extensão rural, defesa fitossanitária e operadores políticos.

    A publicação da portaria estabelecerá um Comando Nacional Emergencial, que reunirá diversas instituições públicas federais, estaduais e municipais. Além do setor privado, para coordenar as ações necessárias no enfrentamento à praga. Essa mobilização é crucial para proteger os cultivos de mandioca e garantir a segurança alimentar nas regiões afetadas.

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