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  • A força da uva de mesa que nasce no Vale do São Francisco

    A força da uva de mesa que nasce no Vale do São Francisco

    O sertão nordestino, marcado pelo clima seco e pela escassez de chuvas, se consolidou como uma das principais regiões produtoras de uvas do Brasil. Em Petrolina, no sertão de Pernambuco, a Coopexvale (Cooperativa de Produtores e Exportadores do Vale do São Francisco) reúne produtores que transformaram o Vale do São Francisco em referência nacional e internacional na produção de uvas finas de mesa. Fundada em 2004, a cooperativa nasceu voltada à exportação. No entanto, ao longo dos anos, encontrou no mercado interno uma oportunidade tão rentável quanto o comércio exterior.

    Atualmente, 70% da produção da cooperativa abastece o mercado brasileiro, principalmente as regiões Sul e Sudeste. Enquanto isso, os outros 30% seguem para exportação. Segundo Jailson Lira, diretor e coordenador do comitê de exportação da cooperativa, a mudança de estratégia ocorreu após a percepção de que o consumidor brasileiro passou a valorizar frutas com padrão elevado de qualidade.

    “Existe um tabu de que tudo que vai para exportação é melhor. A gente derrubou isso. Fazemos frutas tão boas para o mercado interno quanto para o externo”, afirmou.

    Jaílson Lira – Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Com cerca de 640 hectares cultivados em Petrolina, a Coopexvale reúne 40 cooperados e trabalha exclusivamente com uvas de mesa. São aproximadamente 12 variedades produzidas, entre uvas brancas, vermelhas e pretas. Além disso, a cooperativa é considerada a maior do segmento no Vale do São Francisco, região que possui cerca de 18 mil hectares plantados com uvas.

    Além da produção, a estrutura chama atenção pela dimensão logística. A cooperativa conta com seis túneis de resfriamento, nove câmaras frias, três decks de embarque, laboratório de análise, estação de tratamento de água, posto de combustíveis e 1.452 placas solares para geração de energia.

    Genética e qualidade elevam padrão das uvas

    Boa parte das variedades cultivadas pela cooperativa tem origem em programas de genética da Califórnia, nos Estados Unidos. Todos os anos, representantes da cooperativa visitam fazendas experimentais norte-americanas para acompanhar os lançamentos do setor.

    Segundo Jailson, as novas variedades passam primeiro por testes de adaptação ao clima do Vale do São Francisco antes de serem introduzidas comercialmente. Dessa forma, a cooperativa consegue avaliar o desempenho das frutas na região.

    “A genética que sai dos Estados Unidos imediatamente já está aqui no Vale. Produzimos frutas com a mesma qualidade da Califórnia, Itália e Espanha praticamente ao mesmo tempo”, destacou.

    Além disso, a busca por sabor, crocância e padronização fez a cooperativa firmar contratos com empresas de genética a partir de 2021. O objetivo é atender um consumidor cada vez mais exigente.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Entre as marcas da cooperativa, a Gota de Mel se tornou referência no segmento premium. Nesse modelo, a seleção começa ainda no campo e, segundo a cooperativa, o mercado chega a pagar até 70% mais pelas frutas classificadas dentro desse padrão.

    Além dela, a Coopexvale trabalha com as marcas Doçura do Vale, Uvas do Campo, Gotinha de Mel — voltada ao público infantil — e CPX, destinada ao mercado internacional.

    Mercado interno ganha força na cooperativa

    Fundada em 2004, a Coopexvale nasceu com foco no mercado externo. Porém, ao longo dos anos, a cooperativa percebeu que o mercado brasileiro também apresentava forte potencial de crescimento.

    Hoje, 70% da produção abastece o mercado interno, principalmente as regiões Sul e Sudeste. Já as exportações seguem o calendário mundial da produção de uvas, concentradas principalmente nos meses de março, abril, maio, setembro, outubro e novembro.

    “Existe um tabu de que tudo que vai para exportação é melhor. Porém, a gente derrubou isso. Fazemos frutas tão boas para o mercado interno quanto para o externo, temos um padrão de qualidade”, afirmou Jailson.

    Segundo ele, a cooperativa passou a investir em marcas e critérios específicos de sabor e qualidade para enfrentar as oscilações do mercado e ampliar valor agregado.

    Atualmente, a Coopexvale é reconhecida pela qualidade das frutas no mercado nacional. Além disso, a cooperativa trabalha durante as 52 semanas do ano no abastecimento interno.

    Cooperativismo amplia impacto econômico no Vale

    A cooperativa começou em 2004 com 20 produtores. Desde então, ampliou a área cultivada, fortaleceu a estrutura e avançou na sucessão familiar.

    Foto; PH Lopes/ Agro em Campo

    Hoje, cerca de 20% dos cooperados já possuem filhos atuando diretamente no negócio. Para Jailson, o cooperativismo permite que pequenos produtores alcancem mercados antes inacessíveis.

    “O cooperativismo é a oportunidade de o pequeno produtor ter o mesmo peso do grande. Somos todos iguais”, afirmou.

    Ele também destacou que a cooperativa passou por dificuldades em 2010, período que exigiu reestruturação administrativa e financeira.

    “É preciso ter paciência com o cooperativismo para atingir o sucesso”, disse.

    Além disso, a cadeia produtiva da uva exerce forte impacto econômico e social na região. Segundo a cooperativa, um hectare de uva gera entre quatro e cinco empregos diretos.

    Considerando os 18 mil hectares cultivados no Vale do São Francisco, a atividade movimenta cerca de 72 mil empregos.

    Atualmente, a Coopexvale possui 110 funcionários diretos na cooperativa. Somando as fazendas dos cooperados, são aproximadamente 4 mil empregos ligados à atividade.

    O faturamento da cooperativa chegou a R$ 272 milhões em 2025. Paralelamente, a entidade mantém ações sociais voltadas às comunidades locais e apoia instituições como o Hospital do Câncer.

    “O Brasil é o país do agro, mas o agro não recebe a importância que deveria”, afirmou Jailson.

    “Uva quer sol e água”, resumiu o diretor ao explicar a vocação do Vale do São Francisco para a fruticultura irrigada.

  • Uva no sertão? João Gomes explica aposta no Vale do São Francisco

    Uva no sertão? João Gomes explica aposta no Vale do São Francisco

    Durante uma viagem pela Suíça, João Gomes movimentou as redes sociais ao brincar que teria comprado uma fazenda no país europeu. A piada acabou sendo levada a sério por parte do público, levando o artista a se pronunciar em vídeo. O que veio depois da negativa, porém, chamou ainda mais atenção do que o boato.

    Ao esclarecer que a declaração não era verdadeira, o cantor revelou que já possui duas propriedades rurais no Brasil. “As fazendas que eu tenho mesmo são de uva, em Petrolina, e de gado, na Bahia”, disse. Direto, sem rodeios e com uma revelação que diz muito sobre como o artista escolheu guardar o dinheiro que o forró lhe trouxe.

    Uma aposta no Vale do São Francisco

    A propriedade que mais chamou atenção fica em Petrolina, no tradicional Vale do São Francisco, região conhecida nacionalmente pela produção de frutas irrigadas. A fazenda é avaliada em cerca de R$ 2 milhões e reúne área produtiva voltada ao cultivo de uvas, amplos terrenos cercados pela paisagem característica do sertão nordestino e estrutura rural moderna.

    Não é por acaso que João Gomes escolheu exatamente essa região. O Vale do São Francisco é hoje um dos polos vitivinícolas mais relevantes do Brasil, e a lógica produtiva do semiárido tem uma vantagem que surpreende quem ainda associa uva ao sul do país: com sol o ano inteiro e um sistema de irrigação por gotejamento, os produtores da região conseguem simular o período de hibernação da planta em tempo menor, o que permite duas safras de uvas por ano. Dois ciclos anuais, no mesmo hectare: isso muda completamente a conta.

    O campo como ponto de retorno

    O que diferencia João Gomes de outros artistas do gênero é a sua capacidade de dialogar com o público jovem sem perder a essência da cultura nordestina. Além do talento musical, a trajetória do artista é marcada pela humildade. Ele frequentemente menciona em entrevistas que seu maior desejo através da música sempre foi mudar a realidade de sua família e honrar suas origens.

    Investir em terra, nesse contexto, não é apenas estratégia financeira. É uma forma de manter os pés fincados onde tudo começou. Imagens divulgadas pelo próprio artista mostram visitas em família à propriedade, contato com a natureza e uma rotina mais tranquila longe dos palcos. No fundo, a fazenda parece cumprir um papel que vai além da produção: é o ponto de retorno.

    O Vale do São Francisco e o agronegócio

    A escolha de Petrolina também revela um movimento maior. A agricultura irrigada na região não só possibilitou a produção de uvas, como também de vinhos que passaram a ter seus rótulos premiados, além de outros produtos derivados como sucos, doces e geleias. A vitivinicultura no sertão nordestino saiu do improvável para virar referência nacional e vem atraindo olhares de fora do setor, inclusive de quem, como João Gomes, enxergou na terra uma aplicação tão sólida quanto qualquer outro ativo.

    Desde que ganhou projeção nacional, em 2021, o cantor ampliou seu patrimônio e investiu em diferentes imóveis. Mas foi na uva do sertão que ele deixou a aposta mais simbólica: a de que o Nordeste produz, e produz bem.

  • De arroz ao açaí: projeto aposta em diversificação agrícola para fortalecer agricultura familiar

    De arroz ao açaí: projeto aposta em diversificação agrícola para fortalecer agricultura familiar

    A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) deu início à introdução do açaí nos projetos públicos de irrigação de Alagoas, em consórcio com culturas de ciclo curto como batata-doce, mandioca e milho. A estratégia busca ampliar a renda, reduzir riscos e fortalecer a segurança produtiva dos agricultores familiares da região, onde a rizicultura e a cana-de-açúcar dominam historicamente a produção.

    A Codevasf opera três projetos de irrigação no estado: o Boacica, em Igreja Nova; o Itiúba, em Porto Real do Colégio; e o Marituba, em Penedo. O piloto começou no Projeto Boacica, onde a empresa distribuiu mudas de açaí e implantou sistemas de irrigação por microaspersão em áreas de 0,5 hectare em lotes de produtores que aderiram à iniciativa.

    Alternativa ao preço volátil do arroz

    O superintendente regional da Codevasf em Alagoas, João Paulo Tavares, defende a diversificação como o caminho mais seguro para garantir rentabilidade no campo. “A rizicultura é uma atividade agrícola tradicional no Baixo São Francisco. No entanto, sofre mais intensamente com as variações de preço, o que reduz a margem de lucro dos produtores”, afirmou durante visita técnica aos lotes.

    Para ele, o açaí, cultura com bom valor agregado e mercado consumidor consolidado, representa uma alternativa promissora. “Iniciamos o cultivo do açaí, bastante apreciado pela gastronomia local, em consórcio com outras culturas. Assim, teremos a produção de arroz aliada a outros itens, trazendo maior segurança a quem trabalha no campo”, acrescentou.

    Foto: Codevasf

    Tavares também destacou o peso econômico dos projetos: somente em 2024, as áreas irrigadas da Codevasf em Alagoas injetaram cerca de R$ 57,6 milhões na economia local, contribuindo diretamente para o PIB estadual e municipal.

    Açaí em consórcio resolve o problema do tempo de espera

    Como o açaí leva pelo menos três anos para produzir os primeiros frutos, a Codevasf optou por associar a cultura a itens de ciclo curto, garantindo renda ao produtor enquanto o açaizeiro se desenvolve. O engenheiro agrônomo Cleudson Bernardino, responsável pelo acompanhamento técnico, explica que os agricultores já iniciaram os plantios e testam diferentes variedades.

    “No Projeto Boacica, houve boa adesão. Já temos agricultores cultivando açaí em consórcio com batata-doce, mandioca e milho, além de produtores que pretendem associar a cultura à banana”, relatou. Segundo ele, a produção de arroz e cana-de-açúcar continua como atividade principal. Mas passa a conviver com o açaí e as culturas de ciclo curto na área de policultura dos lotes, separada da rizicultura.

    O agricultor Antônio Messias, que cultiva arroz, cana-de-açúcar, milho e banana no Projeto Boacica, celebra a novidade. “A diversificação de cultivos é muito importante para o produtor rural. Desde que soubemos da proposta, criamos uma grande expectativa, e hoje ela é realidade. Não precisamos viver apenas da cana, podemos investir em outras culturas. No espaço onde estão implantando o açaí, estou cultivando batata-doce e macaxeira”, contou.

  • O segredo dos vinhos brasileiros que pode conquistar o mercado internacional

    O segredo dos vinhos brasileiros que pode conquistar o mercado internacional

    Pesquisadores brasileiros desenvolveram uma técnica revolucionária que promete elevar o padrão dos vinhos Syrah produzidos no semiárido brasileiro. O método combina termovinificação com leveduras nativas da região do Vale do São Francisco e já apresenta resultados expressivos na melhoria da qualidade e competitividade dos vinhos tropicais.

    O estudo, conduzido por cientistas da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Instituto Federal do Sertão Pernambucano (IF Sertão-PE) e Embrapa, demonstrou que a união entre termovinificação e leveduras autóctones aumenta significativamente a eficiência do processo fermentativo e eleva o teor alcoólico dos vinhos tintos para até 14%.

    A termovinificação consiste em aquecer as uvas a aproximadamente 65°C durante duas horas antes da fermentação. Esse processo otimizado favorece a extração de compostos fenólicos, elimina microrganismos indesejáveis e reduz a atividade de enzimas pectinolíticas, resultando em vinhos com maior intensidade de cor, melhor estrutura e vida de prateleira prolongada.

    Identidade regional e sustentabilidade na produção de vinhos

    As leveduras nativas isoladas da microbiota natural de uvas Vitis viniferas do Vale do São Francisco demonstraram desempenho superior mesmo em condições adversas, como alta concentração alcoólica. Segundo Islaine Santos Silva, autora da tese de doutorado que originou a pesquisa, o metabolismo mais lento dessas leveduras proporciona maior complexidade aromática ao vinho.

    Processo de termovinificação. Foto: Termovinificação

    “As leveduras autóctones podem originar uma identidade sensorial única que pode ser estratégica para valorizar os vinhos do Vale do São Francisco no mercado nacional e internacional”, destaca a pesquisadora.

    Economia circular e valor agregado à produção local

    Além de fortalecer a identidade regional da bebida, a técnica contribui para a economia circular, uma vez que as leveduras podem ser comercializadas posteriormente. O uso de recursos microbiológicos locais representa uma alternativa sustentável para a produção vinícola em regiões de clima quente e seco, especialmente relevante no contexto das mudanças climáticas.

    O professor Marcos dos Santos Lima, do IF Sertão-PE, explica que a pesquisa também analisou a formação de glicerol durante o processo fermentativo. Esse álcool, presente em concentrações entre 5 e 15g/L nos vinhos tintos, suaviza as sensações de acidez e adstringência, realçando o corpo e as notas frutadas da bebida.

    O maior teor de glicerol registrado no estudo foi de 9,70 g/L, obtido em tratamento com levedura autóctone, demonstrando o potencial dessas cepas para produção de vinhos mais equilibrados e complexos.

    Leveduras não-saccharomyces: de deteriorantes a aliadas da qualidade

    A analista da Embrapa Uva e Vinho, Bruna Carla Agustini, revela que as leveduras Hanseniaspora opuntiae e Saccharomyces cerevisiae foram isoladas de uvas Itália e Cabernet Sauvignon cultivadas no Vale do São Francisco. A identificação foi realizada através de técnicas avançadas como espectrometria de massas MALDI-TOF e biologia molecular.

    “O uso de espécies não-Saccharomyces na vinificação tem despertado interesse pela capacidade dessas leveduras em melhorar a qualidade aromática dos vinhos”, comenta Bruna. Ela explica que a cultura mista de Hanseniaspora opuntiae e Saccharomyces cerevisiae resultou em vinhos com maior complexidade química e sensorial.

    Indicação de procedência e posicionamento internacional

    Para Aline Biasoto, coordenadora do projeto aprovado pela Embrapa e atual pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente, a integração entre ciência e inovação pode posicionar o Vale do Submédio São Francisco como polo de vinhos diferenciados no mercado global.

    Ana Paula Barros, professora de viticultura e enologia do IF Sertão-PE, ressalta que o estudo valoriza a recente Indicação de Procedência (IP) dos vinhos da região. “A pesquisa demonstra como práticas enológicas e a exploração da microbiota local podem elevar a qualidade dos vinhos, reforçando o caráter único da região e fortalecendo a IP como selo de identidade e excelência do Vale do São Francisco”, afirma.

    Vinhos jovens e consumo rápido: técnica ideal para o mercado brasileiro

    Ana Cecília Poloni Rybka, pesquisadora da Embrapa Semiárido que participou da análise sensorial, destaca que as técnicas são especialmente indicadas para vinhos de consumo rápido, perfil predominante dos vinhos tropicais do Vale do São Francisco.

    O trabalho foi conduzido na Embrapa Semiárido, em Petrolina (PE), utilizando uvas Syrah do Campo Experimental de Bebedouro, cultivadas em sistema espaldeira e irrigadas por gotejamento. O processo fermentativo durou 14 dias, período no qual foram avaliados diversos parâmetros químicos e sensoriais.

    A pesquisa representa um marco para a vitivinicultura brasileira ao demonstrar que a combinação entre práticas enológicas inovadoras e recursos microbiológicos locais pode gerar vinhos competitivos no mercado internacional, mantendo características únicas que diferenciam a produção tropical das regiões vinícolas tradicionais.

  • Manga Tommy sobe 24% no Vale do São Francisco

    Manga Tommy sobe 24% no Vale do São Francisco

    O preço da manga tommy subiu 24% na última semana no Vale do São Francisco (BA/PE), segundo o Hortifrúti/Cepea. A média atingiu R$ 2,23/kg. A oferta restrita impulsionou a alta.

    Pesquisadores destacam que a baixa disponibilidade já ocorria em Livramento de Nossa Senhora (BA) na semana anterior. Nesse município, a variedade palmer subiu 22%, chegando a R$ 1,65/kg.

    Manga no Vale

    No Vale, a palmer manteve estabilidade, cotada a R$ 1,49/kg. A oferta reduzida continua sustentando os preços em ambas as regiões produtoras.

    No atacado, agentes relataram maior procura. Mesmo assim, os preços não mudaram em São Paulo.
    Na Ceagesp, a palmer seguiu em R$ 4,00/kg, enquanto a tommy permaneceu em R$ 4,39/kg.

  • Safra de uva 2025 promete recorde e impulsiona indústria

    Safra de uva 2025 promete recorde e impulsiona indústria

    A safra de uvas de 2025 sinaliza um ano histórico para o Brasil, com projeções otimistas que apontam para um crescimento significativo na produção. No Rio Grande do Sul, principal estado produtor, a expectativa é de que a colheita alcance entre 650 e 700 milhões de quilos, superando a produção nacional de 703 mil toneladas em 2024.

    A retomada da produção, após desafios climáticos em 2024, é impulsionada por condições climáticas favoráveis e pela adoção de tecnologias inovadoras nas colheitas. O Valor Bruto da Produção (VBP) da safra de 2024 atingiu R$ 1,68 bilhão, mesmo com a redução no volume, e a produção destinada à indústria totalizou 485,5 mil toneladas, de acordo com dados do Sistema de Declarações Vinícolas (Sisdevin).

    Empresa celebra safra de uvas promissora e fortalece parcerias

    A Zanlorenzi Bebidas, uma empresa do setor, celebra a perspectiva de uma safra de alta qualidade e volumes recordes em 2025. A empresa destaca a Serra Gaúcha (RS) e o Vale do São Francisco (PE) como regiões estratégicas, onde as condições climáticas e a inovação têm contribuído para superar as dificuldades das safras anteriores.

    “O aumento expressivo na produção de uvas em 2025 não só traz benefícios diretos para nossa companhia. Mas  também reforça a importância do setor vitivinícola para a economia brasileira”, afirma Mateus Poggere, Diretor de Produto e Estratégia da Zanlorenzi Bebidas.

    No Vale do São Francisco, a Zanlorenzi utiliza alta tecnologia agronômica, como a fertirrigação, para viabilizar o cultivo de variedades como Magna, Violeta, Carmem, Isabel e Moscato Itália. Na Serra Gaúcha, terroir pioneiro e tradicional, são colhidas uvas Bordô, Isabel, Niágara, Merlot, Moscato e Chardonnay, reconhecidas por sua estrutura e complexidade.

    Solo e clima influenciam

    As características do solo e clima de cada região influenciam na qualidade das uvas. No Vale do São Francisco, as uvas são mais doces e aromáticas, ideais para sucos e espumantes. Já na Serra Gaúcha, a maior amplitude térmica resulta em uvas mais estruturadas, perfeitas para vinhos.

    A Zanlorenzi investe em pesquisa e inovação, em parceria com instituições como a Embrapa, para melhorar a produtividade, o manejo sustentável e a mecanização. A empresa também oferece suporte técnico aos produtores parceiros do Rio Grande do Sul, incorporando as últimas tendências e tecnologias.

    Para enfrentar desafios climáticos e econômicos, a empresa diversifica suas bases produtivas e portfólio, além de adotar tecnologias avançadas em manejo e controle fitossanitário. “Nosso olhar é atento ao futuro. Por isso seguimos investindo na expansão de conhecimentos e práticas que elevem ainda mais nosso padrão de qualidade e inovação na produção. Sempre reafirmando nosso compromisso com a excelência no setor de bebidas”, conclui Poggere.

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  • Nova ameaça aos pomares do Brasil é detectada

    Nova ameaça aos pomares do Brasil é detectada

    O Submédio do Vale do São Francisco, principal polo de produção de frutas tropicais do Brasil, registrou pela primeira vez a presença de seis espécies de cochonilhas-de-escama. Essas pragas, conhecidas pelo potencial de causar sérios danos às culturas agrícolas, representam uma ameaça para pomares de manga e uva, onde foram encontradas. Em casos extremos, a infestação pode levar à morte das plantas.

    Tiago Cardoso da Costa Lima, pesquisador da Embrapa Semiárido, sublinha a importância da identificação precisa das espécies para um manejo eficiente. “Com a identificação correta, é possível entender melhor a biologia do inseto e aplicar as medidas de controle apropriadas”, afirmou. Ele destacou que a Embrapa vem desenvolvendo estudos contínuos para apoiar os produtores no monitoramento dessas pragas e evitar impactos significativos na produção.

    As cochonilhas, além de causarem a despigmentação dos frutos, continuam presas às superfícies mesmo após a morte, comprometendo a aparência dos produtos e sua comercialização. Lima enfatiza que o monitoramento é fundamental durante a fase vegetativa das plantas para evitar a propagação e a migração das pragas para os frutos. O crescimento da presença dessas espécies em 2022 já havia sido um alerta para pesquisadores, apontando a necessidade de uma vigilância mais rigorosa por parte dos agricultores.

    Com a detecção dessas seis novas espécies, fica clara a urgência de adotar práticas de manejo integrado que protejam a qualidade e a viabilidade das safras na região. O trabalho da Embrapa e de outras instituições de pesquisa continua a ser essencial para enfrentar os desafios impostos pelas pragas e garantir a sustentabilidade da fruticultura no Vale do São Francisco.

    Infestação de cochonilhas afeta produtores de manga e uva no Brasil

    Os primeiros relatos de infestação por cochonilhas surgiram entre 2021 e 2022, quando produtores de manga informaram à Embrapa sobre danos significativos em folhas e frutos. Em 2023, os produtores de uva também relataram a presença dessas pragas, que atacaram os troncos das videiras, levando à morte das plantas.

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    Em resposta a esses problemas, a Embrapa Semiárido realizou um levantamento em diversas fazendas nos municípios de Petrolina (PE), Belém do São Francisco (PE) e Curaçá (BA) para coletar amostras dos insetos. O Centro Estadual de Pesquisa Agronômica (Ceagro) do Rio Grande do Sul recebeu as amostras, identificadas pela taxonomista Vera Wolff. O estudo foi detalhado e publicado no International Journal of Tropical Insect Science.

    Espécies identificadas

    Nas videiras, duas espécies de cochonilhas foram identificadas. A primeira é a Melanaspis arnaldoi, que ataca os troncos da planta e é restrita ao Brasil, com registros anteriores nas regiões Sudeste e Sul. Essa praga aumenta os custos de manejo, pois os produtores têm adotado a prática de retirada da casca dos troncos antes de realizar as pulverizações.

    A segunda espécie identificada foi a Aonidiella orientalis, que infesta folhas, pecíolos, entrenós e bagas. Esta espécie é amplamente distribuída globalmente e possui uma vasta gama de plantas hospedeiras, sendo conhecida como praga de citros, mamão e manga.

    Quatro novas espécies de cochonilhas foram identificadas entre as mangueiras na região: Mycetaspis personata, Aonidiella comperei, Chrysomphalus aonidum e Hemiberlesia lataniae. As três primeiras apareceram em folhas e frutos, enquanto a Hemiberlesia lataniae surgiu apenas em folhas. A Aonidiella comperei se destaca por ser a única espécie que ainda não havia sido registrada em cultivos de manga em qualquer país.

    Características das cochonilhas-de-escala

    As cochonilhas-de-escala, pertencentes à família Diaspididae, são insetos sugadores que se fixam nas plantas após a fase inicial de desenvolvimento. Elas desenvolvem um escudo protetor sobre o corpo, o que dificulta o controle com inseticidas e garante maior proteção contra predadores naturais. A presença desse escudo também abriga os ovos até a eclosão das novas ninfas.

    Segundo Vera Wolff, esses insetos podem causar sérios danos às plantas, sugando seiva e provocando deformações nos frutos. “Quando estão em grande população, eles precisam ser controlados”, destaca a taxonomista.

    Os insetos identificados são encaminhados ao Museu de Entomologia Professor Ramiro Gomes Costa para compor um banco de dados sobre cochonilhas no Brasil, contribuindo para o conhecimento da biodiversidade nacional.

    Novas espécies registradas

    A Embrapa Semiárido, junto com instituições parceiras, registrou em 2022 novas espécies de cochonilhas em mangueiras no Submédio do Vale do São Francisco, que não tinham sido relatadas anteriormente: Pseudischnaspis bowreyi (cochonilha-de-escama) e as cochonilhas-de-cera Ceroplastes floridensis e Ceroplastes stellifer. Esses achados reforçam a crescente importância desse grupo de insetos na região.

    O pesquisador Tiago Costa Lima enfatiza que esses registros demonstram a necessidade urgente de desenvolver melhores estratégias para o controle dessas pragas.

  • Conheça nova pesquisa da Embrapa sobre o cultivo da manga Palmer

    Conheça nova pesquisa da Embrapa sobre o cultivo da manga Palmer

    A produção de manga Palmer no Brasil faz parte de um setor bastante dinâmico. O país é o sexto maior produtor mundial de manga, com uma produção estimada em 1,2 a 1,5 milhão de toneladas por ano. Grande parte dessa produção é voltada para o consumo interno, com cerca de 20% destinada à exportação.

    A manga Palmer é uma das variedades mais exportadas, especialmente para mercados como a União Europeia, Estados Unidos e Espanha. A maior parte da produção de manga no Brasil está concentrada no Nordeste, especialmente na região do Vale do São Francisco, que se destaca pela alta produtividade, chegando a 50 toneladas por hectare em algumas áreas.

    Condições climáticas desfavoráveis impactaram a produção brasileira de mangas em 2023, resultando em uma leve queda. Ao mesmo tempo, a alta demanda externa e a redução da safra em países concorrentes, como Peru e Equador, aumentaram os preços e beneficiaram os produtores.

    Manga Palmer no semiárido pode ter economia de água na irrigação

    Um estudo realizado pela Embrapa Semiárido, em parceria com instituições locais, revelou que pomares de mangua Palmer no Submédio do Vale do São Francisco têm o potencial de reduzir em até 31% o consumo de água na irrigação. A pesquisa avaliou os padrões de uso de água em todas as fases do cultivo, desde a poda e indução floral até a maturação dos frutos.

    Os pesquisadores estabeleceram novos coeficientes de cultivo (Kc) específicos para as condições climáticas da região, permitindo uma irrigação mais eficiente. O monitoramento constante dos fatores relacionados à irrigação é essencial para otimizar o uso da água no cultivo da mangueira Palmer. Um manejo hídrico adequado não só aumenta a qualidade da manga, mas também eleva o volume de produção.

    Durante a fase de indução floral, o manejo do estresse hídrico pode resultar em uma produtividade média de 41 toneladas por hectare,. Isso supera a média regional. A pesquisadora Magna Moura, da Embrapa, explicou que muitos produtores aplicam mais água do que o necessário. Especialmente em áreas com solos arenosos, que possuem alta drenagem e baixa capacidade de retenção de água.

    Moura destacou que o excesso de irrigação pode levar à perda de nutrientes, já que a água em excesso drena para camadas mais profundas do solo. O estudo também analisou a variedade Kent, que apresentou um manejo hídrico mais equilibrado e um uso mais eficiente da água.

    Coeficientes de cultivo (Kc)

    O coeficiente de cultivo (Kc) indica quanto uma cultura consome de água em relação às condições potenciais de evapotranspiração. Moura ressaltou que esse coeficiente deve ser utilizado por técnicos nas propriedades para determinar a quantidade necessária de água para irrigar as culturas.

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    Após avaliar o volume de água aplicado às culturas, os pesquisadores instalaram torres micrometeorológicas para monitorar variáveis como radiação solar e temperatura. Para a mangueira Palmer, o consumo médio de água durante um ciclo completo foi estimado em 1,4 litro. Os valores médios recomendados para o Kc foram: 0,81 na fase de crescimento vegetativo, 0,76 durante o repouso e maturação dos ramos, 0,85 na indução floral, 0,90 na floração e 0,95 no desenvolvimento dos frutos.

    A pesquisa também definiu coeficientes para a mangueira Kent, com valores recomendados variando conforme as fases do cultivo. O manejo do estresse hídrico durante a indução floral é crucial para garantir uma boa produtividade.

    Recorde nas exportações

    Em 2023, a manga da região alcançou um recorde nas exportações, totalizando cerca de 315 milhões de dólares. Quase 95% desse volume proveniente do Vale do São Francisco. Moura finalizou destacando que as informações obtidas pela pesquisa podem ajudar os produtores a aplicar água adequadamente, melhorando a eficiência agrícola e promovendo um uso mais sustentável dos recursos hídricos.

  • Uva branca sem semente bate recorde de preço

    Uva branca sem semente bate recorde de preço

    A uva branca sem semente do Vale do São Francisco (PE/BA) atingiu novo recorde de preço em junho, com média semanal de R$ 18,30/kg para a embalada. Apesar da demanda contida no final de junho, os preços das uvas seguiram em alta. Segundo pesquisadores da equipe Hortifrúti/Cepea, o impulso veio da baixa oferta.

    Assim, a média semanal (24 a 28/06) superou em 1,3% o valor do período anterior. Com os recentes e seguidos aumentos, a variedade fechou o mês de junho com o maior valor nominal da série histórica, iniciada em 2017.

    Por outro lado, a BRS vitória teve nova queda no preço, diante da oferta maior que a demanda, com média de R$ 5,33/kg no contentor (-5,9%). Mas atenção, há problemas relacionados à qualidade, como incidência de glomerella na negra sem semente, mesmo com a diminuição da umidade já há alguns meses.

    Variedade no Vale do São Francisco

    Em 2020, a Embrapa Semiárido (Petrolina, PE) apresentou a variedade BRS Tainá, uma uva desenvolvida especificamente para o Vale do São Francisco. A espécie exibe coloração branca, sabor neutro e agradável, além de ser uma variedade sem semente, uma das mais importantes características exigidas pelo mercado.

    O resultado é proveniente do cruzamento realizado em 2004 entre as cultivares internacionais Sugraone e Marroo Seedless, que fazem parte do Banco Ativo de Germoplasma da Embrapa Semiárido. Sendo assim, a BRS Tainá é fruto de um intenso esforço para disponibilizar aos produtores de uva do Vale uma cultivar branca sem os altos custos de licenciamento de plantio.

    Características uva BRS Tainá

    A nova variedade é vigorosa, com produtividade média estimada em 25 toneladas por hectare por ciclo. O período desde a poda até a colheita está em torno de 110 dias, com pequenas variações ao longo do ano, em função das condições climáticas.

    Os cachos apresentam tamanho médio, com peso de 270 gramas e medindo cerca de 15 x 10 centímetros. Portanto, a BRS Tainá se destaca ainda por apresentar características desejáveis em uvas para o consumo in natura, como crocância, bagas firmes, com boa aderência ao pedicelo e traços minúsculos e imperceptíveis de sementes.

    Foto: Divugação – Embrapa/Patrícia Ritschel

    O sabor é neutro e agradável, com uma relação equilibrada entre açúcares e acidez. Ou seja, é uma opção promissora e com grande potencial para se destacar no mercado de uvas de mesa brancas sem sementes.