Tag: vacas leiteiras

  • Robôs, painéis solares e bem-estar animal: conheça o novo centro de pesquisa da Unesp

    Robôs, painéis solares e bem-estar animal: conheça o novo centro de pesquisa da Unesp

    A Unesp inaugurou o Centro Avançado de Pesquisa e Inovação em Bovinocultura de Leite (CAPID-Leite). Um investimento de R$ 4,7 milhões da Reitoria viabilizou a construção da nova estrutura, que reúne tecnologia de ponta como robôs de ordenha e placas fotovoltaicas.

    Sistema de ordenha automatizada, instalado na fazenda. Foto: Matheus Deniz

    A instalação fica na Fazenda Experimental Lageado e integra a Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ-Unesp), em Botucatu. O centro nasceu com um objetivo claro: desenvolver pesquisas e tecnologias voltadas a dois pilares da bovinocultura leiteira; sustentabilidade e bem-estar animal. Para isso, o CAPID-Leite ocupa 1.500 metros quadrados, opera um sistema de ordenha robotizado e comporta até 60 vacas, que vão participar de projetos de pesquisa sobre os dois temas centrais do centro.

    Pesquisas envolvem sociedade civil e produtores rurais

    O projeto também prevê pesquisas de percepção que vão envolver a sociedade civil e profissionais do setor leiteiro, entre técnicos e produtores. “A ideia é que seja um setor de referência, que receba visitas de pessoas de diferentes formações e contextos. Nós queremos mostrar para a sociedade que é possível produzir leite de forma sustentável, pautada nos princípios éticos, e com aceitação social”, afirma Matheus Deniz, docente da FMVZ-Unesp e diretor técnico do CAPID-Leite.

    Atualmente, o centro abriga 20 vacas e 17 bezerros, mas a expectativa é que o número de animais em lactação chegue a 60. Além de experimentos com diferentes sistemas de contato entre vacas e bezerros, os grupos de pesquisa planejam usar o espaço para investigar o impacto de diversos modelos de criação.

    Sistemas silvipastoris ganham destaque entre os projetos

    As vacas podem ser mantidas em três tipos de sistema: pasto, confinamento ou silvipastoril. Os sistemas silvipastoris, que combinam árvores, pastagens e gado no mesmo espaço, concentram boa parte do interesse dos pesquisadores. Uma área demarcada da Fazenda Lageado vai receber o plantio de árvores para que a equipe investigue os benefícios desse modelo para a sustentabilidade e o bem-estar animal.

    Vaca e bezerro durante a realização de experimento para avaliar as especificidades de sistemas de criação que incentivam esse contato. Foto: Matheus Deniz

    Na fazenda, o sistema de confinamento adotado se chama compost barn. Nesse modelo, os animais circulam livremente por um galpão coberto e arejado, forrado com uma cama de material orgânico, e contam com iniciativas de enriquecimento ambiental. Um sistema automatizado conduz as vacas por portões até o local de ordenha, onde um robô realiza toda a coleta do leite.

    Painéis solares elevados combinam energia limpa e proteção térmica

    Painéis fotovoltaicos instalados em modelo agrivoltaico formam outra frente que une sustentabilidade e bem-estar animal na fazenda. A tecnologia eleva os módulos solares do solo e permite o cultivo de plantas, pastagem ou a criação de animais na parte inferior. Esse arranjo gera energia solar e produção agrícola no mesmo terreno, além de proteger plantas e animais do sol forte.

    Segundo Matheus Deniz, a pesquisa com sistemas agrivoltaicos permite explorar as duas dimensões centrais do centro. “Quando falamos de sustentabilidade ambiental, estamos falando de serviços ecossistêmicos e carbono não emitido para a atmosfera. Por se tratar de uma fonte de energia renovável, esses painéis têm impacto direto nessa esfera”, explica. “Já a sustentabilidade econômica é explorada a partir da redução dos gastos com energia, além de proporcionar sombra e conforto térmico para os animais, o que também diminui as perdas econômicas”, completa o docente.

    Painel fotovoltaico instalado na fazenda. Foto: Matheus Deniz

    O artigo científico “Agrivoltaic systems in a tropical region: Influence on thermal environment, vaginal temperature and behavior of dairy heifers”, publicado na revista JDS Communications, traz os primeiros resultados dessa linha de pesquisa. Nele, o grupo ligado ao centro comparou duas formas de instalação de sistemas agrivoltaicos, com painéis horizontais e verticais, à pastagem aberta, para medir o grau de conforto térmico dos animais.

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  • Robôs de ordenha transformam a pecuária leiteira

    Robôs de ordenha transformam a pecuária leiteira

    A automação avança no campo e desperta cada vez mais interesse entre produtores de leite. De olho nesse movimento, o Sistema FAEP capacitou 16 instrutores do curso de Manejo e Ordenha para atuarem como multiplicadores de conhecimento sobre ordenha robotizada.

    O treinamento ocorreu nos municípios de Castro e Carambeí, nos Campos Gerais do Paraná, e reuniu atividades práticas e técnicas voltadas ao uso de robôs de ordenha nas propriedades rurais.

    Segundo a entidade, a iniciativa surgiu após o aumento da procura por informações sobre a adoção dessas tecnologias nas fazendas.

    “Os próprios produtores começaram a perguntar como funciona o robô, se seria possível implementar esse sistema na propriedade e o que precisariam entender para tomar essa decisão. Diante disso, atualizamos tecnicamente nosso quadro de instrutores para levar informação atualizada e baseada na realidade do campo”, afirma Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema FAEP.

    Como funciona a ordenha robotizada

    Nos sistemas automatizados, a vaca se dirige espontaneamente ao equipamento, atraída pela oferta de ração concentrada.

    O robô identifica o animal, realiza a higienização dos tetos, faz a ordenha e executa os procedimentos sanitários necessários.

    Após a operação, a vaca retorna normalmente para a alimentação ou para o descanso.

    Robôs de ordenha prometem revolucionar a pecuária leiteira — Foto: Embrapa

    Além da automação da ordenha, o sistema registra uma série de informações importantes para a gestão da propriedade.

    Entre os dados monitorados estão a produção individual do leite, frequência de ordenha, comportamento dos animais e indicadores de saúde do rebanho.

    Essas informações são disponibilizadas em tempo real para o produtor.

    Leia mais: Brasil e Escócia movimentam até US$ 300 milhões no agro

    Capacitação uniu teoria e prática

    Durante a formação, os instrutores visitaram centros de distribuição das empresas Lely e DeLaval para conhecer os diferentes modelos de robôs de ordenha disponíveis no mercado.

    O grupo também acompanhou o funcionamento da tecnologia em três propriedades rurais com diferentes níveis de produção.

    A proposta foi mostrar que a automação pode ser adotada em sistemas de diversos portes, desde fazendas menores até operações de maior escala.

    Tecnologia não substitui trabalhadores

    Um dos temas abordados durante a capacitação foi o impacto da automação sobre a mão de obra rural.

    Segundo Marta Liliane de Vasconcelos, técnica do Departamento de Desenvolvimento de Ofertas do Sistema FAEP, a tecnologia não elimina postos de trabalho, mas modifica a dinâmica das atividades dentro da propriedade.

    “O robô não vem para eliminar a mão de obra, mas para flexibilizar e qualificar o trabalho. O profissional que antes ficava exclusivamente na ordenha pode ser direcionado para outras atividades estratégicas dentro da propriedade, inclusive para acompanhamento dos dados gerados pelo sistema”, explica.

    Automação cresce na produção de leite

    O interesse pela ordenha robotizada tem aumentado à medida que os produtores buscam mais eficiência operacional, melhor gestão do rebanho e maior controle dos indicadores produtivos.

    Para Ricardo Biscaro, instrutor da regional de Pato Branco, a capacitação permitiu compreender na prática o funcionamento dos equipamentos e ampliar o conhecimento necessário para orientar os pecuaristas.

    Além dos ganhos de produtividade, a tecnologia também pode contribuir para melhorar a qualidade de vida no campo, oferecendo mais flexibilidade na rotina de trabalho das propriedades leiteiras.

  • Tecnologia no campo impulsiona salto milionário na pecuária leiteira brasileira

    Tecnologia no campo impulsiona salto milionário na pecuária leiteira brasileira

    A Cowmed, empresa brasileira especializada em monitoramento animal e tecnologia para pecuária leiteira, projeta um crescimento de 65% no faturamento em 2026. O avanço deve ocorrer devido ao aumento da procura por soluções de inteligência artificial e ferramentas de gestão voltadas ao agronegócio.

    A expectativa da companhia é encerrar o próximo ano com receita próxima de R$ 30 milhões, valor superior aos cerca de R$ 18 milhões registrados anteriormente.

    Segundo a Cowmed, o crescimento acompanha a modernização das fazendas leiteiras e o avanço da tecnologia no campo. Além disso, a empresa acredita que ainda existe uma ampla margem para expansão no setor.

    Atualmente, cerca de 90% da expansão esperada deve vir do mercado brasileiro. Enquanto isso, os outros 10% devem ser impulsionados pelas operações internacionais já iniciadas em países como Paraguai, México e Uruguai.

    Tecnologia ganha espaço nas fazendas

    O setor leiteiro tem incorporado cada vez mais ferramentas de automação, análise de dados e monitoramento em tempo real. Antes restritas às grandes propriedades, essas soluções agora chegam também aos pequenos e médios produtores.

    Além disso, cooperativas e indústrias passaram a exigir mais controle de qualidade, rastreabilidade e eficiência produtiva. Por isso, o uso de tecnologia deixou de ser apenas diferencial e passou a ocupar um papel estratégico dentro das fazendas.

    A principal solução da Cowmed é uma coleira inteligente equipada com sensores. O dispositivo acompanha o comportamento das vacas em tempo real e envia as informações para um sistema baseado em inteligência artificial.

    Vacas leiteiras monitoradas com a coleira IA — (Foto: Divulgação/Cowmed)

    Segundo Thiago Martins, CEO da empresa, a tecnologia monitora alimentação, ruminação, repouso, atividade física, ofegância e sinais de estresse térmico.

    Além disso, o sistema identifica comportamentos ligados ao cio, um dos principais indicadores reprodutivos dos animais. Dessa forma, o produtor consegue melhorar a eficiência do rebanho e reduzir perdas operacionais.

    Após a coleta, os dados seguem para a nuvem e passam pelo processamento da plataforma de inteligência artificial chamada Vic, desenvolvida pela própria companhia.

    “A plataforma interpreta os dados e emite recomendações operacionais aos produtores, incluindo alertas de saúde, identificação de doenças, gestão de reprodução e otimização de manejo nutricional”, afirmou Martins.

    Atualmente, a Cowmed monitora cerca de 100 mil animais. No entanto, a meta da empresa é alcançar 1 milhão de vacas monitoradas nos próximos cinco anos.

    Modelo por assinatura impulsiona adesão

    Outro fator que favorece o crescimento da tecnologia no campo é o modelo de contratação mais acessível. Em vez de exigir altos investimentos iniciais, a Cowmed oferece o serviço por assinatura mensal.

    Hoje, o custo varia entre R$ 22 e R$ 23 por animal monitorado. Segundo a empresa, esse valor representa entre 1% e 1,5% da receita mensal do produtor.

    Por outro lado, os ganhos podem chegar a até 4% de aumento no faturamento ao longo do tempo. A melhora ocorre devido ao avanço da produtividade, à redução da mortalidade e ao aumento da eficiência reprodutiva.

    A IA interpreta individualmente o comportamento de cada vaca e envia notificações pelo celular sempre que identifica variações bruscas — (Foto: Divulgação/Cowmed)

    Além disso, o monitoramento contínuo ajuda os produtores a anteciparem problemas de saúde nos animais. Assim, o manejo se torna mais eficiente e as perdas diminuem.

    Expansão internacional mira o Paraguai

    A Cowmed também acelera seus planos fora do Brasil. A empresa pretende instalar 5 mil coleiras inteligentes em rebanhos leiteiros do Paraguai até o fim de 2026.

    A iniciativa faz parte de uma parceria com a Rural Makro, uma das maiores distribuidoras de insumos agrícolas do país.

    Segundo dados da Associação Rural do Paraguai (ARP), o mercado paraguaio possui mais de 12 milhões de cabeças de gado. Dessa maneira, a companhia enxerga grande potencial para expandir suas soluções de inteligência artificial aplicadas ao agronegócio.

    A avaliação da empresa é que o Paraguai ainda apresenta baixa adoção de ferramentas de monitoramento contínuo no campo. Por isso, a expectativa é ampliar rapidamente a presença da tecnologia entre os produtores locais.

    Além disso, a companhia acredita que as soluções podem ajudar fazendeiros a anteciparem diagnósticos, reduzirem perdas e otimizarem ciclos reprodutivos.

    “O desafio não é só levar tecnologia, mas garantir que ela se pague no campo. Em mercados como o paraguaio, a adoção vem quando o produtor enxerga retorno claro, e isso exige consistência de dados e usabilidade”, destacou Martins.

  • Canchim on Dairy: nova certificação garante carne premium para produtores de leite no Brasil

    Canchim on Dairy: nova certificação garante carne premium para produtores de leite no Brasil

    A raça bovina Canchim acaba de conquistar um marco histórico para a pecuária brasileira: tornou-se a segunda raça, após a Angus, a receber um selo Beef on Dairy (carne no leite) no país. A certificação, batizada de Canchim on Dairy, identifica touros da raça aptos ao cruzamento com vacas leiteiras mestiças da raça Girolando, assegurando qualidade genética aos bezerros gerados e abrindo uma nova frente de negócio para produtores de leite.

    A estratégia é direta: usar sêmen de touros de corte selecionados para gerar animais com maior valor comercial. Bezerros que antes tinham baixo valor de mercado, ou eram descartados logo após o nascimento, passam a ser criados e destinados ao abate, com carne de qualidade superior e carcaças de melhor rendimento.

    “O objetivo é atender ao produtor que deseja uma segunda fonte de faturamento, vendendo esses animais para corte. Canchim é uma raça terminal que traz melhor qualidade de carcaça, mais peso ao desmame e ao sobreano. Além disso, é uma alternativa que agrega bem-estar animal, evitando o descarte de machos recém-nascidos”, explica Cintia Righetti Marcondes, pesquisadora da Embrapa Pecuária Sudeste (SP).

    Por que o Canchim é ideal para regiões tropicais?

    Em regiões quentes como o Centro-Oeste e o Norte do Brasil, o Canchim se destaca pela pelagem clara e alta adaptação ao calor. Uma vantagem que a raça Angus, por exemplo, não oferece para uso a campo. Sua genética transmite precocidade e padronização aos descendentes: bezerros cruzados podem superar o Nelore entre 10% e 15% no peso à desmama, com carcaças de maior rendimento e acabamento de gordura adequado para o mercado consumidor.

    Outro diferencial é o valor de mercado das fêmeas. Ao contrário do que ocorre em sistemas puramente leiteiros, fêmeas jovens resultantes do cruzamento com Canchim são valorizadas por depositarem gordura na carcaça precocemente, permitindo abate com excelente qualidade.

    Como um touro obtém o selo Canchim on Dairy?

    A certificação é rigorosa e baseada em avaliações genéticas do Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (Promebo). O touro deve atender a critérios técnicos em cinco características-chave, medidas pelo sistema de Decas, uma escala que divide os animais em dez grupos, do mais superior (Deca 1) ao mais inferior (Deca 10).

    Imagem: Divulgação

    No peso ao nascer, exige-se Deca igual ou menor que 4, selecionando os 40% melhores da raça para reduzir riscos de parto difícil. No ganho de peso, do nascimento ao sobreano, o critério é Deca até 5. Na conformação ao sobreano, somente os 30% mais musculosos passam (Deca ≤ 3). Para o tamanho do animal (frame), busca-se uma faixa intermediária, entre Deca 3 e 5, evitando animais excessivamente grandes ou pequenos. Por fim, na área de olho de lombo, são selecionados os 40% superiores (Deca ≤ 4), garantindo rendimento de carcaça e qualidade de cortes nobres.

    Simulações na base de dados do Promebo já apontam que diversos touros da raça atendem aos critérios e estão aptos à certificação imediata.

    Benefícios em cadeia: do pasto ao mercado

    Com o selo estampado no certificado de avaliação genética, o touro certificado passa a ser referência para produtores de leite, centrais de inseminação e leilões especializados. Na prática, os ganhos se distribuem por toda a cadeia. Menor risco de partos difíceis para as vacas leiteiras, maior valor de venda dos bezerros e produção de carne com menor pegada ambiental por quilo. Um argumento crescente no mercado consumidor global.

    Além disso, para pequenos produtores, a iniciativa abre ainda outra possibilidade. A aquisição compartilhada de um touro certificado em consórcio, viabilizando acesso à genética de qualidade sem o custo total recair sobre um único criador.

    “A criação de um selo oficial traz reconhecimento, padronização e segurança ao mercado. Essa iniciativa fortalece a integração entre pecuária de leite e de corte. Ao mesmo tempo em que apoia o produtor leiteiro com alternativas mais eficientes para o aproveitamento de seus animais”, destaca Cristina Ribeiro, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Canchim (ABCCAN).

    A Embrapa liderou a iniciativa em parceria com a ABCCAN, a Associação Nacional de Criadores Herdbook Collares e o Promebo.

  • Manejo e nutrição reduzem estresse térmico em vacas leiteiras

    Manejo e nutrição reduzem estresse térmico em vacas leiteiras

    As altas temperaturas da primavera e do verão desafiam a pecuária leiteira brasileira. O calor excessivo afeta conforto, saúde e desempenho produtivo dos animais. Além disso, rebanhos da raça holandesa sofrem impactos ainda mais intensos.

    Sob estresse térmico, vacas reduzem o consumo de matéria seca. Ao mesmo tempo, os animais aumentam a frequência respiratória para dissipar calor. Consequentemente, as vacas gastam mais energia com termorregulação.

    Esse cenário provoca queda na produção de leite e redução da fertilidade. Além disso, o risco de doenças cresce em períodos de calor intenso. Estudos da Embrapa Gado de Leite confirmam perdas expressivas de produtividade, com queda de mais de 30% da produção.

    Na prática, isso representa até cinco litros a menos por vaca diariamente. O Ministério da Agricultura e Pecuária também alerta para o problema.

    Atenção com o manejo

    A combinação de calor, umidade elevada e radiação solar prejudica o bem-estar animal.
    Por isso, o MAPA recomenda ajustes no manejo e na nutrição dos rebanhos.

    Para o veterinário e gerente de ruminantes da Mig-PLUS, Rubem Frosi, a integração é essencial.
    Segundo ele, manejo e nutrição atuam juntos no enfrentamento do estresse térmico. “O estresse térmico é um desafio fisiológico, não apenas climático”, afirma. De acordo com Frosi, estratégias coordenadas preservam o potencial produtivo das vacas.

    Pesquisas recentes indicam aumento das ondas de calor e maior instabilidade climática. Diante disso, cresce a urgência na adoção de práticas de mitigação. Entre as medidas, destacam-se sombra natural ou artificial e sistemas de ventilação.

    Além disso, o resfriamento e ajustes na ordenha ajudam a reduzir o impacto do calor. No manejo a pasto, a oferta de sombra torna-se fundamental. Ao mesmo tempo, o produtor deve priorizar atividades nos horários mais amenos. Como resultado, essa estratégia reduz o estresse térmico desde o início da rotina diária.
    Já em sistemas confinados, o controle ambiental exige maior atenção.

    O uso de aspersores e ventiladores melhora o conforto térmico. Estruturas com pé-direito alto e ventilação natural evitam o acúmulo de calor.

    Impacto da dieta

    Nesse contexto, a nutrição assume papel estratégico na mitigação do estresse térmico.
    Dietas balanceadas ajudam a manter a homeostase dos animais. Além disso, suplementos minerais de alta biodisponibilidade favorecem o equilíbrio metabólico.

    Elementos como sódio, potássio, magnésio e fósforo são essenciais. Esses minerais contribuem para o equilíbrio eletrolítico e a hidratação celular. Assim, a nutrição compensa perdas causadas pelo estresse oxidativo e menor ingestão. Segundo Frosi, o produtor precisa agir de forma preventiva. “O planejamento nutricional aliado ao bem-estar reduz perdas e melhora o desempenho”, reforça. Com isso, o sistema produtivo ganha maior eficiência e resiliência ao calor.