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  • Conheça a nova uva branca da Embrapa para o Sul do País

    Conheça a nova uva branca da Embrapa para o Sul do País

    A Embrapa lançou a BRS Pérola, nova cultivar de uva branca sem sementes voltada aos produtores da região Sul do Brasil. A novidade une alta produtividade ao manejo simplificado e chega ao mercado como alternativa à tradicional uva Itália, que contém sementes. Avaliações na Serra Gaúcha e em Santa Catarina, em parceria com a Epagri, apontam potencial produtivo de até 30 toneladas por hectare com uso de cobertura plástica.

    A baga alongada é um dos atrativos da BRS Pérola, como mostra o pesquisador João Dimas Maia – Foto: Viviane Zanella/Embrapa

    “O aumento do turismo rural e do enoturismo vem estimulando os investimentos no plantio de uvas de mesa para venda na propriedade, no sistema ‘colha e pague’. Consegue-se, assim, ampliar os lucros com a venda direta aos consumidores”, afirma João Maia, pesquisador da Embrapa Uva e Vinho (RS).

    Segundo Maia, os produtores buscam um portfólio diversificado, mas também exigem produtividade e facilidade de manejo. A BRS Pérola atende a essa demanda: suas bagas têm formato alongado, textura crocante e firme, sabor neutro e equilíbrio entre açúcares e acidez. Características similares às da Thompson Seedless, referência no mercado de uva branca sem sementes do Vale do São Francisco.

    Um dos principais atrativos da cultivar é o cacho mais solto, de baixa compacidade, que facilita o raleio e reduz a demanda por mão de obra. “As plantas apresentam boa fertilidade de gemas em varas médias e isso permite alcançar produtividades entre 25 e 30 toneladas por hectare com poda mista”, destaca a pesquisadora Patrícia Ritschel, coordenadora do programa Uvas do Brasil.

    A pesquisadora Patrícia Ritschel (foto à esquerda), uma das coordenadoras do programa Uvas do Brasil. Foto: Viviane Zanella

    Produtor que testou a cultivar aposta no sucesso

    O viticultor Jair Freiberger, de Alto Feliz (RS), está no terceiro ano de produção da BRS Pérola e não esconde o entusiasmo. “A baga mais alongada, a coloração amarelo-vivo e a crocância vão conquistar os clientes”, avalia. Seu parreiral de quase um hectare reúne diferentes cultivares e opera no sistema “colha e pague”. Freiberger acredita que o público jovem vai preferir a BRS Pérola à uva Itália justamente pela ausência de sementes.

    Para o chefe-geral da Embrapa Uva e Vinho, Adeliano Cargnin, o lançamento reforça o compromisso da instituição com soluções de impacto direto no campo. “A BRS Pérola será uma alternativa para a Serra Gaúcha capaz de agregar valor à produção, fortalecer a viticultura de mesa e reafirmar o papel da ciência pública como instrumento de desenvolvimento, inovação e sustentabilidade para a agricultura brasileira”, diz.

    Da pesquisa ao campo

    A Embrapa desenvolveu a BRS Pérola a partir de um cruzamento genético realizado em 2004. Após anos de testes e validações, a empresa definiu o sistema de produção adequado à região Sul. A cultivar não tem recomendação para o Semiárido Brasileiro.

    Na Serra Gaúcha, as bagas atingem cerca de 18 milímetros de diâmetro após aplicação de ácido giberélico. O ciclo desde o início da brotação até o final da maturação, sob cobertura plástica, dura 170 dias, com colheita em fevereiro. O que classifica a BRS Pérola como cultivar de ciclo médio na região.

    A recomendação para cultivo prevê sistema de latada, espaçamento de 2,50 metros entre filas e 2,00 metros entre plantas, sobre o porta-enxerto Paulsen 1103, sempre com cobertura plástica. “O uso da cobertura é fundamental para garantir a produção de uvas de mesa de qualidade na Região Sul”, observa Ritschel.

    Como adquirir as mudas

    A BRS Pérola chega ao mercado pelos viveiros licenciados Viecelli Viveiros (Videira/SC) e MP Mudas (Vacaria/RS), que já recebem pedidos para mudas de 2026. Outros viveiristas licenciados podem adquirir material básico diretamente pela Estação Experimental de Canoinhas/SC (e-mail: [email protected] | tel.: (47) 3627-4199). As reservas acontecem entre abril e junho, com entregas a partir da segunda quinzena de julho.

    O agrônomo Daniel Grohs, responsável pelo Programa de Mudas de Qualidade da Embrapa, orienta os viticultores a fazerem o pedido com um ano de antecedência. “O plantio deve acontecer na primavera, pois são mudas do tipo ‘raiz nua’, fora de substrato e em estágio de dormência”, esclarece. Grohs recomenda ainda que o produtor inspecione a qualidade das mudas ao recebê-las, de preferência com o viveirista presente.

    A BRS Pérola se junta a outras cultivares sem sementes da Embrapa já disponíveis para a região Sul: BRS Vitória (preta, sabor framboesa, a mais produzida no Brasil), BRS Isis (vermelha, tardia, sem necessidade de ácido giberélico no Sul) e BRS Melodia (rosada, sabor tutti-frutti, alta tolerância à antracnose).

  • Nova uva branca sem sementes reduz em 50% custos no Semiárido

    Nova uva branca sem sementes reduz em 50% custos no Semiárido

    A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) lança oficialmente a cultivar BRS 54 Lumiar, uma nova variedade de uva branca de mesa sem sementes, desenvolvida para o Semiárido brasileiro. A cultivar promete reduzir em até 50% os custos com mão de obra no manejo, um dos principais desafios da viticultura na região.

    A BRS 54 Lumiar é resultado do programa de melhoramento genético “Uvas do Brasil”, coordenado pela Embrapa. Ela será apresentada ao público durante as comemorações do 52º aniversário da instituição, em solenidade marcada para hoje, 7 de maio, em Brasília (DF).

    Segundo o pesquisador João Dimas Garcia Maia, da Embrapa Semiárido, a nova cultivar atende a uma demanda histórica por uma variedade de uva branca sem sementes, com menor necessidade de intervenções manuais, como o raleio de cachos. “As cultivares estrangeiras demandam pelo menos 50% a mais de mão de obra para essa prática. Além de imporem o pagamento de royalties por quilo produzido”, explica o pesquisador.

    A produtividade é outra característica positiva da BRS 54 Lumiar. Ela produz de 20 a 22 toneladas por hectare por safra (cerca de 50 toneladas por hectare/ano). Foto: João Dimas Garcia Maia/Embrapa

    Por se tratar de cultivar nacional, os produtores que optarem pela BRS 54 Lumiar precisam pagar apenas pelas mudas, sem encargos adicionais por produtividade. Essa condição reduz consideravelmente o custo de produção e pode ampliar o acesso à cultivar por pequenos agricultores.

    Atributos sensoriais valorizados

    Com alto potencial comercial, a BRS 54 Lumiar se destaca também por atributos sensoriais valorizados pelo mercado: bagas grandes e elípticas, textura crocante e macia, alto teor de açúcares, acidez equilibrada e ausência de adstringência na película. As bagas possuem coloração amarelo-clara com tons esverdeados, lembrando o brilho da lua cheia que inspirou o nome da cultivar.

    De acordo com o chefe-geral da Embrapa Uva e Vinho, Adeliano Cargnin, a nova cultivar é uma entrega relevante para o setor produtivo: “A BRS 54 Lumiar atende a todos os perfis de produtores, dos familiares aos grandes. A redução da mão de obra no manejo dos cachos impacta diretamente no custo de produção e pode resultar em maior lucro e preço mais competitivo para o consumidor”.

     

    Produtor e consultor Newton Matsumoto. Foto: Divulgação

    O viticultor e consultor Newton Matsumoto, que participou da validação da cultivar no Vale do São Francisco, destaca a produtividade, o sabor e a aparência da nova uva como fatores decisivos para sua adoção. “A cultivar entrega produtividade, sabor e aparência. É uma uva com grande potencial de mercado, que deve agradar tanto produtores quanto consumidores”, afirma.

    A equipe da Embrapa testou a cultivar em diversas regiões, mas até o momento recomenda seu cultivo no Vale do Submédio São Francisco, onde o clima e a irrigação favorecem a produção de uvas de mesa ao longo de todo o ano.

    Desenvolvimento

    A equipe da Embrapa Uva e Vinho realizou, em 2010, um cruzamento genético na Estação Experimental de Viticultura Tropical, em Jales (SP), que deu origem à BRS 54 Lumiar. Em 2019, os pesquisadores implantaram as primeiras unidades de validação no Vale do São Francisco, em parceria com 12 empresas da região.

    Para garantir o acesso ao material genético, a Embrapa realiza a distribuição das mudas exclusivamente por meio de viveiristas licenciados. A lista desses fornecedores está disponível no site da Empresa. Viveiristas interessados em adquirir o material básico da cultivar podem participar do edital de oferta pública da Estação Experimental de Canoinhas (SC).

    O programa “Uvas do Brasil”, iniciado na década de 1970, é responsável pelo desenvolvimento de cultivares adaptadas às condições brasileiras. O polo do Vale do São Francisco é o maior produtor nacional de uvas de mesa finas e sem sementes. São cerca de 16 mil hectares cultivados, segundo o Hortifruti/Cepea (Esalq/USP).

    Cultivares

    Entre as cultivares já consolidadas na região estão a BRS Vitória (uva preta sem sementes), BRS Isis (uva vermelha sem sementes), BRS Núbia (uva preta com sementes) e BRS Melodia (uva vermelha sem sementes). A chegada da BRS 54 Lumiar amplia esse portfólio. E reforça o protagonismo da pesquisa nacional no desenvolvimento de soluções para a fruticultura irrigada no Semiárido.

    O desenvolvimento da cultivar de uva branca contou com apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). E com colaboração do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) nas análises de compostos funcionais.

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  • Uva branca sem semente bate recorde de preço

    Uva branca sem semente bate recorde de preço

    A uva branca sem semente do Vale do São Francisco (PE/BA) atingiu novo recorde de preço em junho, com média semanal de R$ 18,30/kg para a embalada. Apesar da demanda contida no final de junho, os preços das uvas seguiram em alta. Segundo pesquisadores da equipe Hortifrúti/Cepea, o impulso veio da baixa oferta.

    Assim, a média semanal (24 a 28/06) superou em 1,3% o valor do período anterior. Com os recentes e seguidos aumentos, a variedade fechou o mês de junho com o maior valor nominal da série histórica, iniciada em 2017.

    Por outro lado, a BRS vitória teve nova queda no preço, diante da oferta maior que a demanda, com média de R$ 5,33/kg no contentor (-5,9%). Mas atenção, há problemas relacionados à qualidade, como incidência de glomerella na negra sem semente, mesmo com a diminuição da umidade já há alguns meses.

    Variedade no Vale do São Francisco

    Em 2020, a Embrapa Semiárido (Petrolina, PE) apresentou a variedade BRS Tainá, uma uva desenvolvida especificamente para o Vale do São Francisco. A espécie exibe coloração branca, sabor neutro e agradável, além de ser uma variedade sem semente, uma das mais importantes características exigidas pelo mercado.

    O resultado é proveniente do cruzamento realizado em 2004 entre as cultivares internacionais Sugraone e Marroo Seedless, que fazem parte do Banco Ativo de Germoplasma da Embrapa Semiárido. Sendo assim, a BRS Tainá é fruto de um intenso esforço para disponibilizar aos produtores de uva do Vale uma cultivar branca sem os altos custos de licenciamento de plantio.

    Características uva BRS Tainá

    A nova variedade é vigorosa, com produtividade média estimada em 25 toneladas por hectare por ciclo. O período desde a poda até a colheita está em torno de 110 dias, com pequenas variações ao longo do ano, em função das condições climáticas.

    Os cachos apresentam tamanho médio, com peso de 270 gramas e medindo cerca de 15 x 10 centímetros. Portanto, a BRS Tainá se destaca ainda por apresentar características desejáveis em uvas para o consumo in natura, como crocância, bagas firmes, com boa aderência ao pedicelo e traços minúsculos e imperceptíveis de sementes.

    Foto: Divugação – Embrapa/Patrícia Ritschel

    O sabor é neutro e agradável, com uma relação equilibrada entre açúcares e acidez. Ou seja, é uma opção promissora e com grande potencial para se destacar no mercado de uvas de mesa brancas sem sementes.