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  • Desinformação avança para além da política e se torna risco crescente para marcas e negócios

    Desinformação avança para além da política e se torna risco crescente para marcas e negócios

    A desinformação deixou de ser um problema restrito ao debate político e passou a ocupar o centro das preocupações de empresas, entidades e especialistas em comunicação. O tema foi discutido nesta quinta-feira (21), durante o ABMRA Ideia Café, promovido pela Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro (ABMRA), que reuniu representantes do Instituto Ethos e do NetLab, laboratório de pesquisa em internet e redes sociais vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), para debater os impactos das chamadas fake news sobre reputação, marcas e negócios.

    Na abertura do encontro, o presidente da ABMRA, Ricardo Nicodemos, destacou que a discussão está diretamente alinhada ao propósito da entidade. “A ABMRA completa em junho 47 anos e uma das missões da entidade é exatamente ajudar o mercado a se comunicar da melhor maneira possível. E essa questão da informação é, sem dúvida, um dos grandes pilares e uma das nossas maiores preocupações. Portanto, vem ao encontro dos nossos propósitos”, afirmou.

    Ao longo do encontro, especialistas destacaram que o conceito de fake news evoluiu significativamente nos últimos anos. Se inicialmente o fenômeno era analisado principalmente sob a ótica eleitoral e da polarização política, hoje é compreendido como uma atividade econômica estruturada, capaz de influenciar comportamentos de consumo, comprometer a confiança em instituições e afetar diretamente o desempenho de empresas dos mais diversos setores.

    Para a professora em comunicação social da UFRJ e fundadora do NetLab, Marie Santini, a política serviu como uma espécie de laboratório para compreender o fenômeno, mas a realidade atual demonstra que a desinformação extrapolou esse ambiente. “Hoje se entende que esse é um dos fatores que mais ameaçam a economia no mundo. Toda economia é baseada em confiança, e a desinformação afeta justamente esse elemento central, que é a confiança e a reputação das empresas”, analisou.

    Construção de narrativas capazes de gerar dúvidas

    Segundo os pesquisadores, a desinformação não se resume à circulação de conteúdos falsos. O fenômeno envolve a construção de narrativas capazes de gerar dúvidas sobre informações legítimas, enfraquecer a credibilidade de instituições e direcionar audiências para ambientes onde a atenção pode ser monetizada por meio de publicidade digital, fraudes ou manipulação de comportamento. Em muitos casos, o processo começa em canais de baixa credibilidade, é testado em grupos fechados e, posteriormente, impulsionado por mecanismos de segmentação das plataformas digitais até alcançar grandes audiências.

    O pesquisador do NetLab, Márcio Borges, ressaltou que os reflexos para o ambiente corporativo são diretos. “Quando eu ataco a confiança, eu ataco diretamente o negócio. Eu ataco diretamente a razão econômica da transação comercial que é estabelecida a partir de uma relação de confiança”, explicou. Segundo ele, a desinformação também explora a credibilidade de marcas consolidadas para aplicar golpes, comercializar produtos falsificados e disseminar conteúdos enganosos, ampliando os riscos reputacionais para as empresas.

    Coalizão busca mobilizar empresas para enfrentar a desinformação

    A crescente influência da desinformação sobre a reputação corporativa, a confiança nas instituições e a tomada de decisões motivou a criação da Coalizão Empresarial contra a Desinformação, iniciativa liderada pelo Instituto Ethos em parceria com entidades empresariais e com apoio técnico do NetLab. O movimento tem o apoio ainda da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (ABERJE), Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (ABRADEE) e da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (INTERFARMA).

    Lançada em abril deste ano, a coalizão reúne representantes do setor privado com o objetivo de sensibilizar lideranças empresariais, mapear riscos e construir diretrizes voltadas ao fortalecimento da integridade informacional no ambiente de negócios.

    Segundo a gestora de projetos do Instituto Ethos, Marcela Greco, a proposta é transformar a discussão sobre desinformação em uma agenda prática para as organizações. “A desinformação é um dos maiores riscos globais da atualidade e afeta diretamente as empresas, seja pelos impactos reputacionais, seja pelos recursos investidos para combater informações falsas. Nosso objetivo é mobilizar lideranças empresariais para construir uma agenda de integridade informacional que vá além do diagnóstico e resulte em ações concretas para fortalecer a confiança nas instituições, nas marcas e na sociedade”, afirmou.

    A iniciativa prevê a elaboração de um documento de referência com diagnósticos, recomendações e boas práticas para o setor empresarial, que deverá ser apresentado em fóruns internacionais como contribuição brasileira ao debate global sobre integridade da informação.

    Liderança global e mais vulnerável

    Um dos dados que mais chamaram atenção durante o encontro foi apresentado por Márcio Borges e tem como base um levantamento realizado em 21 países. Segundo o estudo, cerca de 80% dos brasileiros utilizam redes sociais para consumir notícias e informações, colocando o Brasil na liderança global nesse hábito de consumo informacional. Ao mesmo tempo, o país ocupa a última posição no ranking de capacidade de identificação de conteúdos falsos entre as nações analisadas, evidenciando um cenário de elevada vulnerabilidade à desinformação digital.

    Cerca de 80% dos brasileiros consomem notícias em redes sociais, posicionando o país como líder global

    Na avaliação dos especialistas, a combinação entre o alto consumo de informações por meio das plataformas digitais e a dificuldade de distinguir conteúdos verdadeiros de falsos cria um ambiente especialmente favorável à circulação de narrativas enganosas, com impactos que vão além da esfera política e atingem diretamente empresas, marcas e instituições.

    Anúncios digitais

    Outro ponto destacado pelos pesquisadores foi o papel da publicidade digital programática no financiamento desse ecossistema. Como os anúncios são distribuídos automaticamente com base em perfis de audiência e comportamento, empresas podem acabar financiando ambientes que disseminam conteúdos enganosos sem ter conhecimento direto sobre onde suas campanhas estão sendo exibidas. A falta de transparência sobre a distribuição desses anúncios foi apontada como um dos principais desafios para empresas, anunciantes e reguladores.

    Sobre a ABMRA

    A Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro (ABMRA) é a única entidade voltada exclusivamente ao marketing e à comunicação do Agro. Há quase 50 anos, fortalece o marketing disseminando as boas práticas e contribuindo com todos que participam da cadeia produtiva do setor a se comunicarem melhor. Congrega todo o ecossistema da comunicação, tendo como Associados as indústrias (anunciantes), agências e veículos de mídia.

    A ABMRA se posiciona como a “Casa do Marketing e da Comunicação do Agro”.

    Texto enviado pela ABMRA

  • Cientistas brasileiros descobrem canabidiol em erva daninha

    Cientistas brasileiros descobrem canabidiol em erva daninha

    Pesquisadores identificaram o canabidiol (CBD), um composto da canábis, em uma planta brasileira que não é relacionada à cannabis, abrindo novas possibilidades para a produção dessa substância cada vez mais popular.

    O CBD foi encontrado nos frutos e flores da planta Trema micrantha blume, conhecida no Brasil como crindiúva, pau-de-cruz ou pau-de-tucano. Este arbusto é amplamente distribuído pelo território brasileiro e frequentemente considerado uma erva daninha, conforme informou o biólogo molecular Rodrigo Moura Neto, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

    O canabidiol tem sido utilizado por algumas pessoas para tratar condições como epilepsia, dor crônica e ansiedade. Juntamente com o tetrahidrocanabinol (THC), que é a substância psicoativa da canábis, o CBD é um dos principais compostos ativos da planta. No entanto, a eficácia do CBD como tratamento médico ainda está sob investigação.

    Canabidiol sem efeito psicoativo

    A análise química revelou que a Trema contém CBD, mas não THC, o que sugere uma nova fonte abundante de canabidiol que não enfrenta os desafios legais e regulamentares associados à canábis, que ainda é proibida em muitos locais, incluindo o Brasil. “É uma alternativa legal ao uso da cannabis”, afirmou Neto. “Essa planta cresce em todo o Brasil e poderia ser uma fonte mais simples e econômica de canabidiol.”

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    Neto mencionou que o CBD já havia sido encontrado em uma planta relacionada na Tailândia. Ele ainda não publicou seus resultados, mas planeja expandir sua pesquisa para identificar os melhores métodos de extração do CBD da Trema e avaliar sua eficácia em pacientes com condições tratadas atualmente com cannabis medicinal.

    Recentemente, sua equipe recebeu uma bolsa de 500 mil reais (aproximadamente 104 mil dólares) do governo brasileiro para financiar a pesquisa. Ele estima que a pesquisa levará pelo menos cinco anos para ser concluída.

    Um estudo da Vantage Market Research estimou que o mercado global de CBD está próximo de US$ 5 bilhões. E projetou um crescimento para mais de US$ 47 bilhões até 2028. Esse crescimento é impulsionado principalmente pelo uso na saúde e bem-estar.