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  • Universidade desenvolve linguiça de peixe com erva-mate

    Universidade desenvolve linguiça de peixe com erva-mate

    O Grupo de Pesquisa em Tecnologia do Pescado (GEPTPESCA) da Universidade Federal de Santa Maria conquistou aprovação no Programa Pesquisador Gaúcho e Fixação de Jovens Doutores da Fapergs. O projeto “Enriquecimento de linguiça ‘tipo frescal’ de jundiá (Rhamdia quelen) com erva-mate micronizada: um sabor típico do pampa” receberá até R$ 60 mil até dezembro de 2028.

    A equipe trabalha no desenvolvimento de uma linguiça à base de jundiá que utiliza erva-mate como ingrediente antioxidante. A professora Fernanda Ferrigolo, do Colégio Politécnico da UFSM, coordena a iniciativa e destaca o foco em produtos regionais.

    Jundiá se destaca na piscicultura do Sul

    O jundiá representa uma alternativa promissora para a piscicultura na região Sul do Brasil. A espécie nativa se adapta bem às baixas temperaturas do inverno, período que restringe o cultivo de outras espécies. O peixe oferece carne saborosa e filé sem espinhas intramusculares, características que conquistam o mercado consumidor.

    A indústria, porém, ainda explora pouco o potencial do pescado. As opções comerciais se limitam a produtos básicos, com poucas tecnologias de processamento disponíveis. A carne do peixe se deteriora rapidamente devido à sua composição, o que favorece mudanças sensoriais indesejadas e acelera a atividade microbiana.

    Erva-mate amplia vida útil do produto

    A erva-mate (Ilex paraguariensis) entra como solução tecnológica. A planta concentra compostos bioativos com expressiva atividade antioxidante, que prolongam a vida de prateleira do pescado.

    “O uso de tecnologias de processamento do pescado, aliado à aplicação de ingredientes naturais ricos em compostos bioativos, como a erva-mate, representa uma estratégia promissora”, explica Fernanda. A combinação resulta em produtos à base de peixe com maior estabilidade oxidativa, qualidade nutricional aprimorada e maior valor agregado.

    Os pesquisadores pretendem criar um alimento que combine três elementos tradicionais do Rio Grande do Sul: jundiá, linguiça e erva-mate. “Nossa intenção é desenvolver um produto inovador e que traga uma identidade do nosso estado, combinando elementos bastante aceitos pelo povo gaúcho”, salienta Fernanda.

    Após concluir as análises previstas no projeto, a equipe avaliará as possibilidades comerciais do produto.

    Piscicultura gaúcha tem potencial inexplorado

    O projeto também pode impulsionar a piscicultura estadual. O Rio Grande do Sul possui a maior área de viveiros do Brasil em hectares. A produção local, entretanto, não atende à demanda, o que força o estado a buscar peixes de outras regiões.

    “O potencial gaúcho para a piscicultura é significativo, mas seu pleno desenvolvimento depende de políticas públicas e programas de incentivo específicos para o setor”, relata a docente.

    Os experimentos utilizarão 10 kg de filé de jundiá adquiridos do comércio local. A pesquisa inicia em janeiro de 2026 no Colégio Politécnico da UFSM, em parceria com o Laboratório de Piscicultura do Departamento de Zootecnia/Centro de Ciências Rurais (CCR) e com o curso de Engenharia de Aquicultura da Unipampa.

    GEPTPESCA desenvolve receitas práticas com pescado

    Fernanda Ferrigolo criou o GEPTPESCA em 2022, quando atuava na Unipampa. A redistribuição para a UFSM trouxe a marca do grupo e manteve as atividades de ensino, pesquisa e extensão na área.

    O grupo nasceu da intenção de avançar nas pesquisas voltadas à Tecnologia do Pescado, área ainda pouco explorada no Brasil. Os pesquisadores desenvolvem produtos práticos com inclusão de carne de peixe para consumidores que buscam praticidade sem abrir mão de alimentação saudável, com atenção especial ao público infantil.

    Foto: Divulgação UFSM

    O grupo criou receitas como o “biscolápia”, biscoito amanteigado com adição de filé de tilápia. Segundo Fernanda, a receita faz sucesso entre quem prova. “A proposta dessas receitas é enriquecer nutricionalmente alimentos que são bem aceitos pelas crianças e possibilitar sua inserção na merenda escolar”, destaca.

    Outros estudos resultaram em fishburguer adicionado de erva-mate – quando os pesquisadores atestaram as propriedades antioxidantes deste produto – e bolo de chocolate com adição de filé de tilápia.

    Foto: Divulgação UFSM

    As atividades do GEPTPESCA envolvem os cursos técnicos em Zootecnia, Agropecuária, Alimentos e Farmácia do Colégio Politécnico da UFSM. Os alunos participam de aulas práticas de desenvolvimento de produtos à base de peixe para evidenciar o potencial dessa fonte de proteína e incentivar seu consumo.

    Projeto leva receitas para escolas de Santa Maria

    O grupo sairá dos laboratórios do Campus no primeiro semestre de 2026 para levar suas receitas com pescado às escolas de Santa Maria. A primeira será a EMEI Monte Bello, localizada no Bairro Camobi.

    “Estamos em busca de parcerias e já contamos com uma instituição interessada, com o início das ações previsto para o primeiro semestre”, afirma Fernanda. O objetivo dessas parcerias consiste em divulgar as receitas por meio de minicursos, incentivando desde cedo o consumo de peixe entre crianças e jovens.

    “Entendemos que criança pode atuar como um agente multiplicador, influenciando positivamente os hábitos alimentares de sua família”, conclui a coordenadora.

  • Saiba o que são os baculovírus

    Saiba o que são os baculovírus

    Pesquisas apontam que os baculovírus têm se destacado como uma ferramenta crucial para enfrentar a resistência de lagartas a biotecnologias e inseticidas químicos.

    Estudos conduzidos por pesquisadores de instituições como a Esalq/USP e as universidades federais de Pelotas e Santa Maria (RS) destacam a eficiência dos bioinseticidas à base de baculovírus no controle de pragas.

    Com sua atuação biológica, esses inseticidas vêm se mostrando uma solução eficiente em meio à crescente resistência das lagartas aos produtos convencionais.

    Avanços e evidências científicas

    Celso Omoto, especialista da Esalq/USP, explica que testes realizados com as espécies Spodoptera frugiperda e Helicoverpa armigera demonstraram a suscetibilidade dessas lagartas aos baculovírus, sem indicativos de resistência cruzada com inseticidas químicos.

    Omoto também destaca que esses bioinseticidas, classificados no Grupo 31 pelo IRAC Internacional, têm um modo de ação inédito, o que favorece sua aplicação em estratégias de manejo integrado de pragas (MIP).

    Essa abordagem combina múltiplas táticas para garantir um controle mais robusto das populações de lagartas.

    Oderlei Bernardi, da Universidade Federal de Santa Maria, aponta que a resistência de lagartas aos inseticidas químicos em plantações de soja continua a crescer.

    Seus estudos indicam que os baculovírus representam uma alternativa viável, devido ao seu mecanismo de ação diferenciado.

    Além disso, há evidências de que esses produtos intensificam o controle de pragas quando aplicados em cultivos de soja transgênica, como a soja ‘Intacta’.

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    Na Universidade Federal de Pelotas, o entomologista Daniel Bernardi também reforça a importância dos baculovírus.

    Segundo ele, o aumento da resistência de Spodoptera frugiperda a inseticidas químicos e a biotecnologias têm tornado o manejo dessa praga no milho um desafio crescente. “Os baculovírus se destacam como uma das melhores alternativas biológicas para lidar com essa resistência”, observa Bernardi.

    Impacto e expansão no mercado

    A vice-presidente de Pesquisa & Desenvolvimento da AgBiTech, Paula Marçon, ressalta que os baculovírus são não apenas sustentáveis do ponto de vista ambiental. Eles são essenciais para a gestão das pragas em grandes cultivos.

    “Além de suprimir populações, os baculovírus promovem epizootias, prolongando o controle de lagartas a campo e melhorando a eficácia de biotecnologias e inseticidas químicos, cuja eficiência tem sido comprometida pela resistência”, explica Marçon.

    Trabalhos acadêmicos e a campo demonstram que os bioinseticidas à base de baculovírus agem como supressores de populações de lagartas, além de impulsionar desempenho de biotecnologias e inseticidas químicos nas culturas

    Dados da consultoria Kynetec revelam que a adesão aos bioinseticidas de baculovírus aumentou na última safra. Em 59% das áreas tratadas de soja, eles superaram o uso dos produtos à base de Bacillus thuringiensis.

    A AgBiTech, principal fornecedora desses biolagarticidas, viu seu alcance expandir para mais de cinco milhões de hectares em lavouras brasileiras.

    “Nosso objetivo é fornecer alternativas que ajudem a manter a rentabilidade do produtor e a sustentabilidade do agronegócio”, conclui Pedro Marcellino, diretor de marketing da empresa.

    O crescente uso de baculovírus na agricultura brasileira reflete uma mudança de estratégia para lidar com a resistência de pragas, reforçando a importância dessas soluções biológicas no manejo integrado e sustentável.

    Mas o que é um baculovírus?

    Baculovírus são vírus que infectam insetos, principalmente lagartas, sendo utilizados amplamente como bioinseticidas no controle de pragas agrícolas.

    Eles pertencem à família Baculoviridae e se destacam por sua especificidade, afetando apenas determinados insetos sem causar danos a outros organismos.

    Isso incluí  humanos, plantas e animais. Esse tipo de vírus é caracterizado por possuir um DNA de fita dupla e ser encapsulado em proteínas que facilitam sua dispersão e eficácia no ambiente.

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    No controle biológico, os baculovírus agem ao infectar e matar lagartas que atacam culturas agrícolas, como milho e soja.

    A infecção ocorre quando as lagartas consomem folhas ou partes da planta contaminadas com o vírus. Após serem ingeridos, os vírus se multiplicam dentro do corpo das lagartas, provocando sua morte em alguns dias.

    Além de serem altamente eficazes, eles apresentam a vantagem de serem ambientalmente sustentáveis, pois são inofensivos a inimigos naturais e outros polinizadores.

    Esses vírus também são importantes em programas de manejo integrado de pragas (MIP), onde são utilizados junto com outras estratégias, como biotecnologias e inseticidas químicos. A ideia é ,asssim, garantir um controle mais eficaz e sustentável das pragas.