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  • Veterinária: Brasil tem 2 universidades entre as melhores do mundo

    Veterinária: Brasil tem 2 universidades entre as melhores do mundo

    O Brasil tem duas universidades entre as 100 melhores do mundo em Veterinária. A Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp) aparecem na edição 2026 do QS World University Rankings by Subject.

    As duas instituições estão na faixa entre a 51ª e a 100ª posições em Veterinary Science. Nessa parte da classificação, o QS reúne as universidades em grupos e, portanto, não estabelece uma colocação individual para cada uma.

    O ranking avaliou instituições de diferentes países e selecionou as 100 que mais se destacaram na área. Além disso, a classificação permite comparar o desempenho das universidades em diferentes aspectos acadêmicos e científicos.

    No topo, por exemplo, o domínio se concentra principalmente em universidades dos Estados Unidos e do Reino Unido.

    As 10 melhores universidades do mundo em Veterinária

    Veja as primeiras colocadas no QS World University Rankings by Subject 2026 em Veterinary Science:

    Posição Universidade País Nota
    1º Royal Veterinary College, University of London Reino Unido 98,2
    2º University of California, Davis Estados Unidos 95,8
    3º Cornell University Estados Unidos 94,7
    4º University of Guelph Canadá 92,8
    5º Texas A&M University Estados Unidos 90,7
    6º Colorado State University Estados Unidos 89,4
    6º University of Edinburgh Reino Unido 89,4
    8º The Ohio State University Estados Unidos 89,0
    9º Utrecht University Holanda 88,7
    10º Iowa State University Estados Unidos 88,4

    O Royal Veterinary College (RVC), ligado à Universidade de Londres, manteve a liderança mundial. A instituição alcançou 98,2 pontos e, além disso, obteve a pontuação máxima em reputação acadêmica.

    Logo depois, aparece a University of California, Davis, com 95,8 pontos. A universidade norte-americana ocupa a segunda colocação mundial e, ao mesmo tempo, lidera o ranking dentro dos Estados Unidos.

    Na sequência, Cornell University completa o pódio. University of Guelph e Texas A&M, por sua vez, fecham as cinco primeiras posições.

    Onde aparecem USP e Unesp?

    Foto de tigresa em atendimento na UNESP

    Depois das dez primeiras colocadas, o ranking segue até chegar ao grupo no qual aparecem as duas representantes brasileiras.

    A USP e a Unesp estão na faixa 51-100 do mundo em Veterinary Science no QS 2026.

    Nesse intervalo, entretanto, o QS deixa de divulgar uma posição ordinal específica. Por isso, não é possível estabelecer qual das duas brasileiras aparece à frente.

    Ainda assim, a classificação coloca as duas universidades paulistas entre as 100 instituições de maior destaque internacional em ciência veterinária na edição de 2026.

    O resultado também mantém o Brasil representado em um grupo que reúne algumas das principais universidades e centros de pesquisa veterinária do planeta.

    UFMG deixou o Top 100

    Por outro lado, o levantamento de 2026 apresenta uma mudança importante em relação à edição anterior.

    Em 2025, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) também figurava entre as 100 melhores do mundo em Veterinária. Na ocasião, a área estreou na classificação da universidade já dentro do Top 100.

    Em 2026, porém, Veterinária da UFMG não permaneceu no Top 100. Com isso, o Brasil passou de três para duas universidades nesse grupo.

    A mudança, contudo, não permite concluir que houve perda de qualidade do curso. O QS não divulgou uma justificativa específica para a saída da Veterinária da UFMG do Top 100.

    Além disso, a classificação funciona de maneira comparativa. Isso significa que o resultado de uma instituição também depende do desempenho das demais universidades analisadas.

    Dessa forma, mudanças podem ocorrer de uma edição para outra mesmo sem uma piora absoluta na qualidade acadêmica de determinada instituição.

    Como o QS avalia as universidades?

    Fachada da Faculdade de Medicina Veterinária da USP

    O QS World University Rankings by Subject analisa o desempenho das instituições em áreas específicas do conhecimento.

    Em Veterinary Science, a metodologia combina indicadores relacionados à reputação acadêmica, reputação entre empregadores e impacto da produção científica. Além disso, a avaliação considera aspectos relacionados à colaboração internacional em pesquisa.

    Entre os indicadores científicos está o índice H, usado para mensurar a produtividade e a influência dos trabalhos acadêmicos produzidos pelos pesquisadores.

    Portanto, o levantamento não funciona como uma avaliação exclusiva da graduação em Medicina Veterinária. Na prática, ele considera a força acadêmica, científica e internacional da universidade naquela área.

    Assim, uma instituição com forte produção científica e pesquisadores altamente citados pode ganhar destaque no levantamento. Ao mesmo tempo, a reputação construída junto à comunidade acadêmica e aos empregadores também influencia o resultado.

    No Brasil, por fim, a edição de 2026 deixa USP e Unesp como as duas representantes nacionais entre as 100 melhores do mundo em Veterinária.

  • Conab lança plataforma para certificar café brasileiro como livre de desmatamento

    Conab lança plataforma para certificar café brasileiro como livre de desmatamento

    Na manhã da última terça-feira (24/02), a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) lançou, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Plataforma Parque Cafeeiro para certificar o café brasileiro como livre de desmatamento. A Conab apresentou a ferramenta em cerimônia na sede da estatal, em Brasília (DF), com autoridades do Governo Federal e lideranças do setor cafeeiro.

    ​A plataforma apoia o cumprimento do Regulamento (UE) 2023/1115, conhecido como EUDR, que exige comprovação de que produtos como o café não venham de áreas com desmatamento após 31 de dezembro de 2020. Com isso, o sistema busca ampliar a rastreabilidade do café nacional e dar mais segurança para produtores, cooperativas, exportadores e importadores.

    Com chancela do Governo Federal, a ferramenta permite que produtores emitam uma declaração de conformidade ao não-desmatamento quando atendem às diretrizes europeias. Outros elos da cadeia também podem acessar relatórios para comprovar aos compradores europeus a origem regular dos lotes.

    ​Diferencial

    A Conab destacou como diferencial a arquitetura tecnológica baseada em integração com bases governamentais oficiais por meio de APIs. Isso viabiliza atualização quase em tempo real, acompanhamento contínuo e consistência dos dados. A plataforma também verifica informações ambientais e territoriais para apoiar o alinhamento às regras nacionais e internacionais.

    No monitoramento, o sistema utiliza dados do PRODES e checa se áreas de café cadastradas no CAR registraram desmatamento superior a meio hectare após 2020, além de identificar sobreposições com Terras Indígenas, Territórios Quilombolas e Unidades de Conservação, segundo a Conab.

    ​O mapeamento das lavouras ocorreu entre 2021 e 2025 com uso de inteligência artificial aplicada a imagens de satélites de alta resolução, de acordo com a estatal. A Conab informou que estruturou o sistema com articulação interministerial e apoio de órgãos vinculados para fortalecer a credibilidade da solução.

    ​A Plataforma Parque Cafeeiro já está em funcionamento e pode ser acessada em https://sistemas.conab.gov.br/conab_parque_cafe.

  • Inteligência artificial revoluciona reprodução de pirarucu

    Inteligência artificial revoluciona reprodução de pirarucu

    Uma tecnologia que até pouco tempo era exclusiva de laboratórios de neurociência está transformando a criação de pirarucu no Brasil. A Embrapa Pesca e Aquicultura, em Palmas (TO), desenvolveu um sistema inédito de inteligência artificial capaz de prever com precisão o momento reprodutivo do Arapaima gigas, o gigante das águas amazônicas que pode ultrapassar 100 quilos.

    O projeto, realizado em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), adapta técnicas de rastreamento comportamental originalmente desenvolvidas para estudos com roedores. A iniciativa coloca o Brasil na vanguarda da aquicultura inteligente, área ainda pouco explorada no país.

    “Aplicações em piscicultura, especialmente com espécies nativas como o pirarucu, representam uma nova fronteira”, afirma o professor Cleiton Aguiar, da UFMG, coordenador do projeto. Segundo ele, enquanto a inteligência artificial já é amplamente utilizada em setores como saúde e agronegócio de grãos, sua aplicação na criação de peixes nativos ainda é praticamente inexistente no país.

    Como funciona o sistema de monitoramento inteligente

    O mecanismo desenvolvido pelos pesquisadores utiliza 12 câmeras instaladas em viveiros escavados, registrando continuamente o comportamento dos peixes das 6h às 18h. Como o pirarucu possui respiração aérea obrigatória, precisa subir regularmente à superfície. Cada aparição é detectada automaticamente pelo sistema de IA, que marca a posição exata no viveiro.

    Os resultados obtidos nessa pesquisa abrem portas para outros tipos de explorações científicas com a espécie – Foto: Arquivo pessoal

    “A máquina conta quantas vezes o pirarucu sobe e gera uma planilha com dia, hora e coordenadas de cada aparição”, explica Lucas Torati, pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura. O sistema elimina a necessidade de observação humana contínua, que além de cara, é limitada e subjetiva.

    Aprendizado de máquina: ensinando computadores a reconhecer peixes

    Por trás da aparente simplicidade do monitoramento está um complexo processo de aprendizado de máquina. Os pesquisadores utilizam redes neurais profundas, modelos computacionais inspirados no funcionamento do cérebro humano, compostos por múltiplas camadas de processamento.

    O treinamento começa com a marcação manual de cerca de 200 quadros de vídeo, identificando os quatro cantos do viveiro e as diferentes partes do corpo do peixe (cabeça, tronco e cauda). A partir desses exemplos, a rede neural aprende a reconhecer automaticamente os padrões em novos vídeos.

    A precisão do sistema depende da variedade de condições incluídas no treinamento. “É necessário utilizar imagens com diferentes condições de luminosidade – manhã, meio-dia e entardecer – e em diversas situações climáticas: sol, nuvens e chuva”, detalha Torati. Esse treinamento minucioso garante que o sistema funcione eficientemente em todas as condições ambientais.

    Da neurociência à aquicultura: adaptando ferramentas científicas

    O projeto utiliza o DeepLabCut (DLC), um software de código aberto amplamente empregado em pesquisas de neurociência para rastrear movimentos de animais. No Laboratório de Neurociências Comportamental e Molecular (LANEC) da UFMG, a ferramenta é usada principalmente para analisar o comportamento de ratos em tarefas de aprendizagem.

    A engenheira e doutoranda Natália Martínez, do Programa de Pós-Graduação em Neurociências da UFMG, colabora na adaptação dessa tecnologia para o contexto da aquicultura. A diferença fundamental está no objetivo: enquanto nos roedores o foco é compreender mecanismos de memória e aprendizagem, no pirarucu a IA monitora padrões que refletem bem-estar, crescimento e comportamento reprodutivo.

    Detecção precoce: o santo graal da piscicultura de pirarucu

    O grande desafio enfrentado pelos produtores está na identificação do momento exato da formação do ninho. Após receberem implantação hormonal, o casal de pirarucus forma um ninho onde a fêmea deposita os ovos para serem fertilizados pelo macho.

    Pesquisador Lucas Torati. Foto: Arquivo pessoal

    Durante o cuidado parental, comportamento característico da espécie, o casal permanece sempre no mesmo local e para de buscar alimento. A identificação precoce desse momento é crucial para o sucesso da produção.

    “Se fosse possível coletar ovos recém-fertilizados, certamente aumentaria a taxa de sobrevivência”, destaca Torati. Atualmente, os produtores perdem milhares de alevinos pela demora em retirá-los dos viveiros. O sistema de IA promete identificar o momento exato da formação do ninho, permitindo intervenção no tempo ideal.

    Além da reprodução

    As aplicações da inteligência artificial na criação de pirarucu vão muito além do monitoramento reprodutivo. Os pesquisadores vislumbram um leque de possibilidades para os próximos anos.

    O sistema poderá avaliar como fatores ambientais – temperatura da água, níveis de oxigênio e amônia – interferem na frequência respiratória dos peixes. Também será possível identificar períodos de maior atividade, medir níveis de estresse pós-manejo durante biometrias e até detectar reflexos comportamentais de diferentes doenças.

    “A IA permite monitorar eficiência alimentar e consumo de comida automaticamente, sem contagem manual”, projeta Torati. Uma perspectiva ainda mais ambiciosa é o cálculo automático de biomassa através de análise fotográfica, eliminando a necessidade de manejos estressantes em peixes que podem superar 100 quilos.

    Financiamento e parcerias estratégicas

    O projeto conta com recursos do consórcio internacional de pesquisa Aquavitae, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (FAPT) e de emenda parlamentar do senador Eduardo Gomes (Tocantins). A colaboração entre Embrapa e UFMG demonstra o potencial da união entre instituições de pesquisa para desenvolver soluções inovadoras para desafios brasileiros.

    A tecnologia desenvolvida representa um salto qualitativo para a aquicultura nacional. Ao transformar dados comportamentais em informações quantitativas, padronizadas e contínuas, o sistema facilita a tomada de decisões no manejo e aumenta a previsibilidade da produção.

    Para um setor que busca expansão sustentável e maior competitividade, ferramentas como essa podem fazer a diferença entre o sucesso e o fracasso comercial. O pirarucu, valorizado no mercado nacional e internacional, ganha aliados tecnológicos para consolidar sua posição como uma das principais espécies da piscicultura brasileira.

  • Fumonisinas: método detecta micotoxina diretamente nos grãos de milho

    Fumonisinas: método detecta micotoxina diretamente nos grãos de milho

    Cientistas da Embrapa e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) desenvolveram um método inovador para detectar a presença de fumonisinas em grãos de milho, utilizando imagens hiperespectrais de infravermelho próximo (NIR-HSI).

    Essa técnica permite identificar e quantificar a micotoxina diretamente nos grãos, sem a necessidade de moagem ou reagentes químicos, o que não apenas reduz custos, mas também torna o processo mais sustentável.

    As fumonisinas são micotoxinas produzidas por fungos do gênero Fusarium, que contaminam os grãos ainda no campo e não são eliminadas por processamento térmico. Consideradas uma das principais ameaças à produção de milho no Brasil, essas substâncias apresentam alta toxicidade e podem causar sérios problemas de saúde em humanos e animais.

    Combinação de princípios

    O novo método NIR-HSI combina princípios de química e agricultura de precisão para detectar essas micotoxinas invisíveis a olho nu. Além disso, segundo Maria Lúcia Simeone, pesquisadora da Embrapa Milho e Sorgo, a técnica funciona com base na reflectância difusa, permitindo a visualização e localização das alterações químicas nos grãos. “Essa abordagem não destrutiva possibilita obter espectros distribuídos espacialmente, o que é crucial para a identificação precisa das fumonisinas”, explicou.

    Técnica utiliza imagens hiperespectrais de infravermelho próximo (NIR-HSI) para identificar e quantificar, com precisão, a micotoxina – Foto Edna Santos/Embrapa

    Diferente dos métodos tradicionais, que são caros e complexos, o NIR-HSI oferece uma análise rápida — em apenas 30 segundos — e sem danos aos grãos. A técnica não apenas melhora a eficiência na detecção de contaminações, mas também ajuda a prevenir infecções cruzadas durante o armazenamento do milho.

    Benefícios

    Os benefícios dessa inovação são significativos para toda a cadeia produtiva do milho. Além da rapidez na detecção, a técnica reduz custos operacionais e permite que as amostras sejam utilizadas posteriormente. Renata Pereira da Conceição, pós-graduanda da UFMG, destacou que essa metodologia pode transformar o controle das fumonisinas, garantindo maior qualidade e segurança alimentar.

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    A pesquisa foi publicada na revista Brazilian Journal of Biology e representa um avanço importante na segurança alimentar no Brasil. Valéria Aparecida Vieira Queiroz, também pesquisadora da Embrapa, afirmou que essa tecnologia pode reduzir perdas na produção e garantir alimentos mais seguros para a população.

    Everaldo Medeiros, pesquisador da Embrapa Algodão, reforçou que a técnica gera uma “imagem química do objeto”, permitindo aplicações inovadoras na agricultura. “Os resultados demonstraram que podemos detectar e quantificar as micotoxinas de forma automática com maior sensibilidade do que as técnicas atualmente utilizadas”, concluiu.

  • Desmatamento na Amazônia afeta cultivo de soja e milho

    Desmatamento na Amazônia afeta cultivo de soja e milho

    O avanço do desmatamento na Amazônia para a expansão da agropecuária tem gerado preocupações entre especialistas, que alertam que essa prática pode prejudicar o próprio setor agrícola. Uma nova pesquisa revela os impactos diretos dessa destruição nas safras de soja e milho, essenciais para a economia brasileira.

    As áreas mais afetadas pelo desmatamento, incluindo o norte do Mato Grosso, Rondônia e sul do Amazonas, já enfrentam atrasos no início da estação chuvosa, crucial para o plantio da soja. Esse atraso também compromete o cultivo subsequente de milho, que depende da colheita da soja.

    Pesquisadores do Centro de Sensoriamento Remoto da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) analisaram dados de 20 anos, entre 1999 e 2019, e descobriram que as regiões com maior perda de floresta apresentaram um atraso acumulado de cerca de 76 dias no início da estação chuvosa agrícola. Essas áreas também registraram uma redução de 360 mm nas chuvas e um aumento de 2,5 ºC na temperatura máxima.

    O estudo, publicado no International Journal of Climatology, foi pioneiro ao isolar os efeitos do desmatamento em relação a outros fatores climáticos, como o aquecimento global e fenômenos naturais como El Niño e La Niña. O climatologista Argemiro Teixeira, responsável pela pesquisa, explica que as mudanças climáticas têm um efeito cumulativo ao longo das décadas, enquanto os impactos do desmatamento são quase imediatos. “A remoção da vegetação reduz automaticamente a umidade. As secas e os problemas enfrentados pela agricultura não são causados apenas pelas mudanças climáticas e El Niño, mas também pelo desmatamento”, afirma.

    Impacto do desmatamento nas safras de soja e milho

    O estudo quantificou o impacto do desmatamento nas safras de soja e milho, que dependem fortemente do início da estação chuvosa. “Quando começa a chover, os produtores plantam a soja. Se plantarem antes da chuva, podem perder tudo”, explica Teixeira. A janela para o plantio é curta, variando entre seis a sete meses; portanto, um atraso nas chuvas pode inviabilizar a segunda safra.

    Teixeira também destaca que o impacto do desmatamento é regional. “Proprietários em áreas mais preservadas têm menor risco de atraso no plantio. Já aqueles em áreas degradadas enfrentam riscos maiores”, diz ele.

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    Além disso, mesmo propriedades que cumprem as normas do Código Florestal podem sofrer com a falta de chuvas se seus vizinhos não preservarem adequadamente a vegetação nativa. O estudo da UFMG revela que nas regiões onde 80% da floresta foi perdida, existe um risco de 58% de ocorrer uma queda no volume de chuva superior a 100 mm durante a primeira safra de soja. Para a segunda safra de milho, esse risco é de 44%, enquanto nas áreas com mais de 80% de cobertura florestal, o risco se reduz pela metade.

    Teixeira alerta que essa situação pode impactar o seguro agrícola no futuro. “Os prêmios terão que ser ajustados para considerar o nível de conservação das propriedades ao conceder seguros e créditos”, opina.

    Mudanças climáticas

    As mudanças climáticas já têm afetado negativamente o agronegócio em todo o Brasil. De acordo com dados da Serasa Experian, houve um aumento significativo nos pedidos de recuperação judicial por produtores rurais. Grande parte devido às perdas nas lavouras causadas por condições climáticas adversas. Entre janeiro e setembro de 2023, foram registrados 80 pedidos, um aumento de 300% em comparação com o ano anterior.

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    Enquanto isso, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) revisou suas expectativas para a safra de soja deste ano. E reduziu a previsão inicial de 160,3 milhões de toneladas para 156,1 milhões.

    Os alertas sobre a importância da floresta para as práticas agrícolas são recorrentes na comunidade científica. No entanto, decisões políticas recentes, como as alterações no Código Florestal que flexibilizaram a proteção da vegetação nativa no Brasil, não levaram em conta esses avisos cruciais.

  • Método detecta micotoxinas em grãos de milho de maneira rápida e sem reagentes químicos

    Método detecta micotoxinas em grãos de milho de maneira rápida e sem reagentes químicos

    Uma equipe de cientistas da Embrapa e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) desenvolveu uma técnica inédita que promete transformar o monitoramento de micotoxinas nos grãos de milho. O novo método detecta fumonisinas diretamente nos grãos, utilizando imagens hiperespectrais de infravermelho próximo (NIR-HSI), sem a necessidade de moer os grãos ou usar reagentes químicos tóxicos, tornando o processo mais rápido, barato e ambientalmente seguro.

    As fumonisinas, produzidas por fungos do gênero Fusarium, são uma das maiores ameaças à produção de milho no Brasil, contaminando os grãos ainda no campo. Pior ainda, elas não são destruídas pelo calor durante o processamento dos alimentos, mantendo-se como um risco à saúde humana e animal. Essa nova tecnologia NIR-HSI permite a identificação e quantificação das fumonisinas diretamente nos grãos, visualizando alterações químicas invisíveis a olho nu, tudo isso sem destruir as amostras.

    De acordo com a pesquisadora Maria Lúcia Simeone, da Embrapa Milho e Sorgo, “o método utiliza o princípio da reflectância difusa, que identifica a interação entre a radiação eletromagnética e as moléculas dos grãos, possibilitando a visualização pixel a pixel das alterações químicas”. A tecnologia combina informações espaciais e espectrais obtidas por meio de um algoritmo matemático que analisa as amostras de milho, oferecendo resultados rápidos e precisos.

    Benefícios e avanços para a cadeia produtiva do milho

    A inovação traz uma série de benefícios para toda a cadeia produtiva do milho. Primeiramente, o novo método realiza a análise significativamente mais rápido que as técnicas tradicionais, permitindo que a análise ocorra em apenas 30 segundos. Isso possibilita testar um número maior de amostras, otimizando a detecção de contaminações em grandes lotes. Além disso, a técnica é mais econômica, uma vez que dispensa tanto a moagem das amostras quanto o uso de reagentes químicos caros e prejudiciais ao meio ambiente e à saúde dos técnicos de laboratório.

    Outro grande diferencial é o fato de que a análise não destrói as amostras, permitindo que os grãos continuem intactos após o processo. Isso representa uma grande vantagem para os produtores, que podem usar os grãos analisados posteriormente, sem a necessidade de descartá-los.

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    A pesquisadora Valéria Aparecida Vieira Queiroz, da Embrapa, destaca que “essa técnica pode revolucionar o controle de fumonisinas no milho, contribuindo para a segurança alimentar e reduzindo perdas na produção. Com essa metodologia, podemos segregar lotes contaminados e garantir alimentos mais seguros para os consumidores e para os animais”.

    A importância das fumonisinas

    As fumonisinas estão entre as micotoxinas mais perigosas devido à sua ampla distribuição geográfica e alta toxicidade. Elas são responsáveis por diversos problemas de saúde, tanto em humanos quanto em animais, quando consumidas em alimentos contaminados. A sua presença na produção de milho é uma preocupação crescente, especialmente no Brasil, um dos maiores produtores do grão no mundo.

    https://www.youtube.com/watch?v=s_PJCZbXxw4

    Com o aumento da demanda por métodos mais eficientes e menos invasivos para garantir a qualidade dos alimentos, o desenvolvimento de novas tecnologias como o NIR-HSI se torna essencial. O pesquisador Everaldo Medeiros, da Embrapa Algodão, explica que a técnica gera uma espécie de “imagem química” dos grãos. Isso permite identificar e quantificar as fumonisinas com grande sensibilidade e precisão. “Os resultados que obtivemos mostram que essa tecnologia tem o potencial de ser amplamente utilizada para melhorar a segurança alimentar e prevenir contaminações”, acrescenta.

    Um futuro promissor para a segurança alimentar

    Essa pesquisa, publicada na revista Brazilian Journal of Biology, representa um avanço significativo no campo da segurança alimentar. Ao permitir a detecção rápida e direta da presença de fumonisinas nos grãos de milho, a nova metodologia oferece aos produtores uma ferramenta poderosa para garantir a qualidade dos alimentos que chegam à mesa dos consumidores. Além disso, a técnica também ajuda a prevenir perdas econômicas na cadeia produtiva, ao identificar lotes contaminados antes que eles sejam processados ou distribuídos.

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    O projeto de pesquisa conta com o apoio de diversos parceiros, incluindo universidades e centros de pesquisa. Além disso, promete continuar a evoluir nos próximos anos, com o objetivo de expandir as aplicações dessa tecnologia para outras culturas e micotoxinas.

    O que são micotoxinas

    Micotoxinas são compostos tóxicos que fungos produzem e que podem contaminar alimentos e rações. Frequentemente, esses compostos aparecem em grãos, nozes, frutas e outros produtos agrícolas, especialmente quando as condições de armazenamento se tornam inadequadas.

    As micotoxinas podem causar uma variedade de problemas de saúde em humanos e animais, incluindo toxicidade aguda e efeitos crônicos, como câncer e distúrbios imunológicos. Os tipos mais comuns de micotoxinas incluem aflatoxinas, ocratoxinas, fumonisinas e zearalenona.

  • Veja as 10 melhores faculdades de veterinária do Brasil

    Veja as 10 melhores faculdades de veterinária do Brasil

    O Dia do médico-veterinário, celebrado em 9 de setembro, é uma data que homenageia os profissionais que dedicam suas vidas ao cuidado e à saúde dos animais, além de desempenharem um papel crucial na saúde pública e na segurança alimentar.

    O Agro em Campo apresenta a lista com as dez melhores faculdades de medicina veterinária do Brasil. O ranking é publicado pela Edurank, tradicional instituição que avalia universidades em 183 países.

    Melhores Faculdades de Medicina Veterinária no Brasil

    1. Universidade de São Paulo (USP) – São Paulo
    2. Universidade Estadual Paulista (UNESP) – São Paulo
    3. Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) – Minas Gerais
    4. Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) – Rio Grande do Sul
    5. Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) – Rio de Janeiro
    6. Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) – Rio Grande do Sul
    7. Universidade Estadual de Londrina (UEL) – Paraná
    8. Universidade Federal de Viçosa (UFV) – Minas Gerais
    9. Universidade Federal de Paraná (UFPR) – Paraná
    10. Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) – São Paulo

    Dia do Médico-Veterinário

    Entre os dias 7 e 8 de setembro, o Senado iluminou-se de verde em homenagem ao Dia do Médico-Veterinário, celebrado hoje (09/09). Além disso, aqueles que passaram nas proximidades do local puderam perceber a campanha nacional intitulada “Uma profissão, várias formas de cuidar. Médico com V de valor. Médico com V de vida”, que foi lançada pelo Sistema Conselhos Federal e Regionais de Medicina Veterinária (CFMV/CRMVs).

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    Essa ação integra, portanto, uma iniciativa mais ampla do Sistema CFMV/CRMVs, que, além de ressaltar a relevância da Medicina Veterinária para a sociedade brasileira, busca também destacar a rica biodiversidade do país. Portanto, no Brasil, existem aproximadamente 200 mil médicos-veterinários, sendo que 58% são mulheres e 42% são homens.

    Ou seja, esses profissionais exercem um papel fundamental não só na saúde animal, mas também na produção sustentável, na proteção da vida selvagem e na saúde pública.

    Além disso, o Brasil abriga cerca de 150 milhões de animais domésticos, 234 milhões de bovinos, 45 milhões de suínos, 1,5 bilhão de aves e 29 milhões de ovinos e caprinos, sem contar aproximadamente 120 mil espécies de animais selvagens.

    Esses dados, por sua vez, enfatizam a importância da atuação dos médicos-veterinários em diversas áreas, refletindo o impacto significativo que esses profissionais têm na saúde e bem-estar dos animais, bem como na segurança alimentar e na preservação do meio ambiente.