Tag: UFLA

  • Bactérias prometem revolucionar o cultivo de pimenta-do-reino

    Bactérias prometem revolucionar o cultivo de pimenta-do-reino

    Pesquisadores brasileiros identificaram duas bactérias presentes naturalmente no interior das plantas com potencial para transformar o cultivo da pimenta-do-reino, a segunda especiaria mais produzida no Brasil, com valor de mercado que saltou de R$ 1,65 bilhão para R$ 3,67 bilhões em apenas um ano.

    Cacho de pimenta-do-reino. Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

    O estudo, conduzido pela Embrapa em parceria com cinco universidades federais, mostra que as linhagens Priestia sp. T2.2 e Lysinibacillus sp. C5.11 estimulam o crescimento da planta e melhoram o enraizamento das estacas usadas na produção de mudas.

    Como as bactérias atuam

    As chamadas bactérias endofíticas habitam os tecidos internos das plantas sem causar doenças. As linhagens identificadas produzem ácido indolacético (AIA) — hormônio que regula o crescimento vegetal — e sideróforos, compostos que capturam ferro no solo e o tornam mais acessível às raízes. Esse mecanismo explica os resultados expressivos obtidos nos experimentos realizados entre 2023 e 2024 na Embrapa Amazônia Oriental, em Belém (PA).

    Estacas da variedade Singapura de pimenteira-do-reino submetidas à solução com Priestia sp. T2.2 cresceram até 75% mais em altura e registraram aumento de 136% na massa seca da parte aérea em relação às plantas de controle. Já a Lysinibacillus sp. C5.11 provocou um salto de 333% na massa seca das raízes. Uma terceira linhagem avaliada, Bacillus sp. C1.4, também apresentou efeitos positivos na parte aérea, porém em menor escala.

    “Esses resultados apontam para plantas com raízes mais vigorosas, ramificadas e pesadas. Isso é fundamental para a absorção de nutrientes do solo e, consequentemente, maior crescimento da planta, maior quantidade de galhos e folhas, mais fotossíntese, mais sanidade, maior longevidade dos pimentais e maior produtividade. É um ciclo benéfico de desenvolvimento”, afirma Oriel Lemos, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental.

    O gargalo das mudas na agricultura familiar

    A estaquia, técnica de reprodução que consiste em retirar pequenos galhos da planta-mãe e enraizá-los para gerar novas mudas, é o método preferido dos produtores porque preserva as características genéticas da matriz e reduz o tempo até a frutificação. O problema é que o baixo índice de pegamento das raízes compromete a qualidade das mudas e, por consequência, a produtividade das lavouras.

    “Um pimental produtivo se inicia com uma muda sadia. E uma das dificuldades dos produtores é ter estacas que tenham um enraizamento efetivo para a produção das mudas. Há ainda muitas perdas nesse processo. Então, essa descoberta revela o potencial de obtermos um bioinsumo que traga mais segurança aos pequenos produtores para a implantação ou ampliação de pimentais com mudas sadias e, consequentemente, plantas mais vigorosas e produtivas”, destaca Alessandra Nakasone, pesquisadora da Embrapa Florestas.

    A descoberta interessa especialmente à agricultura familiar, responsável pela maior parte da produção nacional. As bactérias também solubilizam nutrientes no solo, tornando-os mais disponíveis para absorção pelas raízes. Portanto pode reduzir a dependência de fertilizantes e defensivos químicos e aumentar a sustentabilidade da cadeia produtiva.

    Brasil lidera produção, mas desafios persistem

    O Brasil colheu quase 125 mil toneladas de pimenta-do-reino em 2024, segundo o IBGE, ocupando o segundo lugar no ranking mundial de produtores. Espírito Santo e Pará concentram mais de 90% da safra nacional. O estado paraense, com 41 mil toneladas produzidas no mesmo ano, se destaca pelo perfil de agricultura familiar e pelos processos sustentáveis de produção.

    Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

    A pesquisa ganha ainda mais relevância com a aprovação da Lei Federal nº 15.070/2024, que trouxe mais segurança jurídica ao setor de bioinsumos. Pela nova norma, produtos biológicos desenvolvidos a partir de microrganismos como as cepas de Priestia e Lysinibacillus não se enquadram como pesticidas e têm uso agrícola liberado, desde que comprovada a segurança.

    “A expectativa é que, além de melhorar o crescimento das mudas, esses bioinsumos possam atuar no controle de doenças comuns à pimenta-do-reino, como as causadas por Fusarium, e assim reduzir perdas e fortalecer a cadeia produtiva”, projeta Katia Nechet, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente.

    Os próximos passos incluem testes em áreas de produtores, com outras variedades clonais e em sistemas de cultivo como o plantio em tutor vivo de gliricídia — alternativa sustentável ao uso de estacas de madeira como suporte para o crescimento da planta.

    A pesquisa reuniu pesquisadores da Embrapa Amazônia Oriental, Embrapa Florestas, Embrapa Meio Ambiente e das universidades federais Unifesspa, UFLA, UFRPE e UFPA.

  • Inovação brasileira: café combate larva do mosquito da dengue

    Inovação brasileira: café combate larva do mosquito da dengue

    Pesquisadores da Universidade Federal de Lavras (UFLA) desenvolveram uma solução baseada em extratos de café verde e torrado de qualidade inferior capaz de eliminar até 99,2% das larvas do mosquito Aedes aegypti, transmissor de doenças como dengue, zika e chikungunya. A formulação, intitulada “Solução Inovadora 5”, foi criada com apoio do Consórcio Pesquisa Café, coordenado pela Embrapa,. E representa uma alternativa sustentável aos tradicionais inseticidas sintéticos.

    Nos testes laboratoriais, o composto mais eficiente combinou extrato de café torrado com o emulsificante Tween 80®, atingindo quase 100% de mortalidade das larvas em 72 horas. Especialmente na fase de terceiro instar, considerada uma das mais resistentes ao controle químico. A análise química desses extratos revelou a presença de cafeína, ácido cafeico e ácido clorogênico, com destaque para a catequina — encontrada apenas no café torrado — sugerindo efeito sinérgico dos compostos na eliminação das larvas.

    Café: um aliado sustentável e acessível

    Além da altíssima eficácia, o estudo ressalta o reaproveitamento de subprodutos da cafeicultura, valorizando resíduos rurais e promovendo uma abordagem de economia circular. Segundo a coordenadora Joziana Barçante, transformar restos da produção cafeeira em larvicida natural pode reduzir custos e gerar menos impacto ambiental que os inseticidas convencionais. Portanto, trazendo benefício tanto para a saúde pública quanto para o produtor rural.

    O projeto da UFLA já rendeu prêmios nacionais, gerou trabalhos de graduação e pós-graduação e se ampliou para um grupo interdisciplinar. Que inclui pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Os cientistas agora testam a fórmula em populações de mosquito resistentes, com expectativa de registrar patente e ampliar a produção em larga escala nos próximos anos.

    Por que o café funciona?

    Estudos anteriores apontam que a cafeína bloqueia o desenvolvimento das larvas do Aedes aegypti, impedindo que cheguem à fase adulta e reduzindo a capacidade de reprodução dos mosquitos. Pesquisa publicada pela Universidade Estadual Paulista destaca que a cafeína, mesmo em borra de café, consegue eliminar larvas em até 48h, sem causar impacto negativo para plantas ou outras formas de vida em recipientes naturais. Outros compostos fenólicos presentes nos extratos, como ácido clorogênico e catequina, também contribuem para esse efeito larvicida.

    Além da formulação de café, outros centros de pesquisa brasileiros e internacionais já investem no desenvolvimento de larvicidas sustentáveis e naturais para controle do Aedes. Com abordagens que utilizam óleos essenciais, extratos vegetais e até fungos biofungicidas em processos biotecnológicos. Sempre com ênfase em segurança ambiental.

    A inovação brasileira com extratos de café demonstra como soluções simples e sustentáveis podem reposicionar resíduos agrícolas como ferramentas eficazes no combate a doenças tropicais. E reduzir o uso de químicos e promovendo benefícios ambientais, econômicos e sociais.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Cientista brasileira premiada reforça papel dos biológicos no agro

    + Agro em Campo: Mercado negocia primeiras laranjas da safra 25/26

  • Tecnologia impulsiona produtividade de pequenos produtores de algodão em Catuti (MG)

    Tecnologia impulsiona produtividade de pequenos produtores de algodão em Catuti (MG)

    Pequenos produtores de Catuti, no norte de Minas Gerais, estão experimentando um salto significativo na produtividade do algodão. Isso graças à combinação de sementes biotecnológicas avançadas e o uso de drones para pulverização. A adoção dessas tecnologias resultou em um aumento médio de 27% na produção de algodão em 2024, em comparação à safra anterior.

    A região, que na década de 1980 cultivava até 130 mil hectares de algodão, viu a produção cair drasticamente devido à infestação do bicudo-do-algodoeiro. Essa é uma das pragas mais devastadoras da cultura. No entanto, um esforço coordenado entre a Bayer, a Coopercat (Cooperativa dos Produtores. Rurais de Catuti) e outras instituições locais marcou o início da retomada do plantio.

    Neste ano, a Bayer doou 100 sacos de sementes certificadas de algodão das variedades DP 1866 B3RF e DP 1857 B3RF, ambas da marca Deltapine, para 85 pequenos produtores associados à Coopercat. As sementes equipam-se com a biotecnologia Bollgard 3, que oferece proteção ampliada contra as principais lagartas que atacam o algodão e aumenta a resistência a doenças como a bacteriose e a doença azul.

    “O uso dessas sementes certificadas foi fundamental para aumentar a produtividade e permitir um manejo mais eficaz das pragas”, afirma José Tibúrcio de Carvalho Filho. Ele é assessor técnico da Coopercat e um dos responsáveis pelo projeto de retomada do algodão na região.

    Drones

    Além das sementes, o uso de drones para pulverização também trouxe resultados expressivos, com uma redução de 96% na quantidade de calda usada nas aplicações de inseticida. O controle do bicudo, que devastou as plantações no passado, foi restabelecido. Assim, permitindo aos produtores manterem a quantidade de aplicações de inseticidas, mas com maior precisão e eficiência. Com o treinamento de quatro operadores, os drones foram utilizados em 352 hectares, uma área composta por propriedades variando entre 1 e 35 hectares.

    Leia mais
    + Agro em Campo: Canto da cigarra anuncia chegada da chuva? Saiba a relação
    + Agro em Campo: Café – probióticos combatem doenças e estimulam o crescimento

    Geraldo Berger, líder de Assuntos Científicos e Regulatórios da Bayer Latam, reforçou que o projeto está alinhado com o compromisso global da empresa de apoiar pequenos produtores. “Estamos felizes em fazer parte dessa retomada do algodão no norte de Minas. Promovendo o desenvolvimento da agricultura familiar com o uso de tecnologia de ponta”, declarou.

    A Coopercat está também estabelecendo parcerias com instituições como a Universidade Fed. De Lavras (UFLA) e a Associação Mineira dos Produtores de Algodão (AMIPA), com o objetivo de aprimorar a produção de algodão na região. O uso de biotecnologia e drones tem o potencial de transformar a cotonicultura local, que agora planeja expandir a área cultivada para 800 hectares nos próximos anos.

    Com esses avanços, os produtores de Catuti já estudam a possibilidade de rotação de culturas, integrando o sorgo e o milho ao algodão. A expectativa é que, com a continuidade dos investimentos em tecnologia, a região possa se tornar novamente um polo importante de produção de algodão no Brasil.