O Brasil inaugurou o primeiro centro de reabilitação voltado ao mico-leão-de-cara-dourada (Leontopithecus chrysomelas), espécie ameaçada de extinção. A unidade funciona na Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), em Ilhéus (BA), e surge como resposta direta ao avanço da urbanização e à substituição de sistemas agroflorestais por monoculturas.
Nos últimos anos, moradores registraram os primatas circulando em áreas urbanas, incluindo supermercados e redes elétricas. Esse comportamento aumentou os casos de eletrocussão, atropelamentos e ataques por cães domésticos, que já provocaram a morte de diversos indivíduos.
Até então, a região não contava com uma estrutura especializada para resgatar, tratar e reintroduzir os animais na natureza. O biólogo Leonardo Oliveira, que pesquisa a espécie há mais de duas décadas, destaca que a presença dos micos nas cidades indica perda de habitat. “Não é que existam mais animais nas áreas urbanas. A cidade avançou sobre o território deles”, afirma.
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Dados atualizados mostram um cenário preocupante. Entre 1992 e 2024, a área de distribuição do mico-leão-de-cara-dourada caiu 42%, passando de 22.500 km² para cerca de 13.000 km². No mesmo período, a população sofreu redução de quase 60%, com menos de 24.401 indivíduos restantes.
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Habitat
Grande parte dos micos vive em áreas de cultivo de cacau no sistema cabruca, que mantém árvores nativas e oferece alimento e abrigo. No entanto, produtores têm substituído essas áreas por pastagens e monoculturas, como soja, o que reduz ainda mais o habitat disponível, segundo o Tamarin Trust, organização que financia o novo centro.
A cidade de Ilhéus reconheceu a importância da espécie ao adotá-la como mascote oficial em 2024 e instituir o dia 26 de março como data comemorativa, alinhada ao Dia Nacional do Cacau.
O centro de reabilitação tem capacidade inicial para três grupos de micos, com planos de expansão para até oito. A equipe receberá animais feridos ou deslocados, oferecerá atendimento veterinário e conduzirá a reabilitação com foco na reintegração em áreas seguras, longe dos centros urbanos.
