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  • Chuvas na Zona da Mata deixam produtores ilhados e destroem mais de 63 mil hectares em Minas Gerais

    Chuvas na Zona da Mata deixam produtores ilhados e destroem mais de 63 mil hectares em Minas Gerais

    Levantamento do Sistema Faemg Senar, realizado com 376 produtores entre 28 de fevereiro e 2 de março, aponta perdas na produção, morte de animais e risco de inadimplência entre agricultores da Zona da Mata mineira

    As fortes chuvas que atingiram a Zona da Mata de Minas Gerais nas últimas semanas causaram estragos expressivos no campo. Dados levantados pelo Sistema Faemg Senar junto a 376 produtores rurais de diversas regiões do estado revelam que 26% tiveram suas propriedades afetadas. Entre os prejudicados, 61% relataram perda de produção e 23% precisaram paralisar completamente as atividades.

    A Gerência de Assistência Técnica e Gerencial (GATG) realizou o levantamento, e a Gerência do Agronegócio (GDA) analisou os dados entre os dias 28 de fevereiro e 2 de março de 2025.

    Sem seguro e com dívidas vencendo

    Um dado preocupa especialmente os técnicos: 95% dos produtores entrevistados não possuem qualquer ferramenta de gestão de risco, como o seguro rural. Isso significa que a grande maioria dos agricultores afetados terá de arcar com os prejuízos sem nenhuma rede de proteção financeira.

    A situação é agravada pelo endividamento. Entre os produtores prejudicados, 21% têm financiamento ativo e 12% deles têm parcelas com vencimento nos próximos 90 dias. Um cenário que pode resultar em inadimplência em massa e dificuldades para retomar a produção.

    Mais de 63 mil hectares devastados

    As chuvas impactaram mais de 63 mil hectares de áreas cultivadas, o equivalente a 63% do total de área declarada pelos produtores entrevistados. Além das lavouras, os animais também foram vítimas: 142 mortes foram registradas em 13 propriedades distribuídas por 12 municípios.

    Local da feira livre de Ubá ficou destruída pela força das chuvas. Foto: Sistema Faemg Senar

    Um dos municípios mais afetados é Ubá, onde choveu cerca de 91 milímetros em poucas horas. A Prefeitura Municipal confirmou que 31 pontes foram destruídas, isolando moradores da zona rural e impedindo o escoamento da produção. Produtos perecíveis como frutas, verduras, legumes e leite, que precisa ser entregue em até 48 horas após a ordenha, ficaram retidos nas propriedades.

    As enchentes também destruíram o espaço onde funciona a feira livre da cidade e inviabilizaram a comercialização dos produtos que chegam ao município. Além disso, a água atingiu a sede do Serviço de Produção Rural (SPR) de Ubá.

    Além de Ubá, municípios como Juiz de Fora e Matias Barbosa também registraram consequências severas nas lavouras.

    Doenças nas plantações e atraso na colheita do milho

    De acordo com Emerson Simão, gerente regional do Sistema Faemg Senar, as enxurradas comprometem as culturas de diversas formas. “As enxurradas expõem as raízes das culturas, e a alta umidade, aliada a temperaturas elevadas, formam condições propícias ao desenvolvimento de doenças nas plantações”, explica o gerente.

    Outro ponto de alerta é o atraso na colheita do milho, especialmente o destinado à silagem. O solo encharcado impede a entrada de máquinas agrícolas nas lavouras, e a consequência pode ser uma queda tanto na quantidade quanto na qualidade da matéria-prima usada na alimentação animal. O que pode impactar a pecuária leiteira e de corte nos próximos meses.

  • Conheça o capim que deu origem ao nome de duas cidades brasileiras

    Conheça o capim que deu origem ao nome de duas cidades brasileiras

    O Gynerium sagittatum, conhecido popularmente como Capim Ubá ou Cana-brava, é uma gramínea robusta e nativa da América tropical que pode atingir mais de cinco metros de altura. Seus colmos são retos e eretos, com folhas longas dispostas em formato de leque. Essa planta apresenta uma notável capacidade de adaptação ecológica, crescendo tanto em áreas secas quanto em regiões úmidas e alagadiças. Frequentemente, o Capim Ubá é encontrado às margens de rios, lagos e até em praias, destacando-se como uma espécie versátil e resistente.

    A influência do Capim Ubá ultrapassa a botânica e a ecologia, chegando à cultura e à história do Brasil. A planta é considerada a origem do nome de duas cidades importantes no Brasil.

    Ubatuba (São Paulo)

    O nome da cidade litorânea no norte de São Paulo tem origem no tupi antigo “uuba-tyba”, que significa “lugar abundante de ubás” ou “sítio onde crescem muitas ubás”. A presença massiva do Capim Ubá na região foi um marco geográfico e cultural para os povos tupinambás que habitavam a área. Essa gramínea era tão característica do local que influenciou diretamente a toponímia da cidade.

    Ubatuba é uma cidade localizada na região do Litoral Norte do Estado de São Paulo. Praia do Bonete. Foto: divulgação.

    Ubá (Minas Gerais)

    Embora exista uma hipótese alternativa que relaciona o nome “Ubá” à palavra indígena para “canoa” (escavada em tronco de árvore), a teoria mais aceita é a ligação direta com a abundância do Capim Ubá na bacia do ribeirão que corta a cidade. A planta era amplamente utilizada na confecção de cestos e outros artefatos artesanais pela população local, consolidando seu nome como referência para o povoado e, posteriormente, para a cidade.

    A cidade de Ubá, em Minas Gerais, está localizada na mesorregião da Zona da Mata Mineira, a cerca de 290 km a sudeste de Belo Horizonte. A cidade é conhecida por ser um importante pólo moveleiro do estado.

    Importância cultural e ambiental do Capim Ubá

    Além de sua relevância histórica, o Gynerium sagittatum tem grande importância cultural e ambiental. A planta tem amplo uso em trabalhos artesanais, especialmente na fabricação de cestos, esteiras e outros objetos tradicionais, mantendo vivas as técnicas indígenas e rurais. Ecologicamente, o Capim Ubá contribui para a proteção das margens de rios e lagos, ajudando a controlar a erosão e a manter a biodiversidade local.

    Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Ministério do Meio Ambiente, a conservação de espécies nativas como o Capim Ubá é fundamental para a manutenção dos ecossistemas brasileiros e para a valorização do patrimônio cultural das comunidades tradicionais.

    O Capim Ubá (Gynerium sagittatum) é muito mais do que uma planta alta e resistente. Ele simboliza a ligação entre a natureza e a cultura indígena no Brasil, influenciando diretamente a toponímia de cidades como Ubatuba e Ubá. Sua presença marcante nas paisagens brasileiras e seu uso artesanal refletem um patrimônio natural e cultural que atravessa gerações. E reforça a importância da conservação ambiental e do reconhecimento das raízes históricas do país.

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