Um vídeo inusitado filmado em Tucumã, no sul do Pará, viraliza na web. Nele, o piloto de drone agrícola Hudson Vinícius entra no próprio compartimento do equipamento e decolam juntos. Depois de um tempo, a gravação mostra ele voltando. Tudo para buscar água para trabalhadores rurais da região.
O equipamento, normalmente destinado à aplicação de defensivos agrícolas, funciona nesse caso como meio de transporte hídrico. Segundo as imagens, essa marca a primeira vez que alguém emprega um drone dessa forma em uma zona rural do Pará.
A solução nasce de uma necessidade real. Em muitas regiões rurais do Brasil, o acesso direto a fontes de água representa um desafio constante. O drone, com sua capacidade de voo rápido e sem dependência de estradas ou veículos terrestres, oferece uma alternativa ágil para cobrir essas distâncias.
Porém, a maneira como Hudson Vinícius realizou o procedimento no vídeo envolve riscos extremos. Drones agrícolas não possuem projeto ou certificação para transportar pessoas. Qualquer falha técnica durante o vôo, como perda de bateria, falha no sistema de controle ou problema mecânico, pode resultar em queda livre.
A tecnologia dos drones no campo brasileiro cresceu rapidamente nos últimos anos. Segundo dados da Anac e do Sindag, o país registrava cerca de 7.800 drones agrícolas em 2024, um aumento de mais de 2.100% em relação a 2021. Isso reflete o potencial da tecnologia, mas também aumenta a necessidade de seu uso seguro e regulamentado.
A coleta e comercialização de tucumã e outras espécies nativas fortalecem a autonomia feminina e combatem a violência doméstica na Ilha de Cotijuba, em Belém. Uma pesquisa publicada na Revista Brasileira de Ciências Sociais mostra como o extrativismo se transformou em ferramenta de empoderamento e resistência territorial para as mulheres paraenses.
A Embrapa Amazônia Oriental coordenou o estudo entre 2022 e 2023 e concluiu que as práticas extrativistas ultrapassam a geração de renda. O trabalho redefine o papel social das mulheres na região, oferece proteção contra agressões domésticas e promove protagonismo político em uma área que enfrenta forte pressão imobiliária e crescimento turístico.
Movimento feminino cria rede de acolhimento e proteção
O estudo analisou a atuação do Movimento de Mulheres das Ilhas de Belém (MMIB) e identificou como o grupo oferece refúgio e condições de liderança para suas integrantes. A pesquisadora Dalva Mota destaca que a autonomia pessoal e política das extrativistas representa o impacto mais significativo do trabalho.
“Em um contexto que apresenta desigualdades de gênero e violência doméstica, o MMIB atua como rede de acolhimento”, explica Mota. Relatos coletados pela pesquisa mostram que a participação no movimento permitiu que muitas mulheres rompessem ciclos de submissão. Uma das entrevistadas descreve o MMIB como um “refúgio” contra crises conjugais e a imposição exclusiva do trabalho doméstico.
Mulheres lideram decisões e estrutura organizacional
A coordenação do movimento conta exclusivamente com mulheres, que garantem autonomia na tomada de decisões. Homens associados têm direito apenas ao voto, sem acesso a cargos de direção. Essa estrutura fortalece a autoestima e promove qualificação profissional de mulheres que, em sua maioria, vivenciaram trabalho doméstico precoce e migraram em busca de melhores oportunidades.
Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa
Uma multinacional brasileira de cosméticos estabeleceu parceria comercial com o grupo em 2002 para fornecimento de priprioca (planta aromática amazônica). O acordo se estendeu posteriormente ao tucumã (fruto de palmeira amazônica), inserindo as mulheres em uma “bioeconomia inclusiva” repleta de desafios.
As extrativistas traduzem seus valores locais para a lógica capitalista de preços e metas, enquanto desafiam a demanda industrial por escala de produção. Segundo as pesquisadoras Ana Felicien e Dalva Maria da Mota, a experiência do MMIB prova que a bioeconomia na Amazônia envolve relações sociais complexas e a manutenção da floresta preservada.
Tucumã resiste a mudanças climáticas e protege território
O tucumã (Astrocaryum vulgare Mart.) surge como símbolo de resistência ecológica na região. Enquanto o açaí, principal cultura local,sofreu com secas recentes, o tucumã demonstrou resiliência ao fogo e às alterações climáticas, garantindo alternativa econômica viável para as famílias.
A atividade ajuda a preservar a paisagem da ilha, hoje fragmentada pelo desmatamento e pela especulação imobiliária que expulsa famílias de seus quintais produtivos. A Ilha de Cotijuba possui praias tranquilas de água doce e atrai interesse turístico crescente.
“Para as mulheres de Cotijuba, o extrativismo representa uma forma de ‘segurar a terra’. E garantir que, mesmo em meio a pressões urbanas, suas vidas e saberes continuem a florescer”, afirmam as pesquisadoras.
A pesquisa demonstra que a coleta de frutos nativos na Amazônia combina desenvolvimento econômico, preservação ambiental e transformação social, oferecendo modelo replicável para outras comunidades tradicionais.
O tucumã vem ganhando reconhecimento nacional como um dos frutos mais nutritivos da Amazônia. Esta fruta exótica carrega uma concentração impressionante de vitaminas e minerais que prometem revolucionar a alimentação saudável brasileira.
O tucumã é fruto da palmeira Astrocaryum vulgare, uma espécie nativa da Amazônia que se destaca pela resistência e adaptabilidade. A palmeira, conhecida regionalmente como tucumazeiro, alcança até 10 metros de altura e produz cachos com numerosos frutos de formato ovoide.
A árvore começa a dar frutos por volta do seu sétimo ano, quando atinge entre 6 e 9 metros de altura. Esta característica faz dela uma cultura de longo prazo, mas com potencial econômico significativo para as comunidades locais.
Características da fruta
O fruto é redondo, composto de polpa alaranjada ou amarela de massa fibrosa, compacta e firme. Sua aparência externa varia entre tons de amarelo claro e escuro, enquanto a polpa interna apresenta textura oleosa e sabor característico.
Tem sabor salgado e oleoso, de polpa laranja e fibrosa. Esta combinação única de sabores torna o tucumã uma experiência gastronômica singular na culinária amazônica.
O tucumã se destaca como uma potência nutricional. A polpa tem três vezes mais vitamina A que a cenoura. A dose é tão alta que apenas um fruto satisfaz as necessidades diárias de adultos ou crianças.
O perfil nutricional completo inclui:
Vitamina A: em concentração excepcional
Vitaminas B1 e C: presentes em quantidades significativas
Ômega-3: ácidos graxos essenciais para a saúde
Minerais: cálcio, potássio e magnésio
Proteínas: fonte vegetal de aminoácidos
Fibras: importantes para o sistema digestivo
Benefícios para a saúde
Fortalece o sistema imunológico, por ser rico em vitamina C, vitamina A e carotenoides, compostos que fortalecem as células de defesa e combatem os radicais livres.
Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa
O óleo de tucumã extraído da polpa dos frutos é rico em ácidos graxos (gordura) insaturados, em carotenoides (betacaroteno) e apresenta atividades antioxidante, anti-inflamatória, anticarcinogênica e antihiperglicêmica.
Os principais benefícios incluem:
Prevenção do envelhecimento precoce
Fortalecimento do sistema imunológico
Melhoria da saúde cardiovascular
Proteção contra o câncer
Fortalecimento de ossos e dentes
Formas de consumo
Em Manaus, a polpa da fruta é consumida in natura ou no recheio de tapiocas, sanduíche, comuns no café da manhã regional, e também em alguns pratos típicos da culinária local.
As principais formas de consumo incluem:
In natura: consumo direto da polpa
Recheio de tapiocas: tradicional no café da manhã
Sanduíches: combinação popular na região
Pratos típicos: integrado na culinária local
Óleo: extraído das sementes para uso culinário
Importância regional e econômica
Com crescimento em palmeiras, este fruto era visto, por muito tempo, como uma praga, principalmente por ser muito resistente e possuir longos espinhos que machucam o gado e danificam as máquinas.
A percepção mudou drasticamente. Hoje, o tucumã representa uma oportunidade econômica significativa para comunidades amazônicas. A palmeira do tucumã (Astrocaryum vulgare) é considerada uma planta pioneira e invasora de pastos, mas também é encontrada em capoeiras e florestas.
O tucumazeiro é resistente ao fogo, pois tem a capacidade de rebrotar após as queimadas. Esta característica torna a palmeira uma aliada na recuperação de áreas degradadas.
A resistência natural da espécie a condições adversas, combinada com seu alto valor nutricional, posiciona o tucumã como uma cultura sustentável para o futuro da Amazônia.
Aplicações industriais
Além do consumo alimentar, o tucumã tem encontrado espaço na indústria cosmética. É rico em ácidos graxos essenciais, como o ácido oleico e o ácido palmítico, além de antioxidantes e vitaminas A e E.
Como ele é rico em ômega 3, 6 e 9, comporta-se como um excelente hidratante sendo empregado em produtos cosméticos para a hidratação da pele, loções corporais e produtos capilares para cabelos danificados.
O tucumã representa mais que uma fruta exótica. É um símbolo da riqueza nutricional amazônica e uma oportunidade de desenvolvimento sustentável para a região. Com seu perfil nutricional excepcional e versatilidade de uso, o tucumã está preparado para conquistar o mercado nacional e internacional.
A valorização deste fruto amazônico contribui não apenas para a diversificação da dieta brasileira, mas também para a preservação da floresta e o desenvolvimento econômico das comunidades locais.