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  • Tubarões podem prever furacões? Entenda

    Tubarões podem prever furacões? Entenda

    Do tubarão assassino de “Tubarão” aos predadores arrastados por tornados em “Sharknado”, o cinema construiu ao longo de décadas a imagem do tubarão como símbolo de medo no verão. Mas cientistas americanos agora dão a esses animais um papel bem diferente: o de aliados na previsão de furacões.

    Pesquisadores da Universidade de Delaware, em parceria com a NOAA (Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos), estão colocando sensores em tubarões-mako e tubarões-azul para coletar informações vitais sobre as condições de tempestades no Oceano Atlântico. A equipe testa se os animais conseguem funcionar como observadores móveis dos oceanos, captando dados quase em tempo real para alimentar modelos oceanográficos, atmosféricos e climáticos.

    Sensores captam calor que alimenta os furacões

    Os cientistas utilizam etiquetas eletrônicas conhecidas como CTD, sigla para condutividade, temperatura e profundidade.  Os dispositivos medem a condutividade elétrica da água ( indicador diretamente relacionado à salinidade), além da temperatura e da profundidade atingida pelo animal durante os mergulhos.

    O foco da pesquisa está na chamada camada de mistura, a porção superior do oceano que mais influencia a intensidade de um furacão. Segundo Aaron Carlisle, pesquisador principal do projeto e professor da Escola de Ciência Marinha e Política da Universidade de Delaware, quanto mais quente essa camada, mais forte tende a ser a tempestade, já que ela retém o calor que alimenta os furacões.

    Por que usar tubarões e não outros animais marinhos

    Cientistas já recorrem a sensores acoplados a animais há anos, principalmente em focas-elefante nas regiões polares, onde as observações científicas são escassas. Os tubarões, porém, abrem uma nova frente de pesquisa. Eles são abundantes, amplamente distribuídos pelo oceano e mais fáceis de monitorar do que muitos mamíferos marinhos protegidos por lei.

    Foto: Ministério da Pesca e Aquicultura

    Carlisle explicou à imprensa americana que  o oceano é tão vasto que permanece praticamente inacessível à maior parte dos instrumentos científicos. Mas transformar os animais que vivem ali em sensores vivos permite coletar dados de forma constante. Até agora, a marcação de tubarões costumava servir apenas para rastrear rotas de migração e habitats utilizados pelas espécies. Ou seja, não para captar dados oceanográficos relevantes à meteorologia.

    Quais espécies participam do projeto

    A equipe seleciona os tubarões com base na capacidade de reunir as medições mais úteis para a pesquisa sobre furacões, priorizando espécies que sobem à superfície com frequência suficiente para transmitir os dados aos satélites. Análises anteriores apontaram o tubarão-mako-de-barbatana-curta, o tubarão-azul, o tubarão-martelo-liso e exemplares jovens do tubarão-branco como fortes candidatos para esse tipo de estudo no Atlântico Norte.

    Segundo reportagem da agência Reuters, a equipe já testa também tubarões-martelo e tubarões-baleia. Além de acompanhar um exemplar de tubarão-branco com uma etiqueta de satélite para avaliar se a espécie pode integrar futuras fases da pesquisa.

    Como funciona a coleta em alto-mar

    O trabalho de campo começa no início de maio, período em que as espécies migratórias se aproximam da costa vindas de seus habitats de inverno mais ao largo do Atlântico. A doutoranda em ciência marinha Caroline Wiernicki relata que a equipe navega entre 48 e 64 quilômetros mar adentro a bordo de uma embarcação de pesquisa, lança linhas com isca e aguarda, em média, de duas a três horas até que um tubarão morda a isca.

    Foto: bee happy123/Flickr

    Depois de capturado e marcado, o animal retorna ao mar carregando o sensor. Cada vez que a nadadeira dorsal rompe a superfície da água, o dispositivo transmite os dados coletados a um satélite, que os retransmite ao Centro Nacional de Furacões, em Miami.

    Um método capaz de cobrir uma lacuna na previsão de tempestades

    De acordo com a Prism News, o projeto mira justamente um ponto cego no monitoramento de tempestades. Isso porque os tubarões atravessam camadas do Atlântico que os satélites não conseguem observar diretamente. O que incluí as águas que ajudam a determinar o quanto um furacão pode se intensificar antes de atingir áreas costeiras. Esse tipo de informação se torna ainda mais valioso quando uma tempestade ganha força rapidamente, fenômeno cada vez mais comum em anos de temperaturas recordes no mar.

    Boias oceanográficas e veículos robóticos também cumprem função semelhante, mas costumam ser caros de operar e mais lentos do que os predadores. Segundo os pesquisadores, os tubarões se deslocam mais rápido do que os planadores robóticos e conseguem permanecer em campo por períodos mais longos. O que amplia a área de cobertura da pesquisa que se estende por toda a costa entre a Carolina do Norte e Massachusetts.

    Os cientistas ainda não sabem se algum dos tubarões monitorados chegará a cruzar o caminho de um furacão. Mas, ao acompanhar a temperatura da água ao longo da temporada, a equipe espera entender melhor o comportamento dos furacões que atingirão os Estados Unidos a cada ano. E inclusive se as tempestades virão mais fortes do que o normal.

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  • Pernambuco retoma monitoramento de tubarões com microchips após 11 anos

    Pernambuco retoma monitoramento de tubarões com microchips após 11 anos

    Pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) vão retomar, a partir de julho, o monitoramento de tubarões na costa pernambucana por meio de microchips transmissores. A iniciativa marca a volta de um projeto que havia sido interrompido há 11 anos e que agora recebeu um novo impulso.

    O trabalho será conduzido pelo Núcleo de Educação Ambiental do Departamento de Pesca e Aquicultura da UFRPE e tem como principal objetivo ampliar o conhecimento sobre o comportamento e os deslocamentos das espécies que frequentam o litoral do estado.

    Além disso, os dados coletados deverão contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas voltadas à prevenção de incidentes com tubarões.

    Duas espécies serão acompanhadas

    Nesta nova etapa, os pesquisadores vão monitorar o tubarão-cabeça-chata e o tubarão-tigre, espécies associadas à maior parte dos incidentes registrados em Pernambuco.

    Inclusive, os dois ataques ocorridos nesta semana envolveram justamente esses animais.

    Tubarão cabeça-chata aparece frequentemente em redes de pesca — Foto: Divulgação

    O sistema consiste na captura dos tubarões para instalação de um chip transmissor ultrassônico. Em seguida, os animais são devolvidos ao ambiente natural. Além disso, receptores serão distribuídos ao longo da costa para registrar a passagem dos indivíduos monitorados.

    Dessa forma, os pesquisadores poderão acompanhar os padrões de movimentação, identificar áreas mais frequentadas e entender como essas espécies utilizam os diferentes ambientes costeiros.

    O tubarão-tigre apresenta uma série de riscas transversais escuras nas costas e nas laterais — Foto: Divulgação

    Pernambuco soma 84 incidentes desde 1992

    Pernambuco registra incidentes envolvendo tubarões desde o início da década de 1990. Segundo dados do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), o estado contabilizou 84 ataques desde 1992.

    Desse total, 70 ocorrências foram registradas no Grande Recife e outras 14 em Fernando de Noronha.

    Além disso, dois novos incidentes ocorreram em um intervalo de pouco mais de 24 horas entre os dias 31 de maio e 1º de junho.

    No primeiro caso, um menino de 11 anos foi atacado por um tubarão-cabeça-chata na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes.

    Já no dia seguinte, uma jovem de 19 anos sofreu a amputação de uma perna após ser atacada por um tubarão-tigre de aproximadamente três metros de comprimento na praia de Boa Viagem, no Recife.

    Apesar da proximidade temporal, os dois ataques foram provocados por espécies diferentes e ocorreram em locais separados por menos de 10 quilômetros.

    Especialistas reforçam medidas de prevenção

    Além do monitoramento científico, especialistas do Núcleo de Educação Ambiental da UFRPE destacam a importância de medidas preventivas para reduzir os riscos de incidentes.

    Entre as recomendações está a atenção às condições do mar. Águas turvas, por exemplo, reduzem a visibilidade, enquanto a maré alta favorece a circulação de animais.

    Outro ponto importante é priorizar áreas protegidas pelos arrecifes naturais. Segundo os especialistas, essa barreira funciona melhor durante a maré baixa, quando os arrecifes permanecem aparentes ou próximos da superfície.

    Por outro lado, quando a maré está cheia e os arrecifes ficam totalmente submersos, os tubarões conseguem ultrapassar a barreira natural com mais facilidade, aumentando as chances de aproximação da área de banho.

    Além disso, os pesquisadores recomendam que os frequentadores das praias respeitem a sinalização instalada nos locais e sigam as orientações dos guarda-vidas.

  • Tubarões com cocaína no organismo surpreendem pesquisadores

    Tubarões com cocaína no organismo surpreendem pesquisadores

    Um estudo recente chamou a atenção da comunidade científica ao identificar a presença de substâncias como cocaína e cafeína no organismo de tubarões. A pesquisa foi conduzida em áreas próximas às Bahamas e levanta um alerta sobre o impacto da atividade humana nos oceanos.

    Os pesquisadores analisaram amostras de sangue e tecido dos animais e encontraram traços dessas substâncias, o que indica contaminação do ambiente marinho.

    Substâncias chegam ao oceano por ação humana

    De acordo com o estudo, a presença de cocaína e cafeína não ocorre de forma natural. Essas substâncias chegam ao mar principalmente por meio do descarte inadequado de resíduos, esgoto e até rotas do tráfico internacional.

    Em regiões costeiras e áreas de circulação marítima intensa, a chance de contaminação aumenta. Com isso, compostos químicos acabam entrando na cadeia alimentar marinha.

    Impacto pode afetar comportamento dos animais

    Embora ainda existam poucas pesquisas conclusivas sobre os efeitos diretos dessas substâncias nos tubarões, os cientistas alertam para possíveis alterações no comportamento.

    Mudanças em padrões de caça, deslocamento e resposta a estímulos podem ocorrer quando animais entram em contato com compostos químicos externos ao seu ambiente natural. Esse tipo de interferência pode afetar não apenas indivíduos isolados, mas também o equilíbrio de ecossistemas inteiros.

    Poluição invisível preocupa cientistas

    A descoberta reforça um problema crescente: a poluição invisível dos oceanos.

    Diferente do lixo plástico, substâncias químicas não são facilmente percebidas, mas podem causar impactos significativos ao longo do tempo. Além disso, esses compostos tendem a se acumular nos organismos, ampliando seus efeitos na cadeia alimentar.

    Alerta para preservação dos oceanos

    Diante desse cenário, pesquisadores reforçam a necessidade de monitoramento constante e políticas mais rigorosas de controle de resíduos. A presença de cocaína e cafeína em tubarões mostra como a ação humana já alcança até mesmo espécies de topo da cadeia alimentar, evidenciando a dimensão do problema ambiental.

    Ciência revela novos impactos no ambiente marinho

    O estudo também destaca como a ciência continua revelando consequências pouco visíveis da poluição.

    Mais do que um dado curioso, o registro aponta para um desafio global: reduzir o impacto humano sobre os oceanos e preservar o equilíbrio dos ecossistemas marinhos.

  • Força e técnica feminina garantem bem-estar de tubarões e jacarés

    Força e técnica feminina garantem bem-estar de tubarões e jacarés

    No Oceanic Aquarium, em Balneário Camboriú (SC), o manejo de animais como tubarões, jacarés e até uma sucuri de 4 metros está nas mãos de mulheres altamente qualificadas. Elas atuam diariamente nos bastidores do maior aquário do sul do Brasil, garantindo o bem-estar e a segurança das espécies que encantam o público.

    Foto: Oceanic Aquarium/Divulgação

    A oceanógrafa Camila Moraes mergulha até três vezes por semana para alimentar tubarões e moreias e cuidar da limpeza dos tanques, tarefa essencial para manter o equilíbrio ambiental dos habitats. O trabalho exige técnica, atenção constante e profundo conhecimento sobre comportamento animal.

    As biólogas Bruna Oliveira e Edilene Brandli também encaram desafios diários. Elas alimentam jacarés, monitoram o peso e avaliam a saúde dos répteis. Edilene ainda se dedica ao tratamento e condicionamento das lontras, reforçando o papel da equipe no cuidado integrado dos animais.

    Entre as mais corajosas, está Julia Molina, responsável pelo manejo da sucuri Celeste, que vive com algumas raias de água doce. Julia realiza a alimentação e limpeza do recinto, um trabalho que exige calma, preparo físico e experiência.

    Manutenção da vida em um áquario

    Nos bastidores, o funcionamento de um aquário com mais de 350 mil litros de água depende da bióloga Bárbara Rodrigues, que opera o Sistema de Suporte à Vida (SSV). O conjunto de equipamentos garante a oxigenação, filtragem e temperatura ideais da água, simulando o ambiente natural dos habitats.

    Julia Molina, bióloga responsável pela alimentação e limpeza do recinto da Celeste. Foto: Oceanic Aquarium/Divulgação

    A equipe técnica do Oceanic Aquarium tem 18 especialistas, e 11 deles são mulheres. A veterinária Juliana Formágio, gerente de Operações Técnicas, lidera o grupo e reforça o compromisso com a igualdade de oportunidades:

    “A igualdade está em ocupar os mesmos espaços. No Oceanic, cada profissional se destaca pelo talento, pelas competências e pelo amor ao que faz, não pelo gênero”, afirma.

    Essas profissionais provam que trabalhar com grandes espécies não é questão de força, mas de preparo, responsabilidade e dedicação à conservação da vida marinha.