Tag: tráfico de fauna

  • Brasil conquista proteção ampliada para preguiças-de-dois-dedos

    Brasil conquista proteção ampliada para preguiças-de-dois-dedos

    A comunidade internacional ampliou a proteção às preguiças-de-dois-dedos durante a 20ª Conferência das Partes da Convenção sobre Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (Cites). O encontro, realizado em Samarcanda, no Uzbequistão, no início deste mês, incluiu duas espécies, Choloepus hoffmanni e Choloepus didactylus, no Anexo II da convenção.

    A partir de 5 de março de 2026, o comércio desses animais seguirá regras mais rigorosas. A medida busca evitar que a exploração comercial comprometa a sobrevivência das espécies nas próximas décadas.

    Aumento da demanda preocupa autoridades

    “A inclusão dessas espécies no anexo da Cites é necessária para que exista melhor monitoramento e controle do aumento da demanda, a fim de garantir a sobrevivência das populações a longo prazo na natureza”, afirma Lívia Passos Martins, diretora de Biodiversidade e Florestas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Ela integrou a delegação brasileira na COP20.

    O Ibama atua como autoridade administrativa da Cites no Brasil. O país proíbe a captura de animais silvestres na natureza desde 1967, quando promulgou a Lei de Fauna (Lei nº 5.197/1967), a primeira legislação nacional com restrições claras sobre o tema.

    Turismo e redes sociais alimentam tráfico

    Nos últimos anos, a demanda por bichos-preguiças como animais de estimação cresceu significativamente. A analista ambiental do Ibama Júlia Simões Damo, que também participou da COP20, aponta novas motivações para o comércio ilegal.

    “Aumentou a demanda por bichos-preguiças como animais de estimação ou para outras atividades, como selfies com turistas e cafés com animais exóticos”, relata Damo.

    Os traficantes capturam principalmente filhotes e juvenis. A prática impacta diretamente a capacidade da população de se recuperar frente a outras ameaças, como o desmatamento ilegal, perda de habitat e incêndios florestais.

    Classificação e critérios de proteção

    A espécie Choloepus hoffmanni aparece como quase ameaçada no Brasil e como ameaçada na Costa Rica e em Honduras. A Choloepus didactylus integra o Anexo II pelo critério de semelhança, já que as duas espécies são quase idênticas.

    Bicho-preguiça Choloepus didactylus. Foto: World Animal Protection

    A inclusão no Anexo II obriga países como a Guiana, que ainda permite a captura de bichos-preguiças na natureza para comercialização, a estabelecer regras mais rígidas. Os comerciantes precisarão comprovar que a captura ocorreu de forma legal e sustentável.

    Proposta aprovada por consenso

    O Brasil apresentou a proposta de restrição em parceria com a Costa Rica e o Panamá. A conferência internacional da Cites estabeleceu o aprimoramento dos critérios de proteção das espécies por consenso.

    A decisão representa um avanço na proteção da fauna silvestre e demonstra o papel de liderança do Brasil nas discussões sobre conservação ambiental no cenário internacional.

  • Ibama resgata 59 animais silvestres e autua professor por fraude

    Ibama resgata 59 animais silvestres e autua professor por fraude

    O Ibama deflagrou a Operação Gênesis na segunda-feira (24), em Barra do Garças (MT) e municípios vizinhos na divisa com Goiás, para combater o tráfico de fauna silvestre. A ação resgatou 59 animais e autuou um professor universitário por tentar fraudar o SisPass 32 vezes em 2024. A região é ponto estratégico para o escoamento ilegal de espécies capturadas.​

    Agentes do Ibama atuaram em duas frentes após denúncia. Em uma fazenda, encontraram psitacídeos ilegais, como arara-canindé, papagaio-verdadeiro, papagaio-do-mangue e maracanã-da-cara-amarela, alguns acorrentados ou em gaiolas trancadas sem licença. Cinco aves estão na lista da Cites II, convenção internacional contra comércio de espécies ameaçadas; todos os animais foram apreendidos por falta de autorização.​

    Na residência do professor, já investigado administrativamente, fiscais confirmaram irregularidades. O SisPass, sistema de monitoramento de criação amadora de pássaros, registrou tentativas de transferências inconsistentes, anilhas incompatíveis e manipulação de dados para legalizar aves de origem ilegal. Suspenso, ele mantinha pássaros sem licença ativa e foi multado pelo art. 79 do Decreto 6.514/2008.​

    Destino dos animais e ações adicionais

    Os 59 animais resgatados foram levados ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) em Brasília para triagem e cuidados veterinários. Durante a operação, um guaxinim-neotrópico (mão-pelada) foi solto em Área de Soltura de Animais Silvestres (Asas) em Mato Grosso, após reabilitação. Denúncias de maus-tratos ou tráfico de fauna podem ser feitas pelo 0800 061 8080 do Ibama.​

    Foto: Cofis/Ibama
  • Oito presos em operação contra tráfico de fauna na Feira de Duque de Caxias (RJ)

    Oito presos em operação contra tráfico de fauna na Feira de Duque de Caxias (RJ)

    Agentes do Ibama e da Polícia Civil do Rio de Janeiro prenderam oito pessoas na Feira de Duque de Caxias, em operação contra o tráfico de fauna. A ação resultou na apreensão de 326 animais silvestres, entre eles caranguejos, jacarés, saguis, pássaros e uma jiboia filhote.

    Os agentes flagraram os primatas acondicionados em condições precárias, dentro de meias e pequenas bolsas. Infelizmente, um sagui morreu devido ao mau estado de conservação. A jiboia também morreu após um suspeito pisoteá-la para esconder o crime.

    Além das prisões, a operação gerou 12 autos de infração, com multas que somam R$ 473,8 mil. Um dos presos vendia petrechos ilegais para captura, como alçapões e estilingues. Outro infrator foi autuado pela venda de caranguejos capturados com redes proibidas, mas depois liberado.

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    Após a apreensão, técnicos do Ibama libertaram 313 caranguejos em seu habitat natural. As equipes devolverão os jacarés à natureza. Já os saguis, pássaros e a jiboia apreendidos seguiram para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), em Lorena (SP), onde recebem cuidados especializados.

    Saguis estavam acondicionados em meias dentro de bolsas pequenas. Foto: Ibama/Divulgação

    Essa operação é uma continuidade da fiscalização rigorosa na Feira de Duque de Caxias. Em março deste ano, o Ibama e a Polícia Federal realizaram a Operação Mercatio, que apreendeu 194 animais e aplicou multas ambientais no valor de R$ 270,5 mil.

    O Ibama reforça que a colaboração da população é fundamental para combater o tráfico de fauna. Denúncias podem ser feitas anonimamente pelo telefone 0800 061 8080, da Ouvidoria do órgão. A conscientização e a fiscalização contínua são essenciais para preservar as espécies e proteger o equilíbrio ambiental na região.

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