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  • EUA taxam Brasil em 12,5% por trabalho forçado na cadeia de importação

    EUA taxam Brasil em 12,5% por trabalho forçado na cadeia de importação

    Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira uma sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros. O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) justifica a medida pela suposta falha do Brasil em fiscalizar a importação de bens fabricados com trabalho forçado.

    O USTR atribui a taxação à falha do Brasil em proibir e fiscalizar a entrada, no mercado doméstico, de produtos feitos total ou parcialmente com trabalho forçado em outros países. A cobrança abrange a totalidade das exportações brasileiras, sem isenções, diferentemente da tarifa de 25% aplicada por “práticas desleais”, que reserva uma lista de 2.100 exceções.

    A nova alíquota substitui a taxa adicional de 10% prevista na Seção 122 da legislação comercial americana, que expirava justamente nesta data.

    Países afetados

    O governo dos Estados Unidos also aplicou sobretaxas a outros parceiros comerciais. Cinquenta e quatro países receberam a taxação de 12,5%. Enquanto outros cinco países e o bloco da União Europeia, formado por 27 nações, sofreram tarifa de 10% por terem adotado proibições ao trabalho forçado, ainda que com fiscalização considerada insuficiente. A investigação que embasou a medida seguiu a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

    O representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, classificou a situação como inaceitável. “A falha de nossos parceiros comerciais em lidar com a importação de bens fabricados com trabalho forçado é inaceitável. Isso força os trabalhadores norte-americanos a competir em um campo desigual”, declarou.

    A CNI (Confederação Nacional da Indústria) estima que a medida pode afetar 4.187 produtos brasileiros. Os setores atingidos somam US$ 14,9 bilhões em vendas anuais aos Estados Unidos. Segundo a entidade, a combinação das duas tarifas pode adicionar 37,5 pontos percentuais sobre esses bens, dos quais 62% funcionam como insumos intermediários em processos produtivos.

    USTR aponta indícios de trabalho forçado na pecuária brasileira

    O relatório do USTR reconhece as medidas adotadas pelo governo brasileiro para inibir a compra de bens produzidos com trabalho forçado. Mas classifica como “injustificada” a dificuldade do país em implementar compromissos assumidos em acordos de livre comércio.

    O documento aponta indícios de trabalho forçado na produção de carne no Brasil e associa a prática ao crescimento das exportações do setor na última década. “É notório que o trabalho forçado é utilizado na produção de gado no Brasil”, registra o relatório.

    China entra no radar do governo americano

    O relatório do USTR também destaca a relação comercial entre Brasil e China. As vendas de carne bovina congelada para o mercado chinês saltaram de 94 mil toneladas para 1,65 milhão de toneladas entre 2015 e 2025. Ou seja, um salto de mais de 17 vezes, enquanto as exportações americanas para a China registraram tendência de queda no mesmo período.

    “A falha da China em impor e aplicar efetivamente uma proibição de importação de carne bovina congelada do Brasil com base em trabalho forçado conferiu uma vantagem de custo à carne bovina brasileira e distorceu a concorrência”, diz o relatório.

    Governo brasileiro rebate a decisão

    O Itamaraty já havia criticado a possibilidade de sanções antes do anúncio oficial. Em comunicado, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, alertou que a investigação da Seção 301 pode prejudicar políticas internas de combate ao trabalho escravo.

    “Esta investigação da Seção 301, e quaisquer ações dos Estados Unidos que possam dela resultar, ameaçam minar o progresso alcançado por tais iniciativas brasileiras. E portanto, comprometer os objetivos do USTR ao iniciar esta investigação”, afirmou Vieira.

    O Itamaraty sustenta que a cobrança contraria as normas de comércio da OMC (Organização Mundial do Comércio). E defende o sistema brasileiro de combate ao trabalho escravo, que nos últimos anos aprimorou o conceito de “condição análoga à de escravo” no Código Penal e criou a chamada “lista suja” do trabalho escravo.

  • Carne bovina, açaí e suco de laranja escapam de tarifa dos EUA

    Carne bovina, açaí e suco de laranja escapam de tarifa dos EUA

    O governo dos Estados Unidos propôs uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos importados do Brasil e de outros 59 países. A medida foi anunciada nesta quarta-feira (3).

    A nova cobrança tem como base uma investigação sobre mercadorias supostamente produzidas com uso de trabalho forçado.

    Entenda o anúncio da medida

    A proposta surgiu um dia após os EUA anunciarem uma tarifa de 25% sobre importações brasileiras. O governo norte-americano alegou práticas consideradas prejudiciais ao comércio do país.

    Segundo o documento, trabalho forçado inclui qualquer serviço exigido sob ameaça e sem consentimento voluntário do trabalhador.

    As novas tarifas ainda não entram em vigor. Antes disso, o governo americano abrirá consulta pública e realizará audiências a partir de 7 de julho.

    A resolução prevê a cobrança sobre produtos dos países investigados. No entanto, uma lista com mais de 80 páginas traz diversas exceções.

    Isenção da tarifa de 12,5%

    Entre os produtos brasileiros isentos da tarifa adicional de 12,5% estão carne bovina, suco de laranja, tomate, castanha-do-pará, banana, abacaxi e manga. A lista também inclui café, exceto o solúvel, além de cevada e açaí.

    Por outro lado, produtos dispensados da nova tarifa, mas não da sobretaxa anterior, passarão a pagar 25%. Já os itens que não aparecem em nenhuma das listas de exclusão poderão enfrentar uma cobrança acumulada de 37,5%.

  • Trump acusa Brasil de usar trabalho forçado na pecuária e propõe nova tarifa

    Trump acusa Brasil de usar trabalho forçado na pecuária e propõe nova tarifa

    Os Estados Unidos voltaram a direcionar críticas à produção agropecuária brasileira ao relacionar a pecuária de corte do país ao uso de trabalho forçado. Além disso, o governo norte-americano propôs a criação de uma tarifa adicional de 12,5% para países que, segundo sua avaliação, não impedem adequadamente a importação de mercadorias produzidas sob essas condições.

    Apesar da proposta, a carne bovina aparece entre os produtos que devem permanecer isentos da nova cobrança tarifária — Foto: MAPA

    A iniciativa foi apresentada nesta terça-feira (2), após uma investigação conduzida pelas autoridades americanas concluir que 60 países, incluindo o Brasil, não adotam medidas consideradas suficientes para bloquear a entrada de produtos vinculados ao trabalho forçado.

    Além do Brasil, a lista inclui a China, principal destino das exportações brasileiras de carne bovina e maior compradora do produto nacional.

    Pecuária brasileira na mira

    O relatório que fundamenta a proposta dedica um capítulo específico à pecuária brasileira. Segundo o documento, a suposta utilização de trabalho escravo na cadeia produtiva do gado teria contribuído para reduzir a competitividade da carne congelada dos Estados Unidos no mercado chinês.

    De acordo com a nota divulgada, “está amplamente documentado que trabalho forçado é utilizado na produção de gado no Brasil”.

    Além disso, o relatório afirma que “a falha da China em impor e aplicar de forma eficaz uma proibição à importação de carne bovina congelada produzida com trabalho forçado no Brasil conferiu uma vantagem de custo à carne brasileira e distorceu a concorrência”.

    Dessa forma, o governo americano sustenta que a ausência de restrições mais rígidas por parte dos países importadores teria favorecido a competitividade da carne brasileira em mercados estratégicos.

    Mesmo com as acusações apresentadas no documento, a proposta prevê que a carne bovina permaneça fora da lista de produtos sujeitos à tarifa adicional.