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  • Raios matam trabalhadores rurais durante tempestade na Índia

    Raios matam trabalhadores rurais durante tempestade na Índia

    Pelo menos 14 pessoas morreram após serem atingidas por raios durante fortes tempestades no leste da Índia. A maioria das vítimas era formada por trabalhadores rurais, que estavam em lavouras quando as descargas elétricas atingiram a região em plena temporada de monções.

    Segundo as autoridades locais, 10 mortes foram registradas no distrito de Giridih, no estado de Jharkhand. Outras pessoas ficaram feridas. Enquanto isso, o serviço meteorológico indiano prevê a continuidade das chuvas intensas nos próximos dias.

    Monções aumentam o risco para agricultores

    A temporada de monções ocorre entre junho e setembro e é responsável por cerca de 75% das chuvas anuais da Índia. Esse período também coincide com a fase mais intensa da atividade agrícola, mantendo milhares de trabalhadores em áreas abertas durante a ocorrência de tempestades.

    Sem abrigos adequados nas lavouras, muitos agricultores permanecem expostos às descargas elétricas, o que aumenta significativamente o risco de acidentes fatais.

    Raios são a principal causa de mortes por desastres naturais

    Dados do National Crime Records Bureau (NCRB) mostram que os raios são atualmente o fenômeno climático mais letal da Índia.

    Somente em 2024, foram registradas 2.825 mortes provocadas por descargas elétricas, número superior ao total de vítimas causadas por enchentes, ondas de calor e frio intenso no mesmo período.

    Desde 1967, mais de 100 mil pessoas perderam a vida em decorrência de raios no país. Mais da metade dessas mortes ocorreu a partir de 2005, indicando um aumento expressivo dos casos nas últimas décadas.

    Mudanças climáticas podem intensificar as tempestades

    Pesquisadores apontam que o aquecimento global pode estar contribuindo para o aumento da incidência de raios.

    Com temperaturas mais elevadas, a atmosfera consegue armazenar mais vapor d’água, favorecendo a formação de nuvens de grande desenvolvimento vertical, responsáveis pelas tempestades elétricas.

    Um estudo da Fakir Mohan University, no estado de Odisha, identificou crescimento contínuo da atividade elétrica atmosférica na Índia e um comportamento cada vez mais imprevisível das tempestades.

    Segundo a pesquisa, a média anual de mortes por estado passou de 38 vítimas, entre 1967 e 2002, para 61 mortes no período de 2003 a 2020.

    Temporada de monções já deixou centenas de vítimas

    As mortes provocadas pelos raios se somam a outros desastres registrados durante a atual temporada de monções.

    Nas últimas semanas, enchentes em Assam causaram cerca de 90 mortes. Já deslizamentos de terra e chuvas intensas nas regiões do Himalaia deixaram mais de 50 vítimas. No estado de Kerala, enchentes e deslizamentos provocaram pelo menos 15 mortes e obrigaram milhares de moradores a abandonar suas casas.

    Os sucessivos eventos extremos evidenciam os impactos das condições climáticas severas sobre áreas rurais e populações mais vulneráveis.

    O que são as monções?

    As monções são um fenômeno climático caracterizado pela mudança sazonal dos ventos, que provoca períodos de chuvas intensas em diversas regiões da Ásia, especialmente na Índia.

    Entre junho e setembro, essas chuvas abastecem rios, reservatórios e lavouras, sendo essenciais para a agricultura e o abastecimento de água. No entanto, a intensidade das precipitações também aumenta o risco de enchentes, deslizamentos de terra, tempestades com raios e outros desastres naturais, afetando milhões de pessoas todos os anos.

  • Agronegócio comemora aprovação de lei para safristas

    Agronegócio comemora aprovação de lei para safristas

    A aprovação do Projeto de Lei 715/2023 pela Câmara dos Deputados, nesta terça-feira (19), foi recebida com entusiasmo por representantes do agronegócio. Conhecida como Lei dos Safristas, a proposta permite que trabalhadores temporários sejam contratados formalmente sem perder o acesso ao Bolsa Família. Agora, o texto segue para sanção presidencial.

    A medida busca ampliar a formalização no campo, especialmente em períodos de colheita, quando diferentes cadeias produtivas precisam reforçar a mão de obra. Com a nova regra, trabalhadores contratados por curto período poderão manter os benefícios sociais mesmo com a carteira assinada.

    O presidente da CitrusBR, Ibiapaba Netto, afirmou que a proposta traz mais equilíbrio para o setor. Segundo ele, a medida deve ampliar a oferta de trabalhadores dispostos a atuar formalmente durante as safras.

    “É acima de tudo um projeto de conformidade setorial. Ao permitir que os safristas acumulem os benefícios do Bolsa Família traz um novo contingente de mão de obra que não estava disponível para trabalhar formalizada”, declarou.

    Além disso, o representante da entidade destacou que a mudança reduz inseguranças jurídicas para produtores e empresas.

    “Isso traz segurança jurídica e mitiga riscos trabalhistas que eventualmente possam existir. Então, é uma ótima para setor para colheita de laranja e para indústria de suco como um todo”, completou.

    Cafeicultura também apoia a nova medida

    O Conselho Nacional do Café (CNC) também comemorou a aprovação do projeto. O setor cafeeiro depende fortemente de trabalhadores temporários em determinadas épocas do ano, principalmente durante a colheita.

    Para o presidente do CNC, Silas Brasileiro, a medida fortalece tanto os trabalhadores quanto os produtores rurais.

    “Esta é uma vitória do safrista, do produtor rural, em especial do cafeicultor, e da formalização no campo. Desde o início da tramitação, o CNC acompanhou de perto essa pauta por entender que ela é fundamental para a cafeicultura brasileira. O trabalhador não pode ser penalizado por aceitar um contrato formal durante a safra. Isso indica que ele não pode se negar a assinar a sua carteira”, afirmou.

    Tanto a citricultura quanto a cafeicultura enfrentam desafios para contratar trabalhadores em períodos específicos do calendário agrícola. Por isso, entidades do setor avaliam que a nova legislação pode estimular a formalização e reduzir a escassez de mão de obra em épocas de maior demanda.