Tag: tornado

  • Vídeo: Produtor rural filma passagem de tornado no Paraná

    Vídeo: Produtor rural filma passagem de tornado no Paraná

    O tornado que atingiu a área rural de Piraí do Sul (PR), na região dos Campos Gerais, no último sábado (08), deixou um rastro de destruição no campo. Cerca de 500 pessoas foram afetadas, segundo levantamento inicial da Defesa Civil Estadual.

    O advogado e produtor rural Bernardo Milleo registrou o fenômeno em vídeo. “Foi uma sensação de impotência, não tinha o que ser feito”, relatou. O tornado passou dentro de sua fazenda, no bairro rural Fundão, mas não atingiu as áreas de produção nem a moradia.

    https://www.instagram.com/reel/Db5hOV4S5dQ/?igsh=MTU5emMyYm1qMDJzaw==

    Tornado destruidor

    Os ventos do tornado chegaram a mais de 200 km/h. Ao todo, 30 residências foram impactadas, sendo seis delas completamente destruídas pela força do fenômeno.

    Além disso, dois barracões agrícolas também sofreram danos. Não há registro de vítimas fatais, mas os bairros de Santo André, Boa Vista, Jararaca, Fundão e Capinzal figuram entre os mais atingidos.

    Estragos na propriedade e no acesso rural

    Segundo Milleo, trovões e relâmpagos intensos acompanharam o fenômeno, que foi repentino. “Foi um fator climático estranho”, avaliou.

    A queda de árvores e o acúmulo de galhos bloquearam o acesso à propriedade. “Ficamos presos”, contou o produtor. O trânsito foi liberado depois, com atuação das equipes da prefeitura.

    Na fazenda, Milleo mantém três granjas de suinocultura, com 3.500 animais, além de área de reflorestamento com pinus e eucalipto. Sem prejuízos na própria propriedade, ele integra a força-tarefa organizada por autoridades e moradores para apoiar os afetados.

    Casa destruída por tempestade em área rural, com telhado danificado, árvores derrubadas e destroços espalhados pelo terreno.
    Ventos fortes causaram estragos no Paraná (Foto: Divulgação/Prefeitura Municipal de Piraí do Sul)

    Trabalho de campo e apuração dos danos

    Nesta segunda-feira (10), equipes da Defesa Civil Estadual e de secretarias municipais de Piraí do Sul seguiram com o levantamento de danos. Os trabalhos também reúnem documentação para a elaboração do decreto de Situação de Emergência.

    A Secretaria Municipal de Agricultura atua no levantamento das atividades agropecuárias atingidas. Além dos danos estruturais, o município registrou queda de postes e transformadores, o que deixou moradores sem energia, obstruções em estradas rurais causadas por árvores caídas, e o isolamento temporário do bairro Santo André.

    Equipes da Copel trabalham nos reparos da rede elétrica, enquanto a prefeitura remove árvores caídas para liberar o acesso às áreas rurais.

    Situação de Emergência

    Quando reconhecido pelo Estado ou pela União, o decreto de Situação de Emergência permite a dispensa de licitações para ações de reconstrução e abre caminho para que moradores afetados acessem linhas de crédito voltadas a agricultores, além da possibilidade de saque do FGTS para pessoa física.

    A Defesa Civil já distribuiu lonas para cobrir estruturas atingidas por destelhamento. Uma campanha local de doações, que reúne alimentos não perecíveis, lonas, materiais de construção e itens de higiene, segue arrecadando apoio na cidade.

    Confirmação do tornado pelo Simepar

    Uma equipe do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) esteve em campo, acompanhada por um operador de drone da Defesa Civil, para registrar imagens aéreas da área atingida.

    As características observadas nos vídeos analisados pelo Simepar indicam a ocorrência de um tornado — o 10º registrado no Paraná em 2026. A classificação oficial da categoria e a intensidade exata do fenômeno ainda serão definidas a partir do cruzamento entre o levantamento aéreo, os depoimentos de moradores e o mapeamento da distribuição dos danos.

    Vendavais e queda de granizo no mesmo fim de semana também causaram danos em outros municípios paranaenses, entre eles Candói, Sapopema, Guarapuava, Jaguariaíva e Rio Branco do Sul.

  • Ventania e tempestades: os últimos eventos extremos do clima têm relação com o El Niño?

    Ventania e tempestades: os últimos eventos extremos do clima têm relação com o El Niño?

    Rajadas de vento acima de 120 km/h, enchentes, temporais e até um tornado chamaram a atenção dos brasileiros nos últimos dias. Diante da sequência de ocorrências, uma dúvida passou a ganhar força: tudo isso tem relação com o El Niño?

    A resposta dos especialistas é mais complexa do que parece.

    Segundo meteorologistas, o El Niño já está ativo no Oceano Pacífico, mas ainda não é o principal responsável pelos eventos registrados nesta semana no Sudeste. No entanto, o fenômeno pode aumentar o risco de extremos climáticos nos próximos meses.

    O que causou a ventania em São Paulo e no Rio de Janeiro?

    As rajadas que atingiram os dois estados foram provocadas principalmente pela chegada de uma frente fria após um período marcado por calor intenso e tempo seco.

    O contraste entre massas de ar com características muito diferentes gerou uma situação conhecida como frente de rajada, capaz de produzir ventos extremamente fortes.

    De acordo com especialistas do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), esse tipo de ocorrência é raro durante o inverno no Sudeste.

    Embora o El Niño esteja presente no Pacífico, os meteorologistas afirmam que não existe uma ligação direta entre o fenômeno e os ventos registrados recentemente.

    Onde o El Niño já influencia o clima?

    No Sul do Brasil, a situação é diferente.

    Os temporais que atingiram diversas cidades do Rio Grande do Sul ocorreram em um contexto climático mais favorável à atuação do El Niño.

    Historicamente, o fenômeno altera os padrões atmosféricos e aumenta a frequência de episódios de chuva acima da média na região.

    Além das enchentes, as condições mais quentes da atmosfera favorecem a formação de tempestades severas, granizo e até tornados.

    Alterações no clima

    O El Niño acontece quando as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial ficam mais quentes do que o normal.

    Esse aquecimento modifica a circulação da atmosfera e afeta os regimes de chuva e temperatura em várias partes do planeta.

    Imagens do satélite mostram variações no nível do mar em junho de 2026; áreas em vermelho indicando águas mais elevadas no Pacífico equatorial, sinal típico associado ao desenvolvimento do El Niño — Foto: Sentinel-6 Michael Freilich/NASA/NOAA

    No Brasil, os principais impactos costumam incluir:

    Aumento das chuvas no Sul;

    Redução das precipitações em áreas do Norte e Nordeste;

    Maior irregularidade climática no Sudeste e Centro-Oeste.

    O que esperar nos próximos meses?

    A Organização Meteorológica Mundial (OMM) e a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) apontam que o El Niño deve ganhar força ao longo do segundo semestre.

    As projeções indicam que o aquecimento do Pacífico poderá atingir níveis compatíveis com um episódio forte, elevando o risco de secas, ondas de calor, enchentes e outros eventos extremos em diferentes regiões do mundo.

    “O El Niño já está em curso e deve se fortalecer rapidamente, transformando-se em um evento forte”, afirmou a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo.

    Especialistas ressaltam, porém, que o El Niño não atua sozinho.

    O aquecimento global continua sendo considerado o principal fator por trás do aumento da frequência e da intensidade dos eventos climáticos extremos observados nas últimas décadas.

    Histórico

    • 2006–2007: El Niño fraco a moderado.
    • 2009–2010: El Niño moderado.
    • 2014–2016: El Niño muito forte, ligado a recordes de calor e extremos mais frequentes.
    • 2018–2019: El Niño fraco a moderado, mais curto e com impactos mais limitados.
    • 2023–2024: El Niño forte, um dos mais intensos já registrados, associado a novos recordes de calor.