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  • Faesp propõe mudanças para ampliar compras da agricultura familiar

    Faesp propõe mudanças para ampliar compras da agricultura familiar

    A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) apresentou propostas para ampliar a efetividade das compras públicas da agricultura familiar em programas estaduais e federais. A entidade defende mudanças para aumentar a renda dos pequenos produtores, fortalecer a produção rural e garantir o cumprimento das cotas mínimas previstas em lei.

    No estado de São Paulo, a Faesp encaminhou ao governador Tarcísio de Freitas sugestões para aprimorar o Programa Paulista da Agricultura de Interesse Social (PPAIS) e o subprograma PPAIS Leite. Entre as principais medidas estão o reajuste do limite de comercialização da Declaração de Conformidade ao PPAIS (Deconp), a ampliação da publicação de editais e a inclusão de mais órgãos estaduais nas compras.

    A entidade ressalta que os programas têm papel estratégico, especialmente em cadeias com menor margem de rentabilidade, como a produção de leite. Nesse cenário, as compras públicas garantem renda e ajudam a manter as famílias no campo.

    Dados mostram estado sem cumprir legislação

    Dados levantados pela Faesp, com base na Secretaria da Fazenda, mostram que o estado ficou longe de cumprir a legislação entre 2015 e 2025. Embora a lei determine que pelo menos 30% das compras de alimentos sejam destinadas à agricultura familiar, apenas 3,8% foram efetivamente executados no período.

    Segundo a entidade, a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) lidera as compras dentro do programa, mas ainda assim não atinge o mínimo exigido. O órgão registrou 11,32% de execução, índice abaixo do percentual obrigatório.

    A Faesp estima que o cumprimento integral da legislação poderia ter destinado cerca de R$ 600 milhões à agricultura familiar apenas em 2025. O montante teria impacto direto no fortalecimento das economias regionais e na permanência dos produtores no meio rural.

    No âmbito federal, a entidade também apresentou propostas para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). A principal demanda é a atualização do limite individual de comercialização por agricultor familiar, atualmente fixado em R$ 40 mil por ano e sem reajuste desde 2021.

    O presidente da Faesp, Tirso Meirelles, reforçou a necessidade de mudanças imediatas. “Defendemos o aumento do limite de venda do pequeno produtor já a partir de 2026, além da maior participação das secretarias estaduais no PPAIS. O governo precisa garantir o cumprimento da cota mínima de compras da agricultura familiar e ampliar a adesão de órgãos públicos. Essas ações são essenciais para fortalecer o setor e promover o desenvolvimento sustentável no campo”, afirmou.

  • Dia Mundial da Agricultura: um dia de reflexão e trabalho

    Dia Mundial da Agricultura: um dia de reflexão e trabalho

    No Dia Mundial da Agricultura, mais do que celebrar conquistas, é preciso fazer uma reflexão honesta sobre os caminhos que estamos trilhando — e, principalmente, sobre os obstáculos que ainda insistem em limitar o pleno potencial do campo brasileiro. Do ponto de vista de quem está na lida diária, produzindo, investindo e assumindo riscos, o cenário é claro: avançamos muito dentro da porteira, mas seguimos travados fora dela.

    A agricultura brasileira é, hoje, uma das mais tecnológicas do mundo. Uma simples semente de soja carrega anos de pesquisa científica, inovação genética e desenvolvimento tecnológico. Mesmo plantas consideradas invasoras, como o joio, já são objeto de estudos avançados. O campo deixou de ser apenas força física e passou a ser inteligência aplicada, gestão de dados e precisão. Ainda assim, o setor não recebe a devida atenção quando o assunto é política pública voltada à alta tecnologia. Falta reconhecimento prático de que o agro moderno exige instrumentos compatíveis com seu nível de complexidade.

    Essa desconexão se reflete, por exemplo, na ausência de um Plano Safra de longo prazo. O modelo atual, um remendo renovado ano a ano, não oferece previsibilidade para o produtor rural, que precisa planejar investimentos de médio e longo prazo. Sem segurança, o risco aumenta — e o custo também. Soma-se a isso a necessidade urgente de taxas de juros mais condizentes com a realidade da atividade agropecuária. Produzir alimentos não pode ser tratado como uma operação financeira de alto risco; a segurança alimentar é uma atividade estratégica para o país e para o mundo.

    Outro gargalo histórico, e ainda não resolvido, é a infraestrutura. A dependência quase exclusiva do transporte rodoviário encarece o escoamento da produção e reduz a competitividade brasileira no mercado global. Investir em ferrovias não é apenas uma alternativa — é uma necessidade. Da mesma forma, a falta de estrutura adequada de armazenamento obriga o produtor a comercializar sua produção em momentos desfavoráveis, pressionando ainda mais suas margens.

    E se os desafios estruturais já não fossem suficientes, o produtor rural enfrenta, cada vez mais, os impactos das mudanças climáticas. Secas prolongadas, chuvas intensas e eventos extremos se tornaram parte da rotina no campo. No entanto, o Brasil ainda carece de um sistema de seguro rural robusto, acessível e eficiente. Na prática, o risco climático continua sendo quase integralmente absorvido por quem produz, o que compromete a sustentabilidade da atividade. Ao contrário dos Estados Unidos, onde quase 90% da produção é coberta, no Brasil esse índice chega, quando muito, próximo a 10%.

    O resultado é um cenário preocupante: mesmo com ganhos expressivos de produtividade e adoção de tecnologia de ponta, garantidos por uma resiliência sem tamanho do produtor, ele vê sua margem de lucratividade encolher — e, em muitos casos, se tornar negativa. Isso evidencia que o problema não está na capacidade de produção, mas no ambiente em que ela está inserida. Falta uma política estruturada, contínua e integrada que dê suporte real ao setor.

    Neste Dia da Agricultura, o que os mais de 15 milhões de produtores rurais pedem não é privilégio, mas coerência. É o reconhecimento de que o agro é parte essencial da economia brasileira e precisa ser tratado como tal. É necessário construir um verdadeiro Projeto Brasil para o campo, com planejamento de longo prazo, crédito adequado, seguro rural eficiente e investimentos consistentes em infraestrutura e inovação.

    O produtor já faz a sua parte — e faz bem, garantindo a sustentabilidade e preservação do meio ambiente, cuidadndo da água e da terra como nenhum outro – afinal este é seu maior patrimônio. O Brasil, agora, precisa fazer a sua. Celebrar a agricultura é importante, mas garantir condições para que ela continue sendo um motor de desenvolvimento é fundamental. Sem isso, o risco é transformar uma potência produtiva em um gigante limitado pelas próprias omissões. Neste dia simbólico, fica o recado de quem vive da terra: o futuro da agricultura depende das decisões que tomarmos agora.

    Tirso Meirelles, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp)
  • Senar e Einstein se unem pra levar saúde digital ao produtor rural brasileiro

    Senar e Einstein se unem pra levar saúde digital ao produtor rural brasileiro

    A assinatura aconteceu numa segunda-feira que pode entrar pra história da saúde rural brasileira. O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e o Einstein Hospital Israelita fecharam uma parceria que vai levar atendimento médico especializado pra quem mais precisa: os produtores rurais, suas familias e trabalhadores que vivem distante dos grandes centros urbanos.

    Foto: Divulgação

    O contrato foi assinado no dia 24, na Unidade Morumbi do Einstein, em São Paulo, com a presença do presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins, e do diretor-geral do Senar, Daniel Carrara. A ideia é simples, mas poderosa: usar tecnologia pra encurtar a distância entre o consultório médico e o campo.

    Um sonho que começou na pandemia

    João Martins não escondeu a emoção ao falar do projeto. “Durante a pandemia, nós introduzimos a telemedicina no Nordeste e realizamos 100 mil atendimentos apenas nessa região”, contou o presidente da CNA. Agora, ele quer ver essa iniciativa ganhar o Brasil inteiro. “Está na hora de unirmos forças para transformar e fazer deste país um grande Brasil”, afirmou.

    O Programa Saúde no Campo, lançado pelo Senar em maio deste ano, ganha agora um reforço de peso. A parceria vai estruturar de forma mais integrada as ações que já vinham sendo desenvolvidas, trazendo uma plataforma tecnológica robusta e serviços multiprofissionais de telessaúde.

    Números que impressionam

    A meta é ambiciosa: alcançar 100 mil produtores rurais, familiares e trabalhadores até 2026, espalhados por todas as regiões do país. Mas os planos não param por aí. Daniel Carrara, diretor-geral do Senar, revelou que só em 2026 o programa deve chegar a 45 mil propriedades rurais – o equivalente a 10% da classe média rural brasileira.

    “A expectativa é termos 1.500 técnicos em campo, fazendo planejamento, fazendo prevenção, fazendo educação para a saúde”, explicou Carrara. E o Einstein entra justamente pra dar suporte e capacitação a esses profissionais, além de oferecer os serviços de telemedicina. “Esse é o maior legado que um programa desse pode deixar”, completou.

    Tecnologia a serviço da saúde

    A parceria traz inovações que vão além das consultas online. O projeto prevê a implantação de uma plataforma eletrônica unificada onde todas as informações de saúde serão registradas. Isso vai permitir um mapeamento da saúde populacional no campo, possibilitando recomendações mais certeiras e um acompanhamento estruturado das famílias.

    Os serviços de telessaúde vão incluir clínica médica, pediatria e psicologia – áreas fundamentais pra quem enfrenta o isolamento geográfico como realidade diária. A equipe de campo vai receber apoio direto através de soluções tecnológicas integradas, fortalecendo as ações de prevenção e promoção da saúde.

    Deise de Almeida, diretora executiva Comercial e Marketing do Einstein Hospital Israelita, destacou a importância dessa abordagem. “A distância entre comunidades rurais e centros urbanos ainda representa um desafio para o acesso oportuno a serviços de saúde especializados”, afirmou. Segundo ela, a telessaúde é a ferramenta ideal pra ampliar esse acesso e contribuir na redução das desigualdades em saúde.

    São Paulo abre caminho

    O estado de São Paulo vai servir como piloto do programa. Sete polos de saúde serão instalados em municípios estratégicos: Cardoso, Batatais, Penápolis, Guaratinguetá, Caiuá, Capão Bonito e Mineiros do Tietê.

    Pra Tirso Meirelles, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), a iniciativa representa uma forma concreta de garantir um direito universal. “É uma forma de levar mais qualidade de vida à população rural e garantir que eles tenham um direito universal, que é a saúde”, disse Meirelles, ao lado do superintendente do Senar-SP, Mario Biral, e do diretor médico do Sistema Faesp/Senar, Roberto Duarte.

    O presidente da Faesp também destacou os benefícios econômicos do programa. “Além de contribuir para a qualidade de vida no campo, a telemedicina reduz afastamentos do trabalho, melhora a produtividade e reforça a permanência das famílias no meio rural”, concluiu.

    A aposta é que o modelo implementado em São Paulo sirva de exemplo pra expansão nacional do programa, provando que tecnologia e cuidado humano podem caminhar juntos. Mesmo quando há centenas de quilômetros de distância entre o paciente e o médico.

  • Sindicatos rurais aprovam por unanimidade virtual contas da Faesp para 2025 e 2026

    Sindicatos rurais aprovam por unanimidade virtual contas da Faesp para 2025 e 2026

    A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) realizou, nesta quinta-feira (6), sua Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária. O evento reuniu presidentes dos sindicatos rurais paulistas para deliberar sobre os orçamentos, que obtiveram aprovação de 99% da rede sindical presente.

    Os participantes concentraram esforços na reformulação orçamentária para 2025 e na validação da proposta para 2026. A ampla maioria dos votos validou a gestão financeira da entidade, refletindo a concordância dos representantes de base com a administração vigente.

    Na abertura dos trabalhos, o presidente da Faesp, Tirso Meirelles, pediu um minuto de silêncio em homenagem aos colegas do setor que faleceram. Em seguida, ele enfatizou que o encontro vai além da mera prestação de contas. “Este momento consolida nosso compromisso com a transparência e o uso responsável de cada recurso. Trabalhamos continuamente para aumentar nossas receitas e reverter esses ganhos em melhorias concretas para os sindicatos”, declarou Meirelles.

    A equipe financeira da Faesp e do Senar-SP, representada pelo gerente Administrativo e Financeiro, Sérgio Oliveira, e pela coordenadora Contábil Financeira, Maria Socorro dos Santos Moura, detalhou ponto a ponto todas as receitas, despesas, obrigações e encargos dos exercícios em pauta. Após esclarecerem todas as dúvidas dos sindicatos, os membros prosseguiram para a sessão de votação, que consolidou a aprovação dos documentos.

  • Simples Nacional defasado prejudica pequenos negócios e produtores rurais

    Simples Nacional defasado prejudica pequenos negócios e produtores rurais

    A falta de atualização das tabelas do Simples Nacional está prejudicando pequenos produtores rurais, agricultores familiares e microempresários em todo o país. Com as faixas de faturamento congeladas, a inflação e o aumento dos custos de produção empurram os empreendedores para fora do regime simplificado, forçando uma migração para sistemas tributários mais complexos e onerosos.

    O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Tirso Meirelles, defende uma revisão urgente do sistema. Ele afirma que a defasagem desestimula a produção e pode levar milhares de negócios de volta à informalidade, prejudicando a economia e a rastreabilidade da produção agrícola.

    Impacto direto no campo e na cidade

    No setor rural, o problema é ainda mais sensível. Muitos produtores utilizam o Simples Nacional para manter a regularidade fiscal, acessar linhas de crédito e comercializar sua produção. No entanto, o aumento nominal do faturamento, causado pela alta de preços, não reflete um ganho real. O resultado é um salto para faixas de tributação mais altas, reduzindo a competitividade e comprimindo as já estreitas margens de lucro.

    A situação também afeta artesãos, pequenos comerciantes e prestadores de serviço nas cidades. Eles enfrentam custos crescentes com materiais, energia e transporte, enquanto o limite para permanecer no Simples Nacional não se movimenta. Essa distorção tributária impacta toda a cadeia produtiva, podendo levar ao aumento de preços para o consumidor e ao corte de postos de trabalho.

    Atualização como medida de justiça econômica

    Para Tirso Meirelles, ajustar as tabelas do Simples Nacional é uma questão de justiça e um passo essencial para fortalecer a base produtiva do Brasil. “Esse é um programa importante, principalmente para os pequenos produtores e agricultores familiares, pois garante a formalização. Com o passar dos anos, e o aumento dos custos, as faixas principalmente associadas ao Micro Empreendedor Individual (MEI) desestimulam a continuidade da produção”, alertou.

    Especialistas concordam que a revisão dos limites de faturamento e das alíquotas precisa acompanhar a realidade inflacionária e o crescimento natural das empresas. Sem essa correção, o país arrisca comprometer uma de suas políticas mais bem-sucedidas de incentivo ao empreendedorismo, que há décadas sustenta a geração de renda e a formalização no Brasil.

  • Produtores rurais celebram aprovação do acordo Mercosul-União Europeia

    Produtores rurais celebram aprovação do acordo Mercosul-União Europeia

    O Acordo Mercosul-União Europeia deve criar a maior zona de livre comércio do mundo, com mais de 700 milhões de consumidores e redução gradual de tarifas sobre a maioria dos produtos negociados entre os blocos. A expectativa do setor rural é alta, pois o acordo amplia mercados, fortalece a competitividade internacional e oferece segurança para investimentos no agronegócio brasileiro.

    O acordo elimina progressivamente tarifas sobre 91% dos produtos europeus e 92% dos produtos sul-americanos em até 15 anos, beneficiando principalmente o agronegócio dos dois blocos.

    Segundo Tirso Meirelles, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de São Paulo (Faesp), o tratado traz a oportunidade de ampliar mercados. Além de reduzir barreiras e garantir previsibilidade para os produtores rurais brasileiros. “O setor ganha competitividade ao diversificar destinos e assegurar saída para a produção excedente”, destaca Meirelles.

    O Acordo Mercosul-UE abre possibilidades especialmente para carnes, grãos, frutas e produtos com valor agregado. Com isso, o agronegócio pode investir com mais confiança em tecnologia, qualidade e sustentabilidade. Além disso, o Brasil poderá atuar como um garante da segurança alimentar europeia, aproveitando sua capacidade de realizar três safras anuais.

    Meirelles explica que acordos bilaterais são essenciais para que o produtor rural minimize riscos financeiros, diversifique os mercados e mantenha a estabilidade econômica. “Essa diversificação protege contra oscilações de preços e crises regionais, permitindo ao produtor rural continuar investindo e ter renda mais estável”, afirma.

    Maior bloco econômico mundial

    Para Úrsula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, o acordo é um marco que consolida a UE como o maior bloco econômico mundial. Ela destaca a importância estratégica desses tratados para fortalecer relações e enfrentar desafios globais, como a modernização do comércio mundial e o reforço da confiança mútua.

    O coordenador da Comissão Técnica de Cafeicultura da Faesp, Guilherme Vicentini, vê o acordo como forma de garantir maior rentabilidade e continuidade para o produtor rural. Que passa a ter mais opções de mercados globais.

    Sueme Mori, diretora de Relações Internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), avalia que o benefício tarifário ao Mercosul será uma vantagem competitiva importante, considerando que a União Europeia já é o segundo maior destino das exportações brasileiras, mesmo sem privilégios tarifários. Ela ressalta que o acordo deve acelerar processos de negociação com outros parceiros comerciais, em um cenário geopolítico global em transformação.