Tag: tilapicultura

  • Tarifa sobre tilápia em SP atinge todos os pescados importados

    Tarifa sobre tilápia em SP atinge todos os pescados importados

    O decreto assinado pelo governador Tarcísio, que estabeleceu tributação sobre a importação de tilápia em SP, acabou produzindo efeitos sobre todo o mercado de pescados importados. Com a nova regra, espécies que anteriormente eram isentas passaram a recolher ICMS de 7%, incluindo salmão, bacalhau, polaca, merluza, cação, sardinha e pangasius, além da própria tilápia.

    A medida atende a uma reivindicação antiga de entidades ligadas à piscicultura nacional, como a Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR) e a Associação Brasileira das Indústrias de Pescado (Abipesca). Desde o ano passado, a entrada de filé de tilápia do Vietnã no mercado brasileiro vem pressionando a cadeia produtiva por chegar ao país com preços inferiores aos custos de produção da indústria nacional.

    Segundo Emerson Esteves, diretor-tesoureiro da Peixe SP, a legislação paulista difere da adotada em outros estados produtores.

    “A lei no Paraná e em outros estados como Santa Catarina e Minas Gerais permite a isenção de apenas um produto. Nesses estados, o governo aumentou o ICMS para até 22% no caso da importação do filé de tilápia.”

    Setor importador pede revisão

    Logo após a publicação do decreto, a Associação Brasileira de Fomento ao Pescado (Abrapes), entidade que representa indústrias importadoras, tradings e distribuidoras, iniciou conversas com o governo paulista para solicitar o retorno da isenção dos demais pescados importados.

    A entidade argumenta que a decisão afeta uma cadeia composta por 110 indústrias, responsáveis pela geração de aproximadamente 60 mil empregos diretos e indiretos.

    O presidente da Abrapes, Julio César Antonio, afirmou que a entidade apoia a tributação da tilápia, mas considera inadequado estender a cobrança a outras espécies.

    “Somos favoráveis à tributação da tilápia, mas isso não pode atingir todos os pescados importados. O decreto inviabiliza todas as indústrias importadoras do nosso Estado, que importa de 70% a 80% do pescado que processa”, disse,

    Graças à sua eficiência produtiva, a tilápia se tornou uma das espécies mais importantes para o desenvolvimento da piscicultura nacional — Foto: Ricardo Trida/Secom GOVSC

    Além disso, segundo ele, a reivindicação conta com apoio do Sindicato da Indústria da Pesca no Estado de São Paulo (Sipesp) e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

    Governo avalia alternativa para outros pescados

    De acordo com Julio César Antonio, o governador compreendeu as preocupações apresentadas pelo setor.

    Assim, uma proposta já foi encaminhada ao governo para restabelecer a isenção dos pescados importados que não possuem produção nas águas brasileiras, mantendo a cobrança de ICMS sobre a tilápia. Segundo o dirigente, foi criada uma força-tarefa envolvendo as secretarias da Fazenda e da Agricultura, e a expectativa é que uma definição ocorra entre 15 e 30 dias.

    Secretaria dialoga com a cadeia produtiva

    Em nota, a Secretaria da Agricultura e Abastecimento de São Paulo informou que acompanha o tema e mantém diálogo permanente com os diferentes segmentos da cadeia do pescado, especialmente os produtores paulistas.

    “As medidas adotadas têm como objetivo garantir condições equilibradas de competitividade para quem produz, gera emprego e riqueza no Estado e no país. Eventuais impactos sobre importadores serão tratados pela Secretaria da Fazenda e Planejamento, por meio de instrumentos previstos na legislação tributária, caso demandem ajustes.”

    Projeto propõe veto à importação

    Enquanto o debate avança em São Paulo, uma proposta ainda mais rígida tramita no Congresso Nacional.

    Na Câmara dos Deputados, um projeto de lei prevê a proibição da importação de tilápia e seus derivados em todo o território nacional. A proposta abrange desde peixes vivos e alevinos até produtos resfriados, congelados, filetados ou processados, destinados tanto ao consumo humano quanto animal.

    O texto já recebeu aprovação na Comissão de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural e prevê aplicação de multas, além da destruição das cargas irregulares.

    Para se tornar lei, a proposta ainda precisa passar por outras comissões e pelo plenário da Câmara antes de seguir para análise do Senado Federal.

  • Tilápia brasileira ganha novas regras para proteger produção nacional

    Tilápia brasileira ganha novas regras para proteger produção nacional

    A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados aprovou, na mesma rodada legislativa, dois projetos de lei que juntos formam um novo marco para a tilapicultura brasileira: um proíbe a importação do peixe, e o outro estabelece regras para produção sustentável da tilápia.

    O Projeto de Lei 6331/25 veta a entrada no país de tilápias vivas, alevinos e produtos resfriados, congelados, filetados ou processados, tanto para consumo humano quanto animal. A medida mira riscos sanitários e a proteção econômica, social e ambiental de uma cadeia produtiva que, segundo dados do IBGE, mais do que dobrou de valor entre 2020 e 2024.

    “A relevância da cadeia produtiva da tilápia para a aquicultura nacional, além da evidência de riscos concretos, impõe o princípio da precaução”, afirmou o relator, deputado Luiz Nishimori (PSD-PR), ao recomendar a aprovação do texto.

    O autor da proposta, deputado Dilceu Sperafico (PP-PR), vai além. “A tilapicultura é hoje uma das cadeias mais organizadas, capazes e socialmente relevantes do agronegócio nacional.”

    O Paraná lidera a produção nacional, com 36% do volume total do país.

    Punições severas para quem descumprir

    O projeto proíbe o desembaraço aduaneiro, a circulação, a distribuição, o armazenamento e a comercialização de qualquer lote importado. O governo também perde a prerrogativa de conceder licenças ou autorizações para importação.

    tilápia
    Diego Vargas / Seapa MG

    Quem descumprir a regra enfrenta apreensão, destruição ou devolução da carga ao país de origem, às próprias custas. As multas variam conforme o volume e o valor da mercadoria, e o infrator ainda pode perder licenças sanitárias, ambientais e de comércio exterior.

    Produção sustentável como contrapartida

    O segundo projeto aprovado, PL 6463/25, define regras para a produção, o beneficiamento e a comercialização da tilápia com foco em sustentabilidade. O texto autoriza o governo federal a oferecer apoio técnico, extensão rural, linhas de crédito específicas para piscicultura sustentável e suporte à certificação sanitária, ambiental e de origem.

    Em contrapartida, os produtores incentivados pelo programa precisam adotar práticas como monitoramento da qualidade da água, manejo de resíduos e efluentes, prevenção da dispersão da espécie em ambientes naturais e proteção da biodiversidade aquática.

    Deputado Luiz Nishimori, relator do projeto de lei. Foto: Vinicius Loures/Agência Câmara de Notícias

    Para Nishimori, relator das duas propostas, o segundo projeto equilibra expansão produtiva, segurança jurídica e preservação dos recursos hídricos. “O estímulo à certificação tende a fortalecer a inserção competitiva da cadeia aquícola brasileira nos mercados nacional e internacional”, destacou.

    Portanto, os dois projetos ainda tramitam em caráter conclusivo por outras comissões da Câmara antes de seguir ao Senado. O PL 6331/25 passa pelas comissões de Desenvolvimento Econômico e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Já o PL 6463/25 vai às comissões de Finanças e Tributação e, depois, à de Constituição e Justiça e de Cidadania.

  • Vírus que mata até 90% das tilápias ameaça o agro paulista  

    Vírus que mata até 90% das tilápias ameaça o agro paulista  

    O Governo do Estado de São Paulo publicou nesta semana uma resolução que estabelece medidas de defesa sanitária para proteger a cadeia produtiva da tilápia contra o Tilapia Lake Virus (TiLV), patógeno emergente com taxa de mortalidade que pode chegar a 90% dos plantéis infectados. A norma antecipa uma resposta estadual enquanto o Ministério da Agricultura ainda avalia os riscos associados à importação do peixe.

    A doença já foi registrada em países da Ásia, África e Oriente Médio, e sua eventual chegada ao Brasil preocupa especialistas pelo potencial de transmissão rápida e pelos impactos econômicos que poderia causar em regiões de alta concentração produtiva, como São Paulo, principal polo da tilapicultura nacional.

    Controle desde a origem até o consumidor

    A resolução torna obrigatório o controle sanitário de todos os produtos de tilápia,frescos, congelados, inteiros ou processados, oriundos de países com registro confirmado da enfermidade. As exigências incluem identificação e rastreabilidade dos lotes, segregação de produtos por origem e manutenção de registros sanitários e fiscais por pelo menos 12 meses.

    As regras valem para produtos destinados ao consumo humano, à alimentação animal e ao processamento industrial.

    “A cadeia da tilápia tem ganhado relevância no agro paulista, com crescimento da produção e geração de empregos. Esse avanço exige atenção sanitária cada vez maior”, afirmou o secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Geraldo Melo Filho.

    Fiscalização integrada e sanções previstas

    A execução das medidas caberá à Defesa Agropecuária do Estado, com poder para inspecionar estabelecimentos, cargas e documentos, além de aplicar sanções administrativas e determinar medidas corretivas. Em casos de risco sanitário, a apreensão e interdição cautelar de produtos também está prevista.

    A atuação será integrada com vigilâncias sanitárias municipais, Procon-SP e demais órgãos de fiscalização, ampliando o alcance do controle em toda a cadeia produtiva.

    Princípio da precaução

    Para Ieda Blanco, médica-veterinária responsável pelo Programa Estadual de Sanidade dos Animais Aquáticos (PESAq), agir antes da chegada do vírus é essencial. “A prevenção contra a introdução do TiLV é fundamental, uma vez que o vírus apresenta transmissão rápida e sua eventual introdução traria impactos econômicos imensos à tilapicultura paulista”, destacou.

    A medida adota o chamado princípio da precaução, estabelecendo barreiras sanitárias antes que a enfermidade chegue ao território nacional. Uma estratégia que, segundo o presidente da Câmara Setorial de Pesca e Aquicultura do Estado, Martinho Colpani, é decisiva para a continuidade do setor. “A prevenção sanitária é fundamental para proteger empregos e sustentar o crescimento da cadeia”, reforçou.

    A tilapicultura é hoje uma das principais cadeias da aquicultura brasileira. Em São Paulo, o setor combina escala produtiva, estrutura industrial consolidada e forte inserção no mercado interno, o que eleva o peso econômico de qualquer ameaça sanitária. E justifica, segundo o governo estadual, a antecipação das medidas protetivas.

  • Vírus, dumping e concorrência desleal: por que a tilápia importada divide o Brasil

    Vírus, dumping e concorrência desleal: por que a tilápia importada divide o Brasil

    Um projeto de lei que pode mudar radicalmente o mercado do peixe mais consumido no Brasil está em análise na Câmara dos Deputados. O PL 6331/25, de autoria do deputado Dilceu Sperafico (PP-PR), propõe a proibição total da importação de tilápia no país, incluindo peixes vivos, alevinos, filés resfriados ou congelados e qualquer produto processado para consumo humano ou animal. A proposta chega num momento de forte tensão entre o governo federal e o setor produtivo nacional.

    Foto: divulgação – CNA

    O Brasil é o quarto maior produtor mundial de tilápia, atrás apenas de China, Indonésia e Egito. Em 2024, foram produzidas 662,2 mil toneladas do peixe, um crescimento de 14,3% em relação ao ano anterior. Portanto, representando 68% de toda a produção nacional de peixes cultivados, segundo o Anuário PeixeBR 2025. A cadeia sustenta cerca de 3 milhões de empregos diretos e indiretos.

    O valor da produção nacional mais do que dobrou entre 2020 e 2024, segundo o IBGE. O Paraná lidera a produção, respondendo por 36% do volume total do país.

    Foi justamente esse protagonismo que tornou ainda mais explosiva a decisão do governo Lula de autorizar a entrada de tilápia vietnamita no mercado brasileiro.

    Da autorização à revolta

    O impasse começou no final de 2023, quando um lote experimental de 25 toneladas de tilápia vietnamita desembarcou no Brasil, provocando reação imediata dos produtores locais. A pressão resultou na suspensão das importações em fevereiro de 2024. No entanto, o cenário mudou em abril de 2025, quando o Ministério da Agricultura reverteu sua própria decisão e reautorizou o comércio, com base em reavaliação técnica que classificou como “negligenciável” o risco de introdução do Vírus da Lagoa da Tilápia (TiLV) no país.

    A tensão aumentou ainda mais com o anúncio da JBS, gigante global de proteína animal, que passou a importar tilápia processada do Vietnã como resultado de um acordo bilateral firmado durante a Cúpula Ampliada do BRICS, em julho de 2025. Acordo pelo qual o Brasil abriu seu mercado à tilápia vietnamita em troca de acesso do boi brasileiro ao Vietnã.

    Dumping e concorrência desleal

    Para os produtores nacionais, a questão vai além da competição: trata-se de sobrevivência econômica. O peixe asiático chegou ao Brasil por um preço equivalente à metade do custo de produção local. “O valor que chegou é metade do nosso custo de produção. Hoje comercializamos o quilo da tilápia entre R$ 9,80 e R$ 10”, relatou um representante do setor.   O movimento é enquadrado por entidades do agronegócio como dumping, uma prática comercial predatória que consiste em vender produtos abaixo do valor justo para eliminar concorrentes locais.

    A PeixeBR classificou a decisão governamental como “imprudente”, alegando que a importação compromete a competitividade do setor, agrava os desafios econômicos da cadeia produtiva e coloca em risco a biossegurança dos tanques brasileiros, já que as condições de cultivo no Vietnã são distintas e podem introduzir doenças inexistentes no país.

    O fantasma do TiLV

    O risco sanitário é o ponto mais sensível do debate. A Análise de Risco de Importação elaborada pela Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) avalia especificamente os riscos de introdução e disseminação do Tilapia Lake Virus (TiLV). A doença é altamente contagiosa, com potencial de mortalidade expressivo, que ainda não existe no Brasil.

    Além da questão comercial, há receio sobre a qualidade e a sanidade do pescado vietnamita. “Ninguém sabe como a tilápia é produzida lá. Se obedece aos preceitos ambientais e sanitários corretamente”, alertou um dirigente sindical do setor. O temor é que o consumidor não consiga diferenciar a tilápia vietnamita da brasileira e, diante de um produto de qualidade inferior, acabe desistindo de consumir pescado.

    O projeto e suas punições

    O PL 6331/25 vai além de simplesmente vedar a entrada do produto. Proíbe também o desembaraço aduaneiro, a circulação, o armazenamento e a comercialização de qualquer lote de tilápia importada. E impede o governo de conceder novas licenças ou autorizações para importação. Infratores estarão sujeitos à apreensão ou destruição da carga, às suas próprias expensas, além de multas proporcionais ao volume e valor dos itens apreendidos, podendo ainda ter licenças sanitárias, ambientais e de comércio exterior suspensas ou cassadas.

    Deputado Dilceu Sperafico (PP-PR), autor do projeto. Foto: Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados

    “A tilapicultura é hoje uma das cadeias mais organizadas, capazes e socialmente relevantes do agronegócio nacional”, afirmou o deputado Sperafico, autor da proposta.

    Próximos passos

    O projeto será analisado em caráter conclusivo pelas comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; de Desenvolvimento Econômico; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para se tornar lei, precisará ser aprovado tanto pela Câmara quanto pelo Senado.

    O setor nacional se prepara para uma batalha que deve envolver estratégias políticas, técnicas e, possivelmente, ações judiciais para proteger a sanidade e a economia da tilapicultura brasileira.  Com 3 milhões de empregos e uma cadeia produtiva que levou décadas para ser construída, o desfecho dessa disputa vai muito além das bancadas do Congresso.

  • Tilápia gera 600 mil empregos e domina 68% da piscicultura brasileira

    Tilápia gera 600 mil empregos e domina 68% da piscicultura brasileira

    A produção de tilápia brasileira alcançou números expressivos em 2024 e se estabeleceu como o principal motor da aquicultura nacional. Segundo dados da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), a produção atingiu 660 mil toneladas no último ano, representando 68% de toda a piscicultura do país. As projeções indicam que esse percentual pode chegar a 80% até o final da década.

    O desempenho posiciona o Brasil entre os maiores produtores mundiais de tilápia, reforçando a importância econômica e social da atividade. Francisco Medeiros, presidente da Peixe BR, destaca o crescimento expressivo do setor: “A tilápia foi a proteína animal que mais cresceu nos últimos 11 anos. Ela fortalece o produtor, dinamiza a indústria e atende a um consumidor cada vez mais atento à saúde e à qualidade dos alimentos”.

    Geração de empregos e impacto social da tilapicultura

    O setor movimenta mais de 600 mil empregos diretos e indiretos em todo o território nacional, com presença marcante em mais de 110 mil propriedades rurais. A atividade possui características predominantemente familiares, com aproximadamente 98% dos produtores classificados como pequenos empreendedores.

    Os principais polos produtivos estão concentrados no Oeste do Paraná, na região dos Grandes Lagos (que abrange São Paulo e Mato Grosso do Sul), em Morada Nova de Minas (MG) e em diversas localidades de Santa Catarina. Essas regiões experimentam desenvolvimento econômico impulsionado pela cadeia produtiva da tilápia.

    De acordo com Medeiros, o crescimento brasileiro já altera a configuração da aquicultura mundial. “O Brasil deve encerrar esta década como o terceiro maior produtor de tilápia do mundo, muito próximo do segundo lugar. Os investimentos ao longo de toda a cadeia — da genética ao produto final — já sustentam essa projeção”, afirma o presidente da associação.

    Desafios regulatórios limitam expansão do setor

    Apesar dos resultados positivos, a tilapicultura brasileira enfrenta obstáculos que comprometem sua competitividade. Atualmente, a atividade é considerada a mais regulamentada do país quando comparada a outras proteínas animais.

    Francisco Medeiros aponta que a redução da burocracia e a busca por condições equivalentes às concedidas aos setores de aves e suínos são essenciais para o avanço da piscicultura. “A redução da burocracia e a busca por isonomia com aves e suínos são fundamentais para que o setor avance para um novo patamar”, defende.

    A Peixe BR ressalta que a tilapicultura apresenta baixo impacto ambiental e alto potencial de geração de renda, características que conferem ao setor papel estratégico no desenvolvimento sustentável da produção de alimentos no Brasil.

    Com investimentos contínuos em tecnologia, genética e processamento, a cadeia produtiva da tilápia se fortalece e projeta crescimento consistente para os próximos anos. Consolidando a posição do país no mercado internacional e ampliando os benefícios socioeconômicos para milhares de famílias brasileiras.

  • Epamig apresenta pesquisas inovadoras para criação de tilápias

    Epamig apresenta pesquisas inovadoras para criação de tilápias

    A Epamig apresentou novas pesquisas voltadas à tilapicultura durante o Dia de Campo da Piscicultura Top Fish, em Rio Piracicaba (MG). O projeto, aprovado pela Fapemig, propõe criar tilápias jovens em sistemas de bioflocos. O evento, promovido pela Emater-MG, Prefeitura de Rio Piracicaba e Top Fish, reuniu produtores, técnicos e pesquisadores. O tema central foi “Criação de Tilápia em Tanque Escavado e Beneficiamento de Pescado”.

    Projeto busca reduzir custos e ampliar produção

    Os pesquisadores Alexmiliano Vogel e Franklin Costa apresentaram o projeto “Recria de Juvenis de Tilápia e Acará-Bandeira em Bioflocos visando Redução do Custo de Produção e Uso de Commodities”. A proposta pretende fortalecer a piscicultura mineira e ampliar a oferta de alimentos e peixes ornamentais com menor custo e impacto ambiental.

    Franklin explicou que o sistema de bioflocos utiliza microrganismos da água como alimento natural. A tecnologia reduz o uso de ração, economiza água e diminui a poluição. O estudo também vai definir tamanhos ideais para transferir os peixes aos tanques-rede, o que pode melhorar a saúde animal e reduzir o tempo de engorda.

    Pesquisas incluem espécies ornamentais

    O projeto também contempla o acará-bandeira, espécie valorizada no mercado ornamental e em expansão na aquicultura. Segundo Franklin, o manejo em bioflocos vai aprofundar estudos sobre densidade, alimentação e adaptação. Os resultados podem fortalecer o comércio e criar oportunidades para pequenos produtores diversificarem a produção.

    Registrado sob o número PPE-00022-23, o projeto é desenvolvido em parceria com a UFMG. Os primeiros testes sobre densidade de estocagem e manejo alimentar já acontecem na universidade, em Belo Horizonte. As próximas etapas ocorrerão nos Campos Experimentais da Epamig, em Felixlândia e Leopoldina. A infraestrutura está sendo adaptada para garantir segurança ao sistema produtivo.

    As pesquisas devem seguir até 2027. A Epamig divulgará os resultados por meio de visitas técnicas, publicações e eventos de difusão.

    Resultados aplicados à tilapicultura

    Além da apresentação do novo projeto, o Dia de Campo mostrou resultados de pesquisas já aplicadas na produção de alevinos de tilápia. Os temas abordaram reprodução, nutrição e manejo, com destaque para dados recentes sobre cultivo de larvas, alevinos e juvenis. “Momentos como esse nos aproximam dos principais atores da cadeia produtiva. É uma oportunidade para apresentar avanços, alinhar expectativas e compreender demandas do setor”, concluiu Franklin.

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  • Iridovírus – mudanças de temperatura aumentam risco  de doenças

    Iridovírus – mudanças de temperatura aumentam risco de doenças

    Com a chegada do inverno, produtores de tilápia enfrentam um cenário de alerta devido ao aumento do risco de doenças virais, especialmente o Iridovírus (ISKNV). As variações bruscas de temperatura e a redução dos níveis de oxigênio na água prejudicam a imunidade dos peixes, favorecendo a proliferação de agentes infecciosos e elevando as taxas de mortalidade nos criatórios.

    A intensificação das mudanças climáticas tem provocado instabilidade nos ambientes aquícolas, tornando os peixes mais vulneráveis a doenças. De acordo com Talita Morgenstern, coordenadora técnica da unidade de negócios de Aquicultura da MSD Saúde Animal, o Iridovírus é altamente contagioso e letal, afetando principalmente alevinos e juvenis de tilápia. Em surtos, a mortalidade pode ultrapassar 70%, agravando ainda mais a situação devido à dificuldade de diagnóstico, já que os sintomas podem ser confundidos com outras enfermidades bacterianas.

    A transmissão do Iridovírus ocorre tanto por via horizontal (água contaminada e contato entre peixes) quanto vertical (de reprodutores para a prole), o que exige um controle rigoroso em todas as etapas da cadeia produtiva.

    Desafios para a biossegurança na produção de tilápias

    A transição para o inverno impõe desafios extras aos produtores, que precisam adaptar práticas de manejo para garantir a sustentabilidade e a sanidade do plantel. O estresse fisiológico causado pelas oscilações de temperatura reduz a eficácia das medidas de biossegurança e dificulta o controle sanitário consistente. Ambientes instáveis favorecem a replicação viral e aumentam a sobrevivência de patógenos na água, tornando ainda mais essencial a adoção de protocolos preventivos robustos.

    Dicas de prevenção e controle do iridovírus (ISKNV)

    Para mitigar riscos e proteger a produção, a especialista recomenda:

    • Evitar a entrada de peixes ou alevinos sem histórico sanitário comprovado.
    • Manter todos os equipamentos desinfetados com produtos adequados.
    • Realizar testes de PCR em todo o plantel para detectar precocemente a presença do vírus.
    • Monitorar parâmetros ambientais como temperatura, pH e oxigênio dissolvido, utilizando biorremediadores para otimizar a qualidade da água.
    • Coletar diariamente peixes mortos e garantir o descarte correto para evitar a disseminação do vírus.
    • Vacinar apenas animais saudáveis e livres de patógenos, utilizando vacinas como específicas.

    A implementação dessas medidas é fundamental para proteger a tilapicultura contra o Iridovírus e garantir a produtividade e sustentabilidade do setor diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas.

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  • Brasil lidera produção de peixes cultivados nas Américas

    Brasil lidera produção de peixes cultivados nas Américas

    O Brasil consolidou-se, em 2024, como o maior produtor de peixes de cultivo das Américas, ultrapassando o Chile e alcançando a marca de 968 mil toneladas produzidas. O avanço coloca o país na liderança continental e reforça sua ambição de alcançar o topo do ranking mundial da piscicultura até 2040, segundo dados da Associação Brasileira de Piscicultura (Peixe BR).

    A meta de liderança global está ancorada em investimentos robustos do setor privado, que devem representar cerca de 80% dos aportes no segmento nos próximos anos. O crescimento acelerado da tilapicultura, principal motor do setor, é impulsionado por avanços em genética, nutrição, manejo, equipamentos e sanidade. Além de estratégias para ampliar a comercialização nos mercados interno e externo.

    Francisco Medeiros, presidente da Peixe BR. Foto; reprodução

    De acordo com Francisco Medeiros, presidente da Peixe BR, a participação de empresas já consolidadas em outras cadeias de proteína animal, como aves e suínos, tem gerado sinergias que aceleram o desenvolvimento da piscicultura nacional. Nos últimos 11 anos, o setor registrou crescimento médio anual superior a 10%, evidenciando o potencial brasileiro para atingir a meta de 2040.

    Tilapicultura brasileira é referência em tecnologia e produtividade

    O Brasil já se destaca internacionalmente pela tilapicultura mais tecnológica do mundo. Segundo Medeiros, a produtividade nacional chega a ser o dobro da média global, resultado direto dos investimentos em inovação em toda a cadeia produtiva. O uso intensivo de ciência, tecnologia e inovação tem permitido ao setor crescer mesmo em cenários econômicos desafiadores, mantendo a competitividade do agronegócio brasileiro.

    Apesar do cenário favorável, a piscicultura brasileira enfrenta desafios significativos. A sanidade dos plantéis é apontada como o principal gargalo atual, com aumento de ocorrências e sem sinais de recuo. No ambiente pós-produção, entraves regulatórios e mercadológicos exigem atenção constante para não comprometer o desempenho do setor.

    A Peixe BR destaca que o trabalho contínuo da entidade é fundamental para manter o ritmo de expansão. Além de garantir que o Brasil siga atendendo às demandas dos mercados interno e externo. A proteína de pescado, especialmente a de peixes cultivados, já é a mais consumida no mundo. E o país pretende ampliar sua contribuição para a segurança alimentar global.

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