Tag: THC

  • Cannabis pode virar a nova potência do agro no Brasil

    Cannabis pode virar a nova potência do agro no Brasil

    A cannabis ganhou espaço no agronegócio brasileiro e passou a integrar a agenda de inovação no campo.

    Com o avanço das pesquisas, a cultura aparece como uma nova alternativa produtiva. Ao mesmo tempo, especialistas apontam que o Brasil reúne condições para se tornar um dos principais produtores globais da planta.

    Autorização abriu caminho para pesquisas

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou, em novembro de 2025, que a Embrapa iniciasse pesquisas com o cultivo de cannabis.

    A decisão permitiu que pesquisadores avançassem em estudos científicos no país. Desde então, equipes trabalham no desenvolvimento de variedades adaptadas ao clima brasileiro e analisam diferentes usos da planta.
    Além disso, os estudos avaliam aplicações industriais, medicinais e ambientais.

    Foto: Reprodução/David Valle

    Nova fronteira agrícola

    A cannabis já ocupa espaço nas discussões sobre o futuro do agro.

    Pesquisadores destacam que o Brasil possui clima favorável, solo produtivo e experiência em agricultura em larga escala. Por isso, o país pode assumir protagonismo nesse mercado nos próximos anos.

    Além disso, o potencial econômico chama atenção. A cultura permite diferentes aplicações e pode estruturar uma cadeia produtiva completa.

    Aplicações vão além do medicinal

    Embora o uso medicinal seja mais conhecido, a cannabis apresenta diversas utilidades.

    O cânhamo industrial, por exemplo, entra na produção de fibras, tecidos, cosméticos e alimentos. Além disso, a planta pode contribuir para a recuperação de solos e projetos ambientais.
    Com isso, o interesse se expande e envolve diferentes setores do agronegócio.

    Pesquisa busca adaptação ao clima

    Os pesquisadores agora focam na adaptação da planta às condições tropicais.

    Fatores como temperatura, luminosidade e tipo de solo influenciam diretamente o desenvolvimento da cultura. Por isso, os estudos buscam variedades mais produtivas e estáveis.

    Ao mesmo tempo, o cultivo segue regras rigorosas, com controle das áreas e limites definidos para substâncias específicas.

    Setor ainda depende de regulamentação

    Apesar do avanço científico, o mercado ainda enfrenta limitações.

    Hoje, o Brasil não possui regulamentação ampla para o cultivo comercial da cannabis. Por isso, muitos produtos ainda chegam por importação, o que eleva os custos.

    No entanto, o avanço das pesquisas e o interesse do mercado indicam mudanças nos próximos anos.

    Agro vê oportunidade de diversificação

    Diante desse cenário, produtores começam a avaliar a cannabis como alternativa de diversificação.

    Além disso, a cultura pode gerar novas fontes de renda, principalmente em nichos de maior valor agregado.
    Assim, a cannabis entra no radar do agro não apenas como uma nova cultura, mas como uma oportunidade de transformação produtiva no campo.

  • Divulgadas regras para produção de cannabis medicinal

    Divulgadas regras para produção de cannabis medicinal

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou nesta terça-feira (3/2) no Diário Oficial da União (DOU) um conjunto de resoluções que regulamentam pela primeira vez a produção de cannabis medicinal em território nacional. As normas, que entrarão em vigor em seis meses, representam um marco histórico para pacientes que dependem de tratamentos à base de canabidiol (CBD) e tetrahidrocanabinol (THC).

    As Resoluções da Diretoria Colegiada (RDCs) foram aprovadas na primeira reunião pública de 2026, realizada em 28 de janeiro, e atendem a determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que em novembro de 2024 reconheceu a legalidade da produção de cannabis “para fins exclusivamente medicinais e/ou farmacêuticos atrelados à proteção do direito à saúde”.

    Três pilares da nova regulamentação

    A RDC 1.013/2026 estabelece critérios rigorosos para a produção comercial de cannabis medicinal. Apenas empresas com Autorização Especial (AE) poderão cultivar a planta, mediante inspeção sanitária prévia obrigatória. A norma exige sistemas de rastreabilidade completa, controle permanente das instalações e mecanismos de segurança reforçados. Com previsão de suspensão imediata das atividades em caso de irregularidades.

    Para o setor científico, a RDC 1.012/2026 regulamenta a pesquisa com cannabis no país. Instituições de ensino credenciadas poderão obter autorização especial, desde que cumpram requisitos específicos de segurança. A resolução exige que pesquisadores importem produtos com concentração de THC superior a 0,3% somente após autorização prévia da Anvisa e em conformidade com as exigências da ONU.

    Já a RDC 1.014/2026 cria um instrumento específico para associações de pacientes sem fins lucrativos. Embora não permita comercialização, a norma estabelece plano de monitoramento, indicadores de qualidade e rastreabilidade desde o cultivo até a dispensação aos pacientes cadastrados.

    Ampliação do acesso terapêutico

    A RDC 1.015/2026 atualiza o marco regulatório de fabricação e importação de produtos de cannabis, instituído originalmente pela RDC 327/2019. A principal mudança é a inclusão de portadores de doenças debilitantes graves – como fibromialgia e lúpus – entre os pacientes autorizados a utilizar produtos com concentração de THC acima de 0,2%.

    Outra novidade relevante é a ampliação das vias de administração permitidas. Além das formas tradicionais, agora são autorizadas apresentações dermatológicas, sublinguais, bucais e inalatórias, visando melhorar a adesão ao tratamento de pacientes com necessidades especiais.

    Farmácias magistrais aguardam regulamentação específica

    Embora a Anvisa tenha reconhecido a possibilidade de manipulação de produtos à base de cannabis por farmácias magistrais, a agência decidiu elaborar uma norma complementar específica sobre o tema. Com essa decisão, a Anvisa busca garantir que essa modalidade chegue à população brasileira de forma segura e controlada.

    As resoluções representam uma resposta regulatória baseada em evidências científicas. E sinalizam um novo cenário para pacientes, indústria farmacêutica e associações de apoio. Portanto, consolidando o Brasil como referência na regulamentação de cannabis medicinal na América Latina.

    As normas publicadas têm prazo de seis meses para entrada em vigor. Período no qual empresas, instituições de pesquisa e associações deverão se adequar aos novos requisitos estabelecidos pela Anvisa.

  • Anvisa libera cultivo de cannabis medicinal no Brasil

    Anvisa libera cultivo de cannabis medicinal no Brasil

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta quarta-feira (28) mudanças históricas na regulamentação da Cannabis medicinal no Brasil. As novas resoluções expandem as formas de uso terapêutico, autorizam a venda de canabidiol em farmácias de manipulação e estabelecem regras para o cultivo nacional da planta para fins medicinais e de pesquisa.

    A resolução aprovada amplia significativamente as possibilidades de tratamento com Cannabis. Agora, medicamentos de uso bucal, sublingual e dermatológico poderão ser comercializados no país. Anteriormente, apenas produtos para uso oral e inalatório eram permitidos pela agência reguladora.

    A medida também flexibiliza o acesso a produtos com concentração de THC (tetrahidrocanabinol) acima de 0,2% para pacientes com doenças debilitantes graves. Antes restrita a casos paliativos ou terminais, a nova regra pode beneficiar pessoas com condições como dor neuropática crônica, segundo análises técnicas da Anvisa.

    O fitofármaco canabidiol poderá ser vendido em farmácias de manipulação, decisão tomada após voto do diretor Thiago Campos, que havia suspendido a votação em dezembro.

    Cultivo nacional: nova era para cannabis medicinal

    Em cumprimento a determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a Anvisa deve votar três resoluções que regulamentam o plantio de Cannabis no Brasil. O prazo estabelecido pela Justiça é março de 2025 para apresentação do regulamento completo.

    As novas normas estabelecem critérios rigorosos de controle:

    • Plantas para produção medicinal devem apresentar teor de THC igual ou inferior a 0,3%
    • Cultivo obrigatoriamente em locais controlados com coordenadas georreferenciadas
    • Estimativa de produção e planos de segurança para evitar desvio de produtos
    • Para pesquisas, não há limite de THC, mas exige-se monitoramento por câmeras e controle rigoroso de acesso

    A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) já recebeu autorização em novembro de 2025 para realizar pesquisas com a planta.

    Impactos na agricultura brasileira

    A liberação do cultivo de Cannabis medicinal pode representar uma oportunidade estratégica para o agronegócio brasileiro. O país, reconhecido mundialmente por sua expertise agrícola e condições climáticas favoráveis, poderá desenvolver uma nova cadeia produtiva regulamentada.

    Benefícios potenciais para a agricultura:

    • Diversificação de culturas e geração de renda para produtores rurais
    • Desenvolvimento de tecnologia agrícola nacional para cultivo especializado
    • Redução da dependência de importações de medicamentos canabinoides
    • Criação de empregos na cadeia produtiva, desde o plantio até a industrialização
    • Impulso à pesquisa agropecuária com apoio de instituições como a Embrapa
    • Atração de investimentos em biotecnologia e farmacologia vegetal

    A testagem controlada em pequena escala, incluindo associações de pacientes, permitirá avaliar a viabilidade técnica e econômica do cultivo nacional antes da expansão comercial.

    Mercado

    Segundo dados divulgados pela Anvisa em dezembro, existem atualmente 33 produtos de canabidiol e 16 extratos de Cannabis autorizados para venda no Brasil. Muitos pacientes, no entanto, ainda dependem da importação excepcional de medicamentos não avaliados pela agência ou de autorizações judiciais para cultivo próprio.

    As mudanças regulatórias prometem ampliar significativamente o acesso aos tratamentos, reduzir custos para pacientes e impulsionar a indústria farmacêutica nacional voltada para produtos de origem vegetal.

    A Anvisa mantém a regulamentação desde 2015, quando autorizou a primeira importação excepcional de produtos à base de Cannabis. O marco regulatório de 2019, agora atualizado, permitiu o registro de terapias para venda em farmácias – um avanço histórico que se consolida com as decisões desta quarta-feira.

  • Pesquisadora brasileira lidera estudo inédito sobre canabinóides no tratamento da Doença de Parkinson

    Pesquisadora brasileira lidera estudo inédito sobre canabinóides no tratamento da Doença de Parkinson

    Um estudo inédito realizado por cientistas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) pode representar um avanço significativo no tratamento da Doença de Parkinson. Liderada pela farmacêutica Ana Carolina Ruver Martins, doutora em farmacologia e pós-doutoranda na instituição, a pesquisa investigou os efeitos da associação entre dois compostos canabinóides – o THC (tetrahidrocanabinol) e o CBD (canabidiol) – nos sintomas motores e não motores da doença. Trata-se do primeiro ensaio clínico duplo-cego, randomizado e controlado por placebo com uma amostra significativa de pacientes e acompanhamento prolongado.

    A pesquisa foi desenvolvida no Laboratório Experimental de Doenças Neurodegenerativas (LEXDON), sob orientação do professor Rui Prediger, e se destaca por adotar um protocolo científico rigoroso. Ao todo, 68 pacientes participaram do estudo ao longo de seis meses. Eles foram divididos em dois grupos: um recebeu a combinação oral de THC e CBD, enquanto o outro utilizou placebo. O objetivo foi avaliar a eficácia e a segurança da combinação no tratamento de sintomas como rigidez muscular, tremores, distúrbios do sono, alterações cognitivas e dor crônica, característicos do Parkinson.

    Metodologia e resultados: inovação científica com potencial terapêutico

    A metodologia aplicada seguiu os padrões científicos internacionais, com randomização por software, controle por placebo e avaliação às cegas, evitando vieses e garantindo a confiabilidade dos resultados. A fórmula utilizada foi padronizada e administrada via oral, fator que diferencia o estudo de outras iniciativas internacionais que, em geral, utilizam extratos inalatórios ou não especificam a dosagem.

    canabinóides pesquisa
    Liderado pela Dra. Ana Ruver, o estudo se diferencia por metodologia rigorosa com análises mais aprofundadas e resultados inéditos. Foto: divulgação

    Os resultados preliminares indicaram melhora mais rápida nos sintomas motores dos pacientes tratados com canabinóides. Mulheres apresentaram respostas mais expressivas em termos de qualidade do sono, flexibilidade e gravidade da doença. Também foram observados níveis mais altos do fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF), o que reforça o potencial neuroprotetor da substância.

    Segundo a pesquisadora, o objetivo foi suprir a escassez de ensaios clínicos controlados e fornecer dados robustos para a comunidade científica. “Queríamos construir uma base sólida de evidências que permita compreender melhor o papel terapêutico dos canabinóides na Doença de Parkinson e contribuir para futuras diretrizes clínicas”, explica Ana Ruver.

    Impacto social e regulamentação

    De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 4 milhões de pessoas convivem com Parkinson no mundo. No Brasil, o número estimado é de 200 mil indivíduos. A condição neurodegenerativa compromete gradualmente os neurônios dopaminérgicos, resultando na diminuição dos níveis de dopamina, neurotransmissor essencial para o controle motor e outras funções cerebrais.

    A pesquisa está alinhada às diretrizes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), especialmente às resoluções RDC 327/2019 e RDC 660, que regulam o uso medicinal da cannabis no Brasil. O estudo também segue as normas internacionais da Conferência Internacional de Harmonização e a Declaração de Helsinki, assegurando a conformidade ética e científica da investigação.

    Segundo Ruver, os achados podem subsidiar futuras regulamentações, incentivar novos estudos e ampliar o acesso da população a tratamentos alternativos. “Se os resultados continuarem positivos, poderemos ter mais respaldo para incluir terapias com canabinóides no SUS, promovendo segurança e eficácia no uso medicinal da cannabis”, destaca.

    Qualidade de vida: o relato de uma paciente

    Entre os 68 participantes, a voluntária A.K. compartilhou os impactos positivos do tratamento. Diagnosticada com Parkinson em janeiro de 2023, ela relatava intensas dores musculares e dificuldade para dormir. “Após o ajuste da medicação, notei uma melhora significativa. A dor e a insônia diminuíram, e a adaptação ao tratamento foi rápida”, afirma. A paciente recomenda que mais estudos sejam conduzidos e acredita que o uso medicinal da cannabis, quando supervisionado, pode beneficiar muitos outros pacientes.

    A UFSC estuda há quase duas décadas os mecanismos da Doença de Parkinson e seus tratamentos. Agora, o Laboratório Experimental de Doenças Neurodegenerativas expande suas investigações para outras condições neurológicas e crônicas, como Alzheimer, Transtorno do Espectro Autista (TEA), Fibromialgia e Esclerose Múltipla (EM).

    A pesquisadora enfatiza que o estudo contribui para desmistificar o uso medicinal da cannabis. “Ainda há muito preconceito, mas quando olhamos para os benefícios documentados e para a segurança do uso clínico, percebemos o potencial que essa terapia pode oferecer”, afirma.

    A expectativa é de que os resultados finais sejam publicados em revistas científicas internacionais e que a pesquisa sirva de referência para novos protocolos de tratamento e regulamentações mais abrangentes no Brasil e no exterior.

    Mercado e tendências

    Dados da empresa de inteligência de mercado Kaya Mind revelam que, em 2023, o SUS gastou cerca de R$ 80 milhões com medicamentos à base de cannabis. No total, cerca de 219 mil brasileiros utilizam esses produtos por meio de importação, farmácias ou associações. A estimativa é que o mercado brasileiro de cannabis medicinal tenha ultrapassado R$ 1 bilhão em 2024. E mais, ele pode movimentar até R$ 26 bilhões até 2027, caso haja regulamentação mais ampla para uso medicinal, industrial e outros fins.

    Esse cenário promissor fortalece a importância de pesquisas como a conduzida pela UFSC, que colocam o Brasil na vanguarda científica sobre o uso de canabinóides no tratamento de doenças neurológicas e inflamatórias crônicas.

    Potencial para agricultura nacional

    O canabidiol (CBD), derivado da cannabis, está transformando não apenas a medicina, mas também a agricultura global. No Brasil, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) anunciou um ambicioso programa de 12 anos para desenvolver variedades de cannabis adaptadas ao clima tropical, visando impulsionar a produção nacional de forma sustentável. O projeto inclui a criação de um banco de sementes e o estudo de técnicas para integrar a planta em sistemas de rotação de culturas, além de explorar seu potencial para fixar carbono no solo.

    A iniciativa, inspirada no sucesso histórico da Embrapa com a soja — que elevou o país ao topo da produção mundial —, já atrai parcerias de empresas nacionais e internacionais interessadas em aplicações farmacêuticas, alimentícias e industriais. Enquanto isso, nos EUA, pesquisas do Departamento de Agricultura (USDA) investigam o uso de resíduos lignocelulósicos do cânhamo (subproduto da extração de CBD) para produzir bioprodutos, como biocombustíveis e materiais de construção, reduzindo o desperdício na cadeia agrícola.

    O cenário regulatório também avança. No Brasil, uma decisão judicial de 2024 permitiu o cultivo de cânhamo (com menos de 0,3% de THC) para fins medicinais. E assim, abrindo caminho para polos regionais de produção. Especialistas, como Kiara Cardoso, da DNA Soluções em Biotecnologia, preveem que a planta poderá abastecer indústrias têxteis, de papel e até de alimentos, seguindo o exemplo de países como China e França.

    Porém, desafios persistem. A Anvisa ainda debate normas para cultivo em larga escala, enquanto o mercado global de CBD — projetado para atingir US$ 46,25 bilhões até 2034 — pressiona por inovações agrícolas que equilibrem demanda e sustentabilidade.

    Aliança histórica posiciona América do Sul como polo de bioeconomia

    Brasil, Uruguai e Argentina uniram forças através da ABICANN, CECAM (Uruguai) e INTA (Argentina) para criar um corredor produtivo-tecnológico sem precedentes. O objetivo, organizado em março é grande. Transformar a região em líder global de Cannabis Medicinal e Cânhamo Industrial até 2026. O setor tem projeção de injetar R$ 190 bilhões/ano na economia brasileira. Além de impactar setores como saúde, agricultura regenerativa e exportações para mais de 100 países.

    Pilares estratégicos da cooperação
    • Harmonização regulatória: alinhamento de legislações entre os países para facilitar exportações e atrair investimentos trilaterais.
    • Transferência de tecnologia: expansão de centros de inovação brasileiros para Argentina e Uruguai, com foco em biotecnologias sustentáveis.
    • Desenvolvimento genético: criação conjunta de variedades adaptadas ao clima sul-americano, envolvendo técnicos do INTA, ABICANN e CECAM.
    • Certificação de sementes: implementação do modelo uruguaio – reconhecido como diferencial global – no Brasil e Argentina.

    Lideranças destacam potencial transformador

    Thiago Ermano, presidente da ABICANN, afirma: “Estamos testemunhando o nascimento de uma bioeconomia integrada, capaz de alavancar políticas públicas e destravar regulamentações engessadas”.

    Reunião da Comitiva Internacional da ABICANN com Sergio Vázquez (ao centro) do Ministério da Agricultura e IRCCA, o órgão que regulamenta a Cannabis no Uruguai

    Ricardo Páez, da CECAM, concorda: “O Uruguai compartilhará expertise em cultivos em larga escala e processamento industrial – áreas onde somos referência regional”.

    Gustavo Astuni, CEO da Litoral Hemp (Uruguai), acrescenta:“Nossa certificação de sementes é um divisor de águas. O desafio agora é replicar esse modelo com apoio tecnológico trinacional”.

    Oportunidades para investidores e produtores
    • Novos mercados: expansão para Europa, América do Norte e Ásia com produtos premium (fibras naturais, óleos medicinais e insumos veterinários).
    • Infraestrutura compartilhada: criação de unidades de processamento e centros logísticos binacionais.
    • Fomento à inovação: atração de Startups Deep Tech para desenvolver soluções em agricultura regenerativa e extração sustentável.

    O movimento surge enquanto Europa e EUA enfrentam limitações produtivas. Com biodiversidade única e capacidade industrial escalável, a Tríplice Aliança pode suprir até 15% da demanda global por cânhamo até 2030, segundo projeções setoriais.

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  • Cientistas brasileiros descobrem canabidiol em erva daninha

    Cientistas brasileiros descobrem canabidiol em erva daninha

    Pesquisadores identificaram o canabidiol (CBD), um composto da canábis, em uma planta brasileira que não é relacionada à cannabis, abrindo novas possibilidades para a produção dessa substância cada vez mais popular.

    O CBD foi encontrado nos frutos e flores da planta Trema micrantha blume, conhecida no Brasil como crindiúva, pau-de-cruz ou pau-de-tucano. Este arbusto é amplamente distribuído pelo território brasileiro e frequentemente considerado uma erva daninha, conforme informou o biólogo molecular Rodrigo Moura Neto, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

    O canabidiol tem sido utilizado por algumas pessoas para tratar condições como epilepsia, dor crônica e ansiedade. Juntamente com o tetrahidrocanabinol (THC), que é a substância psicoativa da canábis, o CBD é um dos principais compostos ativos da planta. No entanto, a eficácia do CBD como tratamento médico ainda está sob investigação.

    Canabidiol sem efeito psicoativo

    A análise química revelou que a Trema contém CBD, mas não THC, o que sugere uma nova fonte abundante de canabidiol que não enfrenta os desafios legais e regulamentares associados à canábis, que ainda é proibida em muitos locais, incluindo o Brasil. “É uma alternativa legal ao uso da cannabis”, afirmou Neto. “Essa planta cresce em todo o Brasil e poderia ser uma fonte mais simples e econômica de canabidiol.”

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    Neto mencionou que o CBD já havia sido encontrado em uma planta relacionada na Tailândia. Ele ainda não publicou seus resultados, mas planeja expandir sua pesquisa para identificar os melhores métodos de extração do CBD da Trema e avaliar sua eficácia em pacientes com condições tratadas atualmente com cannabis medicinal.

    Recentemente, sua equipe recebeu uma bolsa de 500 mil reais (aproximadamente 104 mil dólares) do governo brasileiro para financiar a pesquisa. Ele estima que a pesquisa levará pelo menos cinco anos para ser concluída.

    Um estudo da Vantage Market Research estimou que o mercado global de CBD está próximo de US$ 5 bilhões. E projetou um crescimento para mais de US$ 47 bilhões até 2028. Esse crescimento é impulsionado principalmente pelo uso na saúde e bem-estar.