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  • Primeiro caso de gripe aviária em suínos é registrado nos EUA

    Primeiro caso de gripe aviária em suínos é registrado nos EUA

    O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e as autoridades de Oregon confirmaram os primeiros casos de gripe aviária (H5N1) em suínos no país. Elas identificaram o vírus em uma criação de animais no condado de Crook, onde um dos cinco porcos testou positivo. Esse é o primeiro registro da doença em suínos nos Estados Unidos.

    Testes

    O Departamento de Saúde de Oregon e o USDA realizaram testes nos suínos, embora eles não apresentassem sinais de gripe aviária. Os testes foram motivados pela presença do H5N1 em outras espécies na mesma fazenda. Dois dos cinco porcos testaram negativo, e os demais aguardam resultados. As autoridades sacrificaram os animais infectados para realizar análises mais detalhadas e evitar riscos adicionais.

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    Além disso, o USDA informou que a fazenda opera apenas para consumo próprio, sem comercializar produtos. Ou seja, a descoberta, portanto, não afeta a segurança do abastecimento de carne suína no país. A fazenda está em quarentena para impedir a disseminação do vírus.

    O Laboratório Nacional de Serviços Veterinários (NVSL) do USDA analisou o vírus e concluiu que ele não apresenta mutações que aumentem a transmissibilidade para humanos. Portanto, as autoridades reforçam que o risco ao público permanece baixo.

  • Farelo de mamona pode revolucionar a alimentação de bovinos

    Farelo de mamona pode revolucionar a alimentação de bovinos

    A Embrapa está testando o farelo de mamona destoxificado como alternativa ao farelo de soja na alimentação de bovinos de corte. O estudo, realizado em Bagé, na Embrapa Pecuária Sul, conta com a colaboração da Embrapa Algodão e da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Em resumo, a pesquisa visa avaliar o consumo, digestibilidade e segurança do farelo de mamona na dieta animal. Além disso, um dos objetivos é verificar o potencial de redução da emissão de metano pelos bovinos.

    Farelo de mamona

    A mamona, naturalmente tóxica por causa da ricina, pode ser destoxificada na indústria, tornando-se uma opção viável para a nutrição de ruminantes. Com até 45% de proteína bruta, o farelo de mamona supera o farelo de soja em teor proteico e oferece uma opção mais econômica. Estudos anteriores com pequenos ruminantes já comprovaram a segurança do farelo de mamona destoxificado, enquanto aves, peixes e suínos, que são monogástricos, não podem consumi-lo devido à toxicidade.

    A zootecnista Bruna Machado, doutoranda e responsável pelo estudo, afirma que o farelo de mamona está sendo avaliado para introdução segura no mercado pecuário brasileiro. “Esperamos definir as condições adequadas para o uso seguro do farelo de mamona nas dietas de ruminantes, tanto no campo quanto em confinamento”, explica. Segundo Liv Severino, pesquisador da Embrapa Algodão, este avanço pode representar um marco global, uma vez que grandes produtores como Índia e China ainda não utilizam o farelo de mamona na alimentação animal. Ele acredita que o sucesso nos experimentos pode agregar valor significativo ao produto.

    Metodologia do estudo

    O estudo, intitulado “Uso seguro do farelo de mamona como alimento para ruminantes e para a redução das emissões de metano entérico”, envolve 20 fêmeas Brangus de um ano, divididas em quatro grupos. Elas recebem uma dieta base com 1% de concentrado e 2% de pré-secado de aveia. Portanto, cada grupo testa diferentes níveis de substituição do farelo de soja pelo farelo de mamona destoxificado: 10%, 20% e 30%, além de um grupo controle.

    Os animais são identificados por chips, permitindo o controle individual da alimentação. Bruna explica que cada bovino acessa apenas o cocho correspondente ao seu nível de tratamento, garantindo a precisão dos dados coletados.

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    Redução de metano: pecuária sustentável

    Outro foco do estudo é a redução da produção e emissão de metano entérico. O gás, gerado pela fermentação entérica em ruminantes, contribui significativamente para o aquecimento global. “O Brasil, com um dos maiores rebanhos bovinos do mundo, precisa adotar dietas mais eficientes para cumprir compromissos internacionais de redução de emissões”, enfatiza Bruna.

    A pesquisa também explora o papel da nutrição animal no sequestro de carbono, destacando a importância do manejo adequado das pastagens para uma pecuária mais sustentável.

    Destoxificação: transformando resíduos em nutrição

    O farelo de mamona é um subproduto da extração de óleo da semente, tradicionalmente utilizado como fertilizante orgânico devido à toxicidade da ricina. Essa proteína tóxica inativa ribossomos e causa morte celular. No entanto, a indústria de extração de óleo já desenvolveu métodos eficazes para destoxificar o farelo, tornando-o seguro para ruminantes. Com isso, ele pode substituir o farelo de soja na dieta desses animais, oferecendo alta proteína a um custo menor.

    Ou seja, esses estudos podem abrir novos horizontes para a indústria pecuária e para a sustentabilidade ambiental, com o farelo de mamona emergindo como uma solução promissora para o setor.

     

  • Alfaces da Embrapa desafiam o calor

    Alfaces da Embrapa desafiam o calor

    Uma pesquisa da Embrapa Hortaliças revelou resultados promissores no desenvolvimento de alfaces sob temperaturas mais elevadas. As mudanças climáticas preocupam e os impactos no setor agrícola também. Os pesquisadores simularam um cenário de aumento de 5ºC de temperatura, passando da média de 25ºC para 30ºC, durante 45 dias. Diferentemente de outras nove cultivares testadas no mesmo experimento, a BRS Leila e BRS Mediterrânea se desenvolveram bem nas novas condições.

    O estudo, liderado pelo pesquisador Carlos Pacheco, teve como objetivo antecipar os efeitos das mudanças climáticas no cultivo de alfaces. Foi considerado um cenário de aumento de temperatura de 5°C. “Para isso, trabalhamos dois valores de temperatura do ar, conforme a média histórica observada e projetada em um cenário extremo de mudanças climáticas globais para o Brasil: 25ºC/20ºC e 30ºC/25ºC (dia e noite, respectivamente)”, detalha Pacheco.

    Câmara de crescimento vegetal

    Utilizando a avançada Câmara de Crescimento Vegetal da Embrapa, os pesquisadores puderam simular condições atmosféricas precisas. A temperatura, umidade relativa do ar e concentração de gás carbônico foram observadas, por exemplo. Esta ferramenta permitiu uma análise detalhada do impacto do calor nas plantas de alface.

    O pesquisador lembra que as hortaliças folhosas são mais suscetíveis ao calor. Entre elas, a alface que é a mais consumida do país de acordo com a Associação Brasileira do Comércio de Sementes e Mudas (Abcsem). Ou seja, o alto consumo torna o trabalho ainda mais importante no esforço de adaptação às mudanças no clima.

    Diferenciais das variedades

    O destaque das cultivares BRS Leila e BRS Mediterrânea reside em suas características específicas, desenvolvidas para enfrentar o calor crescente. Fábio Suinaga, responsável pelo desenvolvimento desses materiais, explica que a BRS Leila, por exemplo, possui um ciclo de florescimento mais tardio. Com isso ela resiste, em média, dez dias a mais de calor em comparação às demais alfaces testadas.

    Por sua vez, a BRS Mediterrânea apresenta um ciclo produtivo mais curto, permitindo que ela alcance o ponto de colheita sete dias antes das variedades similares do mercado. “Com um ciclo mais curto, ela está menos exposta ao calor e evita o florescimento prematuro”, destaca Suinaga. Esse florescimento precoce pode resultar em efeitos prejudiciais, como alongamento do caule e redução do número de folhas e da qualidade comercial da alface.

    Os testes realizados com cultivares comerciais sob as mesmas condições de temperatura revelaram uma série de desordens, como pendoamento e queima de bordas, inviabilizando sua comercialização. “O fato de nossas cultivares permanecerem resilientes a 30°C é uma prova da adaptabilidade do nosso material genético a condições adversas”, celebra o pesquisador.

    Próximo passo

    Enquanto o estudo atual focou na tolerância ao calor, os pesquisadores planejam expandir as investigações para abordar outros desafios climáticos. “Neste momento estamos trabalhando a tolerância ao calor, e na segunda etapa devemos focar no estresse hídrico (por excesso ou falta de água), envolvendo a tolerância à salinização, seguida pelo comportamento com relação ao uso de bioinsumos”, afirma Pacheco.