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  • Brasil bate recorde de consumo de vinho

    Brasil bate recorde de consumo de vinho

    O setor vitivinícola brasileiro vive um momento histórico. Enquanto o consumo mundial de vinho recuou 2,7%, o Brasil registrou um crescimento de 41,9% no consumo interno em 2025. Segundo dados da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), os brasileiros consumiram 4,4 milhões de hectolitros, a maior marca já registrada no país.

    Este aquecimento do mercado interno reflete diretamente nos números de produção e faturamento. A área de vinhedos no Brasil cresceu pelo quinto ano consecutivo, atingindo 91 mil hectares. Em termos financeiros, o setor encerrou o ano de 2025 com um faturamento estimado de R$ 21,1 bilhões, o que representa uma alta de 10% em comparação ao ano anterior.

    Estratégia brasileira foca no mercado europeu

    A mudança de comportamento do consumidor brasileiro agora impulsiona a internacionalização das marcas nacionais. O projeto Vin du Brésil exemplifica este movimento ao levar rótulos de alta gama para a Europa. A iniciativa une especialistas como o chef Benoit Mathurin, o jornalista Xavier Vankerrebrouck, o empresário Giovanni Montoneri e o consultor Guilherme França.

    Diferente de estratégias baseadas em volume, o projeto foca no posicionamento premium. A meta estabelecida prevê USD 1 milhão anuais em exportações, com garrafas custando entre 15 e 50 euros no varejo francês. “Na França, o vinho é uma linguagem cultural. Quando apresentamos os vinhos brasileiros, não falamos apenas de qualidade, mas de identidade, origem e emoção”, destaca Vankerrebrouck.

    Identidade e inovação nos terroirs nacionais

    Para conquistar o paladar europeu, a curadoria do projeto selecionou vinhos que destacam a originalidade da enologia brasileira. O portfólio inclui o uso de leveduras indígenas, técnicas de poda invertida e o envelhecimento em barricas de madeiras brasileiras.

    Atualmente, seis vinícolas integram o primeiro lote de exportação:

    • Minas Gerais: Bárbara Eliodora (São Gonçalo do Sapucaí) e Estrada Real (Caldas).
    • Rio Grande do Sul: ArteViva (Bento Gonçalves), La Grande Bellezza (Pinto Bandeira), Manus (Encruzilhada do Sul) e Bebber (Flores da Cunha).

    Futuro da exportação: expansão e reputação

    O projeto planeja ampliar sua presença global rapidamente. Guilherme França, da Intrust Associates, projeta que 15 vinícolas farão parte da plataforma até o final de 2026, aumentando a diversidade de estilos oferecidos ao exterior.

    Imagem gerada por IA/LM Notebook

    Para Giovanni Montoneri, o caráter autoral dos rótulos brasileiros é o que garantirá espaço nas prateleiras europeias, transformando o Brasil em um produtor reconhecido por sua sofisticação e vinhos de identidade. O trabalho atual foca na construção de reputação e na criação de pontes sólidas entre os produtores nacionais e os consumidores globais.

  • Vinícola aposta em enoturismo para conectar produção e consumidor

    Vinícola aposta em enoturismo para conectar produção e consumidor

    A Vinícola Essenza dá início, neste fim de fevereiro, à colheita que vai originar a safra 2026 de seus vinhos. O processo acontece em vinhedos situados entre 1.200 e 1.910 metros de altitude na Serra da Mantiqueira, reconhecidos como os mais altos do mundo. E segue um modelo adotado por poucas produtoras no Brasil: a colheita de verão, que antecipa etapas do calendário vitivinícola tradicional, normalmente concentrado no inverno.

    A decisão de colher fora da época convencional não é uma curiosidade logística. É uma escolha técnica que, segundo o produtor e proprietário Herbert Sales, permite maior controle sobre a maturação das uvas e favorece a preservação das características naturais da fruta. “A colheita de verão exige atenção em todas as fases, porque o clima impõe desafios que só podem ser superados com método e disciplina”, afirma Sales.

    Dois terroirs, um único território

    A produção da Essenza está distribuída em dois terroirs na Serra da Mantiqueira. O primeiro fica no Refúgio Tuiuva, em Maria da Fé (MG), onde estão concentrados o olival e o vinhedo e onde ocorre boa parte do manejo agrícola. O segundo corresponde à sede da vinícola, instalada a 14 quilômetros de Santo Antônio do Pinhal (SP), que além das áreas de cultivo recebe visitantes para experiências que conectam produção e degustação.

    A propriedade ocupa cerca de 51 hectares e cultiva variedades como Alvarinho, Sauvignon Blanc, Shiraz, Merlot, Cabernet Franc, Pinot Noir e Chardonnay. As parreiras têm, em média, cinco anos de idade. Essa fase é considerada estratégica para o equilíbrio entre produtividade e estrutura dos vinhos. “Estamos em um momento em que os vinhedos começam a expressar com mais clareza o perfil que buscamos”, observa Sales.

    A divisão entre os dois terroirs é, para o produtor, uma vantagem técnica deliberada. “Ela permite diversificar microclimas, solos e regimes de insolação ao longo do ano. O terroir não é apenas um fator geográfico. Ele define a identidade do produto e orienta nosso trabalho no campo e na adega”, explica.

    Crescimento de 40% na produção

    Na safra anterior, a Essenza produziu aproximadamente 18 mil litros. Para o ciclo de 2026, a projeção ultrapassa os 25 mil litros. Um crescimento de cerca de 40%, impulsionado pela expansão das áreas produtivas e pela consolidação dos protocolos de manejo. “Esse crescimento reflete planejamento técnico, investimento em campo e amadurecimento da operação”, afirma Sales.

    O avanço ocorre em um contexto de estabilidade do mercado consumidor. Dados da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) e do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) indicam que o consumo per capita de vinho no Brasil permaneceu próximo de 2 litros por habitante em 2025. É abaixo de mercados tradicionais, mas com tendência de recuperação gradual. Para 2026, o setor projeta retomada moderada, sustentada pelo crescimento do enoturismo, pela ampliação da oferta nacional e pelo interesse do consumidor por vinhos de origem identificada.

    Do campo à taça, com rastreabilidade

    O processo produtivo da safra 2026 inclui colheita manual, seleção criteriosa dos cachos e vinificação adaptada a cada variedade. Os tempos de fermentação e maturação são definidos conforme o perfil pretendido para cada rótulo. “Cada vinho nasce de uma decisão técnica, não de improviso”, ressalta o produtor.

    Herbert Sales, proprietário da Vinícola Essenza durante Vindima 2025. Foto: Régis Silva

    Essa abordagem integra o conceito central da vinícola: estabelecer conexão direta entre o ambiente de produção e o perfil dos vinhos entregues ao mercado, com origem controlada e rastreabilidade. “A colheita de verão, o trabalho nos dois terroirs e o respeito às condições naturais da Mantiqueira formam a base do que entregamos em cada garrafa. Nosso compromisso é transformar esse território em identidade, não apenas em volume”, conclui Sales.

    Vindima aberta ao público em março

    A integração entre produção e turismo é parte estrutural da estratégia da Essenza. No dia 1º de março, a vinícola realiza a Vindima Essenza, evento fechado e imersivo em que o público poderá acompanhar etapas da colheita no campo e na adega, com acesso ao processo produtivo e à cultura vitivinícola da região.

    A vinícola integra as Rotas do Vinho de São Paulo, rede que reúne 66 vinícolas em todo o estado, e se destaca pela estrutura que combina visita técnica, menu harmonizado e loja de produtos regionais.

    Os vinhos da Essenza acumulam reconhecimento em concursos de referência. O Shiraz Rosé recebeu Duplo Ouro no Wine of Brasil Awards, além de premiações no International Wine & Spirit Competition e no Decanter World Wine Awards. Já o Alvarinho Mantikir foi premiado no International Wine Challenge, em Londres — um dos concursos de vinhos mais respeitados do mundo.

  • Novos terroirs brasileiros ganham espaço no mercado

    Novos terroirs brasileiros ganham espaço no mercado

    A Wine South America 2025, uma das maiores feiras de negócios do setor vitivinícola da América Latina, acontece de 6 a 8 de maio em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, e promete evidenciar a pluralidade dos terroirs nacionais. O evento reunirá produtores, importadores e profissionais do setor para três dias intensos de networking, rodadas de negócios e degustações. E consolida-se como plataforma estratégica para o mercado de vinhos no Brasil e no exterior.

    Pela primeira vez, vinícolas do Agreste Pernambucano, Cerrado Goiano, Serra da Mantiqueira e Distrito Federal marcam presença na Wine South America, ao lado de tradicionais regiões como Serra Gaúcha, Campanha Gaúcha, Serra Catarinense e Vale do São Francisco. Essa participação inédita reflete a expansão territorial da vitivinicultura brasileira e a autenticidade dos sabores produzidos em diferentes climas e altitudes do país.

    Foto: Divulgação Mello Vinicola

    Entre os destaques está a Mello Vinícola, de Garanhuns (PE), localizada a quase 900 metros de altitude e reconhecida pela produção de vinhos leves e autorais, ideais para o clima do Nordeste. A vinícola boutique apresentará seus rótulos Alvorecê Rosé 2024, Alvorecê Tinto Malbec 2023 e 2024. Além do Sete Laços Reserva, elaborado com estágio em barrica e perfil sofisticado. A marca também aposta em inovação, como o amadurecimento de Pinot Noir em ânforas de cerâmica, uma novidade para a região.

    Brasília e Cerrado mostram força e inovação

    O Distrito Federal terá um estande coletivo viabilizado pela Secretaria de Turismo, reunindo nove vinícolas, a maioria com produção boutique e foco em vinhos autorais. A região se destaca pelo sistema de dupla poda, que transfere a colheita para o inverno, aproveitando a alta amplitude térmica e solos bem drenados do Planalto Central. A Vinícola Brasília, inaugurada em 2024, representa a união de dez produtores locais. E aposta em práticas sustentáveis e vinhos premiados, reforçando o potencial do Cerrado no cenário nacional.

    Serra da Mantiqueira apresenta vinhos de altitude

    A Casa Correa & Medici, de Aiuruoca (MG), localizada a 1.440 metros de altitude na Serra da Mantiqueira, também estreia na Wine South America, trazendo rótulos autorais que expressam o terroir das montanhas mineiras. A vinícola aposta em práticas sustentáveis e na conexão emocional com o consumido.

    Foto: Divulgação Casa Correa & Medici

    Além de valorizar a identidade regional e a sofisticação dos vinhos produzidos sob condições climáticas ideais para a dupla poda.

    Wine South America: vitrine internacional e negócios em expansão

    A 5ª edição da Wine South America reunirá mais de 360 marcas nacionais e internacionais, incluindo rótulos de 20 países. Além disso, promoverá mais de 2.000 rodadas de negócios. Realizada em Bento Gonçalves, capital brasileira da uva e do vinho, a feira é reconhecida por impulsionar o mercado interno, fomentar exportações e proporcionar uma imersão na cultura vitivinícola local.

    Com a participação ampliada de novas regiões produtoras, a Wine South America 2025 reforça a diversidade e o dinamismo do vinho brasileiro. E consolida o evento como referência para profissionais e apreciadores do setor.

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