Tag: Terroir

  • Plataforma quer movimentar R$ 100 milhões em vinícolas e olivais da Serra da Mantiqueira

    Plataforma quer movimentar R$ 100 milhões em vinícolas e olivais da Serra da Mantiqueira

    O FCJ Group está lançando o Únikko Winery Ventures, uma plataforma inédita no Brasil que aplica lógica de investimento, governança e escala a vinícolas, olivais e enoturismo de altitude. A meta inicial é estruturar mais de R$ 100 milhões em investimentos no setor nos próximos dois anos.

    A iniciativa nasceu em São Bento do Sapucaí, na Serra da Mantiqueira paulista. E opera com base no conceito de Venture Scaling, modelo que combina estruturação financeira, governança, tecnologia e aceleração operacional para transformar ativos isolados em projetos escaláveis. Em vez de atuar diretamente na produção agrícola, a plataforma organiza e valoriza vinícolas, olivais e experiências territoriais para prepará-los para acesso a capital, expansão de mercado e internacionalização.

    “O mundo já entendeu o valor do terroir. O que ainda está sendo construído é o valor econômico do território”, afirma Geraldo Santos, fundador e CEO do Únikko Winery Ventures. “O Brasil já produz vinhos e azeites de altitude com qualidade reconhecida. O que faltava era uma estrutura capaz de organizar esse mercado, conectando capital, governança e inteligência para transformar ativos isolados em projetos escaláveis e valorizados.”

    Enoturismo como motor econômico

    Além dos investimentos em produção, o Únikko mira o enoturismo. Em regiões consolidadas como Napa Valley (EUA) e Toscana (Itália), o segmento já funciona como um dos principais propulsores econômicos locais, aquecendo hotelaria, gastronomia, mercado imobiliário e geração de empregos. A proposta é replicar esse ciclo nas regiões de altitude do Brasil, a partir da Serra da Mantiqueira, avançando progressivamente para outros polos produtores.

    O setor tem espaço para crescer: o mercado global de vinhos movimenta mais de US$ 400 bilhões por ano, enquanto o enoturismo já supera US$ 60 bilhões globalmente. No Brasil, o país conta com mais de 1.200 vinícolas, muitas em regiões emergentes de altitude que começam a conquistar reconhecimento internacional.

    A força do ecossistema FCJ

    O projeto conta com a estrutura do FCJ Group, que ao longo dos últimos anos consolidou uma das maiores plataformas de inovação e investimento da América Latina. São mais de 300 startups no portfólio, mais de 1.500 investidores e atuação no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa.

    trio de empresários à frente Únikko Winery Ventures, que nasceu em São Bento do Sapucaí, na Serra da Mantiqueira paulista. Foto: Divulgação

    Para Justino, fundador e CEO do FCJ Group e sócio estratégico da iniciativa, o setor reúne condições ideais para atrair capital qualificado. “Nosso trabalho sempre foi estruturar novos mercados com método, governança e acesso a capital. O setor de vinhos, azeites e experiências de altitude reúne exatamente essas condições: ativos reais, forte identidade territorial e crescente interesse do consumidor premium.”

    Captação regulada e expansão global

    Os projetos selecionados pela plataforma passarão por aceleração e preparação para atração de capital, organizado por meio de plataformas reguladas pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários), já integrantes do Grupo FCJ. A ambição vai além do Brasil. O Únikko planeja levar o modelo para mercados internacionais com características semelhantes. Portanto, posicionando o país como referência global em ativos premium ligados à vitivinicultura e ao enoturismo.

    “Se a primeira fase dos vinhos de altitude no Brasil foi marcada pela evolução técnica e pelo reconhecimento da qualidade, a próxima será definida por capital, governança e escala”, conclui Geraldo Santos. “É exatamente nesse ponto que o Únikko Winery Ventures pretende atuar.”

  • Brasil projeta safra recorde de azeite em 2026 com crescimento de 55%

    Brasil projeta safra recorde de azeite em 2026 com crescimento de 55%

    O setor olivicultor brasileiro entra em 2026 com perspectiva inédita: o Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) projeta crescimento mínimo de 55% na produção nacional de azeite, após dois anos marcados por perdas climáticas e queda de volume, principalmente no Sul do país.

    Na Serra da Mantiqueira, a Vinícola Essenza acompanha esse movimento com números próprios. O produtor Herbert Sales prevê sair de 3 mil litros na última safra para até 4.500 litros em 2026. Uma alta de 50%  no olival da Fazenda Tuiuva, em Maria da Fé (MG), cujas áreas de cultivo atingem até 1.910 metros de altitude e carregam o título de olival mais alto do mundo.

    “O ganho de volume está ligado à maturidade das plantas e à capacidade de leitura do ambiente. A produção de azeite exige decisões em tempo real, e a evolução técnica permite reduzir incertezas ao longo do ciclo”, afirma Sales.

    Velocidade define qualidade

    O processo começa entre o fim de fevereiro e a primeira quinzena de março, dependendo do acúmulo de dias de sol. A colheita dura em média 40 dias, com manejo diário ajustado ao clima e ao estágio de maturação das azeitonas.

    Um dos principais fatores técnicos da operação é o intervalo entre a colheita e o processamento. A extração acontece poucas horas depois de a azeitona sair da planta, medida que evita a degradação da fruta e mantém a acidez abaixo de 0,8%, limite estabelecido para azeites extravirgens.

    “A qualidade do azeite começa no campo, mas se define na velocidade da extração. Trabalhar com baixa acidez depende de controle total do processo, desde a colheita até o lagar”, diz Sales.

    Colheita de azeitonas para produção do azeite Mantikir deve durar 40 dias. Foto: Régis Silva/Divulgação

    O produtor detalha como a relação entre azeitona e azeite muda ao longo do ciclo. Nos primeiros dias, quando a fruta tem menor concentração de óleo, o rendimento fica entre 10% e 12%. Ou seja, 100 quilos de azeitona geram entre 10 e 12 litros de azeite. No meio e no fim da safra, com a maturação avançada, esse índice sobe para 14% a 15%, ampliando tanto o volume produzido quanto a eficiência econômica da extração.

    Terroir de altitude orienta cada decisão

    A combinação de altitude, amplitude térmica, relevo e manejo forma o terroir característico da Mantiqueira, com efeito direto sobre o ritmo de maturação, o teor de óleo e a escolha do ponto de colheita.

    “O terroir aqui pede precisão: colher cedo demais muda rendimento; colher tarde demais muda perfil; a escolha do dia define o azeite”, resume Sales.

    O olival reúne atualmente 3.500 oliveiras em produção, de um total de 6.000 plantas distribuídas em cerca de 51 hectares. Com idade média de cinco anos, as variedades cultivadas incluem Arbequina, Coratina, Grappolo, Koroneiki, Picual e Maria da Fé. Frantoio e Oleana ainda entram em produção.

    O padrão técnico da Essenza rendeu posição de destaque em competições globais. O azeite Mantikir ocupa espaço no Evooleum Top 100 como o melhor do mundo em produção limitada, além de acumular premiações no Terraolivo International Olive Oil Competition (Best of Brazil), no London International Quality Olive Oil Competition e no Concurso Internacional CA Ovibeja, de Portugal, onde recebeu o título de melhor do Hemisfério Sul.

    Produção inserida em roteiro de enoturismo

    Além do azeite, a Vinícola Essenza integra vinho e charcutaria em uma proposta de enoturismo com degustação e visitação. A operação turística funciona em Santo Antônio do Pinhal (SP), conectando a produção no campo ao consumo final.

    O crescimento projetado para 2026 se insere em um mercado ainda dominado por importações. O Brasil figura entre os maiores consumidores globais de azeite, mas não produz volume suficiente para suprir a demanda interna. O que torna a expansão da olivicultura nacional estratégica tanto para produtores quanto para o setor como um todo.

  • Conheça a “Marca de Champagne Mais Admirada” pelo 6º ano consecutivo

    Conheça a “Marca de Champagne Mais Admirada” pelo 6º ano consecutivo

    Pela primeira vez na história do renomado ranking da revista Drinks International, uma maison de Champagne mantém o título de “Marca Mais Admirada” por seis anos consecutivos: a Louis Roederer, fundada em 1776, consolidou seu legado como ícone de excelência e inovação no mundo dos vinhos espumantes. Um júri internacional, formado por mais de 200 especialistas — entre sommeliers, jornalistas e Masters of Wine — anunciou a decisão nesta semana.

    A distinção reconhece não apenas a qualidade dos champanhes da Louis Roederer – como o icônico Cristal –, mas também seu compromisso com a viticultura sustentável. Atualmente, a maison administra 250 hectares de vinhedos em Champagne, dos quais 135 hectares são certificados como orgânicos (selo AB na França). “Preservamos a alma da nossa casa enquanto exploramos novas fronteiras do sabor”, afirmou Frédéric Rouzaud, CEO da Louis Roederer, ao receber o prêmio.

    Segundo Giles Fallowfield, jornalista que supervisiona a premiação, “manter-se no topo por seis anos exige investimento contínuo, inovação e uma obsessão por qualidade. A Louis Roederer redefine o que é excelência em Champagne”.

    Legado de inovação: do século XIX ao cristal

    A história da Louis Roederer é marcada por pioneirismo. Em 1841, a casa foi uma das primeiras a adquirir seus próprios vinhedos nos melhores terroirs de Champagne, incluindo Grands Crus e Premiers Crus da Montagne de Reims e Côte des Blancs. Hoje, sob a liderança do enólogo Jean-Baptiste Lécaillon, a equipe combina tradição com técnicas modernas, como fermentações espontâneas e vinhas biodinâmicas.

    “Criamos vinhos que são emoção pura, fruto de um diálogo constante entre o homem e a terra”, destacou Rouzaud. A linha Collection, multi-vintage, e o Cristal (desenvolvido em 1876 para o tsar Alexandre II da Rússia) são exemplos dessa filosofia.

    Sustentabilidade e Futuro

    Além da certificação orgânica, a Louis Roederer investe em práticas como:

    • Redução do uso de agroquímicos;
    • Preservação da biodiversidade nos vinhedos;
    • Técnicas de vinificação naturais para expressar a pureza do terroir.

    “Não buscamos apenas fazer grandes champanhes, mas fazê-los de forma responsável”, reforçou Lécaillon.

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