Criminosos emboscaram agentes do Ibama neste sábado (15/03) em Manicoré, sul do Amazonas. O grupo de cerca de 30 pessoas atacou cinco fiscais durante operação contra exploração ilegal de madeira na Terra Indígena Tenharim-Marmelos.
Os agentes fiscalizavam ramais clandestinos na área, alvo constante de invasões e desmatamento. Os criminosos agrediram os servidores e dispararam armas de fogo. Os fiscais se esconderam na floresta para se proteger.
Todos os agentes estão bem. Os agressores incendiaram o veículo da equipe.
Os fiscais comunicaram o ataque à Polícia Federal (PF), que registrou a ocorrência. Autoridades já identificaram alguns envolvidos. As investigações prosseguem para prender e punir os responsáveis.
Dados da fiscalização revelam que criminosos escoam madeira ilegal da Terra Indígena Tenharim-Marmelos para Vila Santo Antônio do Matupi, no km 180 da Transamazônica.
A exploração ilegal de madeira devasta a Amazônia. No Amazonas, mais de 60% da madeira explorada mostra sinais de ilegalidade. Criminosos “esquentam” o produto com planos de manejo falsos, especialmente em terras indígenas e unidades de conservação.
O Ibama condena os ataques a fiscais e promete apuração rigorosa. Nesta semana, a Justiça condenou cinco pessoas pela destruição de uma aeronave do Instituto em Manaus, em 2021. Violência contra fiscalização ambiental não fica impune.
O Ibama intensifica ações contra exploração ilegal de recursos na Amazônia. O Instituto atua em parceria com órgãos de segurança pública para proteger a floresta.
Entre os dias 2 e 7 de março, fiscais ambientais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Tocantins realizaram uma operação inédita para combater a criação irregular de gado na Terra Indígena Parque do Araguaia. A ação contou com apoio do Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA) e utilizou helicópteros para acessar áreas de difícil chegada.
As equipes percorreram 36 retiros durante a operação batizada de Ilha do Bananal, que resultou na apreensão de 550 cabeças de gado. A medida atende a uma determinação do Ministério Público para retirar rebanhos criados ilegalmente em áreas protegidas na região.
Transição ecológica sob ameaça
A Ilha do Bananal, localizada entre os rios Araguaia e Javaés, no Tocantins, abriga a maior ilha fluvial do mundo, com cerca de 20 mil km². O território concentra alta diversidade biológica por representar uma importante área de transição entre os biomas Amazônia e Cerrado. Além do Parque Nacional do Araguaia, a região abriga terras indígenas dos povos Javaé e Karajá.
A ocupação irregular para criação de gango provoca danos ambientais significativos. A conversão de vegetação nativa e o manejo inadequado do solo comprometem a biodiversidade local, degradam habitats, afetam os recursos hídricos e aceleram processos como erosão e perda de fertilidade do solo.
Destinação do rebanho
A legislação ambiental determina os próximos passos para o gado apreendido. Os animais poderão abastecer, por meio de doação, instituições públicas ou entidades de interesse social, conforme a regulamentação vigente.
A operação reforça o compromisso do Ibama em proteger áreas legalmente delimitadas, coibir ilícitos ambientais e preservar territórios de relevância ecológica e cultural no país.
Onde havia garimpo, agora há alimento. O silêncio tomou o lugar do barulho das dragas e motores nas margens do rio Mucajaí, em Roraima. Onde antes operavam garimpeiros ilegais, agora brotam roças, viveiros e tanques de criação de peixes. A transformação ocorre dentro da Terra Indígena Yanomami, com a instalação das primeiras unidades demonstrativas de tecnologias agrícolas voltadas à soberania alimentar.
Foto: Divulgação MDS
Em Sikamabiu, comunidade com cerca de 400 indígenas, o governo federal inaugurou, no dia 2, a primeira unidade demonstrativa de produção sustentável, unindo recuperação ambiental e segurança alimentar. O projeto, executado pela Embrapa Roraima, tem apoio do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Funai e Instituto Federal de Roraima (IFRR).
Produção sustentável e capacitação
A unidade modelo conta com aviário de 100 galinhas rústicas, viveiro com capacidade para 2 mil mudas nativas, roças comunitárias de mandioca e hortaliças, tanque de compostagem e sistemas agroflorestais (SAFs) que ajudam a recuperar áreas degradadas pelo garimpo. Também há um tanque escavado de piscicultura de 440 m² e dois antigos açudes convertidos em criadouros, abrigando 4 mil alevinos de tambaqui.
“Onde antes corríamos risco de vida, hoje levamos estrutura e ferramentas para a autonomia alimentar”, afirma Rosemary Vilaça, pesquisadora da Embrapa Roraima e uma das responsáveis pelo projeto. Segundo ela, os testes realizados nos açudes confirmaram a ausência de contaminação por mercúrio, garantindo segurança para a produção.
Expansão e investimentos
O investimento aplicado em Sikamabiu chega a R$ 90 mil, dentro de um Termo de Execução Descentralizada (TED) entre o MDS e a Embrapa Roraima, com valor global de R$ 1,8 milhão. A previsão é implantar outras sete unidades em 2026, atendendo 18 comunidades Yanomami nas regiões de Surucucu, Homoxi, Xitei, Lasasi, Ajarani, Olomai e Uxiu.
Outras 11 comunidades já manifestaram interesse em aderir ao projeto. A Terra Indígena Yanomami, a maior do Brasil, tem 9,6 milhões de hectares e abriga cerca de 31 mil indígenas.
Criação de peixes e autonomia indígena
O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) também atua em Sikamabiu, com a entrega de 10 tanques elevados contendo 4 mil alevinos adicionais, totalizando 8 mil peixes na comunidade. Os tanques, feitos em geomembrana, oferecem maior durabilidade e eficiência para a piscicultura.
Em parceria com o IFRR, 34 indígenas foram capacitados para conduzir o cultivo e repassar o conhecimento à comunidade. “O objetivo é que os Yanomami tenham autonomia na criação e manejo, por isso a formação acontece dentro do território”, explica Fernanda Gomes de Paula, secretária nacional de Aquicultura do MPA.
Segundo ela, o tempo mínimo para a primeira “despesca”, ou seja, a retirada dos peixes prontos para consumo, é de três meses. O programa será replicado em 14 polos Yanomami, com investimento total de R$ 12 milhões previstos pelo MPA.
Uma nova realidade na Terra Yanomami
Somadas, as ações do MDS e MPA devem garantir à comunidade de Sikamabiu produção de até 1 tonelada de proteína animal por ano até o final de 2026. As iniciativas fazem parte do Plano de Ação para o Desenvolvimento Sustentável da Terra Indígena Yanomami. Coordenado pela Funai, a ação tem o propósito de promover o “bem viver” dos povos Yanomami e Ye’kwana.
“O impacto desta ação vai além da produção de alimentos. Representa reconquista e esperança em um território que antes era devastado pelo garimpo”, resume Rosemary Vilaça.