Tag: tecnologia no agronegócio

  • Cooperativas de café e leite buscam superar barreiras tecnológicas

    Cooperativas de café e leite buscam superar barreiras tecnológicas

    Em uma pesquisa da Fundação Dom Cabral, foram identificadas 22 barreiras à transformação digital em cooperativas de café e leite de Minas Gerais. O estudo foi desenvolvido em um mestrado profissional em Administração, a partir de entrevistas com lideranças cooperativistas do estado.

    Embora exista interesse entre os cooperados em digitalizar a gestão, a adoção das ferramentas ainda é dificultada por fatores que vão além da falta de recursos financeiros.

    Entre os principais obstáculos, são apontadas a dificuldade dos pequenos produtores para utilizar tecnologias, a resistência a novas soluções e a baixa conectividade nas áreas rurais. Além disso, limitações para investimentos em sistemas e equipamentos são enfrentadas tanto pelas cooperativas quanto pelos produtores.

    Digitalização avança no agro

    O cenário observado em Minas Gerais acompanha uma transformação que vem sendo registrada em todo o agronegócio brasileiro. Segundo o Cepea e a CNA, o setor respondeu por 25,13% do Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2025.

    Ao mesmo tempo, diferentes níveis de maturidade tecnológica são observados entre as cooperativas. Enquanto algumas ferramentas digitais já são utilizadas na gestão e na produção, problemas de infraestrutura e capacitação ainda são enfrentados por outras organizações.

    Nesse contexto, sete tendências tecnológicas foram identificadas em um levantamento do Sistema OCB/InovaCoop. De acordo com o estudo, essas soluções poderão influenciar a competitividade das cooperativas agropecuárias nos próximos anos.

    Entre as tendências apontadas, a rastreabilidade aparece como uma das principais demandas. Isso ocorre, sobretudo, porque mais informações sobre a origem dos produtos e as etapas da cadeia produtiva passaram a ser exigidas pelos consumidores.

    Campinas concentra inovação

    Enquanto barreiras estruturais e culturais ainda são enfrentadas pelas cooperativas mineiras, a região de Campinas, no interior de São Paulo, foi consolidada como um polo de inovação para o agronegócio.

    Na região, estão instalados o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Essa proximidade entre centros de pesquisa e empresas é apontada como um dos fatores que atraíram startups do setor, conhecidas como agtechs.

    Como consequência, soluções de inteligência artificial, sensores e sistemas de gestão passaram a ser desenvolvidas e testadas próximas às empresas do agronegócio.

    Por outro lado, dificuldades básicas ainda são enfrentadas por muitas cooperativas. Entre elas estão o acesso limitado à internet e a falta de capacitação dos cooperados.

    Assim, permanece um descompasso entre a oferta de tecnologias avançadas e a capacidade de adoção dessas soluções no campo.

    Confiança influencia adoção

    Para Luis Carlos Crema, advogado, contador e empresário, uma posição específica é ocupada pelo produtor dentro da cooperativa. Ele atua, simultaneamente, como dono, fornecedor e cliente da organização.

    Com 33 anos de atuação na prestação de serviços jurídicos e contábeis a cooperativas de todo o Brasil, Crema assumiu recentemente a posição de CEO do ST7 COOP, sistema de gestão voltado ao setor.

    “O produtor vive uma realidade muito particular dentro de uma cooperativa: ele é, ao mesmo tempo, dono, fornecedor e cliente do próprio negócio. Quando a tecnologia chega sem entender essa tripla função, ela acaba sendo vista como algo estranho à rotina dele, difícil de confiar”, afirma Crema.

    Além disso, parte da resistência identificada pela Fundação Dom Cabral é atribuída pelo executivo à forma como a contabilidade cooperativista costuma ser tratada pelos sistemas de tecnologia.

    “Não é a mesma contabilidade de uma empresa comum. Ela precisa ser feita de duas formas, uma convencional, outra cooperativista, levando em conta o que chamamos de ato cooperativo. Quando o sistema não nasce entendendo essa diferença, o produtor sente que está lidando com uma ferramenta que fala outra língua”, explica.

    Inteligência artificial ganha espaço

    A expansão do ecossistema de inovação também é revelada pelos indicadores do setor. No Radar Agtech Brasil 2025, foram registradas 2.075 startups voltadas ao agronegócio em operação no país.

    Em relação ao ano anterior, foi registrado crescimento de 5%. Dessa forma, o levantamento reforça a ampliação do mercado de empresas de tecnologia voltadas ao campo.

    Além disso, pesquisas do setor de tecnologia apontam que ferramentas de inteligência artificial já são utilizadas por cerca de 40% das empresas brasileiras em alguma etapa das operações.

    Nesse cenário, a IA deixou de ser tratada apenas como uma experiência. A tecnologia passou a ser associada à competitividade, embora sua adoção pelas cooperativas ainda seja condicionada à infraestrutura, à qualificação e à segurança no uso dos dados.

    Pesquisa recomenda medidas

    Para que as barreiras sejam reduzidas, o estudo da Fundação Dom Cabral recomenda a adoção de medidas permanentes:

    • criação de programas contínuos de capacitação digital para produtores;

    • ampliação do acesso à internet nas áreas rurais;

    • desenvolvimento de plataformas simples e adaptadas à rotina do campo;

    • estímulo à intercooperação para ampliar a escala e reduzir custos;

    • fortalecimento da governança sobre o uso de dados, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

    Além da infraestrutura, a proteção das informações é considerada essencial. Para Crema, a confiança precisa ser estabelecida antes da adoção de novas funcionalidades.

    “Antes de qualquer funcionalidade, o produtor precisa sentir que a informação dele está protegida e que vai ser usada para ajudá-lo a vender melhor o que produziu. Sem essa confiança, nenhuma tecnologia avança no campo”, diz.

    Sistema reúne 27 módulos

    O ST7 COOP é um sistema de gestão empresarial desenvolvido pela SOLTERRA SOLUÇÕES INTELIGENTES S.A., empresa com sede em Campinas (SP) e escritório em Minas Gerais.

    Segundo a companhia, 27 módulos integrados são reunidos pela plataforma. Entre eles estão:

    • contabilidade cooperativa;

    • automação fiscal;

    • CRM cooperativista;

    • gestão de estoque;

    • logística;

    • comércio exterior;

    • análise de crédito;

    • inteligência artificial.

    A empresa afirma que o sistema foi estruturado com base no ato cooperativo, mecanismo pelo qual é registrada a participação de cada associado nos resultados da cooperativa.

    A plataforma pode ser implantada em servidores próprios ou utilizada em nuvem. Além disso, diferentes bancos de dados são compatíveis com o sistema.

    Por fim, a inteligência artificial nativa, denominada IA-ST7, permite interação por voz, automação de compras e suporte ao planejamento estratégico, conforme informações da SOLTERRA.

  • Diagnóstico molecular se torna aliado contra doenças aviárias

    Diagnóstico molecular se torna aliado contra doenças aviárias

    A gripe aviária ampliou a atenção sobre a importância do diagnóstico precoce na produção animal e reforçou o papel da biologia molecular na vigilância sanitária. Técnicas como a PCR em tempo real permitem identificar agentes infecciosos antes mesmo do surgimento dos primeiros sinais clínicos. Com isso, produtores, profissionais da medicina veterinária e autoridades sanitárias conseguem agir com mais rapidez diante de possíveis ameaças aos plantéis.

    Para Tatiani Janegitz, gerente de Desenvolvimento de Mercado – Agronegócio da Loccus, empresa brasileira especializada em soluções para diagnóstico molecular, a mudança acompanha um cenário em que a sanidade animal passou a exigir monitoramento cada vez mais preciso e contínuo. Segundo ela, os desafios enfrentados pelos aviários estão relacionados à intensificação da produção, à disseminação global de patógenos e também à necessidade de reduzir o uso de antibióticos.

    “Os desafios de sanidade e controle de doenças em aviários estão cada vez mais ligados à intensificação da produção, à disseminação global de patógenos e à necessidade de reduzir o uso de antibióticos”, afirma Tatiani.

    Na avaliação da especialista, a vigilância molecular permite antecipar a identificação de agentes causadores de doenças. Dessa forma, a produção pode responder mais rapidamente diante de um risco sanitário, reduzindo a possibilidade de perdas e fortalecendo as medidas de controle.

    “Com a vigilância molecular, hoje conseguimos identificar a presença do agente causador muito antes da manifestação clínica, permitindo decisões rápidas que reduzem perdas produtivas, minimizam riscos sanitários e fortalecem toda a cadeia do agronegócio”, explica.

    A preocupação ganhou força diante da experiência recente com a influenza aviária de alta patogenicidade, considerada uma das principais ameaças à produção animal global. O cenário reforçou a necessidade de ampliar a vigilância laboratorial e adotar ferramentas capazes de identificar a circulação de agentes infecciosos com maior antecedência.

    Vigilância molecular amplia capacidade de prevenção

    De acordo com Tatiani, o diagnóstico molecular não se limita à identificação inicial de um agente infeccioso. A tecnologia também permite caracterizar geneticamente vírus e bactérias, acompanhar mutações, identificar variantes e compreender as possíveis rotas de disseminação dos patógenos.

    Essas informações ajudam a orientar decisões relacionadas à biossegurança e aos programas sanitários. Na prática, o monitoramento oferece elementos para que produtores e autoridades possam avaliar riscos e definir estratégias de controle de maneira mais rápida e precisa.

    A especialista avalia que a experiência com doenças de grande impacto econômico demonstrou a importância de investir em prevenção antes que um surto esteja instalado. Entre os exemplos estão a própria influenza aviária, a peste suína africana e a febre aftosa.

    Para a avicultura, esse acompanhamento contínuo representa uma ferramenta adicional de proteção dos plantéis. Além disso, a capacidade de identificar riscos com antecedência pode contribuir para reduzir impactos econômicos e preservar a regularidade das operações.

    “Depois de eventos como a influenza aviária, ficou claro que esperar os primeiros sintomas significa agir tarde demais”, destaca Tatiani.

    A afirmação resume uma mudança de estratégia na sanidade animal. Em vez de concentrar as ações apenas na resposta a uma doença já manifestada, a vigilância molecular permite trabalhar com uma lógica de acompanhamento permanente.

    Diagnóstico molecular chega a outras doenças

    A evolução das ferramentas de diagnóstico também ampliou o uso dos exames moleculares para outras enfermidades de importância econômica. Além da influenza aviária, os testes vêm sendo utilizados na detecção de doenças como brucelose, tuberculose bovina, leptospirose, mastite e diarreia neonatal.

    Tatiani explica que a ampliação dessas aplicações acompanha a necessidade de diagnósticos mais rápidos e precisos na medicina veterinária. A identificação antecipada de agentes pode apoiar decisões clínicas e contribuir para um controle sanitário mais eficiente dos rebanhos.

    Esse movimento também ganha relevância diante das exigências dos mercados internacionais. A manutenção de padrões sanitários rigorosos é um fator importante para a competitividade da agropecuária brasileira. Por isso, a capacidade de monitorar doenças e demonstrar controle sanitário contribui para proteger a produção e manter a confiança dos compradores.

    Na visão da especialista, o diagnóstico molecular tende a ocupar um espaço cada vez mais permanente na rotina da produção animal. O objetivo é transformar a vigilância em uma prática contínua, capaz de identificar riscos antes que eles provoquem impactos maiores.

    “Depois de eventos como a influenza aviária, ficou claro que esperar os primeiros sintomas significa agir tarde demais. O diagnóstico molecular passou a ser um investimento permanente em biossegurança, porque monitorar continuamente custa muito menos do que lidar com os prejuízos provocados por um surto sanitário”, afirma Tatiani.

    A adoção dessas ferramentas, portanto, amplia a capacidade de prevenção e resposta da cadeia produtiva. Na avicultura, o diagnóstico precoce se soma às medidas de biossegurança para reduzir riscos e proteger os plantéis.

    Ao mesmo tempo, o uso contínuo da vigilância molecular pode contribuir para preservar a produtividade, reduzir perdas e fortalecer a posição da produção brasileira no mercado internacional. Assim, o diagnóstico deixa de ser apenas uma etapa diante de uma suspeita e passa a integrar uma estratégia permanente de proteção da atividade agropecuária.

  • Congresso Andav reúne dados inéditos da distribuição de insumos

    Congresso Andav reúne dados inéditos da distribuição de insumos

    A 11ª Pesquisa Nacional da Distribuição Andav será apresentada no 15º Congresso Andav. O evento ocorre de 11 a 13 de agosto, no Transamerica Expo Center, em São Paulo. A divulgação do estudo está marcada para o dia 13, às 14h15.

    O levantamento acompanha o mercado brasileiro de distribuição de insumos agropecuários. Além disso, reúne indicadores sobre o desempenho econômico e financeiro das empresas. A pesquisa também analisa crédito, investimentos, estoques, infraestrutura e tendências do setor.

    A Andav desenvolve o estudo em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP). O levantamento reúne informações de pequenas, médias e grandes empresas associadas. Assim, os dados ajudam a mostrar a realidade da distribuição de insumos em diferentes regiões do país.

    Entre os indicadores avaliados estão faturamento, desempenho financeiro e modalidades de crédito. A pesquisa também considera estoques, investimentos e infraestrutura. Além disso, analisa o perfil dos colaboradores, a participação feminina e os planos de expansão das empresas.

    O estudo ainda acompanha os níveis de satisfação dos clientes e as tendências do mercado. Dessa maneira, a pesquisa oferece uma visão ampla sobre os caminhos da distribuição de insumos agropecuários no Brasil.

    Pesquisa mostra evolução do setor

    A edição divulgada no ano passado apresentou dados importantes sobre o desempenho das empresas associadas à Andav. Na ocasião, o levantamento apontou crescimento de 10,6% na receita.

    As empresas alcançaram R$ 167 bilhões em faturamento em 2024. O resultado ocorreu em um cenário de restrições de crédito. Além disso, parte do setor enfrentou processos de recuperação judicial.

    O segmento de insumos respondeu por R$ 104 bilhões desse total. Já a comercialização de grãos movimentou R$ 36 bilhões. Por sua vez, máquinas, serviços e outros negócios representaram R$ 27 bilhões.

    O estudo também identificou avanços na infraestrutura da distribuição. Ao mesmo tempo, aumentaram as perspectivas de expansão das empresas.

    Agora, a nova edição da Pesquisa Nacional da Distribuição Andav deve atualizar esse cenário. Com isso, o levantamento poderá mostrar as mudanças registradas pelo setor desde a última edição.

    Para Roberta Alves, gerente de Atendimento e Educação da Andav, a participação dos associados amplia a representatividade da pesquisa.

    “A participação dos associados da Andav na pesquisa reflete a nossa imensa capilaridade e diversidade. Ao reunirmos a visão e os dados de pequenas, médias e grandes empresas, revelamos a verdadeira dimensão da Distribuição de Insumos Agropecuários. Somos o elo que conecta a indústria de insumos ao produtor rural, garantindo o avanço contínuo de todo o agronegócio.”

    Indicadores ajudam nas decisões

    A Pesquisa Nacional da Distribuição ganhou importância ao longo da última década. Nesse período, o levantamento passou a apoiar o acompanhamento da evolução do setor.

    Os dados também ajudam as empresas a tomar decisões. Além disso, permitem identificar riscos e oportunidades no mercado.

    Por outro lado, os indicadores fortalecem o diálogo com autoridades. Eles ainda ajudam a destacar a importância da distribuição na cadeia do agronegócio.

    A Andav conta com a condução do Cepea/Esalq-USP para realizar o levantamento. A instituição responde pela coleta e pelo tratamento das informações.

    Segundo a Andav, a parceria garante uma base de dados para analisar o mercado. Além disso, fortalece as ações da entidade em defesa do setor.

    Os resultados também contribuem para o diálogo com órgãos reguladores. Dessa forma, a pesquisa amplia a representatividade dos distribuidores nas discussões sobre o setor.

    Para Mateus Elias, gerente de Inteligência de Mercado da Andav, o levantamento apoia decisões estratégicas em um mercado dinâmico.

    “A Pesquisa Nacional da Distribuição Andav é uma ferramenta estratégica para compreender a evolução da Distribuição de Insumos Agropecuários no Brasil. Ao consolidar informações de mercado, desempenho financeiro, estoques e tendências regionais, a pesquisa fortalece e gera indicadores confiáveis para todo o segmento. Atualmente, em um cenário desafiador, os dados contribuem para que distribuidores tomem decisões mais assertivas, identifiquem riscos e oportunidades e aprimorem seu planejamento estratégico, fortalecendo a sustentabilidade e a competitividade do setor”, explica.

    Congresso Andav discute futuro do agro

    A apresentação da pesquisa integra a programação do 15º Congresso Andav. O evento terá como tema “Agroeconomia Brasileira: Reflexões para o Futuro”.

    Ao longo de três dias, lideranças do agronegócio, economistas, executivos, pesquisadores e especialistas participarão dos debates. A programação abordará fatores que influenciam a competitividade do setor.

    Entre os assuntos estão economia, geopolítica e crédito. O evento também terá discussões sobre mercado financeiro, reforma tributária e inteligência de mercado.

    Além disso, a programação inclui temas como bioenergia, inovação e distribuição de insumos. A gestão empresarial também estará entre os assuntos tratados durante o congresso.

    O evento contará com quatro pavilhões e mais de 24 mil metros quadrados de área de exposição. Centenas de empresas, instituições e especialistas participarão da programação.

    Nesse ambiente, o congresso busca promover conhecimento, relacionamento e oportunidades de negócios. A pesquisa, por sua vez, acrescenta dados para a análise do mercado de distribuição de insumos.

    A 11ª Pesquisa Nacional da Distribuição Andav será apresentada no dia 13 de agosto, às 14h15. Portanto, o levantamento será um dos destaques da programação do último dia do evento.

    A expectativa é que os novos indicadores ajudem a compreender o momento atual da distribuição de insumos agropecuários. Além disso, os dados poderão apontar tendências e perspectivas para o setor no Brasil.

    Serviço

    15º Congresso Andav

    Data: 11 a 13 de agosto de 2026
    Horário da plenária: Dias 11 e 12, das 10h às 16h45; dia 13, das 10h às 16h
    Apresentação da 11ª Pesquisa Nacional da Distribuição Andav: 13 de agosto, às 14h15
    Horário da exposição: Dias 11 e 12, das 9h às 21h; dia 13, das 9h às 18h
    Local: Transamerica Expo Center
    Endereço: Avenida Dr. Mário Villas Boas Rodrigues, 387, Santo Amaro, São Paulo (SP) – entrada pelo Pavilhão G
    Outras informações: eventosandav.com.br

  • Tecnologia: como a automação eleva produtividade leiteira em 7,4%

    Tecnologia: como a automação eleva produtividade leiteira em 7,4%

    Um estudo global conduzido pela Lely analisou dados de 13.816 fazendas leiteiras e comprovou o que produtores rurais já suspeitavam: a automação combinada de ordenha e alimentação aumenta significativamente a produtividade. Os números mostram um ganho médio de 7,4% na produção diária de leite por vaca quando comparadas propriedades que automatizam ambos os processos com aquelas que robotizam apenas a ordenha.

    A pesquisa, realizada entre janeiro de 2023 e maio de 2024, avaliou indicadores como volume de produção, frequência de ordenhas e comportamento das vacas em relação aos sistemas automatizados. Os resultados apontam uma correlação direta entre a disponibilidade constante de alimento e o aumento nas visitas voluntárias aos robôs de ordenha.

    O segredo está na rotina

    Segundo Letícia Fernandes, especialista da equipe Farm Management Support da Lely América Latina, a tecnologia não substitui boas práticas — ela as aprimora. “Quando o básico é feito com precisão e constância, o resultado aparece em todos os níveis. A vaca se alimenta melhor, ordenha com mais frequência e o produtor ganha eficiência”, explica.

    O princípio é simples: vacas que têm acesso contínuo ao alimento seguem seu comportamento natural de se alimentar em pequenas porções ao longo do dia. Isso reduz períodos de jejum, melhora a digestão e, consequentemente, estimula a produção leiteira.

    Caso brasileiro comprova eficácia

    Na Cabanha Stefini, localizada em Sertão (RS), os resultados práticos superaram as expectativas. A propriedade mantém 60 vacas holandesas em lactação sob gestão de Diogo Stefini, zootecnista especializado em nutrição bovina.

    “O empurrador automático de comida fez as vacas voltarem mais vezes ao cocho. Em menos de 30 dias, registramos um aumento de 4 litros de leite por animal apenas com essa mudança”, relata o produtor.

    Após implementar também a ordenha robotizada, a fazenda alcançou um incremento total de aproximadamente 20% na produção. Além disso, houve redução significativa na demanda por mão de obra. “Hoje temos mais tempo para cuidar das bezerras e do planejamento estratégico. As vacas estão mais calmas, com menos estresse, o que trouxe estabilidade ao rebanho”, complementa Stefini.

    Tendência global em sustentabilidade

    Para Letícia Fernandes, os dados reforçam uma tendência mundial de integração entre tecnologia, bem-estar animal e rentabilidade econômica. “Eliminar tarefas repetitivas e garantir constância na rotina transforma o sistema em um ambiente produtivo 24 horas por dia, com animais mais saudáveis e ativos”, afirma.

    A especialista ressalta que, embora os números representem médias globais, os resultados podem variar conforme manejo, manutenção dos equipamentos e frequência de uso. “Mesmo com variações, as tendências mostram que a automação se tornou aliada indispensável da eficiência e sustentabilidade na pecuária leiteira moderna”, conclui.

    A pesquisa reforça o posicionamento da tecnologia como ferramenta estratégica para o futuro do agronegócio, combinando produtividade econômica com práticas de bem-estar animal. Uma demanda crescente tanto do mercado quanto de consumidores conscientes.

  • Tecnologias digitais impulsionam crescimento do agronegócio

    Tecnologias digitais impulsionam crescimento do agronegócio

    O avanço das tecnologias digitais está revolucionando o agronegócio brasileiro, tornando a gestão financeira no campo mais eficiente e contribuindo para o aumento da competitividade do setor. Segundo levantamento da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil registrou um superávit de mais de US$ 1 bilhão em março de 2025, impulsionado principalmente pelo crescimento das exportações agropecuárias, que subiram mais de 28% em relação ao mesmo período de 2023.

    A digitalização do agronegócio é apontada como fator decisivo para o desempenho positivo do setor. Sergio Rocha, CEO da Agrotools — maior ecossistema de soluções digitais para o agro — destaca que a tecnologia traz segurança, transparência e previsibilidade financeira ao campo. “O agronegócio é historicamente vulnerável a fatores como mudanças climáticas e volatilidade de preços. A inovação tecnológica permite uma gestão de riscos mais eficiente, com decisões estratégicas baseadas em dados”, afirma Rocha.

    O acesso democratizado à tecnologia também beneficia pequenos e médios produtores, que agora têm à disposição ferramentas antes restritas a grandes corporações. Isso reduz a dependência de intermediários e permite o uso de dados de qualidade para aprimorar o desempenho das propriedades rurais.

    Principais tecnologias utilizadas no campo

    Entre as soluções digitais mais adotadas no agronegócio brasileiro estão:

    • Sensoriamento remoto: utilização de imagens de satélite para avaliação de riscos territoriais e monitoramento ambiental.
    • Ferramentas de inteligência artificial e análise geoespacial: permitem o acompanhamento em tempo real das áreas produtivas, identificando regiões com menor impacto ambiental e maior potencial de produtividade.
    • Plataformas integradas: conectam produtores, instituições financeiras e seguradoras com base em dados auditáveis, facilitando o acesso ao crédito rural e assegurando conformidade com normas regulatórias.

    Essas tecnologias também contribuem para a implementação de práticas ESG (Ambiental, Social e Governança), aumentando a atratividade dos produtores rurais junto a financiadores e investidores.

    Mercado de agricultura digital deve dobrar até 2026

    De acordo com a 360 Research & Reports, o mercado global de agricultura digital deve crescer 183% até 2026, movimentando mais de US$ 8 bilhões. O Brasil já é referência mundial em tecnologia agrícola. Porém tem potencial para ampliar ainda mais sua participação nesse cenário, consolidando-se como líder em inovação e sustentabilidade no campo.

    A tendência é que a adoção de tecnologias digitais continue crescendo nos próximos anos, impulsionando a eficiência operacional, a sustentabilidade e a rentabilidade do agronegócio brasileiro. “O agro é um setor-chave para o Brasil. Ao incorporar novas tecnologias, os produtores não apenas beneficiam suas propriedades, mas também fortalecem a economia nacional e a imagem do país como potência agroambiental”, conclui Sergio Rocha.

    Com a transformação digital, o agronegócio brasileiro está preparado para superar desafios financeiros, garantir competitividade internacional e promover o desenvolvimento sustentável no campo.

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