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  • Solo Saudável impulsiona produtividade e preservação em SC

    Solo Saudável impulsiona produtividade e preservação em SC

    O cuidado com o solo define o sucesso da colheita. Com essa visão, o Governo de Santa Catarina mantém ações para fortalecer a saúde do solo no Estado. A Secretaria da Agricultura e Pecuária entregou 2.326 Kits Solo Saudável em 2025. O projeto integra o Programa Terra Boa. O governo destinou R$ 7,4 milhões ao kit, o que representa 83,4% dos recursos previstos para este ano.

    A iniciativa amplia a cobertura vegetal, melhora o manejo do solo e incentiva práticas agrícolas sustentáveis. Cada kit, de até R$ 3 mil, reúne sementes de plantas de cobertura, corretivos e assistência técnica da Epagri. Os produtores têm dois anos para pagar sem juros. O governo oferece desconto de 30% para pagamento à vista.

    Técnica protege o solo e mantém a produtividade

    A técnica proposta é simples e eficiente. Os agricultores cultivam plantas que protegem e enriquecem o solo. Depois, eles fazem o manejo e criam uma palhada para receber cultivos como milho, soja e feijão. Esse manto reduz erosões, melhora a infiltração da água e preserva a estrutura do solo. A técnica também reduz plantas daninhas e garante sustentabilidade.

    “O Kit Solo Saudável entrega tecnologia, conhecimento e ferramentas para que o agricultor produza mais com menos impacto ambiental. Santa Catarina segue firme no compromisso de valorizar o campo e proteger seus recursos naturais”, afirma o secretário de Agricultura e Pecuária, Carlos Chiodini.

    Produtores relatam ganhos com a técnica

    Foto: divulgação -Secom/GOV SC

    O agricultor Sidnei Rampazo, de Xanxerê, destaca os resultados do kit. Ele cultiva grãos e atua na avicultura e bovinocultura. Rampazo afirma que o kit mudou o desempenho das lavouras. Ele reforça que a produtividade aumentou e que o plantio direto protege o solo mesmo em anos de intempéries. “A palhada controla plantas daninhas e conserva a terra. É a melhor forma de produzir mais e proteger o solo”, relata.

    Acesso ao kit passa pela Epagri

    A Epagri coordena o acesso ao Kit Solo Saudável. A empresa cadastra os produtores, elabora os projetos e emite a Autorização de Retirada. Esse documento garante a retirada dos insumos em cooperativas e empresas credenciadas. Os técnicos avaliam cada propriedade e recomendam sementes de cobertura e manejo adequado para cada região.

     

  • Conhece o curauá? Técnica amplia cultivo na Amazônia

    Conhece o curauá? Técnica amplia cultivo na Amazônia

    A cultura de tecidos tem potencial para expandir e aprimorar a produção de mudas do curauá (Ananas comosus var. erectifolius). Essa bromélia amazônica possui fibras resistentes que podem substituir parcialmente a fibra de vidro em diversas aplicações industriais, como carenagens de celulares, compósitos poliméricos e solventes de óleo diesel. Em geral, a técnica garante segurança, higiene e uniformidade na multiplicação das mudas, atendendo à demanda crescente por fibras naturais no Brasil.

    Pesquisadores da Embrapa Amazônia Ocidental (AM) estudam a cultura do curauá em parceria com instituições governamentais do Amazonas. Ou seja, o objetivo é viabilizar a adoção da fibra em indústrias do Polo Industrial de Manaus (PIM). Nos experimentos, mudas de curauá branco e roxo, produzidas pelo Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA), foram plantadas no campo da Embrapa. O pesquisador Francisco Célio Chaves monitora o cultivo para coletar dados agronômicos e repassar as informações aos agricultores.

    A cultura de tecidos se mostrou vantajosa ao escalonar e otimizar a produção de mudas após o primeiro plantio. Portanto, isso facilita a expansão da cultura e a comercialização das mudas, beneficiando produtores interessados no mercado de fibras naturais.

    Estudos avançam conhecimento sobre o cultivo do curauá

    Os dados fazem parte da tese de doutorado do professor Felipe Padilha, orientado por Chaves, na Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Em resumo, a pesquisa analisou o crescimento e o acúmulo de nutrientes do curauá em casa de vegetação.

    Padilha destaca que o cultivo do curauá no Amazonas ainda é pouco difundido, com poucos estudos sobre adubação e nutrição mineral da espécie. Para o experimento de campo, ele utilizou recomendações de adubação adotadas no Pará. Santarém é o principal produtor da planta, mas há carência de informações agronômicas sobre seu cultivo.

    As mudas foram plantadas em agosto de 2022 e colhidas em fevereiro de 2024. O curauá roxo teve baixo desenvolvimento em solo de latossolo amarelo distrófico, exigindo mais estudos. Em contrapartida, o curauá branco apresentou bom desempenho. Em geral, a pesquisa avaliou aspectos como número de folhas, altura da planta, número de perfilhos, massa fresca de folhas, peso de fibra seca e rendimento da fibra.

    Potencial do curauá como fibra natural

    O curauá é uma planta nativa da Amazônia e possui ampla distribuição geográfica, sendo encontrada no Pará, Acre, Mato Grosso, Goiás e Amazonas. As condições climáticas favoráveis da região tropical contribuem para a ampliação do cultivo.

    A validação agronômica de espécies nativas permite que produtores, instituições de pesquisa e universidades tenham acesso a dados técnicos sobre o cultivo. Portanto, o estudo do crescimento e do acúmulo de nutrientes na planta é essencial para otimizar a produção de fibras e impulsionar o setor.

    Apesar da demanda crescente por fibras naturais, os plantios comerciais ainda são insuficientes. A falta de informações agronômicas é o principal obstáculo para a expansão da cultura no Amazonas. O desenvolvimento vegetativo das plantas depende do ambiente e da absorção de nutrientes. Essas características podem servir de base para pesquisas sobre melhoramento genético e desenvolvimento de cultivares adaptadas à região amazônica.

    Projeto-piloto incentiva produção de fibras

    Em 2024, o governo do Amazonas lançou um projeto-piloto para produção de fibras de curauá na Comunidade Santo Antônio de Caxinauá, distrito de Novo Remanso, em Itacoatiara (a 176 km de Manaus). A iniciativa é coordenada pela Secretaria de Produção Rural (Sepror), Secretaria de Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA) e Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).

    O projeto busca identificar dados técnicos sobre a produção de fibras para aplicação na indústria. Uma das primeiras utilizações será na fabricação de capas de celulares, reduzindo o uso de plástico. Além disso, a iniciativa deve gerar emprego e renda para agricultores da região.

    Produtor aposta no curauá

    Claudimar Mendonça, produtor rural de Novo Remanso, plantou um hectare com 12.500 mudas de curauá no início de 2024. Ele participa do projeto-piloto do governo e acredita no potencial da cultura. “A fibra do curauá pode substituir fibras importantes na indústria têxtil, como juta e malva, e tem durabilidade similar à fibra de vidro”, destaca.

    Mendonça também ressalta a vocação agrícola da região. “Novo Remanso é um polo de fruticultura e tem condições ideais para o cultivo. O curauá e o abacaxi pertencem ao mesmo gênero botânico e têm características de cultivo semelhantes”, explica. Para ele, o curauá pode agregar valor para pequenos produtores e fortalecer a economia local.

     

     

  • Técnica pode reduzir fertilizantes com ajuda de fungos benéficos

    Técnica pode reduzir fertilizantes com ajuda de fungos benéficos

    Pesquisadores descobriram que uma mutação genética pode ajudar o trigo a formar parcerias mais eficientes com fungos benéficos. Ou seja, essa interação permite às plantas extrair nutrientes do solo com maior eficácia, reduzindo a necessidade de fertilizantes sintéticos. A revista Nature já publicou a pesquisa.

    Além disso, o estudo mostrou que a mutação, localizada no gene CNGC15, influencia as oscilações de cálcio nas raízes, que atraem micróbios úteis. Portanto, isso facilita a liberação de nutrientes presos no solo, potencializando a nutrição do trigo e outras culturas que venham a ser modificadas de forma semelhante.

    Redução de fertilizantes beneficia o meio ambiente

    Fertilizantes industriais, ricos em nitrogênio e fosfato, aumentam a produtividade agrícola, mas também geram poluição ambiental. O excesso de nutrientes pode contaminar águas subterrâneas e emitir gases de efeito estufa. A descoberta oferece uma alternativa sustentável ao estimular as plantas a utilizarem nutrientes de maneira mais natural, expandindo sua interação com micróbios do solo.

    “O avanço é inovador e pode revolucionar a agricultura”, avalia Heike Sederoff, bióloga molecular da North Carolina State University. Cheng-Wu Liu, especialista da University of Science and Technology of China, destaca o potencial da mutação para uma produção agrícola mais sustentável.

    Parcerias microbianas ampliadas

    Plantas como ervilhas e feijões já mantêm relações benéficas com bactérias que fixam nitrogênio em suas raízes. Além disso, culturas como o trigo interagem com fungos que fornecem fosfato e outros nutrientes. No entanto, essas parcerias naturais são subutilizadas quando o solo é enriquecido com fertilizantes sintéticos.

    A mutação identificada pelos cientistas aumenta a produção de flavonoides, compostos químicos que atraem micróbios. Em experimentos com trevo-barril (Medicago truncatula), plantas com a mutação apresentaram 10% mais conexões fúngicas e absorveram 20% mais nitrogênio nas folhas.

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    Testes promissores com trigo

    A equipe aplicou a mutação em dois tipos de trigo. Em testes de campo, as plantas mutantes formaram 20% mais conexões com fungos benéficos, mesmo em solos enriquecidos com fertilizantes. As folhas apresentaram 10% mais nitrogênio em relação ao carbono, indicando maior eficiência nutricional.

    Os resultados são promissores para aumentar a produtividade de grãos enquanto reduzem o impacto ambiental. Segundo Giles Oldroyd, geneticista de plantas da Universidade de Cambridge, a mutação pode beneficiar diversas culturas agrícolas. “Essa abordagem tem o potencial de transformar a agricultura global.”

    Sustentabilidade como futuro da produção agrícola

    Com novos testes de campo, a expectativa é que a mutação genética permita colheitas mais nutritivas e economicamente viáveis. Além de oferecer vantagens aos agricultores, a técnica pode reduzir a dependência de fertilizantes químicos, beneficiando o meio ambiente e a saúde humana.