Uma pescaria no Rio Araguaia terminou com um encontro muito diferente do esperado. Em vez de um peixe, um pescador fisgou acidentalmente uma tartaruga de grande porte e precisou trazer o animal até a margem.
O tamanho do quelônio chamou atenção. Nas imagens, a tartaruga aparece sendo segurada antes de voltar para a água.
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O episódio ocorreu na região de Aruanã, em Goiás, um dos destinos de pesca mais conhecidos do Araguaia. Além de grandes peixes, porém, as águas do rio também abrigam diferentes espécies de animais silvestres.
Entre elas está a tartaruga-da-Amazônia (Podocnemis expansa), considerada pelo Ibama o maior quelônio aquático de água doce das Américas. A espécie ocorre na bacia Tocantins-Araguaia e pode alcançar dimensões impressionantes.
Entretanto, apenas as imagens não permitem afirmar com segurança que o animal fisgado pertence a essa espécie.
Tartaruga-da-Amazônia pode chegar a 65 quilos
Quando adulta, principalmente no caso das fêmeas, a tartaruga-da-Amazônia pode se transformar em um verdadeiro gigante dos rios.
Segundo o Programa Quelônios da Amazônia, do Ibama, uma fêmea adulta pode pesar cerca de 65 quilos. Além disso, dados do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) registram exemplares ainda maiores.
A maior fêmea mencionada pelo instituto chegou a 109 centímetros de comprimento e 90 quilos.
Portanto, encontrar uma tartaruga enorme nos rios onde a espécie ocorre não representa necessariamente uma anomalia. O próprio tamanho faz parte das características desses animais.
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Os machos, por outro lado, costumam ser menores que as fêmeas.
Além disso, a tartaruga-da-Amazônia apresenta carapaça achatada e mais larga na região posterior. A coloração varia entre tons de marrom, cinza e verde-oliva.
Gigantes também vivem no Araguaia
Embora o nome remeta diretamente à Amazônia, a distribuição da espécie vai além da calha do Rio Amazonas.
O Ibama informa que a Podocnemis expansa também ocorre na bacia Tocantins-Araguaia, alcançando áreas de Goiás e Mato Grosso.
Por isso, o Rio Araguaia representa um habitat importante para esses animais.
Um estudo realizado na Área de Proteção Ambiental Meandros do Araguaia, entre Goiás e Mato Grosso, por exemplo, analisou fêmeas com peso entre 17 e 38 quilos. Em média, elas apresentaram 65,45 centímetros de comprimento de carapaça.
Além do tamanho, outra característica chama atenção: a longevidade.
Dados reunidos pelo ICMBio indicam que a tartaruga-da-Amazônia pode chegar a aproximadamente 80 anos de vida. Assim, alguns dos grandes indivíduos encontrados nos rios podem ter várias décadas.
Tartarugas colocam mais de 100 ovos

O comportamento reprodutivo da espécie também impressiona.
Durante o período de reprodução, as fêmeas migram para praias arenosas e se concentram em locais conhecidos como tabuleiros. Ali, elas escavam a areia para construir os ninhos.
De acordo com o Ibama, cada fêmea nidifica uma vez durante o período reprodutivo e pode depositar entre 60 e 135 ovos.
Depois disso, os filhotes levam entre 42 e 75 dias para nascer. O tempo varia conforme a região e as condições do rio.
Entretanto, chegar à fase adulta não é simples. Ovos e filhotes enfrentam predadores naturais e também pressões provocadas pela ação humana.
Por esse motivo, praias de reprodução recebem ações de monitoramento e proteção em diferentes regiões brasileiras.
Por que a espécie precisa de proteção?
Durante séculos, populações amazônicas utilizaram tartarugas e seus ovos como fonte de alimento. A exploração intensa, porém, provocou forte redução de algumas populações.
Para enfrentar o problema, o Brasil mantém o Programa Quelônios da Amazônia (PQA), coordenado pelo Ibama. A iniciativa atua desde 1979 na conservação e no manejo de espécies de quelônios.
Atualmente, a tartaruga-da-Amazônia aparece na categoria “menos preocupante” nas avaliações nacional e internacional citadas pelo Ibama.
Ainda assim, o trabalho de conservação continua importante, principalmente nas áreas onde os animais se concentram para colocar seus ovos.
O flagrante no Araguaia, portanto, chama atenção não apenas pelo tamanho do animal. Ele também revela que, sob as águas frequentadas por milhares de pescadores todos os anos, vivem alguns dos maiores quelônios de água doce das Américas.



