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  • Brasil libera R$ 13,3 bi ao agronegócio após tarifaço americano

    Brasil libera R$ 13,3 bi ao agronegócio após tarifaço americano

    O governo federal autorizou a liberação de quase R$ 13,3 bilhões em crédito para financiar programas de desenvolvimento rural, refinanciamento de dívidas e apoio a produtores de cana-de-açúcar. A medida busca amenizar os efeitos das novas tarifas anunciadas pelos EUA sobre produtos brasileiros.

    O crédito foi oficializado em edição extraordinária do Diário Oficial da União e já está em vigor.

    Pacote prioriza investimentos no setor rural

    A maior parte dos recursos vai para projetos que ampliam a produtividade e a competitividade do agronegócio brasileiro. Segundo o decreto, a distribuição será:

    • R$ 9 bilhões para desenvolvimento tecnológico no setor rural
    • R$ 3 bilhões para reequilíbrio financeiro e refinanciamento de dívidas de produtores e tomadores de crédito
    • R$ 270 milhões em subsídios a produtores independentes de cana-de-açúcar do Nordeste
    • R$ 1 bilhão para beneficiários de programas de financiamento estudantil
    • R$ 15 milhões para a contribuição voluntária do Brasil à Corte Interamericana de Direitos Humanos

    Produtores de cana recebem apoio específico

    Além disso, o governo reservou recursos exclusivos para produtores independentes de cana-de-açúcar do Nordeste, que também enfrentam perdas causadas por eventos climáticos extremos nos últimos meses.

    A expectativa é reduzir os efeitos econômicos sobre um dos elos mais importantes da cadeia sucroenergética brasileira.

    Tarifaço

    Na última quarta-feira, o governo do presidente Donald Trump anunciou tarifa de 25% sobre diversos produtos brasileiros.

    Segundo a Casa Branca, a medida responde a práticas comerciais consideradas desfavoráveis aos interesses americanos. A decisão atinge setores estratégicos da economia brasileira e amplia as preocupações com as exportações do agronegócio.

    O ministro interino da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo brasileiro pode anunciar até o início de agosto um novo conjunto de ações para os setores mais afetados pelas recentes medidas comerciais. Entre as alternativas em estudo estão novos mecanismos de crédito, apoio financeiro e iniciativas para preservar a competitividade das empresas brasileiras no mercado internacional.

  • CNI classifica conversa entre Lula e Trump sobre tarifaço como “avanço concreto”

    CNI classifica conversa entre Lula e Trump sobre tarifaço como “avanço concreto”

    A Confederação Nacional das Indústrias (CNI) classificou como “avanço concreto” a videoconferência entre o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizada nesta segunda-feira (6). O encontro virtual reforça o respeito mútuo entre as duas nações, segundo a entidade.

    Ricardo Alban, presidente da CNI, destacou a importância das negociações para o setor industrial. “Para a indústria, é muito relevante esse avanço das tratativas. Desde o início, nós defendemos o diálogo, pautado pelo respeito e pela significância desta parceria bicentenária. Vamos acompanhar e contribuir com o que for possível”, afirmou o dirigente.

    Durante a conversa, Lula solicitou a Trump a revogação das tarifas adicionais sobre produtos brasileiros. A CNI calcula que o governo americano pode isentar US$ 7,8 bilhões em exportações brasileiras caso aceite a demanda.

    Alban enfatizou que o Brasil busca recuperar espaço comercial, não obter vantagens extras. “O que está em jogo não é um ganho extra para o Brasil, mas a recuperação de espaço comercial. A possibilidade de integrar o anexo [Potential Tariff Adjustments for Aligned Partners] significa devolver previsibilidade e competitividade às nossas exportações, corrigindo distorções que afetam diretamente a indústria e o emprego no país”, declarou.

    Anexo americano prevê isenção para 1.908 produtos

    A Ordem Executiva dos EUA nº 14.346, apresentada em 5 de setembro, criou o anexo “Potential Tariff Adjustments for Aligned Partners” (Potencial Ajuste Tarifário para Parceiros Aliados). O documento prevê possíveis isenções tarifárias para 1.908 produtos mediante compromissos em comércio e segurança.

    Foto: Divulgação – Ministério de Portos e Aeroportos / José Fernando Ogura / ANPr

    Segundo análise da CNI, o anexo abrange 18,4% do total que o Brasil exportou ao mercado americano em 2024. Esse percentual se somaria aos 26,2% já isentos de tarifas adicionais. Café, cacau, frutas e produtos metálicos estão entre os itens que podem receber benefícios.

    Balança comercial registra queda de 20,3% nas exportações

    O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgou hoje os dados da balança comercial bilateral referentes a setembro. Os números mostram retração de 20,3% nas exportações brasileiras ao mercado americano, enquanto as importações de produtos dos EUA cresceram 14,3% no período.

    No acumulado de janeiro a setembro, as exportações brasileiras caíram 0,6%, enquanto as importações aumentaram 11,8%. Os Estados Unidos ampliaram o superávit comercial em relação ao Brasil para US$ 5,1 bilhões.

    As sobretaxas impostas às exportações brasileiras geram distorções na corrente de comércio e provocam efeitos adversos para empresas e consumidores de ambos os países. Siderurgia, alumínio, máquinas e equipamentos, madeira, químicos e manufaturados industriais figuram entre os setores mais afetados.

    Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, considera o diálogo presidencial um passo importante para construir soluções que mitiguem esses impactos. “O comércio Brasil–EUA é sustentado por uma ampla rede de empresas, investimentos e interesses mútuos. Esperamos que o diálogo entre os presidentes abra caminho para negociações que devolvam previsibilidade e permitam preservar e expandir o comércio e os investimentos bilaterais”, afirmou.

  • Guerra comercial: embaixada da China elogia café brasileiro

    Guerra comercial: embaixada da China elogia café brasileiro

    Pela terceira vez em uma semana, a Embaixada da China em Brasília publicou mensagens enaltecendo o café brasileiro, reforçando a abertura de novas empresas exportadoras e destacando o crescimento do consumo da bebida no mercado chinês. As publicações ocorrem em um momento em que os produtores brasileiros enfrentam tarifas elevadas nos EUA, aumentando a expectativa por mercados alternativos.

    Na última terça-feira (5), a representação diplomática mencionou em suas redes sociais a chegada de empresas chinesas de entregas rápidas ao Brasil, em uma referência indireta à Meituan, gigante do setor que anunciou um investimento de US$ 1 bilhão no país.

    “E a ponte é de mão dupla: o Brasil também está marcando presença na China, com o queridíssimo café brasileiro. Parcerias, acordos e muita troca comercial!”, destacou a embaixada.

    Novas oportunidades para exportadores brasileiros

    No sábado (2), a China havia anunciado a habilitação de 183 novas empresas brasileiras para exportar café ao mercado asiático. A medida, em vigor desde o fim de julho, terá validade de cinco anos, facilitando a entrada do produto no país.

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    O movimento ocorre em um momento estratégico para o setor, já que os EUA – maior importador do café brasileiro – mantêm uma tarifa de 50% sobre o produto, imposta durante o governo de Donald Trump. Cerca de um terço do café consumido pelos americanos vem do Brasil. E a manutenção da taxa elevou a busca por mercados alternativos, como a China.

    Crescimento do consumo na China

    Com uma classe média em expansão e mudanças nos hábitos de consumo, a China tem se tornado um destino cada vez mais relevante para o café brasileiro. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) indicam que as exportações para o país asiático cresceram 25% nos últimos dois anos.

    Enquanto os EUA mantêm barreiras comerciais, a aproximação com a China pode abrir novas frentes para os produtores nacionais. Portanto, fortalecendo a posição do Brasil como maior exportador global de café.

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