Tag: tarifaço

  • Brasil apresenta defesa do agro em audiência sobre tarifas de Trump nesta segunda

    Brasil apresenta defesa do agro em audiência sobre tarifas de Trump nesta segunda

    O setor produtivo brasileiro finaliza a argumentação que vai levar a Washington nesta segunda-feira (6), véspera da audiência do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) sobre as tarifas comerciais impostas pelo governo Donald Trump com base na seção 301. A estratégia do Brasil aposta no impacto econômico da medida: com matérias-primas brasileiras sobretaxadas, a inflação deve pesar diretamente no bolso do consumidor americano.

    Mais de 70 brasileiros participam do encontro, entre representantes de cadeias produtivas, especialistas em diplomacia e economia, e políticos. O setor produtivo brasileiro terá 11 representantes com direito à fala, contra 12 do lado americano.

    Etanol dos EUA pressiona por tarifas recíprocas

    O agronegócio brasileiro enfrenta resistência de entidades setoriais americanas, especialmente do setor de biocombustíveis. A RFA (Renewable Fuels Association), que representa os produtores de etanol dos Estados Unidos, defende tarifas recíprocas e acusa o Brasil de praticar concorrência desleal.

    Uma pesquisa encomendada pela entidade mostra que os combustíveis renováveis ganharam apoio popular em meio ao debate sobre segurança energética e alta da gasolina. O levantamento indica que 74% dos eleitores registrados apoiam o RFS (programa federal que obriga a mistura de biocombustíveis aos combustíveis fósseis), o maior índice de aprovação em uma década de pesquisas trimestrais da associação. Apenas 12% dos entrevistados rejeitam a política.

    Os dados também revelam que 87% dos entrevistados consideram a independência energética uma prioridade para os EUA, enquanto 80% apontam o etanol como ferramenta relevante para alcançar esse objetivo. A RFA usa justamente esse argumento para sustentar a defesa de tarifas recíprocas.

    A entidade avalia que o etanol produzido internamente reduz a dependência americana de fontes externas de energia, fortalece a economia rural e barateia o preço dos combustíveis. Analistas de mercado, porém, contestam essa leitura e afirmam que os Estados Unidos ainda dependem de importações para suprir a demanda interna.

    Café brasileiro já mudou o blend americano

    Fontes ligadas às negociações apontam receio da indústria americana de perder espaço diante da qualidade e da competitividade dos produtos brasileiros. Alías, o que já acontece no setor de café.

    Aguinaldo Lima, diretor executivo da ABICS (Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel), afirmou à imprensa que os torrefadores americanos já alteraram os blends de café por falta do produto brasileiro no mercado, e que qualquer nova tarifa vai elevar o preço do cafezinho nos Estados Unidos.

    Os EUA perderam o posto de maior comprador de café solúvel brasileiro para a Alemanha no fim do ano passado, já que as tarifas sobre o produto seguiram fixadas em 10%, segundo Lima.

    Rebanho americano na pior baixa em 70 anos

    O setor de carnes também entra na disputa. Mesmo que o Brasil perca a venda direta e sem tarifas aos EUA, frigoríficos brasileiros com plantas instaladas em países vizinhos da América Latina continuarão abastecendo o mercado americano. Isso justamente quando o rebanho bovino dos EUA enfrenta sua pior baixa em 70 anos.

    Analistas brasileiros destacam que o consumidor americano continuará, na prática, consumindo carne com origem brasileira, ainda que de forma indireta, através de hambúrgueres processados fora do Brasil.

    O Itaú BBA reforçou em relatórios recentes que a indefinição comercial, somada à instabilidade geopolítica, torna ainda mais complexo o custeio e o escoamento das safras agrícolas, enquanto o Brasil busca alternativas de mercado para reduzir prejuízos.

    Como funciona a audiência do USTR

    A audiência reúne 14 painéis sobre diferentes temas, além do agro, com início às 10h no horário de Washington. Cada representante setorial tem até cinco minutos para apresentar um sumário executivo em defesa da cadeia produtiva que representa.

    O USTR pode fazer perguntas aos representantes e abrir espaço para réplicas, mas fontes ouvidas indicam que a argumentação deve ser objetiva e concentrada nas consequências econômicas caso as tarifas entrem em vigor. Os setores tiveram até 1º de julho para enviar a argumentação por escrito, que serve de base para as apresentações desta segunda-feira (6).

    Quem representa o agro brasileiro na audiência
    • Andressa Silva — Associação Brasileira da Indústria do Arroz
    • Vinicius Vanzella — Associação dos Fabricantes de Gelatina da América do Sul
    • Marcelo Schunn Junqueira — Sociedade Rural Brasileira
    • Fernanda Carneiro — Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil
    • Marcos Matos — Conselho dos Exportadores de Café do Brasil
    • José Luiz Pimenta Junior — Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel
    • João Marcelo Messas — Associação Brasileira dos Exportadores de Mel
    • Andrea Almeida — União Nacional do Etanol de Milho
    • Welber Barral — União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia e Indústria Brasileira de Árvores
    • Gian Carlo Almeida Marodin — Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente
  • Setor de pescados projeta recuperação após alívio tarifário dos EUA

    Setor de pescados projeta recuperação após alívio tarifário dos EUA

    O setor brasileiro de pescados inicia 2026 com expectativa de recuperação gradual. O segmento reage após um dos períodos mais desafiadores da história recente. Segundo Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca), as tarifas dos Estados Unidos afetaram fortemente o setor em 2025.

    O governo norte-americano impôs sobretaxas de até 50% sobre produtos brasileiros. De acordo com o presidente da entidade, Eduardo Lobo, a medida reduziu a competitividade das exportações. Como resultado, empresas perderam contratos internacionais e diminuíram a produção. Além disso, a piscicultura retraiu e a cadeia produtiva eliminou postos de trabalho.

    Entretanto, o cenário começou a mudar após decisão da Corte dos Estados Unidos. A Justiça suspendeu as tarifas aplicadas ao setor de pescados brasileiro. Mesmo com a taxação de 10%, o Brasil recupera condições de competir. Segundo Lobo, o setor permanece forte, competitivo e otimista. Contudo, a entidade mantém cautela diante de novas medidas tarifárias.

    Crescimento e empregos

    A Abipesca projeta retomada do crescimento ao longo de 2026. A entidade estima recuperar mais de 5 mil empregos na cadeia produtiva. Além disso, o setor deve recompor parte da capacidade produtiva.

    As exportações brasileiras de pescados podem alcançar US$ 600 milhões. O mercado norte-americano seguirá como principal destino dos embarques. A tilápia lidera a pauta exportadora para os Estados Unidos.
    Para a Abipesca, o novo ambiente comercial inaugura ciclo mais positivo.

    No entanto, o setor mantém prudência diante das incertezas globais. Eduardo Lobo destacou o esforço dos ministérios da Agricultura e da Pesca. Segundo ele, a abertura de novos mercados reduziu perdas maiores.
    O presidente reforçou que o objetivo estratégico segue sendo tarifa zero.

     

  • Suprema Corte dos EUA derruba tarifaço de Trump e impacta o agro

    Suprema Corte dos EUA derruba tarifaço de Trump e impacta o agro

    A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que tornou ilegal o tarifaço do governo Donald Trump já repercute no agronegócio brasileiro. Os setores com negócios nos Estados Unidos receberam a notícia de forma positiva e, ao mesmo tempo, cautelosa.

    Os especialistas afirmam que o mercado ainda precisa entender como o governo americano cumprirá a decisão. Por seis votos a três, a Corte decidiu que a legislação não permite ao presidente criar tarifas sem autorização do Congresso. Com isso, os ministros derrubaram as tarifas aplicadas desde abril de 2025.

    Devolução de valores?

    O governo dos Estados Unidos pode ter que devolver parte dos valores arrecadados. As estimativas apontam que o montante supera US$ 175 bilhões. A decisão produz efeitos a partir da data do julgamento e invalida a cobrança desde então. No entanto, o reembolso não ocorre de forma automática.

    As empresas que pagaram as tarifas precisarão ingressar com ações na Justiça americana. Cada pedido de devolução passará por análise individual. Os analistas destacam que apenas quem sofreu prejuízo direto poderá propor ação. Ou seja, somente o importador que pagou a tarifa nos Estados Unidos poderá pedir reembolso ou indenização.

    As empresas brasileiras terão legitimidade se atuarem como importadoras nos Estados Unidos. Além disso, poderão agir se possuírem subsidiárias no país que tenham recolhido as tarifas. O ordenamento jurídico americano não reconhece, em regra, prejuízos indiretos. Assim, perdas de mercado ou redução de vendas não garantem direito automático à indenização.

    Reversão da decisão é difícil

    As decisões da Suprema Corte têm caráter final e efeito vinculante. Por isso, uma reversão pelo governo americano se torna improvável. Mesmo assim, analistas recomendam cautela diante da possível reação do governo Trump.

    Trump anuncia 10% de tarifa

    Após o julgamento, Trump anunciou tarifa global de 10% sobre produtos importados. A nova medida deve valer por 150 dias, segundo o governo. Caso a decisão judicial seja mantida, o comércio global pode passar por rearranjo.

    A queda das tarifas tende a enfraquecer políticas de retaliação comercial. Com isso, produtos americanos podem voltar a competir com os brasileiros em mercados estratégicos. Isso pode ocorrer tanto em novos destinos quanto naqueles onde houve substituição de fornecedores. Ao mesmo tempo, a decisão reduz incertezas no comércio internacional e nas cadeias de suprimentos.

    No caso do Brasil, a interrupção das tarifas amplia a competitividade dos produtos exportados. Ainda assim, a medida não garante aumento imediato das exportações ao mercado americano. Além disso, a Suprema Corte não detalhou como ocorrerá a devolução dos valores pagos. Essa ausência de regras claras pode gerar disputas judiciais prolongadas nos Estados Unidos.

    De modo geral, empresas expostas ao mercado americano já reavaliam suas estratégias.Agora, elas podem revisar políticas de preços sem considerar os custos adicionais das tarifas.

  • Exportações aos EUA caem e para a China avançam

    Exportações aos EUA caem e para a China avançam

    As exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram pelo sexto mês seguido. O movimento ocorre após o tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump. Já as vendas do Brasil para a China mantiveram trajetória de crescimento.

    O Ministério do Desenvolvimento divulgou os dados nesta quinta-feira, em Brasília. Em janeiro, as exportações aos EUA somaram US$ 2,4 bilhões. O valor representa queda de 25,5% na comparação anual. No mesmo mês de 2025, as vendas atingiram US$ 3,22 bilhões.

    As importações de produtos norte-americanos também diminuíram no período. O Brasil comprou US$ 3,07 bilhões dos Estados Unidos. O número indica retração de 10,9% sobre janeiro do ano passado. Com esse desempenho, a balança comercial bilateral registrou déficit. O saldo ficou negativo em US$ 670 milhões para o Brasil.

    A redução nas exportações ocorre desde a aplicação das tarifas extras. O governo norte-americano impôs sobretaxa de 50% a produtos brasileiros em 2025. Depois, as autoridades revisaram parte das alíquotas no fim do ano. Mesmo assim, o impacto permanece sobre o comércio brasileiro. O MDIC calcula que 22% das vendas ainda pagam tarifas adicionais. As taxas atuais variam entre 40% e 50%.

    China mantém resultado positivo

    O comércio com a China seguiu na direção oposta. As exportações brasileiras ao país asiático cresceram 17,4% em janeiro. O total embarcado alcançou US$ 6,47 bilhões no período. Um ano antes, o valor exportado somou US$ 5,51 bilhões. Já as importações brasileiras da China recuaram 4,9%. As compras caíram para US$ 5,75 bilhões. Com isso, o Brasil obteve superávit comercial com os chineses. O saldo positivo chegou a US$ 720 milhões no mês.

    A corrente de comércio com a China apresentou avanço. A soma de exportações e importações atingiu US$ 12,23 bilhões. O resultado indica alta de 5,7% na comparação anual.

    No caso dos Estados Unidos, o cenário foi diferente. O intercâmbio comercial totalizou US$ 5,47 bilhões. O volume caiu 18% frente ao mesmo período anterior.

    Desempenho em outros mercados

    O comércio com a União Europeia também mostrou retração. Ainda assim, o Brasil registrou superávit de US$ 310 milhões. A corrente comercial com o bloco recuou 8,8%. As exportações para os europeus caíram 6,2% em janeiro. As importações do Brasil diminuíram 11,5% no mesmo intervalo.

    Com a Argentina, o fluxo comercial encolheu de forma mais intensa. O comércio bilateral apresentou queda de 19,9% no mês. Mesmo com a retração, o Brasil manteve saldo positivo. O superávit com o país vizinho alcançou US$ 150 milhões. As exportações brasileiras para a Argentina recuaram 24,5%. As importações vindas do mercado argentino caíram 13,6%.

     

  • Tarifa dos EUA freia exportações de café solúvel

    Tarifa dos EUA freia exportações de café solúvel

    O tarifaço dos Estados Unidos interrompeu o ciclo de recordes das exportações brasileiras de café solúvel em 2025. O Brasil exportou 85,082 mil toneladas do produto no ano, segundo a ABICS. Esse volume equivale a 3,688 milhões de sacas de 60 quilos. Em resumo, o resultado representa queda de 10,6% frente a 2024. Apesar disso, a receita cambial cresceu e atingiu nível histórico.

    As exportações geraram US$ 1,099 bilhão, alta de 14,4% em relação ao ano anterior. Segundo a ABICS, a valorização do café sustentou os preços do solúvel.

    Preços compensam menor volume exportado

    A alta das cotações do arábica e do canéfora elevou o valor do café solúvel. Assim, mesmo com menos embarques, o faturamento externo avançou. O diretor da ABICS, Aguinaldo Lima, atribui o ganho à matéria-prima mais cara.

    Tarifa de 50% derruba vendas aos Estados Unidos

    A tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos impactou fortemente os embarques brasileiros. As exportações ao mercado norte-americano caíram 28,2% em 2025. Entre agosto e dezembro, a retração chegou a 40%.

    Segundo Lima, a medida reduziu a competitividade do produto brasileiro. Além disso, importadores buscaram fornecedores com tarifas menores. Como resultado, o Brasil perdeu participação em um mercado estratégico.

    EUA seguem líderes, apesar da queda

    Mesmo com o tarifaço, os Estados Unidos lideraram as importações do café solúvel brasileiro. O país comprou 558.740 sacas em 2025. Na sequência, a Argentina importou 291.919 sacas, com crescimento de 40,2%. A Rússia ocupou o terceiro lugar, com 278.050 sacas, alta de 9,8%. Outros destinos relevantes foram Indonésia, México e Vietnã. A Colômbia ampliou as compras em 178,2%, alcançando 130.029 sacas. Segundo a ABICS, esses países também produzem café solúvel em larga escala. Redirecionamento enfrenta obstáculos comerciais

    A queda nas vendas aos EUA exige redirecionamento das exportações brasileiras. Entretanto, o cenário global impõe desafios ao setor. O Brasil possui poucos acordos comerciais amplos, segundo a ABICS. Além disso, outras tarifas reduzem a competitividade do café solúvel nacional. Lima afirma que redirecionar grandes volumes demanda tempo e investimentos. O processo exige marketing, adaptação regulatória e negociações comerciais.

    Consumo interno bate novo recorde

    Enquanto as exportações recuaram, o mercado interno apresentou forte crescimento. O consumo doméstico atingiu 27,008 mil toneladas em 2025. O volume equivale a 1,170 milhão de sacas. O resultado representa alta de 9,5% frente a 2024. Segundo Lima, o consumidor brasileiro aderiu mais ao café solúvel. A menor inflação do produto também estimulou a demanda interna.

    Reforma Tributária eleva custos do setor

    A Reforma Tributária trará impactos relevantes à indústria de café solúvel. A partir de 2027, o setor perderá o crédito presumido de 7,4%. A medida elevará o custo implícito das exportações durante a transição tributária.

    Segundo a ABICS, a indústria pode perder R$ 430 milhões por ano. O valor representa 7,4% das exportações de 2025. Por saca, o custo adicional equivale a US$ 19,89.

    Perspectivas exigem estratégia para 2026

    O setor enfrenta contraste entre mercado interno forte e comércio externo desafiador. A possível perda do mercado norte-americano exige resposta estratégica. A diversificação de destinos e novos acordos comerciais tornam-se prioritários.

    A União Europeia surge como alternativa promissora no médio prazo. Além disso, o setor busca diálogo para mitigar efeitos da Reforma Tributária. Segundo Lima, investimentos de R$ 2,5 bilhões reforçam a resiliência da indústria.

     

  • Tarifas dos EUA ainda ameaçam milhares de empregos

    Tarifas dos EUA ainda ameaçam milhares de empregos

    Mais de um terço das mercadorias brasileiras continua sob tarifas de 40% impostas pelos Estados Unidos, mesmo após a retirada de taxas sobre café, carne bovina e frutas há um mês. Produtores de mel, pescados, máquinas e calçados enfrentam riscos crescentes aos negócios e alertam para perdas de competitividade no mercado americano.

    O setor de pescados enfrenta um cenário de encolhimento, segundo a Abipesca (Associação Brasileira das Indústrias de Pescado). A entidade estima que o Brasil perdeu cerca de US$ 250 milhões em exportações de pescados aos Estados Unidos em 2025, após perder competitividade para países não tarifados.

    A situação é especialmente crítica para a tilápia. No início de 2025, até 99% da tilápia brasileira tinha como destino os Estados Unidos. Com as tarifas, a PeixeBR (Associação Brasileira da Piscicultura) projeta que esse percentual pode cair praticamente a zero.

    As mercadorias redirecionadas para o mercado interno e outros países encontram preços mais baixos, o que compromete a rentabilidade do setor.

    Calçados e máquinas projetam milhares de demissões

    A Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados) alerta que a permanência das tarifas pode gerar até 8 mil demissões em 2026. O setor já registrou 1.650 demissões em outubro devido à taxação. Nos últimos quatro meses, o volume de exportações de calçados brasileiros aos EUA caiu 23,4%.

    O setor de máquinas também sofre impacto significativo. A Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) destaca que as tarifas geraram demissões em diversas empresas. A participação do Brasil no mercado americano despencou de 27% para 13%.

    A associação adverte que novos mercados não conseguem absorver o volume de vendas e as mesmas condições comerciais dos EUA no curto prazo. A demora no corte de impostos pode gerar substituição permanente dos produtos brasileiros por concorrentes estrangeiros.

    Pequenos produtores de mel enfrentam ameaça ao sustento

    A guerra comercial compromete principalmente pequenos produtores e agricultores familiares, que representam a maioria dos produtores de mel no Brasil. A Abemel (Associação Brasileira dos Exportadores de Mel) ressalta que 53% do mel produzido no país tem como destino os Estados Unidos.

    A entidade pede que o governo solucione a taxação por meio de diplomacia estratégica, alertando para os riscos à cadeia produtiva.

    Café solúvel perde liderança no mercado americano

    A Abics (Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel) aponta “risco de perda permanente de mercado”. Os EUA são o principal destino do café solúvel brasileiro, mas as vendas ao país caíram 52% em volume desde agosto, quando começou a taxação.

    Em outubro, a Rússia assumiu o lugar dos EUA como principal destino do café solúvel brasileiro. No entanto, o mercado russo não absorve a mesma demanda americana.

    Tarifaço teve redução parcial há um mês

    Trump anunciou a retirada de tarifas sobre café, carne bovina, frutas, suco de laranja, cacau e madeira em novembro, após meses de negociações com o governo brasileiro. O tarifaço havia atingido mais de 200 produtos.

    Atualmente, 36,5% dos produtos brasileiros seguem taxados, segundo a Câmara de Comércio Brasil-EUA. Máquinas, calçados, roupas, pescados, mel e café solúvel estão entre os itens que mantêm a sobretaxa de 40%.

    Brasil diversifica mercados e registra crescimento nas exportações

    O total de exportações agrícolas do Brasil cresceu 1,7% entre janeiro e novembro de 2025, segundo a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil). As vendas aos EUA caíram 38% entre agosto e novembro, em comparação ao mesmo período de 2024.

    Carla Beni, economista da FGV, avalia que o impacto negativo das tarifas foi muito menor do que o esperado. A situação obrigou o Brasil a diversificar mercados, o que pode aquecer a economia do país.

    “Quanto mais parceiros comerciais, melhor”, afirma Beni. A maior presença de produtos brasileiros em novos mercados, como a Europa, pode facilitar novos acordos comerciais, como o esperado entre União Europeia e Mercosul.

    Café prevê retomada de vendas em 2026

    O CNC (Conselho Nacional do Café) projeta que a queda de 30% nas exportações aos EUA deve ser retomada no ano que vem. O otimismo se baseia na queda dos impostos e nos baixos estoques no país norte-americano.

    Silas Brasileiro, presidente do CNC, explica que o café não tem validade curta, o que permitiu que produtores estocassem parte das sacas até a solução do problema. Ele destaca que a diversificação de destinos muda para sempre a dinâmica setorial e reduz a dependência futura dos Estados Unidos.

    Setor de carnes mostra resiliência e redireciona vendas

    A Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) já registra retomada de vendas após a queda de tarifas. O setor tinha grande presença em muitos países antes das taxações.

    Para evitar 50% de impostos sobre mercadorias nos EUA, 60 mil toneladas foram rapidamente redirecionadas para mais de 160 destinos, incluindo Ásia, Europa, Chile e Rússia.

    A troca de compradores apertou o lucro, mas o setor mostrou resiliência. “De janeiro a novembro já exportamos 244,5 mil toneladas e US$ 1,4 bilhão para os EUA, superando todo o resultado de 2024”, destaca Roberto Perosa, presidente da Abiec. O setor espera recuperação total do volume de vendas de 2024 durante 2026.

    Tarifas elevam preços nos EUA

    Ulisses Ruiz de Gamboa, professor de Economia do Insper, explica que a taxação de produtos estrangeiros aumentou preços de itens do cotidiano dos americanos, como café, hambúrguer e suco de laranja.

    O professor ressalta que a maioria dos exportadores brasileiros conseguiu encontrar alternativas. O maior impacto no Brasil ficou localizado em setores específicos que tinham exportação dependente dos EUA.

  • Tarifaço custou R$ 10 bi em crédito do BNDES para empresas afetadas

    Tarifaço custou R$ 10 bi em crédito do BNDES para empresas afetadas

    A tensão comercial acirrada com os Estados Unidos, marcada pela imposição de tarifas extras sobre produtos brasileiros, encontrou uma trincheira de resistência no crédito. E os números mostram a escala da batalha: o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já aprovou impressionantes R$ 9,72 bilhões em financiamentos para empresas no front do “tarifaço”. A linha de frente do Plano Brasil Soberano, criado como resposta direta às medidas do governo Trump, já mobilizou 717 operações de crédito.

    A cena é de uma corrida contra o tempo e os impactos econômicos. De um lado, 171 grandes empresas receberam o sinal verde para recursos. Do outro, um contingente significativo de 546 micro, pequenas e médias empresas também conseguiram aprovação, mostrando que o alcance da medida busca proteger desde os grandes players até a base da cadeia produtiva.

    “O Plano foi uma determinação importante diante de um ataque unilateral e ajudou a proteger empregos e a ampliar a resiliência da nossa indústria”, defende o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. Para ele, os quase R$ 10 bilhões aprovados reforçam o papel do banco na execução de uma “política pública exitosa”.

    O mapa do auxílio desenha claro o eixo industrial do país. São Paulo lidera, com R$ 2,96 bilhões aprovados, seguido pelos estados do Sul: Rio Grande do Sul (R$ 1,33 bi), Santa Catarina (R$ 1,26 bi) e Paraná (R$ 1,08 bi). No campo setorial, a indústria de transformação carrega o peso maior do conflito, absorvendo sozinha R$ 7,8 bilhões do total. Comércio e serviços vêm depois, com R$ 1,21 bilhão.

    A guerra não acabou, e a demanda por munição financeira segue alta

    Aqui que a história toma um novo fôlego. Mesmo com o anúncio de um recuo tático dos Estados Unidos em novembro – que retirou carnes, café e algumas frutas da lista de tarifas extras –, a pressão continua firme. “A maior parte da indústria brasileira ainda conta com 40% de sobretaxa adicional”, lembra Nelson Barbosa, diretor do BNDES.

    A prova está nos números. No final de novembro, o governo reabriu as consultas de elegibilidade, ajustando as regras para tornar o crédito mais acessível. O resultado? Uma enxurrada de novos pedidos. Em poucas semanas, 267 novos protocolos surgiram, somando uma demanda adicional de R$ 4,55 bilhões. O apetite por recursos, claramente, não diminuiu.

    A mudança nas regras foi crucial. No início, o crédito focava em empresas com faturamento de exportação para os EUA superior a 5% do total. Agora, esse limite caiu para apenas 1%, e a grande novidade: os fornecedores dessas empresas exportadoras também ganharam o direito de pleitear o apoio. É o BNDES tentando blindar não só quem exporta, mas toda a rede produtiva por trás das mercadorias.

    Enquanto acadêmicos e economistas debatem os rumos da economia em eventos como a Semana de Economia Brasileira – que conta com patrocínio do próprio BNDES –, nas agências de bancos por todo o país, a realidade é mais prática. Empresários buscam informações, preenchem formulários e tentam garantir que suas operações sobrevivam a uma guerra comercial que, pelos dados, está longe de ter um armistício. A linha de crédito virou, pelo menos por ora, o principal escudo disponível.

  • Tarifa zero nos EUA deve impulsionar exportação de café brasileiro

    Tarifa zero nos EUA deve impulsionar exportação de café brasileiro

    Os Estados Unidos retiraram o café da lista de produtos com sobretaxa de 40% no último dia 20. Antes disso, em 14 de novembro, o governo norte-americano já havia eliminado a tarifa de 10% aplicada em abril deste ano. A decisão animou o setor exportador brasileiro, segundo pesquisadores do Cepea.

    Além disso, o mercado aguardava a medida com expectativa devido à lentidão nos embarques da safra atual.Até então, o ritmo mais fraco gerava preocupação com a possível perda de mercado para países concorrentes.

    Agora, com a isenção, o setor projeta maior competitividade do café brasileiro no mercado norte-americano. Porém, a liberação não alcançou todos os produtos do setor. O café em grão ficou isento, mas o café solúvel manteve sobretaxa de 50%. Os Estados Unidos seguem entre os principais destinos do café solúvel brasileiro.Por isso, representantes dos dois países continuam negociando a inclusão do produto na lista de isenções.

    Enquanto isso, os preços do café seguem firmes nos mercados interno e externo. Segundo o Cepea, a baixa oferta e os estoques globais reduzidos sustentam as cotações.Ainda assim, analistas avaliam que a retirada da tarifa fortalece as exportações brasileiras nos próximos meses.

  • Tarifaço ainda afeta 22% das exportações brasileiras

    Tarifaço ainda afeta 22% das exportações brasileiras

    O tarifaço dos Estados Unidos ainda impacta 22% das exportações brasileiras. O presidente em exercício, Geraldo Alckmin, confirmou o dado nesta sexta-feira, no Palácio do Planalto. Ele comentou o avanço obtido após a Casa Branca excluir 238 itens da lista de sobretaxas.

    Alckmin lembrou que o tarifaço atingiu 36% das vendas brasileiras no início das medidas. Ele afirmou que as negociações reduziram gradualmente essa fatia. “Com a retirada dos 238 produtos, reduzimos para 22% a parcela atingida”, disse o ministro.

    Os Estados Unidos revogaram a tarifa extra de 40% para itens majoritariamente agrícolas. A lista inclui café, carne bovina, banana, tomate, açaí, castanha de caju e chá. A medida vale desde 13 de novembro. O governo norte-americano também autorizou o reembolso de produtos exportados após essa data.

    Impacto direto nas vendas externas

    Dados do MDIC mostram o peso das tarifas sobre os US$ 40,4 bilhões exportados aos Estados Unidos em 2024. As informações revelam a seguinte distribuição:
    • US$ 8,9 bilhões seguem com tarifa adicional de 40% ou 10% mais 40%.
    • US$ 6,2 bilhões continuam sujeitos à sobretaxa de 10%.
    • US$ 14,3 bilhões estão livres de tarifas extras.
    • US$ 10,9 bilhões permanecem enquadrados nas tarifas horizontais da Seção 232, aplicadas à siderurgia e ao alumínio.

    A secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, destacou que a fatia isenta cresceu 42% desde o início da crise. Ela avaliou que a indústria continua mais exposta às barreiras. “A indústria enfrenta mais dificuldade para buscar novos mercados do que as commodities”, afirmou. Aeronaves da Embraer seguem com tarifa de 10%.

    Negociações continuam abertas

    Alckmin afirmou que o avanço ocorreu após o encontro entre Donald Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Malásia, em outubro. O Brasil enviou uma proposta de acordo comercial aos Estados Unidos no dia 4 de novembro. O governo não divulgou detalhes do documento.
    O presidente em exercício disse que as discussões incluem temas tarifários e não tarifários. A agenda trata de áreas como terras raras, big techs, energia renovável e o regime tributário para data centers. Ele confirmou que Lula também questionou a aplicação da Lei Magnitsky, que impôs sanções a autoridades brasileiras.
    Alckmin disse que ainda não há reunião prevista entre Lula e Trump. O presidente brasileiro, no entanto, convidou o líder norte-americano para visitar o país.

    Setores industriais continuam mais pressionados

    Mesmo com o alívio para produtos agrícolas, o governo considera que a indústria segue como o principal ponto de atenção. Itens de maior valor agregado e produtos fabricados sob encomenda têm mais dificuldade para buscar novos compradores.
    Alckmin afirmou que o governo continuará a negociar novas exceções. “Estamos otimistas. O trabalho não terminou, mas avança com menos barreiras”, declarou.

     

  • Cecafé se manifesta sobre a retirada do tarifaço

    Cecafé se manifesta sobre a retirada do tarifaço

    Depois do anúncio da Casa Branca sobre a retirada da tarifa de 40% sobre o café brasileiro, o presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Márcio Ferreira, comentou sobre o trabalho realizado pelo setor juntamente com o governo brasileiro até chegar ao resultado divulgado hoje por Donald Trump.

    Alívio pelo fim do tarifaço

    Ferreira afirma que o setor comemora a retirada da tarifa sobre o café verde que vinha numa situação desvantajosa e muito preocupante em relação ao futuro. Além disso, o presidente do Cecafé esclareceu que ontem, numa reunião em Brasília, junto com o vice-presidente Geraldo Alckmin, o setor apresentou o cenário que era desafiador no caso da manutenção da tarifa.

    Cenário com as tarifas

    Vale lembrar que os Estados Unidos representam cerca de  US$ 2,5 bilhões para as exportações de café do Brasil e nos últimos três meses a queda foi de 50%. Na semana passada, a tarifa para os países concorrentes de café em grão foi zerada, com isso a estimativa era perder mais 30% de mercado. Em resumo, redução de 80%.

    Trabalho diplomático

    Setor agradece ao trabalho diplomático do governo brasileiro que focou nas questões comerciais e não políticas.

    Café solúvel

    Agora a expectativa é pela retirada das tarifas do café solúvel que representa 10% das exportações brasileiras. O produto continua tarifado, não apenas para o Brasil, mas também para outros países.