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  • Acordo Mercosul-UE: café brasileiro terá tarifa zero na Europa em até cinco anos

    Acordo Mercosul-UE: café brasileiro terá tarifa zero na Europa em até cinco anos

    A implementação do braço comercial do tratado entre o Mercosul e a União Europeia (UE), iniciada em 1º de maio, marca um momento histórico para o agronegócio brasileiro. Após décadas de negociações, o acordo abre as portas para que o Brasil deixe de ser apenas um exportador de matéria-prima. E passe a ocupar uma fatia maior no mercado de produtos de alto valor agregado, como o café torrado e solúvel. No entanto, o sucesso dessa nova fase depende de uma “arquitetura de conformidade” que comprove a sustentabilidade da produção nacional.

    Atualmente, o café verde (em grão) brasileiro já entra na Europa com tarifa zero. Contudo, os produtos industrializados enfrentam taxas que limitam a competitividade: 7,5% para o café torrado e 9% para o solúvel. Com o novo acordo, essas alíquotas serão eliminadas gradualmente ao longo de quatro a cinco anos.

    A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) estima que essa desoneração permitirá que os cafés industrializados brasileiros adentrem o bloco europeu com tarifa zero após esse período de transição. O impacto esperado é um aumento de 33% nas exportações do setor beneficiado, gerando novos empregos e renda no país. Essa mudança é estratégica para o Brasil. O país detém 40% da produção global de café, mas fica com apenas 2,7% da receita mundial por exportar predominantemente café cru.

    O desafio da Lei Antidesmatamento (EUDR)

    Se por um lado o acordo reduz impostos, por outro, a União Europeia impõe critérios ambientais rigorosos. Isso através do Regulamento para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR). A lei, que deve entrar em vigor para grandes operadores em 30 de dezembro de 2025, proíbe a importação de commodities originadas em áreas desmatadas (legal ou ilegalmente) após 31 de dezembro de 2020.

    Para o café brasileiro, isso significa que cada lote exportado precisará ser acompanhado de coordenadas geográficas e evidências de rastreabilidade integral. Estimativas apontam que até US$ 17,5 bilhões em exportações do agro brasileiro podem ser afetados caso os produtores não consigam atender a essas exigências.

    Tecnologia e monitoramento como aliados

    Para garantir o acesso ao mercado europeu, que representa cerca de 44% das exportações de café do Brasil, o setor e o governo têm investido em tecnologia. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) lançou uma plataforma, em parceria com a UFMG, que utiliza monitoramento por satélite para detectar se as plantações estão em áreas desmatadas.

    Da mesma forma, o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) gerencia uma plataforma socioambiental que abrange exportadores responsáveis por 99% dos embarques para a UE. O objetivo é utilizar as bases de dados públicas oficiais do Brasil para facilitar o processo de devida diligência exigido pelos europeus.

    O acordo também traz o reconhecimento de Indicações Geográficas (IGs) brasileiras, como os cafés do Cerrado Mineiro, Caparaó e Matas de Rondônia. Portanto, conferindo maior proteção e valor às denominações de origem nacionais. Especialistas apontam que, embora o custo de conformidade seja alto, a regulação europeia pode funcionar como um vetor de modernização para a cadeia produtiva. E assim, premiando produtores que investem em geolocalização e boas práticas ambientais.

  • Governo Federal zera imposto de importação de 11 alimentos

    Governo Federal zera imposto de importação de 11 alimentos

    O Comitê Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovou, nesta quinta-feira (13/03), a redução a zero das tarifas do imposto de importação de 11 alimentos. A medida, que entra em vigor amanhã (14/03), visa aumentar a oferta de alimentos e reduzir os preços no mercado interno.

    Os produtos que terão o imposto de importação zerado incluem:

    • Carnes desossadas de bovinos, congeladas (passou de 10,8% a 0%)
    • Café torrado e em grão (passou de 9% a 0%)
    • Milho em grão (passou de 7,2% a 0%)
    • Massas alimentícias (passou de 14,4% a 0%)
    • Bolachas e biscoitos (passou de 16,2% a 0%)
    • Azeite de oliva (passou de 9% a 0%)
    • Óleo de girassol (passou de 9% a 0%)
    • Açúcar (passou de 14,4% a 0%)
    • Preparações e conservas de sardinhas (passou de 32% a 0%, dentro de uma cota de 7,5 mil toneladas).

    Objetivos da medida

    A decisão busca inibir a alta de preços, contribuindo para o cumprimento da meta de inflação (IPCA), e garantir condições dignas de subsistência à população. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva orientou o governo a realizar iniciativas que aumentem a oferta de alimentos e reduzam os preços, especialmente para proteger famílias de baixa renda.

    A redução tarifária pode mitigar desequilíbrios entre oferta e demanda por razões climáticas, geopolíticas ou cambiais. Além disso, a medida visa ampliar a oferta e previsibilidade aos consumidores, aumentar o poder de compra e contribuir para a segurança alimentar.

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