Tag: Tapirus terrestris

  • Flagrante: antas nadam em reservatório de Belo Monte

    Flagrante: antas nadam em reservatório de Belo Monte

    Equipes de monitoramento ambiental flagraram duas antas (Tapirus terrestris), mãe e filhote, nadando no reservatório intermediário da Usina Hidrelétrica Belo Monte, no rio Xingu, Pará. O registro, feito no início de fevereiro, revela o uso ativo do reservatório por uma das espécies mais importantes para o equilíbrio dos ecossistemas florestais amazônicos.

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    Os animais vivem na Área de Preservação Permanente (APP) que cerca a usina. O ambiente protegido mantém a vegetação nativa e garante abrigo, alimento e corredores ecológicos para a fauna local. A presença da anta, considerada um importante indicador ambiental, aponta para a conservação dos habitats no entorno da hidrelétrica.

    Maior mamífero terrestre da América do Sul enfrenta ameaças

    A anta-brasileira pode atingir até 300 quilos e dois metros de altura. O animal possui corpo robusto, focinho alongado em formato de pequena tromba e pelagem escura. A espécie associa-se principalmente a florestas úmidas e áreas próximas a cursos d’água.

    De hábitos solitários, a anta raramente aparece em pares. Quando isso ocorre, geralmente a dupla representa mãe e filhote ou casal reprodutivo. A espécie enfrenta classificação vulnerável à extinção, tem reprodução lenta (a gestação dura entre 12 e 13 meses) e gera, normalmente, apenas um filhote por gestação. O filhote permanece com a mãe até um ano e meio de idade, quando atinge a fase jovem e começa a viver sozinho.

    A caça ilegal, os atropelamentos em rodovias e a perda de habitat causada pelo desmatamento representam os principais riscos à sobrevivência da anta. A redução de suas populações pode provocar impactos diretos nos processos ecológicos, especialmente na regeneração das florestas. O animal exerce papel fundamental na dispersão de sementes por longas distâncias. Como herbívora, a anta consome até 9 kg de alimento por dia, o que exige ambientes com boa condição de preservação.

    Monitoramento registra mais de 800 espécies em 14 anos

    O flagrante das duas antas integra um conjunto amplo de registros obtidos ao longo de 14 anos na região. Câmeras de monitoramento instaladas na área estudada já documentaram mais de 800 espécies da fauna, entre anfíbios, répteis, aves e mamíferos. A lista inclui a onça-pintada, o gato-mourisco, a jaguatirica e o macaco-aranha.

    A Área de Preservação Permanente da Usina Hidrelétrica Belo Monte soma cerca de 26 mil hectares e contribui diretamente para a conservação da biodiversidade. O espaço mantém ambientes naturais contínuos e favorece a circulação das espécies.

    “Esse tipo de registro é fruto de um trabalho contínuo de manutenção da floresta em pé e do monitoramento ambiental. Além de trabalhar com ações de restauração florestal, que proporciona ambientes ideais para a sobrevivência dos animais, ao longo dos anos, temos acompanhado a fauna da região, o que nos permite avaliar a qualidade ambiental das áreas protegidas e contribuir para a conservação da biodiversidade no Xingu”, explica Roberto Silva, Gerente de Meios Físicos e Bióticos da Norte Energia, concessionária da usina.

    O monitoramento da fauna realizado pela empresa integra o licenciamento ambiental de Belo Monte. A iniciativa permite acompanhar a presença e o comportamento dos animais na região do Xingu, contribui para ampliar o conhecimento sobre as espécies e apoia a conservação da biodiversidade amazônica.

  • Perda de hábitat ameaça anta-brasileira na Mata Atlântica

    Perda de hábitat ameaça anta-brasileira na Mata Atlântica

    A fragmentação florestal é um dos principais fatores que reduzem a probabilidade de ocorrência da anta-brasileira (Tapirus terrestris) na Mata Atlântica. A conclusão é de estudo liderado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) que monitoraram 42 paisagens no Estado de São Paulo utilizando armadilhas fotográficas entre 2014 e 2019. Também analisaram mapas de uso e cobertura do solo e imagens de satélite para examinar a estrutura da paisagem, incluindo a cobertura florestal e o tamanho dos fragmentos.

    Os resultados, publicados na Biological Conservation, mostraram que não é apenas a quantidade de floresta que determina a ocorrência da anta. Foi determinante a configuração da paisagem, como o número de fragmentos e a densidade de bordas: quanto mais fragmentada e isolada a floresta, menor a probabilidade de presença da espécie.

    As antas são fundamentais para o equilíbrio dos ecossistemas tropicais. Conhecidas como as jardineiras das florestas, atuam como dispersoras de grandes sementes, contribuindo para a regeneração da vegetação e para a manutenção do estoque de carbono (leia mais em: agencia.fapesp.br/54992). No entanto, a destruição da Mata Atlântica tem limitado a presença da espécie.

    Distribuição

    “Essa espécie está distribuída em vários biomas do Brasil, ocorrendo na Caatinga, Amazônia, Mata Atlântica, Pantanal e Cerrado. Mas o estudo foca nas áreas de interior na Mata Atlântica, onde a vegetação é mais seca. Essas regiões foram desmatadas desde o período colonial, então hoje restam poucos fragmentos”, diz André Regolin, pesquisador do Instituto de Biociências (IB) da Unesp, campus de Rio Claro, e primeiro autor do estudo. “O que mostramos neste estudo é que importa muito o arranjo desses fragmentos. Se estão próximos entre si ou se há um tamanho mínimo adequado, as chances de encontrar a espécie aumentam. À medida que a paisagem se fragmenta, a espécie some.”

    Mauro Galetti, último autor do paper, é um dos coordenadores do Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima (CBioClima) – um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) apoiados pela FAPESP.

    Fragmentação

    Outro ponto importante é que a fragmentação provoca outros efeitos. “O aumento de rodovias cortando áreas naturais eleva o número de atropelamentos. A caça também representa uma ameaça significativa. Quanto mais fragmentada a paisagem, mais fácil é o acesso às áreas e, consequentemente, aumenta a caça”, explica Regolin. “Mesmo quando não há uma divisão completa da floresta, áreas com formatos muito irregulares, cheias de bordas, tornam o interior da mata mais vulnerável.” Seria fundamental, portanto, restaurar e reconectar os fragmentos florestais.

    Uma estratégia de conservação consiste em aproximar os fragmentos e restaurar as áreas degradadas entre eles. As conexões são essenciais por possibilitarem o chamado efeito de resgate, que ocorre quando uma população saudável, com crescimento positivo, pode sustentar outra em declínio.

    Trabalhos como esse são fundamentais para identificar onde é necessário proteger, destacar a importância de conectar as áreas e estimar o risco de extinção das espécies, pois é possível compreender a distribuição das populações, estimar seu tamanho e, a partir dessas informações, analisar o risco de extinção em diferentes regiões.

    Gabriela Andrietta | Agência FAPESP