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  • Brasil pode se tornar exportador de fruta típica do Oriente Médio

    Brasil pode se tornar exportador de fruta típica do Oriente Médio

    O governo da Bahia e os Emirados Árabes Unidos assinaram uma parceria de cooperação técnica para viabilizar um novo cultivo no semiárido baiano: o de tamareiras, palmeira que produz as tâmaras, fruta típica do Oriente Médio. O acordo prevê investimento estimado de US$ 4 milhões ao longo de cinco anos.

    O plano prevê o plantio inicial de cerca de 10 mil mudas de Phoenix dactylifera, espécie cultivada tradicionalmente no norte da África e no sudoeste da Ásia e que já avança na Bahia graças ao clima quente e seco da região. Municípios como Juazeiro, Uauá, Casa Nova e Riachão das Neves devem concentrar a produção, com ciclo médio de três anos até a primeira colheita.

    Os produtores vão importar as mudas diretamente dos Emirados Árabes. Cada palmeira madura pode gerar até 70 kg de tâmaras por ano.

    Quem está por trás do projeto

    A Secretaria da Agricultura da Bahia (Seagri) e a Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab) assinaram o acordo em parceria com a Fundação Zayed, entidade que reúne organizações filantrópicas de sustentabilidade dos Emirados, e com a Al Foah Company, estatal de Abu Dhabi especializada na produção de tâmaras e considerada uma das maiores produtoras globais do setor.

    tamaras em um recipiente
    Foto de Amy Vann na Unsplash

    A cooperação técnica inclui a transferência de tecnologia, treinamento de agricultores e assistência contínua, com base na experiência acumulada pelos Emirados na produção da fruta. O objetivo imediato é estruturar uma cadeia produtiva capaz de abastecer o mercado nacional. E no médio prazo, a Bahia pretende transformar as tâmaras em produto de exportação.

    Clima semiárido favorece a adaptação da espécie

    Estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) mostram que a tamareira se desenvolve melhor em regiões com temperaturas elevadas, baixa umidade relativa do ar, alta incidência solar e irrigação controlada, condições que o oeste e o norte da Bahia reúnem. A palmeira exige bastante água durante o desenvolvimento dos frutos, mas seu sistema radicular profundo permite que ela resista a longos períodos de seca.

    Outras iniciativas semelhantes já avançam pelo Nordeste, com projetos e testes de adaptação também em estados como Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará. Todos com clima quente e seco favorável à cultura.

    Primeiras mudas chegam ao Brasil e passam por quarentena

    Em julho de 2026, o Brasil recebeu as primeiras 100 mudas importadas dos Emirados Árabes, com 12 variedades diferentes da espécie. A Embrapa enviou o material para quarentena no Centro Nacional de Pesquisa de Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen), em Brasília. Uma etapa que pode durar meses e que visa proteger os futuros plantios de pragas e doenças exóticas, seguindo protocolos rigorosos de manejo sanitário.

    Dados do Ministério da Agricultura mostram que as importações brasileiras de tâmaras saltaram de 776 toneladas para mais de 4,3 mil toneladas anuais na última década, alta superior a 450%. Hoje, países árabes como os próprios Emirados, a Tunísia, Israel, a Arábia Saudita e o Egito atendem praticamente toda a demanda nacional. O Egito, aliás, lidera a produção mundial da fruta, com cerca de 1,8 milhão de toneladas por ano.

    A tâmara reúne alta longevidade de cultivo e alto valor agregado, características que despertam o interesse do agronegócio brasileiro em internalizar essa produção.

    Conheça melhor a tamareira e a tâmara

    A tamareira (Phoenix dactylifera) pertence à família Arecaceae e tem origem no norte da África e no Oriente Médio, onde produtores cultivam a espécie há pelo menos 8 mil anos. A planta pode atingir até 20 ou 30 metros de altura na fase adulta e viver por mais de 60 anos, com folhas longas e pinadas de até 5 metros. Trata-se de uma espécie dióica, ou seja, existem plantas macho e fêmea separadas, e a polinização cruzada é necessária para a frutificação.

    Tâmaras na tamareira
    Foto de Alireza Dashtestani na Unsplash

    O fruto, a tâmara, concentra carboidratos na forma de açúcares naturais (glicose, frutose e sacarose). Além de fibras, vitaminas do complexo B e vitamina K, e minerais como potássio, magnésio, cobre e manganês. Compostos antioxidantes presentes na fruta também despertam interesse nutricional. Além do consumo in natura, a indústria utiliza a tâmara na produção de doces, barras energéticas e outros alimentos.

    Se os testes agronômicos confirmarem o bom desempenho das variedades introduzidas, a Bahia poderá inaugurar a primeira cadeia produtiva de tâmaras em escala comercial do Brasil. Um passo que pode reposicionar o país, hoje importador, como futuro fornecedor da fruta árabe também para outros mercados.

  • “Tâmaras bíblicas” voltam à vida em laboratório

    “Tâmaras bíblicas” voltam à vida em laboratório

    Em um feito que parece saído de um filme de ficção científica, pesquisadores israelenses conseguiram trazer de volta à vida tamareiras que desapareceram há séculos. A equipe, liderada pelas doutoras Sarah Sallon e Elaine Solowey, germinou com sucesso sementes arqueológicas encontradas no deserto da Judeia, algumas datando da época de Jesus Cristo.

    O projeto começou em 2005, quando a primeira semente – carinhosamente apelidada de Matusalém – brotou após dois milênios de dormência. Desde então, outras seis sementes foram germinadas, incluindo tamareiras fêmeas capazes de produzir frutos. O processo exigiu paciência e técnica: as sementes foram cuidadosamente hidratadas, tratadas com hormônios especiais e plantadas em condições controladas que imitavam seu ambiente natural.

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    O que torna essa conquista ainda mais extraordinária é que, ao contrário de outros casos de plantas antigas revividas (como as sementes siberianas preservadas no gelo), essas tamareiras sobreviveram graças apenas ao clima árido do deserto. Testes de carbono confirmaram que algumas sementes tinham incríveis 2.400 anos, estabelecendo um novo recorde para a planta mais antiga já regenerada.

    Primeiros frutos

    Em 2020, o projeto atingiu um marco emocionante quando a tamareira Hannah, polinizada por Matusalém, produziu seus primeiros frutos. Os poucos sortudos que provaram as tâmaras descreveram um sabor único, lembrando mel e caramelo – exatamente como os antigos escritos romanos descreviam as famosas tâmaras da Judeia.

    Além do fascínio histórico, a pesquisa tem implicações importantes para o futuro da agricultura. O DNA dessas plantas revela características valiosas, como resistência extrema à seca, que podem ser cruciais em um mundo enfrentando mudanças climáticas. Os cientistas acreditam que estudar essas tamareiras pode levar ao desenvolvimento de cultivos mais resilientes.

    “Estamos não apenas revivendo plantas extintas, mas redescobrindo conhecimentos agrícolas perdidos que podem nos ajudar a enfrentar desafios modernos”, explica a Dra. Solowey. O sucesso do projeto já inspira novas pesquisas com sementes antigas de outras regiões, abrindo possibilidades emocionantes para a arqueologia botânica.

    Enquanto isso, as tamareiras milenares continuam crescendo no deserto de Arava, testemunhas vivas de um passado distante que agora se entrelaça com nosso futuro. Seus frutos não são apenas uma conexão com a história, mas talvez uma peça importante no quebra-cabeça da segurança alimentar global.

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  • Tunísia promove degustação de azeites e tâmaras em São Paulo

    Tunísia promove degustação de azeites e tâmaras em São Paulo

    Em uma estratégia para ampliar sua presença no mercado brasileiro, a Tunísia organiza nesta sexta-feira (16) uma degustação especial de seus produtos premium em São Paulo. O evento, realizado pela Embaixada da Tunísia no Brasil em parceria com a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, tem como objetivo apresentar a qualidade dos azeites e tâmaras tunisianos a importadores e consumidores brasileiros.

    A iniciativa ocorre paralelamente à Apas Show, maior feira de alimentos e bebidas da América Latina, onde empresas tunisianas já estão expondo. A degustação acontecerá às 10h30, no espaço de eventos da Câmara Árabe-Brasileira (Avenida Paulista, 283/287, 11º andar), e será aberta ao público, com inscrições gratuitas via formulário online.

    Oportunidade de negócios entre Brasil e Tunísia

    Entre os destaques do evento estão produtos de nove empresas do país norte-africano, incluindo Agroliva, Bizerta, Bulla Regia, Riviere D’or, STCA Al Jazira, FIT Fadhel International Trading, Golden Export, Cure All & More e Nouri Dates. O embaixador da Tunísia no Brasil, Nabil Lakhal, estará presente e espera que o encontro facilite novos acordos comerciais entre os dois países.

    Embaixada da Tunísia e Câmara Árabe-Brasileira fazem degustação para importadores convidados

    “Esta é uma chance para os importadores brasileiros conhecerem de perto a excelência dos azeites e tâmaras tunisianas. Que são reconhecidos mundialmente por sua qualidade”, afirma Lakhal.

    Azeite tunisiano ganha vantagem com redução de impostos

    O diretor de novos negócios da Câmara Árabe-Brasileira, Estevão Carvalho, destaca que a isenção do imposto de importação para o azeite, anunciada pelo governo brasileiro em março, deve impulsionar as vendas dos produtos tunisianos no país.

    “Com a redução de taxas, os azeites da Tunísia se tornam ainda mais competitivos no mercado brasileiro. Muitas dessas empresas já participam da Apas Show pela segunda ou terceira vez, o que mostra que estão encontrando oportunidades reais aqui”, explica Carvalho.

    Por que os produtos tunisianos se destacam?

    A Tunísia é um dos maiores produtores de azeite do mundo, conhecido por seu sabor intenso e qualidade superior. As pessoas apreciam as tâmaras tunisianas por sua doçura natural e versatilidade na culinária.

    O evento em São Paulo não só reforça a presença desses produtos no Brasil. Mas também fortalece os laços comerciais entre os dois países, abrindo portas para futuras parcerias.

    Serviço:

    📅 Data: Sexta-feira, 16 de maio

    ⏰ Horário: 10h30

    📍 Local: Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (Av. Paulista, 283/287, 11º andar – São Paulo)

    🎟️ Inscrições: Gratuitas, via formulário online

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