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  • Cientistas descobrem “impressão digital” da tainha brasileira

    Cientistas descobrem “impressão digital” da tainha brasileira

    Uma pesquisa inédita conduzida por cientistas da Embrapa identificou uma espécie de “impressão digital química” da tainha brasileira (Mugil liza), capaz de apontar a origem geográfica do peixe a partir de pequenas moléculas presentes em seu músculo.

    A descoberta representa um avanço para a rastreabilidade, a autenticidade e a valorização de produtos pesqueiros no país.

    Aparelho de RMN (Foto: Pedro Coppi/Embrapa)

    Técnica funciona como um raio-X 

    Para conseguir esses resultados, a equipe utilizou a espectroscopia por Ressonância Magnética Nuclear de Hidrogênio (RMN de ¹H), que mapeia a posição dos átomos de hidrogênio nas moléculas, em conjunto com a metabolômica, ciência que estuda os metabólitos, pequenas moléculas produzidas pelo organismo durante as reações químicas cotidianas.

    Essa combinação permitiu aos pesquisadores diferenciar tainhas capturadas em três localidades brasileiras e detectar variações na composição do músculo ligadas ao ambiente, à salinidade, ao comportamento fisiológico e à alimentação dos peixes.

    Para Fabíola Fogaça, pesquisadora, o estudo representa um avanço para a ciência de alimentos e para a cadeia produtiva do pescado no país.

    “O grande diferencial desse estudo é demonstrar que é possível identificar a origem geográfica da tainha por meio de um perfil metabólico altamente específico, que atua como uma assinatura química do pescado. É uma ferramenta inovadora para autenticação, rastreabilidade e agregação de valor”, afirma.

    Rigor científico sustenta resultados

    Os cientistas envolvidos no trabalho coletaram amostras em diferentes estações do ano na Lagoa de Araruama (RJ), na Baía de Sepetiba (RJ) e no litoral de Santa Catarina.

    Além disso, um equipamento de Ressonância Magnética Nuclear de alta resolução mapeou a estrutura molecular das substâncias presentes no músculo do peixe com precisão elevada.

    Pesquisador Luiz Alberto Colnago durante experimentos (Foto: Pedro Coppi/Embrapa)

    Colnago, especialista em ressonância magnética nuclear na Embrapa Instrumentação, explica que a técnica identificou compostos químicos relacionados à alimentação, ao metabolismo e às condições ambientais às quais cada peixe esteve exposto ao longo da vida.

    “Diferentemente de métodos convencionais, que muitas vezes não fornecem informações detalhadas sobre as alterações bioquímicas do pescado, a RMN oferece uma análise rápida, abrangente e não destrutiva da amostra. O resultado é um perfil metabólico detalhado que funciona como um ‘código de barras químico’, capaz de diferenciar peixes de regiões distintas.”

    A equipe identificou 23 compostos químicos naturais no músculo das tainhas, entre eles lactato, creatina, taurina e aminoácidos relevantes para o metabolismo. Esses marcadores revelam informações sobre gasto de energia, atividade muscular, alimentação e adaptação ao ambiente.

    O tamanho do peixe e a sazonalidade tiveram pouca influência sobre o perfil metabólico geral, o que reforça a confiabilidade dos metabólitos como indicadores de origem.

    Lagoa de Araruama imprime assinatura química única

    As condições extremas da Lagoa de Araruama, a maior lagoa hipersalina permanente do mundo, com salinidade média de 52%, influenciam diretamente o metabolismo das tainhas.

    Essa cenário ambiental provoca adaptações fisiológicas específicas, refletidas no perfil químico detectado pela ressonância.

    Portanto, o estudo mostra que a hipersalinidade altera os mecanismos de osmorregulação, o metabolismo energético e o uso de aminoácidos pelos peixes.

    Lagoa de Araruana (Foto: Delano Campello/Wikimedia Commons)

    “O ambiente deixa marcas bioquímicas detectáveis nos peixes. A Lagoa de Araruama produz uma assinatura metabólica muito característica, associada à salinidade extrema e às adaptações fisiológicas da espécie”, destaca Fogaça.

    Descoberta pode combater fraudes

    Além do avanço científico, a pesquisa tem aplicação prática direta para o setor pesqueiro e para políticas de certificação de origem. Segundo os autores, a tecnologia pode ajudar a combater fraudes comerciais, a substituição de espécies e a falsificação de procedência no mercado de pescados.

    O estudo também vai servir de base técnica para o pedido de Indicação Geográfica (IG), na modalidade Denominação de Origem, da tainha da Lagoa de Araruama junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

    Colnago, que atua há mais de 30 anos com ressonância magnética nuclear, avalia que o uso da técnica na rastreabilidade de peixes pode impactar diretamente o combate à adulteração geográfica e à comercialização irregular de espécies.

    “A identificação precisa da procedência ajuda a proteger consumidores, fortalecer sistemas de fiscalização e valorizar produtos regionais”, enfatiza o pesquisador.

    O estudo também incorporou ferramentas de inteligência artificial na análise e na organização dos resultados.

    “A integração entre metabolômica, ressonância magnética e inteligência artificial demonstra como diferentes áreas da ciência podem atuar de forma complementar na produção de conhecimento aplicado à segurança alimentar”, acrescenta Colnago.

    Como a Ressonância Magnética Nuclear analisa o perfil químico dos alimentos

    A RMN é conhecida como técnica de diagnóstico médico por imagem. No entanto, o que pouca gente sabe é que cientistas já a utilizavam desde a década de 1950 para determinar a estrutura de moléculas naturais e sintéticas, incluindo biomoléculas.

    Na Embrapa Instrumentação, pesquisas com RMN de baixo campo para análises de produtos agroindustriais motivaram a criação do aparelho SpecFit, desenvolvido em parceria com a startup Fine Instrument Technology (FIT), usado para medir o teor de óleo em frutos de dendezeiros.

    O estudo com as tainhas empregou um aparelho de RMN de alto campo, método analítico que usa ímãs potentes para gerar espectros detalhados de moléculas. Segundo Colnago, a técnica permite investigações estruturais complexas, autenticação geográfica e estudos de metabolômica, com princípio de funcionamento similar ao dos equipamentos médicos e laboratoriais.

    Em vez de gerar imagens, a técnica produz sinais eletrônicos interpretados a partir da composição química da amostra, como açúcares, aminoácidos, gorduras e ácidos orgânicos.

    O que é a metabolômica

    A metabolômica analisa pequenas moléculas produzidas pelo metabolismo dos organismos, os metabólitos. Aplicada ao sangue, por exemplo, ela indica em uma única análise a quantidade de compostos como glicose, creatinina e ácido úrico.

    Enquanto métodos convencionais dependem de um exame diferente para cada metabólito. Esses compostos funcionam como indicadores bioquímicos do estado fisiológico, da alimentação e das condições ambientais às quais um organismo foi exposto.

    No caso das tainhas, a metabolômica permitiu identificar compostos capazes de diferenciar peixes de regiões geográficas distintas, criando uma verdadeira “assinatura química” do pescado brasileiro.

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  • Governo amplia cota da pesca da tainha em SC

    Governo amplia cota da pesca da tainha em SC

    O governo federal ampliou em 430 toneladas a cota da pesca da tainha por arrasto de praia em Santa Catarina. A medida foi publicada na noite de quarta-feira (11) em edição extra do Diário Oficial da União. A decisão ocorreu poucos dias após a suspensão da atividade. O governo interrompeu a pesca quando as capturas atingiram 90% do limite autorizado para a safra.

    A nova portaria distribui a cota adicional entre duas regiões catarinenses. O litoral centro-norte poderá capturar mais 230 toneladas. Já o litoral centro-sul recebeu autorização para outras 200 toneladas.

    Segundo o Ministério da Pesca e Aquicultura, a medida resultou de reuniões do Grupo de Trabalho de Acompanhamento da Safra. Além disso, técnicos analisaram dados científicos sobre o comportamento da temporada.

    Os pescadores relataram concentração dos cardumes em algumas áreas do estado. Por outro lado, outras localidades registraram baixa presença da espécie devido às condições oceanográficas.

    Dados do ministério mostram que apenas três dos 25 municípios costeiros alcançaram volumes próximos aos históricos. O cenário foi mais difícil no litoral norte. De acordo com o governo federal, 12 dos 14 municípios da região não registraram captura de tainha nesta temporada.

    Diante desse quadro, o governo revisou as cotas. A decisão considerou a diferença entre a produção histórica e a registrada em 2026. Além disso, os técnicos utilizaram parâmetros de Rendimento Máximo Sustentável para avaliar os estoques pesqueiros.

    Saiba quais municípios foram contemplados

    No litoral centro-norte, a ampliação contempla municípios como Joinville, Itajaí, Navegantes, Penha e São Francisco do Sul. Também estão incluídas cidades como Balneário Camboriú, Bombinhas e Porto Belo.

    Já no litoral centro-sul, a medida beneficia municípios como Florianópolis, Palhoça, Garopaba, Imbituba e Laguna. A lista inclui ainda Jaguaruna, Araranguá e Passo de Torres.

    O ministro da Pesca e Aquicultura, Edipo Araújo, afirmou que a ampliação busca atender regiões com baixo desempenho na safra. Segundo ele, a medida mantém os critérios técnicos de gestão da espécie.

    A safra deste ano apresentou forte concentração das capturas em algumas localidades. Como resultado, a maior oferta reduziu preços em determinados mercados. Além disso, pescadores relataram desperdício de pescado em alguns pontos do estado.

    O Ministério da Pesca informou que continuará monitorando a temporada. A pasta também defende medidas para garantir a sustentabilidade dos estoques e o equilíbrio da produção entre as comunidades pesqueiras.

    A pesca de arrasto da tainha havia sido suspensa no último domingo (7). A decisão provocou reação de pescadores e autoridades de Santa Catarina.

  • Ibama apreende 104 toneladas de pescado ilegal e reforça proteção da tainha no Sul

    Ibama apreende 104 toneladas de pescado ilegal e reforça proteção da tainha no Sul

    A Operação Mugil, coordenada pelo Ibama, resultou na apreensão de 104 toneladas de pescado irregular e na aplicação de R$ 6 milhões em multas no litoral do Rio Grande do Sul. Os números correspondem às duas primeiras fases da ação, que tem como objetivo proteger a tainha durante o período de migração reprodutiva nas regiões Sul e Sudeste do país.

    A operação, iniciada em maio e com atividades previstas até julho, reúne diferentes órgãos de fiscalização e concentra esforços no combate à pesca industrial ilegal.

    Entre as principais irregularidades identificadas estão a pesca em áreas proibidas, a atuação em águas jurisdicionais uruguaias, a realização de atividades sem autorização, o transporte de pescado com documentação considerada inválida e a circulação de produtos impróprios para o consumo humano sem comprovação de origem. Além disso, os fiscais registraram a captura de 24 exemplares de fauna aquática ameaçada de extinção.

    Fiscais do Ibama e da Polícia Militar do RS em praia durante a ação — Foto: Ibama

    Captura da tainha

    As ações começaram na Lagoa dos Patos, em Rio Grande (RS), considerada o maior berçário natural da tainha. Nesse ambiente, a espécie se desenvolve desde a fase larval. Por isso, as equipes concentraram inicialmente as patrulhas na área de restrição à pesca de emalhe, localizada no canal e na desembocadura do estuário, ponto estratégico para a passagem dos cardumes.

    O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) também intensificou o monitoramento na Praia do Cassino, considerada a maior praia em extensão do mundo, até a fronteira com o Uruguai. O objetivo foi identificar atividades ilegais dentro do Parque Nacional Marinho do Albardão. Durante a fiscalização, uma embarcação que utilizava a modalidade de pesca de arrasto, proibida na região, foi autuada.

    Pescado apreendido em esteira de entreposto no RS — Foto: Ibama

    Na segunda etapa da operação, houve ampliação da área de atuação, chegando ao litoral de Santa Catarina, especialmente nos municípios de Laguna e Imbituba. As áreas fiscalizadas possuem restrições à pesca de emalhe há mais de 14 anos e formam um dos principais corredores de migração da espécie em direção ao mar.

    Segundo os órgãos envolvidos, a operação já contribuiu para uma redução significativa das práticas ilegais. Com isso, os grandes cardumes conseguiram seguir seu trajeto migratório até o oceano, favorecendo principalmente os pescadores artesanais e permitindo que a espécie complete seu ciclo reprodutivo.

    Confira os resultados da Operação Mugil

    • 36 autos de infração
    • R$ 6 milhões em multas
    • 104 toneladas de pescado apreendidas
    • 42 toneladas de peixe doadas ao Sesc Mesa Brasil
    • 7 embarcações apreendidas
    • 9 termos de suspensão de atividades de embarcações de pesca industrial
    • 5 veículos apreendidos
    • 32 redes apreendidas
    • 24 espécies aquáticas ameaçadas de extinção identificadas
    • 2.574 caixas de pescado apreendidas

    Controle pesqueiro

    Atualmente, a tainha é considerada o recurso pesqueiro mais regulado do Brasil. A adoção de medidas rígidas ocorre em razão do avançado estágio de sobrexplotação, resultado de décadas de exploração sem controle adequado.

    Entre as principais ferramentas de gestão estão as cotas de captura, áreas de exclusão para pesca, controle do esforço pesqueiro, definição de períodos específicos para cada frota e exigência de tamanho mínimo para captura.

    Espécie sofreu forte redução populacional devido à captura durante a fase reprodutiva — Foto: GOV

    O ciclo reprodutivo da tainha tem início por volta dos cinco anos de idade. Além disso, a espécie realiza uma intensa migração no final do outono e início do inverno, fenômeno conhecido como “corrida da tainha”. Nessa fase, grandes cardumes seguem em direção ao mar, estimulados pela chegada das baixas temperaturas e dos ventos mais fortes.

  • Pesca de tainha é suspensa após limite de captura

    Pesca de tainha é suspensa após limite de captura

    A pesca de tainha na modalidade arrasto de praia está suspensa desde este domingo (7) em todo o país. A medida ocorre após o Brasil atingir 90% da cota autorizada para a temporada de 2026.

    O Ministério da Pesca e Aquicultura anunciou a suspensão como forma de evitar que o volume de captura ultrapasse o limite estabelecido.

    A cota para a temporada soma 8.168 toneladas. Os ministérios da Pesca e do Meio Ambiente definiram o volume em portaria conjunta. A suspensão tem caráter preventivo. Dessa forma, o governo busca garantir o cumprimento das regras da temporada.

    Além disso, as embarcações que já estão no mar devem desembarcar o pescado em até 24 horas após a captura. Após esse prazo, os pescadores poderão retomar as atividades voltadas à captura de outras espécies.

    Monitoramento da temporada orienta decisão

    O ministério baseou a medida nos dados do Painel de Monitoramento da Temporada de Pesca da Tainha. A ferramenta acompanha o volume capturado durante a safra.

    Por determinação legal, as empresas pesqueiras devem informar ao governo a quantidade de pescado retirada do mar. Assim, os órgãos responsáveis acompanham o avanço da cota e adotam medidas de controle quando necessário.

  • “Socorro”: pescador abandona cardumes de tainha por falta de compradores em SC

    “Socorro”: pescador abandona cardumes de tainha por falta de compradores em SC

    Um pescador artesanal da Barra da Lagoa, em Florianópolis, usou as redes sociais para denunciar as dificuldades enfrentadas durante a safra da tainha em Santa Catarina. O vídeo, publicado na noite da última quinta-feira (28), rapidamente repercutiu entre pescadores e moradores da região.

    Em tom de revolta, e cercado por milhares de tainhas na praia, o trabalhador afirmou que deixou de cercar três cardumes por causa da falta de estrutura para comercializar o pescado.

    “Não tem caixa, não tem caminhão, não tem comprador. Não sei se é monopólio em cima do pescador para baixar o preço, mas é isso que acontece com os pescadores. É uma vergonha”, desabafou.

    Segundo ele, os peixes permaneceriam na praia durante toda a noite devido à ausência de compradores interessados na carga.

    https://www.instagram.com/reel/DY55aRysxw9/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=MzRlODBiNWFlZA==

    Além disso, o pescador afirmou que o problema não acontece apenas na Barra da Lagoa. De acordo com ele, praias como Campeche, Lagoinha e Ingleses também enfrentam dificuldades semelhantes durante a safra.

    “Assim como a Barra da Lagoa está passando por essa situação, acredito que as outras praias também. Para nós, é difícil”, afirmou.

    Pescadores reclamam da cota da tainha

    O pescador também criticou a cota imposta pelo Ministério da Pesca, que limita a quantidade de tainhas capturadas durante a temporada.

    Segundo as regras atuais, os pescadores de Santa Catarina podem capturar até 5,2 mil toneladas de tainha entre maio e julho.

    Para ele, a combinação entre limite de pesca, falta de compradores e ausência de estrutura desestimula os trabalhadores da pesca artesanal.

    “Além do Ministério da Pesca impor em cima de nós a cota, não tem preço, não tem caixa, não tem caminhão. Para nós é um desestímulo muito grande para a pesca artesanal”, concluiu.

    11 mil tainhas

    Apesar das dificuldades relatadas pelos pescadores, a safra também registrou episódios de grande volume de captura em Santa Catarina.

    Recentemente, um grupo de pescadores catarinenses conseguiu capturar mais de 11 mil tainhas em uma única noite de trabalho no mar.

    Sem drones ou equipamentos tecnológicos avançados, os trabalhadores utilizaram técnicas tradicionais e experiência acumulada ao longo de gerações para acompanhar o deslocamento do cardume durante a madrugada.

    Foto: Reprodução/ Redes Sociais

    A operação exigiu horas de observação e coordenação entre os pescadores. Em seguida, eles conduziram os peixes até uma área rasa, estratégia conhecida no meio pesqueiro como “secar o peixe”.

    “De manhã deu certo”, contou o pescador Denir Matos, de 71 anos, durante entrevista concedida a uma emissora local.

  • Ibama apreende embarcação e pescado ilegal

    Ibama apreende embarcação e pescado ilegal

    O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) intensificou o combate à pesca ilegal durante a Operação Mugil, focada na proteção da tainha (Mugil liza) no período reprodutivo, em Santa Catarina. A fiscalização utilizou monitoramento via satélite para identificar infrações ambientais e garantir o cumprimento das normas pesqueiras.

    No dia 5 de julho, agentes do Ibama, em parceria com a Marinha do Brasil e o Ministério da Pesca e Aquicultura, apreenderam uma embarcação pesqueira flagrada em atividade irregular. A ação resultou na apreensão de 12 quilômetros de rede de emalhe e 240 quilos de pescado. O Sistema PREPS, ferramenta nacional de rastreamento de embarcações por satélite, foi fundamental para localizar e comprovar a infração. O Mapa de Bordo, preenchido pelo mestre do barco, confirmou as irregularidades.

    O proprietário e o mestre da embarcação receberam multa de R$ 10.500,00. Além disso, as autoridades apreenderam todos os apetrechos de pesca, o pescado e o veículo utilizado na operação ilegal. O Ibama reforça que áreas proibidas à pesca são essenciais para a alimentação e reprodução das espécies de interesse comercial. Essas regiões funcionam como berçários naturais, contribuindo para a reposição dos estoques pesqueiros e beneficiando a pesca sustentável em áreas permitidas.

    Razões da operação

    Segundo Luiz Louzada, analista do Ibama e coordenador da Operação Mugil, a fiscalização rigorosa visa proteger a biodiversidade marinha. Além de garantir o equilíbrio dos ecossistemas costeiros: “Áreas proibidas à pesca são cruciais para a alimentação e reprodução das espécies. Elas funcionam como áreas de reposição de novos recrutas, beneficiando diretamente a pesca em regiões permitidas e os próprios pescadores”, afirma Louzada.

    O pescado apreendido foi doado ao Instituto Lar da Juventude, em Itajaí, que atende mais de 800 crianças, adolescentes e jovens no contraturno escolar. A doação reforça o compromisso do Ibama com a responsabilidade social e a conservação ambiental, ao transformar o resultado das apreensões em benefício para a comunidade local.

    A Operação Mugil segue ativa até o fim de julho, com ações integradas entre Ibama, Marinha, Polícia Federal e órgãos estaduais, para coibir práticas ilegais e preservar os estoques de tainha e outras espécies ameaçadas no litoral catarinense.

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  • Ministério anuncia fim da pesca da tainha

    Ministério anuncia fim da pesca da tainha

    O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) anunciou o encerramento antecipado da pesca de tainha (Mugil liza) na modalidade emalhe anilhado após atingir 90% da cota permitida para 2025. A decisão, válida desde 25 de junho, visa evitar a sobrepesca e garantir a sustentabilidade da espécie, seguindo a Portaria Interministerial MPA/MMA nº 26/2025.

    Embarcações ativas têm 24 horas para realizar o último desembarque, conforme regulamentação. O monitoramento é feito por meio do Painel de Monitoramento da Temporada, que consolida dados do Sistainha e PesqBrasil.

    Cotas e distribuição da pesca da tainha em 2025

    A portaria estabeleceu um limite total de 6.795 toneladas para a safra deste ano, divididas em:

    • 600 ton. para cerco/traineira (industrial)
    • 970 ton. para emalhe anilhado (artesanal em SC)
    • 1.100 ton. para arrasto de praia (tradicional em SC)
    • 1.725 ton. para emalhe costeiro
    • 2.300 ton. para o estuário da Lagoa dos Patos (RS).

    Cada embarcação tem cotas individuais:

    • 50 ton. para cerco/traineira (sem tolerância)
    • 15 ton. para emalhe anilhado (com 20% de margem).

    Espécie em risco

    A tainha é um peixe migratório que habita estuários e zonas costeiras, desovando no mar durante o outono-inverno. Um relatório de 2023 alertou que sua biomassa está 25% abaixo do nível sustentável, colocando-a em risco de entrar na lista de espécies ameaçadas.

    Além de ser fundamental para a cadeia alimentar marinha, a pesca da tainha movimenta economias locais, especialmente em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, onde é uma tradição cultural centenária.

    Controvérsias e ações judiciais

    A limitação de cotas para o arrasto de praia em SC gerou protestos. O governo catarinense chegou a acionar o STF, alegando que a medida afeta pescadores artesanais, mas o pedido foi negado. Agora, um Projeto de Decreto Legislativo (PDL 119/2025) tramita no Senado para suspender a portaria, sob argumentos de invasão de competência estadual.

    Apesar das restrições, pescadores do RS e SC relatam uma safra abundante, com exemplares acima de 2,5 kg. Em Tramandaí (RS), a pesca colaborativa com botos tem rendido capturas recordes.

    O MPA reforça que as cotas são essenciais para evitar o colapso dos estoques, enquanto pescadores defendem ajustes para preservar seu sustento. O debate deve se intensificar com a tramitação do PDL 119/2025 e os resultados finais da temporada.

    Onde acompanhar:

    Painel de Monitoramento da Tainha 2025

    Portaria Interministerial MPA/MMA nº 26/2025

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  • Ibama intensifica fiscalização e combate à pesca ilegal da tainha

    Ibama intensifica fiscalização e combate à pesca ilegal da tainha

    O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) concluiu, entre os dias 15 e 30 de maio de 2025, a primeira fase da Operação Mugil no litoral do Rio Grande do Sul. A iniciativa, realizada em parceria com a Marinha do Brasil, Brigada Militar Ambiental do RS, Polícia Militar Ambiental de SC, Polícia Federal e Receita Federal, teve como foco coibir a pesca ilegal da tainha (Mugil liza) durante o período reprodutivo da espécie, considerado crítico para a manutenção dos estoques naturais.

    A Operação Mugil, de caráter nacional e realizada anualmente nas regiões Sul e Sudeste, é uma resposta à redução de 70% na biomassa da tainha causada pela sobrepesca. Durante a chamada “corrida da tainha”, quando os cardumes migram para o mar para reprodução, foram implementadas medidas rigorosas, como:

    • Restrição das áreas de captura para a frota de cerco, exigindo distância mínima de 10 milhas náuticas da costa;
    • Definição de cotas de captura por frota e modalidade;
    • Monitoramento das capturas via Sistema de Contabilidade e Acompanhamento de Captura (SISTainha);
    Foto: Ibama
    • Estabelecimento do tamanho mínimo de captura em 35 cm;
    • Emissão de autorizações complementares especiais e temporárias para as frotas.

    A força-tarefa utilizou embarcações como o Navio Patrulha Babitonga e o Rebocador de Alto Mar Tritão, além de lanchas, jet-skis, drones e radares para ampliar a fiscalização e vigilância nas áreas de atuação.

    Resultados da Operação Mugil 2025

    A operação resultou em:

    • 28 multas aplicadas, somando R$ 3.197.740,00;
    • Apreensão de 51 toneladas de pescado, sendo 15 toneladas de tainha;
    • Apreensão de cinco raias ameaçadas de extinção;
    • Quatro embarcações e um caminhão apreendidos;
    • Sete embarcações lacradas por irregularidades em equipamentos de rastreamento;
    • Dois atracadouros/terminais de descarga autuados, embargados e lacrados por ausência de licença ambiental.
    Apreensão de pescado durante operação. Foto: Ibama

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