Tag: Super El Niño

  • Chocolate vai ficar mais caro? Super El Niño preocupa produtores

    Chocolate vai ficar mais caro? Super El Niño preocupa produtores

    O avanço do El Niño voltou a colocar a produção de cacau no radar de produtores e fabricantes de chocolate. Apesar dos riscos climáticos, representantes do setor avaliam que a expansão do cultivo para novas áreas pode ajudar a reduzir os efeitos de uma eventual quebra de safra sobre a oferta da matéria-prima.

    Para Arcelia Gallardo, fundadora da Mission Chocolate, uma repetição da forte escalada de preços observada anteriormente não é inevitável.

    “No Equador, os produtores plantaram milhares de pés de cacau há quatro anos porque eles estavam entendendo o que iria acontecer. Por causa dos efeitos do clima, agora temos cacau também em São Paulo”, afirma. “Onde antes não tinha cacau, agora tem.”

    A avaliação de Gallardo é que a ampliação das regiões produtoras pode funcionar como um contraponto aos problemas provocados pelo clima. Isso, porém, não elimina os riscos que o El Niño representa para a cultura.

    Alta do cacau já mudou os chocolates

    Filha de agricultores mexicanos e nascida na Califórnia, nos Estados Unidos, Gallardo trabalha com o modelo bean-to-bar, expressão usada para fabricantes que compram os grãos de cacau e controlam sua transformação até a produção das barras.

    Com a forte valorização do cacau registrada no fim de 2024, a Mission Chocolate precisou rever parte de sua estratégia. Segundo Gallardo, algumas fórmulas foram modificadas e determinados produtos passaram a ter versões menores para absorver parte do aumento dos custos.

    Arcelia Gallardo é fundadora da Mission Chocolate (Foto: Divulgação)

    Além disso, outra alternativa foi aumentar a variedade do portfólio.

    “Conseguimos pensar em outros produtos que poderíamos fazer, como confeitos banhados em chocolate, que deram muito certo.”

    Segundo a empresária, essas mudanças ajudaram a evitar que toda a elevação dos custos fosse repassada ao consumidor.

    Caso uma nova onda de valorização da matéria-prima aconteça, a Mission também aposta em cookies e produtos banhados, que demandam uma quantidade menor de chocolate do que as barras tradicionais.

    Nestlé aposta em manejo para diminuir perdas

    Entre as grandes indústrias, uma das estratégias para reduzir a vulnerabilidade da cadeia está no preparo das propriedades rurais.

    A diretora de marketing de chocolates da Nestlé, Paula Munhoz, afirma que a prevenção de perdas passa pela adoção de melhores práticas pelos fornecedores de cacau.

    Entre as medidas mencionadas estão:

    • melhoria da gestão da água;
    • distribuição de mudas com maior potencial produtivo;
    • adoção correta de técnicas de poda;
    • orientação técnica aos produtores.

    Essas ações fazem parte da estratégia da empresa para aumentar a resiliência das propriedades diante de condições climáticas adversas.

    Por meio do Nestlé Cocoa Plan, a companhia mantém uma rede de mais de 6,5 mil fazendas parceiras no Brasil, com iniciativas de assistência técnica, capacitação e adoção de práticas agrícolas mais sustentáveis.

    Com o El Niño no radar, produtores e fabricantes passam a acompanhar não apenas as cotações do cacau, mas também a distribuição das chuvas e o comportamento das lavouras nas principais regiões produtoras.

  • Etanol perde força mesmo com mercado mais aquecido

    Etanol perde força mesmo com mercado mais aquecido

    O mercado de etanol registrou maior movimentação nos últimos dias. Mesmo assim, os preços continuam em queda. Segundo o Cepea, algumas usinas interromperam as vendas após negociações anteriores. Elas consideram os preços atuais pouco atrativos.

    Ao mesmo tempo, outras unidades seguem negociando. No entanto, aceitam valores menores, principalmente em operações de maior volume.

    Pelo lado da demanda, as vendas no varejo cresceram de forma tímida. O cenário confirma os dados preliminares de junho de 2026 da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Além disso, agentes do mercado esperam uma recuperação da demanda com a chegada de agosto e o retorno às aulas.

    Mercado do açúcar segue com poucas negociações

    Os preços do açúcar cristal branco oscilaram no mercado paulista nos últimos dias. Os compradores aguardam novas quedas nos preços. A expectativa considera o aumento da oferta do produto. Por isso, os negócios continuam pontuais e ocorrem apenas em situações específicas.

    Clima favorece cana, mas exige atenção

    No campo climático, a atuação do El Niño tende a favorecer a produção de cana-de-açúcar no Centro-Sul. As chuvas mais frequentes previstas para o segundo semestre podem melhorar o desenvolvimento dos canaviais. Além disso, elas devem elevar a produtividade. Esse cenário beneficia tanto o restante da safra 2026/27 quanto a próxima temporada.

    Por outro lado, o excesso de chuva pode atrasar a colheita. Também pode limitar o avanço do ATR. Segundo o Cepea, os efeitos mais característicos do El Niño devem aparecer a partir de setembro.

  • Super El Niño: saiba quais serão os impactos do fenômeno em São Paulo

    Super El Niño: saiba quais serão os impactos do fenômeno em São Paulo

    O avanço do El Niño de intensidade moderada a forte, conhecido como “Super El Niño”, tem gerado preocupação em diversos setores da economia. No campo, produtores acompanham atentamente os possíveis reflexos do fenômeno climático, que deve influenciar as condições meteorológicas em São Paulo.

    De acordo com a meteorologista Maria Clara Sassaki, da TempoOK, os principais efeitos esperados para o estado incluem o atraso na regularização das chuvas e a manutenção de temperaturas acima da média durante a primavera e o verão. Além disso, há potencial para a ocorrência de ondas de calor mais intensas, o que pode afetar atividades agrícolas, recursos hídricos e o planejamento das safras.

    O que é o El Niño?

    O El Niño é um fenômeno natural associado ao aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico. Esse processo ocorre devido ao enfraquecimento dos ventos alísios, responsáveis por influenciar a circulação atmosférica global. Como consequência, diferentes regiões do planeta registram alterações significativas nos padrões de chuva e temperatura.

    Enquanto áreas do sudeste da Ásia, Austrália, sul da África e parte das regiões Norte e Nordeste do Brasil costumam enfrentar condições mais secas, outras localidades registram aumento das precipitações. Esse é o caso da África Oriental, do sul dos Estados Unidos, do Peru e do Equador.

    Mais intenso já registrado

    O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) alerta que o El Niño 2026/2027 pode se tornar o mais intenso já registrado na história moderna.

    Segundo Maria Clara Sassaki, a distribuição das chuvas tende a ficar desequilibrada durante o fenômeno.

    “As chuvas ficam concentradas no Sul e demoram muito para avançar de forma continental, organizando o corredor de umidade que seria típico desta época: com o ar mais seco, a atmosfera mais aquecida e as temperaturas também ficam mais elevadas.”

    Dessa forma, produtores rurais devem acompanhar os boletins meteorológicos e reforçar estratégias de manejo para reduzir possíveis impactos provocados pela falta de chuva e pelo aumento do calor.

    Por outro lado, os efeitos do fenômeno também exigem atenção da população em geral. A especialista recomenda evitar longos períodos de exposição ao sol, manter a hidratação adequada e utilizar protetor solar com frequência.

    Além disso, os recursos hídricos também podem sofrer pressão adicional caso o período seco se prolongue.

    “O nível dos reservatórios pode ficar baixo, então os cuidados que normalmente são tomados no período de seca devem ser mantidos até a regularização do nível dos reservatórios”, afirmou Maria Clara.

    Assim, especialistas reforçam que o monitoramento constante das condições climáticas será fundamental para minimizar impactos sobre a produção agropecuária, o abastecimento de água e a rotina da população paulista.

  • El Niño 2026 ameaça produção de morango, tomate e grãos no Brasil

    El Niño 2026 ameaça produção de morango, tomate e grãos no Brasil

    A possível chegada de um El Niño intenso em 2026 acende um alerta no agronegócio brasileiro, especialmente para culturas sensíveis ao clima, como morango, tomate e grãos. De acordo com a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), a probabilidade de formação do fenômeno já supera 90%, com cerca de 50% de chance de atingir intensidade forte ou muito forte, cenário conhecido como “Super El Niño”.

    A previsão indica um aumento significativo nas temperaturas globais, com elevação que pode chegar a 3°C. Esse cenário tende a provocar irregularidades climáticas, afetando diretamente a produtividade agrícola. Culturas de clima frio e temperado estão entre as mais vulneráveis, já que dependem de faixas térmicas mais estáveis para se desenvolver.

    Estudos da Embrapa apontam que, considerando um aumento gradual de temperatura até 2050, o Brasil pode enfrentar uma redução de até 50% na produção agrícola. Embora o impacto do El Niño seja mais imediato, os dados reforçam a preocupação com a resiliência do setor diante das mudanças climáticas.

    Adaptação

    No campo, especialistas destacam que a adaptação passa, principalmente, pelo manejo eficiente do solo e pela nutrição adequada das plantas. Segundo Douglas Vaz-Tostes, especialista em nutrição de lavouras do Grupo GIROAgro, não é mais possível dissociar o manejo climático do nutricional.

    “A escolha correta dos fertilizantes impacta diretamente a eficiência do sistema produtivo. Quando o produtor aplica o nutriente certo, na dose e no momento adequados, reduz perdas e preserva o potencial produtivo, mesmo em cenários adversos”, afirma.

    No caso do morango, por exemplo, o impacto do calor é ainda mais sensível. A cultura se desenvolve melhor em temperaturas entre 13°C e 26°C. Quando os termômetros ultrapassam os 30°C, há prejuízos na floração, o que compromete a produção e pode gerar atrasos na colheita.

    Irregularidade climática

    Além das temperaturas elevadas, a irregularidade climática também favorece o aumento da incidência de pragas e doenças, exigindo maior esforço fisiológico das plantas. Nesse contexto, o especialista ressalta que o desafio atual vai além da simples adubação.

    “Hoje, não basta apenas fornecer nutrientes. É essencial garantir que a planta consiga absorver e transformar esses insumos em produtividade, mesmo sob estresse climático”, explica.

    Com a intensificação dos eventos climáticos extremos, a preparação antecipada deixa de ser um diferencial competitivo e passa a ser uma condição essencial para a sustentabilidade do agronegócio. Estratégias como o uso eficiente de fertilizantes, o planejamento do plantio e a adoção de tecnologias agrícolas devem ganhar ainda mais relevância nos próximos ciclos produtivos.