Tag: Sul de Minas

  • Produção de macadâmia cresce no Sul de Minas

    Produção de macadâmia cresce no Sul de Minas

    O engenheiro metalúrgico aposentado Antônio Alves Salgado, de 73 anos, transformou a aposentadoria em um novo negócio no campo. Desde 2015, ele investe na produção de macadâmia em Andrelândia, no Sul de Minas Gerais, e hoje comercializa a produção para o mercado paulista.

    Produtor Antônio Alves Salgado . Foto: Arquivo pessoal

    Com apoio técnico da Emater-MG, o produtor estruturou o cultivo e expandiu a produção ao longo dos anos. Além de vender a maior parte da colheita para São Paulo, Salgado também criou a própria marca, a Macadâmias Zoé, voltada à comercialização regional de amêndoas torradas.

    A escolha pela macadâmia, segundo o produtor, levou em conta o potencial de crescimento da cultura no Brasil. “Escolhi a macadâmia por ser uma cultura nobre e ainda pouco explorada no país”, afirma.

    Cultura exige planejamento e manejo técnico

    A macadâmia é uma cultura perene e de longo prazo, com início de produção a partir do quinto ano após o plantio. O cultivo demanda planejamento, especialmente na implantação do pomar.

    As mudas são plantadas em linhas, com espaçamento médio de quatro metros entre plantas e nove metros entre linhas, o que favorece o desenvolvimento das árvores e a mecanização.

    O suporte técnico da Emater-MG tem papel central na condução da lavoura. A assistência inclui análise de solo, recomendações de correção e orientações sobre fertilidade.

    “O acompanhamento técnico impacta diretamente no desenvolvimento da cultura e na produtividade”, explica o extensionista Marcelo Medeiros.

    Produção cresce e alcança 20 toneladas por ano

    Desde o início do projeto, a produção apresenta crescimento contínuo. Segundo Salgado, o avanço ocorre tanto pela entrada de novas árvores em fase produtiva quanto pelo aprimoramento do manejo.

    “Atualmente, produzo cerca de 20 toneladas de nozes em casca por ano”, destaca.

    macadamia zoe na embalagem
    Foto: Arquivo pessoal

    A maior parte da produção segue para uma empresa de beneficiamento em Dois Córregos (SP). Cerca de 2% da colheita é destinada à marca própria, que agrega valor ao produto com a venda de amêndoas torradas.

    O cenário de mercado também favorece o cultivo. De acordo com o produtor, a demanda pela macadâmia segue aquecida, o que garante preços compatíveis com os investimentos exigidos pela cultura.

    “O mercado está comprador, o que permite retorno adequado para quem investe na atividade”, afirma.

  • Milho safrinha exige monitoramento constante no Sul de Minas

    Milho safrinha exige monitoramento constante no Sul de Minas

    O milho safrinha 2025/2026 entra em uma fase decisiva no Sul de Minas Gerais, exigindo atenção redobrada dos produtores diante de desafios que podem impactar diretamente a produtividade das lavouras. A irregularidade das chuvas, o avanço de pragas e os reflexos do plantio realizado fora da janela ideal estão entre os principais fatores de preocupação nesta etapa do ciclo produtivo.

    Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam expectativa de produção de 108,4 milhões de toneladas para a segunda safra de milho no Brasil. Na região sul-mineira, porém, o cenário apresenta diferentes realidades, com lavouras em estágios variados de desenvolvimento devido aos atrasos registrados na colheita da soja, que influenciaram o calendário de semeadura em diversas propriedades.

    Segundo Marco Castelli, diretor comercial da Agrobom, empresa especializada em armazenagem e comercialização de grãos, o momento exige acompanhamento frequente das áreas cultivadas para evitar perdas e garantir melhores resultados na colheita.

    “Cada produtor vive uma realidade diferente nesta safrinha. Quem conseguiu semear dentro da janela adequada tem lavouras mais uniformes e com melhor potencial produtivo. Quem atrasou o plantio precisa estar ainda mais atento ao clima e ao avanço de pragas, porque qualquer descuido nessa fase pode comprometer o resultado final”, afirma.

    Clima e pragas aumentam preocupação no campo

    Entre os principais desafios enfrentados pelos produtores está a instabilidade climática. A ocorrência irregular de chuvas durante fases importantes da cultura, como florescimento e enchimento de grãos, pode reduzir significativamente o potencial produtivo, principalmente nas áreas semeadas mais tarde.

    Além disso, as condições de calor e umidade observadas em parte da região favorecem a proliferação de pragas. A lagarta-do-cartucho continua sendo uma das principais ameaças ao milho safrinha, exigindo monitoramento constante e rápida adoção de medidas de controle quando identificada nas lavouras.

    De acordo com Castelli, a combinação entre planejamento e acompanhamento técnico é fundamental para minimizar riscos ao longo do ciclo produtivo.

    “O milho é uma cultura com grande importância econômica para o Sul de Minas. Planejamento, acompanhamento constante e decisões rápidas no campo fazem diferença para que o produtor consiga aproveitar melhor o potencial da safra e as oportunidades de comercialização”, destaca.

    Mercado também requer atenção

    Além dos desafios agronômicos, os produtores acompanham com atenção o comportamento do mercado. A volatilidade dos preços do milho continua sendo influenciada pelo desempenho da segunda safra em âmbito nacional. Fator que pode alterar estratégias de comercialização ao longo dos próximos meses.

    Nesse contexto, especialistas recomendam que o produtor mantenha acompanhamento não apenas das condições das lavouras, mas também das cotações do cereal. A definição do melhor momento para negociar a produção pode contribuir para ampliar a rentabilidade e reduzir impactos provocados pelas oscilações do mercado.

    Com lavouras em diferentes estágios de desenvolvimento e um cenário ainda dependente das condições climáticas das próximas semanas, a safrinha de milho no Sul de Minas segue cercada de desafios. O acompanhamento técnico permanente e a tomada de decisões rápidas serão determinantes para o desempenho da safra. E para os resultados econômicos obtidos pelos produtores da região.

  • A preço de banana: como o morango egípcio derrubou os preços no Sul de Minas

    A preço de banana: como o morango egípcio derrubou os preços no Sul de Minas

    O Brasil importou morango em volume 868% maior nos últimos quatro anos, e o principal fornecedor é o Egito. O avanço do produto estrangeiro já pressiona os preços pagos ao produtor nacional e ameaça a viabilidade econômica de pelo menos 11 mil agricultores familiares, concentrados principalmente no Sul de Minas Gerais e na região do Campo das Vertentes.

    Os dados são da analista de agronegócio do Sistema Faemg Senar, Mariana Marotta, e foram apresentados em audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Segundo ela, o salto nas importações tem raiz em um acordo comercial assinado há mais de uma década.

    “Parte desse avanço está ligada ao acordo firmado em 2010 entre o Mercosul e o Egito para ampliar o comércio bilateral. O processo foi regulamentado em 2017, pelo Decreto nº 9.229, que estabeleceu a redução gradual das tarifas de importação. A partir de 2022, o morango passou a entrar no mercado brasileiro com preços ainda mais competitivos”, explica Marotta.

    Preço do produto importado é quase metade do custo de produção no Brasil

    A distorção de preços é o centro do problema. No mercado interno egípcio, o quilo do morango é comercializado por cerca de 90 libras egípcias, o equivalente a aproximadamente R$ 15. Para exportação, porém, o valor despenca para pouco mais de R$ 7,50 por quilo. No Brasil, o custo médio de produção gira em torno de R$ 8,50 por quilo. A diferença torna a competição, na prática, insustentável para o produtor brasileiro.

    Especialistas apontam indícios de dumping, prática em que empresas vendem um produto no mercado externo por valor inferior ao preço praticado no próprio país de origem, situação que o comércio internacional considera concorrência desleal.

    Minas Gerais: maior produtor de morango da América Latina

    Minas Gerais responde pela maior produção de morango da América Latina. Em 2023, o estado colheu cerca de 190 mil toneladas da fruta em aproximadamente 4.800 hectares, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). A produção se concentra no Sul de Minas, especialmente na microrregião de Pouso Alegre, mas também tem expressão significativa no Campo das Vertentes.

    A cadeia tem forte perfil social: 98% dos produtores são da agricultura familiar, o que torna o setor especialmente vulnerável à pressão externa.

    Apesar disso, as importações seguem crescendo. Em 2025, Minas Gerais importou cerca de US$ 2,3 milhões em morangos e derivados,aproximadamente 2 mil toneladas, segundo dados da Agrostat, sistema de estatísticas de comércio exterior do agronegócio brasileiro. No ano anterior, as compras externas somaram US$ 658 mil e 743 toneladas, o que representa crescimento de 164% em volume em apenas 12 meses.

    “Neste caso, o preço passou de R$ 17 para R$ 8 em fevereiro”

    No município de Ipuiuna, no Sul de Minas, a produtora Solange de Oliveira Paiva cultiva 140 mil pés de morango e sente diretamente os efeitos da concorrência estrangeira. Ela afirma que o chamado “morango de fábrica” registrou a queda mais acentuada. Esse tipo de fruta segue para a fabricação de polpa e suco, setor que mais absorve o produto importado congelado.

    Foto: Wenderson Araujo/Sistema CNA/Senar

    “O preço passou de R$ 17, no fim do ano passado, para R$ 8 em fevereiro deste ano. A gente tem que vender a preço de banana”, lamenta Solange. Ela relata também perdas no morango de bandeja, a variedade com frutos maiores, produzida no período mais frio. Na última comercialização, em 2025, recebeu R$ 7 por caixa com quatro cumbucas. No mesmo período do ano anterior, o valor variava entre R$ 10 e R$ 13.

    Campo das Vertentes também sente o impacto

    A pressão não se limita ao Sul do estado. Em Alfredo Vasconcelos, no Campo das Vertentes, 75% dos pouco mais de 7 mil habitantes são produtores rurais. A cidade conta com mais de cem hectares plantados com morango e produção anual de 6 mil toneladas, segundo a prefeitura local.

    Iasmin Ribeiro e Silva, que trabalha com o pai no cultivo da fruta, viu o faturamento da família despencar sete meses após concluir o programa Gestão com Qualidade em Campo (GQC), oferecido pelo Sistema Faemg Senar em parceria com o Sicoob Credivertentes, iniciativa voltada justamente para melhorar a gestão e a competitividade das propriedades rurais.

    “Parte da produção era vendida congelada e nós perdemos esse mercado. Para tentar escapar dos baixos preços na Ceasa, estamos negociando diretamente com os supermercados”, conta Iasmin. Ela ressalta ainda o peso dos insumos e o avanço de pragas e doenças cada vez mais resistentes, que elevam os custos de produção e reduzem ainda mais a margem do agricultor.

  • Família italiana produz vinhos premiados há mais de um século

    Família italiana produz vinhos premiados há mais de um século

    O agrônomo José Procópio Stella transformou a tradição familiar de cinco gerações em um negócio vitivinícola que coloca o Sul de Minas Gerais no mapa nacional dos vinhos finos. A Stella Valentino, vinícola localizada em Andradas, produz entre 15 mil e 18 mil garrafas por ano e atrai cerca de 600 visitantes mensalmente.

    O empreendimento aplica a técnica da dupla poda, método que inverte o ciclo produtivo da videira, e conquistou reconhecimento nacional. O Tempranillo 2022 recebeu medalha Duplo Ouro no All The Best – Grande Prova de Vinhos do Brasil 2025, com 93 pontos. Já o Tempranillo Gran Reserva 2023 levou medalha de Ouro no Brasil Selection 2025.

    Técnica pioneira muda qualidade da produção

    José Procópio cresceu entre as parreiras que seus antepassados italianos plantaram no final do século 19. A família Stella chegou ao Brasil em 1888, vinda do Vêneto, e começou a produzir café. Em 1910, adquiriu a propriedade atual e passou a cultivar uvas para consumo doméstico.

    “Eu sabia que dava para produzir um vinho diferente aqui, desde que respeitássemos o campo e entendêssemos o mercado”, afirma o produtor, que retornou à propriedade familiar no início dos anos 2000 após carreira profissional fora do negócio.

    A mudança de patamar aconteceu quando a vinícola adotou a técnica da dupla poda, desenvolvida pelo pesquisador Murilo Regina, da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig). A Stella Valentino aplicou o método pela primeira vez no estado.

    vinhos
    Propriedade foi a primeira a utilizar a técnica de dupla poda, desenvolvida pelo pesquisador Murilo Regina. Foto: Luciana Trindade/Sebrae Minas

    A técnica permite a colheita no inverno, período mais seco e favorável à maturação das uvas viníferas. O método reduz riscos climáticos, melhora a sanidade dos cachos e estabelece relação direta entre o manejo e a qualidade final do vinho.

    Do vinhedo à garrafa: controle total do processo

    O produtor analisa cada variedade durante anos antes de lançar um rótulo. “Primeiro analisamos a adaptação da planta; depois, a vinificação em pequena escala; e, por fim, a resposta do público. Nem tudo vira rótulo”, explica.

    A vinícola trata cada vinho como projeto técnico específico. A equipe define temperatura de fermentação, leveduras, tempo de maturação e tipo de rolha conforme o perfil desejado para cada produto.

    O terroir sul-mineiro contribui para os resultados. A região apresenta elevada incidência solar, altitude favorável e solo rico de origem vulcânica – características que proporcionam maturação equilibrada das uvas e geram vinhos mais estruturados.

    Enoturismo amplia receita e aproxima consumidor

    José Procópio identifica que a produção de vinhos finos em pequena escala envolve custos elevados e margens ajustadas. Por isso, estruturou o negócio para gerar valor além da garrafa.

    José Procópio Stella conduz um negócio estruturado desde o vinhedo. Foto: Luciana Trindade/Sebrae Minas

    A vinícola oferece degustações orientadas e venda direta ao consumidor. O enoturismo representa elemento central da estratégia comercial. A Stella Valentino planeja inaugurar um wine bar no primeiro semestre de 2026.

    “Se conseguirmos unir qualidade técnica e preço mais acessível, o mercado cresce junto”, avalia o empresário, que também desenvolve variedades mais resistentes e produtivas para ampliar o acesso a vinhos de entrada.

    Sustentabilidade integra modelo de negócio

    A vinícola possui certificação Selo Pró-Ambiente ESG. A propriedade reaproveita os resíduos da vinificação e refloreста áreas em trabalho contínuo de preservação.

    O Sebrae Minas apoia o fortalecimento de vinícolas familiares e pequenos negócios do agro na região. A entidade oferece capacitações, incentiva a inovação e promove ações para ampliação de mercado.

    “O apoio do Sebrae Minas contribui para a inserção da vinícola em espaços estratégicos e amplia a visibilidade dos rótulos. A participação em feiras e eventos do setor, como o Origem Vulcânica, aproxima o consumidor final da nossa produção, valoriza os produtos do Sul de Minas e estimula o enoturismo”, conclui José Procópio.

  • Apicultura: pecuarista mineiro transforma curiosidade em negócio

    Apicultura: pecuarista mineiro transforma curiosidade em negócio

    Osmério Fernandes Moreira trabalha há 30 anos com pecuária e agricultura em Guapé, no Sul de Minas Gerais. Há cinco anos, uma conversa casual com um hóspede transformou sua rotina e abriu portas para um novo mercado: a apicultura.

    Agricultor Osmério Fernandes, ao centro. Foto: Arquivo Pessoal

    “Aluguei meu rancho para três casais. Um dos rapazes me falou que aqui na região seria ideal para a criação de abelhas. Acatei a ideia por curiosidade e daí em diante fui montando os apiários e continuo até hoje”, conta o produtor.

    O agricultor iniciou a atividade com apenas uma colmeia. Atualmente, gerencia mais de 100 colmeias distribuídas entre Capitólio, Guapé e Pimenta. A produção anual ultrapassa 1,5 mil quilos de mel.

    Produtor supera desafios e conquista Selo Arte

    O desconhecimento sobre apicultura e a regularização da agroindústria Reserva do Imperador representaram os principais obstáculos na trajetória de Osmério. Com apoio técnico e dedicação, o apicultor venceu as adversidades.

    “Possuímos o Selo Arte, somos cadastrados no Cicanastra (Consórcio Intermunicipal da Serra da Canastra, Alto São Francisco e Médio Rio Grande), que assegura a qualidade do nosso mel e do própolis. Agora a Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Paranaíba) me convidou para viabilizar um projeto de entreposto de mel e própolis no território da Canastra”, revela o produtor.

    Emater-MG presta assistência técnica e inspira outros apicultores

    Belchior Teixeira de Souza, coordenador técnico regional de pecuária da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), acompanha o desenvolvimento do negócio de Osmério.

    O técnico explica que a regularização valoriza o produto, atesta a qualidade sanitária e abre portas para o mercado formal. A certificação também permite o acesso a programas institucionais, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

    “A história de Osmério inspira outros apicultores da região. Nós o convidamos para ministrar uma palestra durante o concurso de qualidade do mel que realizamos no ano passado. Os participantes conheceram sua trajetória, principalmente como superou os desafios e legalizou a agroindústria. Destaco ainda que ele demonstra grande envolvimento com as pautas ambientais”, afirma Belchior.

    Serra da Canastra reúne condições ideais para apicultura

    A Emater-MG incentiva a produção de mel e própolis na região da Serra da Canastra, principalmente por meio do Concurso Regional de Qualidade. Segundo Belchior, a flora preservada e o alto fluxo turístico criam condições favoráveis tanto para a criação de abelhas quanto para a comercialização dos produtos.

    A região atrai cada vez mais apicultores interessados em produzir mel de qualidade certificada e conquistar novos mercados no Sul de Minas Gerais.

  • Produtor tem a maior nota da história no Concurso de Cafés de Minas

    Produtor tem a maior nota da história no Concurso de Cafés de Minas

    O agricultor familiar João Pedro Emerick Ramos, de Alto Jequitibá, na região das Matas de Minas, alcançou um feito inédito no 22º Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais, promovido pela Emater-MG. Seu café atingiu 93,2 pontos, a maior nota já registrada desde o início da competição.

    Foto: Divulgação Emater-MG

    O anúncio dos vencedores ocorreu nesta semana, durante solenidade na sede da Emater-MG, em Belo Horizonte. As amostras foram avaliadas pela metodologia da Specialty Coffee Association (SCA), referência mundial na classificação de cafés especiais.

    Aos 24 anos, João Pedro cultiva 20 hectares de café com a família e o apoio técnico da Emater-MG. O café premiado leva o nome João Miguel, homenagem ao filho do produtor. “Desde 2019 trabalhamos com café especial. É um esforço conjunto da família, com muita dedicação e carinho. Nosso objetivo é sempre fazer tudo com excelência”, contou o campeão.

    Com o título estadual, João Pedro recebeu R$ 10 mil em prêmio. E também foi reconhecido como Produtor Destaque do programa Certifica Minas Café, o maior programa público de certificação de propriedades cafeeiras do país.

    Recorde de participação e valorização do café mineiro

    A edição de 2025 do concurso bateu recorde de inscrições, com 1.857 amostras provenientes de 162 municípios mineiros. Foram mais de 10 mil xícaras avaliadas em todas as etapas. A disputa envolveu as quatro principais regiões produtoras (Sul de Minas, Cerrado, Matas de Minas e Chapada de Minas) em duas categorias: Café Natural e Café Cereja Descascado/Despolpado/Desmucilado, com cafés 100% Arábica da safra 2025.

    Para o presidente da Emater-MG, Otávio Maia, o concurso é essencial para o desenvolvimento da cafeicultura mineira. “É uma estratégia de extensão rural e assistência técnica que incentiva a melhoria contínua da qualidade e valoriza, principalmente, a agricultura familiar presente na cafeicultura”, afirmou.

    Premiação e mercado para os cafés campeões

    Durante o evento, a cafeicultora Beatriz Aparecida de Souza Guimarães, de Serra do Salitre, no Cerrado Mineiro, recebeu o prêmio Mulher Destaque em Qualidade, com a nota de 91 pontos. Os dois primeiros colocados também receberam prêmios em dinheiro oferecidos pelo Sicoob Crediminas.

    Os cafés campeões terão compra garantida pelo Supermercado Verdemar, que pagará até R$ 6 mil por saca e lançará, em 2026, uma linha especial com os produtos vencedores.

    O secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, Thales Fernandes, destacou o papel do café no agro mineiro. “De janeiro a novembro, o agronegócio estadual exportou US$ 18,1 bilhões, superando a mineração. O café responde por 52% dessas exportações”, ressaltou.

    O Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais é promovido pela Emater-MG, em parceria com a Seapa, Ufla, Faepe e o Conselho Nacional do Café (CNC). E tem patrocínio do Sistema Sicoob Crediminas e dos Supermercados Verdemar.

    Vencedores – Categoria Cereja Descascado

    Matas de Minas
    1º João Pedro Emerick Ramos – Alto Jequitibá – 93,2 pts – CAMPEÃO ESTADUAL
    2º Flávio José Protásio de Abreu – Espera Feliz – 92,8 pts
    3º Tatiane Larissa Quintino – Manhuaçu – 92,2 pts

    Sul de Minas
    1º Flávio Roberto Carvalho Ferraz – Dom Viçoso – 88,8 pts
    2º João Onofre da Silva – São Pedro da União – 88,7 pts
    3º Thiago Chagas de Almeida – Muzambinho – 88,4 pts

    Cerrado
    1º Beatriz Aparecida de Souza Guimarães – Serra do Salitre – 91 pts
    2º Luciano Rodrigues Carneiro – Patrocínio – 88,8 pts
    3º Eduardo Pinheiro Campos – Presidente Olegário – 87,9 pts

    Chapada
    1º Vicente de Paula Rego de Lima – Angelândia – 88,2 pts
    2º Vílson dos Reis Resende – Rio Pardo de Minas – 86,8 pts

    Vencedores – Categoria Café Natural

    Matas de Minas.
    lass=”yoast-text-mark” />>1º José Alexandre de Abreu Lacerda – Espera Feliz – 92,8 pts
    2º Augusto Evaristo Lacerda – Espera Feliz – 92,3 pts
    3º Luiz Felipe Lacerda Gomes – Espera Feliz – 91,2 pts

    Sul de Minas.
    >1º Rosângela Camelo Sebe Barbosa – Dom Viçoso – 91,4 pts
    2º Gabriel Borges Oliveira – Carmo do Rio Claro – 91,1 pts

    3º Pieter Keijsers – São Sebastião do Paraíso – 90,6 pts

    Cerrado.
    1º Sílvia Nishikawa – Campos Altos – 89,4 pts
    2º Márcia Mayumi Tomizawa – Carmo do Paranaíba – 88,1 pts
    3º Thiago Corsi – Rio Paranaíba – 87,9 pts

    Chapada.
    1º Cláudio Fujio Nakamura – José Gonçalves de Minas – 87,4 pts
    2º Ecoagrícola – Francisco Dumont – 87 pts

    Produtor Certifica Minas Café: João Pedro Emerick Ramos – Alto Jequitibá

    Mulher Destaque em Qualidade/Certifica Minas Café: Beatriz Aparecida de Souza Guimarães – Serra do Salitre

    Extensionista Destaque: Antônio Fernando Teixeira – Carangola

  • Pecuaristas do Sul de Minas investem em  fertilização in vitro

    Pecuaristas do Sul de Minas investem em fertilização in vitro

    Pecuaristas de leite dos municípios de Santa Rita de Caldas, Caldas, Ipuiúna e Senador José Bento, no Sul de Minas Gerais, estão investindo em fertilização in vitro (FIV) para aprimorar geneticamente seus rebanhos. A iniciativa já beneficia mais de 30 produtores da região. E é resultado de uma parceria entre Emater-MG, Sebrae Minas e prefeituras locais, e tem impulsionado o aumento do rebanho e da produtividade leiteira.

    A fertilização in vitro é uma biotecnologia de reprodução que coleta óvulos de vacas selecionadas e os fecunda em laboratório com sêmen de touros de alta qualidade genética. Em seguida, técnicos transferem os embriões resultantes para vacas receptoras, o que acelera o melhoramento genético do rebanho.

    Segundo Rodrigo Beck Júnior, coordenador técnico regional de Pecuária da Emater-MG, a técnica é eficiente, mas exige alto investimento. Para facilitar o acesso dos pequenos produtores, o programa Sebraetec FIV, do Sebrae Minas, subsidia 70% do custo da transferência de embriões, enquanto o restante é pago pelo produtor. A Emater-MG atua na mobilização, orientação técnica e acompanhamento dos processos, desde a gestação até o nascimento dos bezerros.

    Resultados práticos: mais produtividade e sustentabilidade

    O produtor Eliton Ferreira Silva é um dos beneficiados pelo programa. Ele realizou o sonho de criar um rebanho girolando, predominantemente de animais meio-sangue, graças ao acesso facilitado à FIV. “O resultado foi excelente, aumentei muito a minha produção. Os animais são mais resistentes a doenças e mais férteis”, comemora. Atualmente, Eliton possui mais de 100 cabeças, sendo 57 provenientes da fertilização in vitro, e pretende continuar investindo na tecnologia para expandir sua produção de leite.

    Entre as vantagens do melhoramento genético via FIV estão o rápido avanço do padrão racial e a valorização financeira do rebanho. Além da maior eficiência produtiva e menor impacto ambiental. “É possível aumentar a produção com menos animais, reduzindo a emissão de gases de efeito estufa, a necessidade de áreas para pastagem, o volume de dejetos e o consumo de água”, explica Rodrigo Beck.

    Expansão do programa e impacto regional

    De acordo com Ivan Figueiredo, analista técnico do Sebrae Minas, o programa Sebraetec FIV, iniciado em 2019, já atende tanto pecuaristas de leite quanto de corte. A expectativa é ampliar a iniciativa para outros municípios, como Jacutinga, São Pedro da União e Guaranésia. E assim, promover uma pecuária mais sustentável, competitiva e rentável em toda a região.

    Para participar do programa, o produtor precisa apresentar documentos pessoais, inscrição de produtor rural e ter ao menos 10 animais aptos ao protocolo reprodutivo. E cadastrar-se no escritório local da Emater-MG.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Operação apreende mais de 50 toneladas de soja no Rio Grande do Sul

    + Agro em Campo: Greening ameaça pomares do Vale do Ribeira

  • Área plantada com maçã cresce mais de 40% no Sul de Minas

    Área plantada com maçã cresce mais de 40% no Sul de Minas

    A produção de maçã no Sul de Minas Gerais deve registrar um crescimento expressivo em 2025. Segundo estimativas de produtores e técnicos, a área plantada, atualmente de 7,2 hectares, deve saltar para 10,2 hectares no segundo semestre. Ou seja, um aumento de quase 42%. O avanço é impulsionado pelo bom desempenho da fruta na região e pelo interesse crescente dos agricultores locais.

    O crescimento se deve, principalmente, à aquisição conjunta de 2 mil mudas de maçã por um grupo de 20 produtores dos municípios de Arceburgo, Areado, Alfenas, Botelhos, Bom Jesus da Penha, Carvalhópolis, Cássia, Guaranésia, Guaxupé, Itamogi, Machado, Monte Santo de Minas, Paraguaçu, Poço Fundo e São Pedro da União. As mudas, provenientes de viveiros do Sul do país, chegam em julho e têm previsão de início de produção em dois anos.

    Com a nova área de três hectares, a expectativa é alcançar uma produção de até 60 toneladas de maçã por ano, quando as árvores estiverem em pleno desenvolvimento. O projeto visa abastecer o mercado regional com frutas frescas, reduzindo a dependência de maçãs vindas de outros estados.

    Expansão

    A introdução da cultura de maçã no Sul de Minas é recente. Mas ganhou força a partir de 2022, quando a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) implantou unidades demonstrativas em propriedades da região. Os resultados positivos animaram os produtores, que viram na fruta uma alternativa de renda e diversificação agrícola. Especialmente em áreas onde o café não é viável devido às geadas.

    Nas primeiras colheitas das unidades demonstrativas, mesmo com plantas ainda jovens, os produtores colheram 30 toneladas de maçã. As variedades Eva e Princesa, desenvolvidas pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), mostraram boa adaptação ao clima local — com inverno menos rigoroso do que o das tradicionais regiões produtoras do Sul do Brasil — e, por isso, foram escolhidas para o cultivo.

    Além do mercado consumidor regional, os produtores miram o fornecimento para programas institucionais, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), que tem alta demanda pela fruta. “É uma boa oportunidade para os produtores de Minas conquistarem este mercado. Mercado que ainda depende da maçã vinda de outros estados”, destaca Deny Sanábio, coordenador estadual de Fruticultura da Emater-MG.

    Outro diferencial da cultura é o período de produção, que ocorre fora da safra do café. Portanto, possibilitando melhor distribuição da renda ao longo do ano. “A maçã é uma alternativa para diversificação, inclusive em áreas onde não se planta café. Mas é uma cultura técnica, que exige atenção especial com podas e tratos culturais”, explica Geraldo José Rodrigues, técnico da Emater-MG em Guaranésia.

    Leia mais:

    + Agro em Campo: Capivara dá show e cruza rio mergulhando como um foguete

    + Agro em Campo: Saiba quais são as 10 picapes mais vendidas no Brasil

  • Batata em alta: preço sobe mais de 40% no atacado

    Batata em alta: preço sobe mais de 40% no atacado

    O preço da batata tipo ágata especial no atacado paulista alcançou R$ 210,49 por saca de 25 quilos na última semana, representando um aumento de 41,07% em relação ao período anterior.

    Essa valorização é atribuída às chuvas que ocorreram durante a semana, que afetaram negativamente a colheita nas regiões produtoras do Paraná, que estão no meio da temporada das secas, e também nas praças de Guarapuava (PR) e no Sul de Minas, que estão no fim da temporada das águas.

    No Rio de Janeiro e em Belo Horizonte (MG), as altas foram de 35,55% e 34,56%, respectivamente, com as médias passando para R$ 203,33 por saca e R$ 193,46 por saca.

    Segundo pesquisadores do Hortifrúti/Cepea, a oferta deve aumentar na próxima semana, pois não é esperado um volume significativo de chuva em nenhuma praça. Isso pode ajudar a estabilizar os preços, mas por ora, a alta da batata continua a impor-se no mercado.