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  • Consumo de cerveja cai 19% no Brasil e categoria enfrenta crise

    Consumo de cerveja cai 19% no Brasil e categoria enfrenta crise

    A indústria cervejeira brasileira enfrenta uma transformação que vai muito além dos recentes anúncios de reestruturação. Dados da Worldpanel by Numerator revelam uma mudança estrutural no comportamento do consumidor: a cerveja está perdendo espaço nos finais de semana, seu território tradicional.

    As ocasiões anuais de consumo dentro do lar caíram 19,4% nos 12 meses até junho de 2025 em comparação com o ano anterior, totalizando 167,7 milhões de ocasiões. O recuo concentra-se nos finais de semana (sexta a domingo), que registraram queda de 25,4%. Em contraste, os dias de semana (segunda a quinta) cresceram 6,2% em participação nas ocasiões.

    “O setor enfrenta um ajuste que não é apenas financeiro. Estamos vendo uma redefinição do papel da cerveja na rotina do brasileiro. O desafio deixou de ser apenas volume. Passou a ser relevância”, afirma David Fiss, Diretor Sênior de Novos Negócios da Worldpanel by Numerator no Brasil.

    Brasileiro troca momento social por consumo solitário

    O consumo individual saltou de 13,6% das ocasiões em 2024 para 22,4% em 2025, um crescimento de 64%. A cerveja deixa de ocupar predominantemente momentos compartilhados com amigos e passa a fazer parte de experiências pessoais.

    Nos finais de semana, ocasiões compartilhadas ainda predominam (77%), mas registram queda relevante de 9,3 pontos percentuais versus o ano anterior. Durante a semana, 80% das ocasiões ainda envolvem outras pessoas, porém também com redução de 7,4 pontos percentuais.

    O número de usuários semanais caiu 24,1%. Hoje, apenas 4,5% dos consumidores bebem cerveja ao menos uma vez por semana. Um sinal claro de que a categoria perde seus consumidores mais frequentes.

    “A categoria nasceu social. Quando o consumo se individualiza, o modelo inteiro precisa ser revisto da embalagem à comunicação”, completa Fiss.

    Consumo em casa resiste, mas volume por ocasião diminui

    O consumo fora do lar sofre pressão mais forte, especialmente em restaurantes e com vendedores ambulantes. Já o consumo doméstico mantém-se relativamente estável, mas com reconfiguração interna: marcas e segmentos de menor custo ganham espaço, enquanto o Premium e o consumo médio apresentam retração em unidades.

    O cenário macroeconômico e fatores climáticos, principalmente nas regiões Sul e Sudeste, também influenciam negativamente o desempenho da categoria.

    Outras bebidas avançam e tomam espaço da cerveja

    A disputa por ocasiões de consumo, o chamado “share of throat”, intensifica-se. Refrigerantes, sucos, vinhos e energéticos avançam em diferentes faixas etárias, enquanto a cerveja registra variações negativas em praticamente todos os grupos geracionais.

    Nos churrascos, tradicionalmente dominados pela cerveja, a bebida e os refrigerantes perdem participação para vinho, outras bebidas alcoólicas e sucos.

    “O consumidor continua buscando prazer, mas com mais controle e menos frequência. É um prazer racionalizado”, destaca Fiss.

    Gerações respondem de forma diferente

    A Geração Z consome menos cerveja do que as gerações anteriores e divide preferência com outras bebidas. A Geração X, hoje o maior grupo consumidor, começa a desacelerar, influenciada por maior preocupação com saúde e moderação. Entre os Millennials, cresce o consumo individual e fora dos grandes rituais sociais.

    “O que vemos é uma transição silenciosa: a cerveja deixa de ser um hábito automático e passa a ser uma escolha contextual”, analisa David Fiss.

    Semana e futebol aparecem como oportunidades

    O crescimento das ocasiões durante a semana, especialmente às quartas-feiras, tradicional dia de transmissões de futebol, abre oportunidade estratégica para a categoria. A Copa do Mundo de 2026 surge como potencial momento de alavancagem.

    Ao mesmo tempo, a retração do fim de semana exige estratégias promocionais direcionadas e reposicionamento de portfólio para recuperar território perdido.

    “Os recentes anúncios de reestruturação na indústria sinalizam ajustes financeiros importantes. Mas os dados de consumo mostram algo mais profundo: a categoria está passando por uma redefinição de papel. O desafio agora não é apenas vender mais litros, mas reconstruir relevância na rotina e na cultura do consumidor”, alerta David Fiss.

  • Embrapa lança novas uvas que prometem revolucionar a produção de vinhos e sucos

    Embrapa lança novas uvas que prometem revolucionar a produção de vinhos e sucos

    A Embrapa Uva e Vinho (RS) apresentou as cultivares BRS Lis e BRS Antonella, duas novas uvas tintureiras que prometem transformar a produção brasileira de sucos e vinhos de mesa. As variedades trazem elevada pigmentação na casca e polpa, característica essencial para a indústria de processamento.

    O lançamento conjunto destaca a sinergia entre as duas cultivares. Juntas, elas ampliam a eficiência produtiva, reduzem riscos de doenças e melhoram a qualidade dos produtos finais da agroindústria.

    O programa de melhoramento genético Uvas do Brasil desenvolveu as cultivares especificamente para a Serra Gaúcha, principal polo brasileiro de uvas para processamento. Os pesquisadores avaliaram as variedades durante mais de dez anos em áreas experimentais da Embrapa e em unidades de validação, com participação ativa de produtores e cooperativas.

    Características complementares beneficiam produtores

    A BRS Lis amadurece em ciclo intermediário, com colheita na primeira quinzena de fevereiro. A cultivar tolera o míldio, doença que causa efeitos severos nos vinhedos, e resiste às podridões dos cachos. Além disso, oferece mosto de alta qualidade, acidez equilibrada, coloração intensa e elevado teor de açúcares.

    “Seus cachos soltos contribuem para menor incidência de doenças e maior estabilidade produtiva. Favorecendo sistemas de cultivo mais sustentáveis”, analisa a pesquisadora Patrícia Ritschel, coordenadora do programa Uvas do Brasil.

    João Dimas Garcia Maia e Patrícia Ritsche, pesquisadores. Foto: Viviane Zanella

    A BRS Antonella, por sua vez, apresenta alto potencial produtivo, com rendimento semelhante ou superior às cultivares tradicionais mais plantadas. A variedade fornece volume de produção e intensidade de cor em sucos e vinhos.

    “A BRS Antonella tem ciclo intermediário e se adapta bem à Serra Gaúcha, o que possibilita uma integração eficiente aos sistemas produtivos já consolidados”, destaca João Dimas Garcia Maia, também coordenador do programa.

    Combinação reduz dependência de cultivares tradicionais

    A combinação das duas cultivares permite ajustes finos nos cortes industriais. Os produtores podem unir o volume produtivo da BRS Antonella com a qualidade tecnológica, sanidade e intensidade de cor da BRS Lis. Essa estratégia reduz a dependência de cultivares tradicionais suscetíveis a doenças ou com limitações produtivas.

    A vitivinicultura brasileira, especialmente no Rio Grande do Sul, concentra a produção em uvas para sucos e vinhos de mesa. Historicamente, o setor depende de poucas cultivares americanas e híbridas, como Isabel, Bordô e Concord. Essas variedades apresentam vantagens, mas também enfrentam desafios relacionados à sanidade, produtividade e qualidade tecnológica.

    “A entrega dessas duas cultivares tem alto potencial de impacto para o setor produtivo. Elas mantêm características positivas das tradicionais e trazem diferenciais que fortalecem a autonomia tecnológica, criam novas possibilidades de manejo, escalonamento de colheita e qualificação dos produtos finais, agregando valor”, destaca o chefe-geral da Embrapa Uva e Vinho, Adeliano Cargnin.

    Sucos e vinhos com maior qualidade sensorial

    Mauro Zanus, pesquisador da área de enologia da Embrapa, conduziu vinificações e avaliações sensoriais das novas cultivares. As análises identificaram que os sucos e vinhos elaborados com BRS Lis apresentam acidez equilibrada, elevada intensidade de cor, boa estrutura de taninos e excelente paladar.

    “A cultivar produz bastante açúcar, o que resulta em sucos doces e vinhos com teor de álcool natural, dispensando a adição de sacarose externa na fase de fermentação”, destaca o pesquisador.

    A BRS Antonella contribui com intensidade de cor e rendimento. A variedade se destaca em cortes industriais, pois eleva o padrão visual e a regularidade dos produtos. “Os sucos e vinhos incorporam mais coloração, aroma característico de uvas americanas, sabor balanceado e boa estrutura de taninos”, pontua Zanus.

    Maior concentração de compostos antioxidantes

    As cultivares BRS Lis e BRS Antonella apresentam elevado conteúdo de compostos fenólicos, especialmente polifenóis totais e antocianinas, quando comparadas às cultivares tradicionais como Isabel e Concord. Esses compostos respondem diretamente pela intensidade de cor, pela estrutura sensorial dos sucos e vinhos e pelo potencial antioxidante dos produtos.

    Foto: Viviane Zanella / Embrapa

    Os estudos da Embrapa mostraram que os índices de polifenóis totais (IPT) dos sucos e vinhos elaborados com BRS Lis equivalem ou superam os da cultivar Bordô. Os valores também se mostraram significativamente maiores do que os observados em Isabel e Concord. A BRS Antonella também apresentou elevados teores de antocianinas, contribuindo de forma consistente para a intensificação da coloração em cortes industriais.

    “Essa maior concentração de polifenóis e taninos confere aos produtos finais maior estabilidade de cor, melhor resistência à oxidação e maior valor tecnológico, elevando o padrão visual e sensorial dos sucos e vinhos”, explica Zanus.

    Vantagens econômicas para viticultores

    O pesquisador José Fernando da Silva Protas, da área de socioeconomia da Embrapa, aponta que o uso combinado das duas cultivares representa uma alternativa estratégica para os produtores.

    “As características das novas uvas, aliadas aos seus bons potencial enológico e desempenho industrial, contribuem para a redução dos custos de produção. Especialmente pela menor suscetibilidade a doenças como o míldio e as podridões dos cachos proporcionada pela BRS Lis e maior previsibilidade produtiva da BRS Antonella, favorecendo a rentabilidade por área”, afirma.

    Produtores validam novas cultivares em campo

    A Embrapa realizou a validação em campo com associados das Cooperativas Aurora, São João e Agroindustrial Paraíso, nos municípios de Bento Gonçalves, Pinto Bandeira, São Valentim do Sul, Farroupilha e Dois Lajeados, todos no Rio Grande do Sul.

    René Tonello, presidente da Cooperativa Vinícola Aurora, destaca que as novas cultivares atendem demandas como produtividade e cor, requisitos fundamentais para o setor produtivo.

    “Vejo com bastante entusiasmo a condução do trabalho da Empresa, que considera os diferentes microclimas e produtores e realiza testes onde a uva será de fato produzida. Queremos assertividade na hora de implantar o vinhedo”, diz.

    O viticultor Fabiano Orsato validou as duas cultivares em sua propriedade. Dos 15 hectares cultivados por sua família, ele já decidiu substituir a uva Isabel pelas cultivares BRS Lis e BRS Antonella em dois hectares.

    “Além de receberem um valor semelhante ao das viníferas, a facilidade da colheita da BRS Lis é muito boa para produtores como nós, que contam com pouca mão de obra, na sua maioria familiar”, afirma. O produtor planeja fazer a mudança em outras áreas. “Gostamos muito das novas uvas que a Embrapa lança. Sabemos que logo virão mais novidades e já queremos testá-las”, complementa.

    Os viveiristas licenciados pela Embrapa disponibilizam o material propagativo das cultivares BRS Lis e BRS Antonella, garantindo qualidade genética e fitossanitária das mudas. O site da Embrapa Uva e Vinho mantém a relação atualizada de viveiristas autorizados.

  • Casca de jabuticaba e óleo de pequi protegem probióticos em alimentos ácidos

    Casca de jabuticaba e óleo de pequi protegem probióticos em alimentos ácidos

    Pesquisadores da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade Estadual de Campinas (FEA-Unicamp) desenvolveram uma tecnologia que pode transformar o mercado de alimentos funcionais. Eles criaram microesferas protetoras, utilizando casca de jabuticaba e óleo de pequi, que ampliam drasticamente a resistência de probióticos em produtos vegetais e à base de frutas.

    Foto: Igor Alisson /Inova Unicamp

    A inovação soluciona um grande entrave da indústria: a alta sensibilidade desses microrganismos benéficos à acidez, ao açúcar e às variações de temperatura em alimentos não lácteos. Com a nova técnica, os probióticos sobrevivem e permanecem viáveis em ambientes antes considerados hostis, como sucos, polpas, geleias e bebidas vegetais.

    Como funciona a proteção com frutas brasileiras

    A tecnologia aprimora uma patente anterior do mesmo grupo. Os cientistas combinam métodos de encapsulação para criar uma matriz com alginato de cálcio (polímero natural), casca de jabuticaba em pó e óleo de pequi. Essa combinação forma emulsões duplas que atuam como verdadeiros escudos para os probióticos.

    “Testamos os probióticos encapsulados em ambientes extremos, com alta acidez e concentração de açúcar, e eles permaneceram viáveis. A casca de jabuticaba e o óleo de pequi criam camadas adicionais de proteção”, explica o professor Juliano Lemos Bicas, um dos inventores da tecnologia.

    Além do ganho funcional, a fórmula valoriza a biodiversidade nacional e promove um aproveitamento mais nobre para resíduos agroindustriais. “A combinação não só apresenta melhor desempenho, como também transforma subprodutos, que muitas vezes viram compostagem, em ingredientes de alto valor agregado e benefício à saúde”, destaca Bicas.

    Próximos passos e licenciamento

    A pesquisa, conduzida junto aos doutores Marina Felix Cedran e Fábio Júnior Rodrigues, já passou por testes em escala piloto com parceiros industriais. O próximo objetivo é validar e ampliar a escala para produção industrial.

    A tecnologia tem proteção intelectual via Certificado de Adição e recebeu apoio da Agência de Inovação Inova Unicamp. Ela já está disponível no Portfólio de Tecnologias da universidade para licenciamento por empresas interessadas.

    “A Inova tem uma estrutura que nos orienta da proteção intelectual até a interface com empresas. É o que garante que nossas pesquisas cheguem ao mercado”, avalia o pesquisador.

    A inovação contribui diretamente para o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 3 – Saúde e Bem-Estar, ao criar alternativas alimentares mais inclusivas e promover uma economia circular.

    Empresas interessadas em licenciar esta tecnologia podem entrar em contato diretamente com a Inova Unicamp através do formulário de conexão disponível no site da Agência.

  • São Paulo lidera exportações do agronegócio

    São Paulo lidera exportações do agronegócio

    O estado de São Paulo manteve a liderança nas exportações do agronegócio brasileiro no primeiro trimestre de 2025, encerrando o período com superávit de US$ 4,9 bilhões na balança comercial do setor. Os dados, divulgados pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, apontam que o valor representa uma queda de 19,9% em comparação com o mesmo período de 2024. Ainda assim, o resultado reafirma a força do agronegócio paulista no cenário nacional.

    Entre janeiro e março, as exportações do setor somaram US$ 6,4 bilhões, valor 14,6% inferior ao registrado no ano anterior. As importações, por sua vez, alcançaram US$ 1,5 bilhão, com crescimento de 9,5% na comparação interanual. O secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Guilherme Piai, destacou que o resultado demonstra a solidez de uma base produtiva diversificada, com capacidade para manter bons indicadores mesmo diante de instabilidades de mercado.

    A análise técnica foi elaborada pelo coordenador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), Carlos Nabil Ghobril, em parceria com os pesquisadores José Alberto Ângelo e Marli Dias Mascarenhas Oliveira, do Instituto de Economia Agrícola (IEA-Apta). Segundo o estudo, as exportações do agro paulista representaram 41,7% do total exportado pelo estado no primeiro trimestre, enquanto as importações do setor corresponderam a 6,8% do total estadual.

    Principais produtos exportados pelo agronegócio paulista

    Cinco grupos de produtos concentraram 73% das exportações do agronegócio paulista no período:

    • Complexo sucroalcooleiro: com 25,8% de participação e receita de US$ 1,65 bilhão, sendo o açúcar responsável por 88,7% e o etanol por 11,3%.
    • Carnes: representando 13,9% das exportações, totalizou US$ 887,9 milhões, com a carne bovina respondendo por 82,5% desse valor.
    • Sucos: com 13,5% de participação e receita de US$ 863,07 milhões, dos quais 98,2% se referem ao suco de laranja.
    • Produtos florestais: alcançaram US$ 758,98 milhões, com destaque para celulose (55,1%) e papel (35,5%).
    • Complexo soja: somou US$ 507,27 milhões, sendo 81,7% referente à soja em grãos.

    O café aparece logo em seguida, com US$ 465,75 milhões exportados, representando 7,3% da pauta paulista. Do total, 73,4% correspondem ao café verde e 23,1% ao café solúvel.

    Apesar da queda no complexo sucroalcooleiro (-50,5%) e no complexo soja (-17,9%), alguns segmentos apresentaram crescimento expressivo: café (+67,2%), sucos (+37,5%), carnes (+25%) e produtos florestais (+6%).

    Destinos mais relevantes para os produtos paulistas

    A China segue como principal destino das exportações do agronegócio paulista, com 19,3% de participação, concentrando as compras nos segmentos de soja (29%), carnes (28%) e produtos florestais (23%). Em seguida, aparecem:

    • União Europeia: com 16,4%, sendo os principais produtos sucos (37%), café (17%) e produtos florestais e vegetais (11% cada).
    • Estados Unidos: com 15,9% de participação, adquirindo sucos (40%), carnes (15%), produtos de origem animal (9,5%), florestais (8,8%) e café (8,6%).
    • Na comparação com o primeiro trimestre de 2024, São Paulo registrou queda de 12,6% nas exportações para a China. Em contrapartida, as vendas para a União Europeia cresceram 34,4%, e para os Estados Unidos, 27,7%.

    Participação de São Paulo no cenário nacional

    No panorama nacional, São Paulo respondeu por 16,9% das exportações do agronegócio brasileiro, mantendo a liderança entre os estados exportadores. Mato Grosso aparece em segundo lugar com 15,7%, seguido por Minas Gerais, com 11,9% — este último com destaque no comércio internacional de café.

    O Brasil encerrou o primeiro trimestre de 2025 com US$ 37,83 bilhões em exportações do agronegócio, resultado 2,1% superior ao do mesmo período de 2024. As importações do setor somaram US$ 5,18 bilhões, um aumento de 11,9%.

    O saldo comercial positivo do agro brasileiro atingiu US$ 32,65 bilhões, representando um crescimento de 0,7% em relação ao primeiro trimestre do ano anterior. O desempenho robusto do setor continua sendo fundamental para equilibrar o déficit comercial gerado pelos demais segmentos da economia nacional.

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  • Conheça o muruci: fruta nativa do Brasil está na época de colheita

    Conheça o muruci: fruta nativa do Brasil está na época de colheita

    O muruci (Brosimum gaudichaudii) é uma fruta nativa da Mata Atlântica brasileira, especialmente encontrada nas regiões Norte e Nordeste do país. Conhecida por seu sabor adocicado e aroma marcante, o fruto tem ganhado destaque não apenas pela sua palatabilidade, mas também por suas diversas utilidades e potencial econômico.

    O muruci é uma fruta de casca fina e polpa suculenta, que pode variar de amarelo a laranja. A árvore pode atingir até 15 metros de altura e floresce entre os meses de setembro e dezembro. A colheita geralmente ocorre entre janeiro e março, quando os frutos estão maduros.

    A produção do muruci é predominantemente artesanal, realizada por pequenos agricultores que cultivam a fruta em sistemas agroflorestais. Essa prática não apenas preserva a biodiversidade local, mas também contribui para a sustentabilidade ambiental, uma vez que as árvores de muruci ajudam a manter a qualidade do solo e a regular o microclima da região.

    Utilidades da fruta

    O muruci é uma fruta versátil que pode ser consumida in natura ou utilizada na produção de diversos produtos. Entre suas principais utilidades estão:

    • Alimentação: O muruci é frequentemente utilizado para fazer sucos, geleias, sorvetes e licores. Seu sabor doce e aroma característico fazem dele uma excelente opção para sobremesas e bebidas refrescantes.
    • Propriedades nutricionais: A fruta é rica em vitaminas A e C, além de conter antioxidantes que ajudam a fortalecer o sistema imunológico. Seu consumo regular pode contribuir para a saúde da pele e melhorar a visão.
    • Uso medicinal: Na medicina tradicional, as pessoas utilizam o muruci para tratar problemas respiratórios, inflamações e como um laxante natural. Além disso, costumam preparar infusões com as folhas da árvore devido às suas propriedades anti-inflamatórias.

    O cultivo do muruci apresenta um grande potencial econômico para os pequenos produtores rurais. Com o aumento da demanda por produtos naturais e orgânicos, essa fruta pode se tornar uma alternativa viável para diversificação da renda agrícola. Além disso, iniciativas de agroecologia têm incentivado o cultivo do muruci como parte de sistemas agroflorestais, promovendo a conservação ambiental.

    Regiões produtoras

    As principais regiões produtoras de muruci no Brasil incluem estados como Bahia, Pará, Maranhão e Piauí. Nesses locais, o clima tropical e as condições de solo favorecem o crescimento das árvores, permitindo uma produção sustentável ao longo dos anos.

    Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

    O muruci é uma fruta nativa com um rico potencial tanto nutricional quanto econômico. Sua versatilidade na culinária e suas propriedades benéficas à saúde fazem dela uma opção atrativa para consumidores conscientes. À medida que mais agricultores adotam seu cultivo sustentável, o muruci pode se consolidar como um importante produto regional no mercado brasileiro, contribuindo para a valorização da biodiversidade e o fortalecimento das economias locais.

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  • 9 mil litros de sucos sem registro são apreendidos

    9 mil litros de sucos sem registro são apreendidos

    Uma operação de fiscalização do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) no Vale do Paraíba, em São Paulo, resultou na apreensão de 14 mil mudas de espécies frutíferas e quase 9 mil litros de suco irregular. As mudas foram encontradas em um viveiro sem a devida inscrição no Mapa, levando à autuação da produtora, que foi instada a regularizar sua situação.

    Estabelecimento produtor dos sucos não tem registro no Mapa, na área de bebidas.

    Além disso, os fiscais interceptaram 8.719 litros de quatro tipos de sucos em uma cooperativa de produtores orgânicos em Pindamonhangaba. O estabelecimento responsável pela produção dos sucos não possuía registro na área de bebidas do Mapa, e os produtos seriam destinados à venda para prefeituras da região, com o objetivo de serem utilizados na merenda escolar. Sendo assim, é considerado irregular a venda e produção dos produtos.

    Apreensão ainda permite defesa

    As apreensões foram feitas de forma cautelar, portanto será permitido que os produtos sejam liberados caso sejam regularizados. A operação envolveu equipes de diferentes setores do Mapa, incluindo inspeção de mudas e sementes, produtos orgânicos e a unidade regional em Guaratinguetá.

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    A fiscalização ocorreu entre os dias 4 e 7 de novembro, com a equipe percorrendo 636 quilômetros para acessar os estabelecimentos. Assim, essa ação marca o início bem-sucedido da fiscalização conjunta nas áreas de mudas e produtos orgânicos na região do Vale do Paraíba. Portanto as equipes já planejam repetir a operação em 2025.

    Durante a fiscalização, também foram inspecionados produtores de mudas em Campos do Jordão e São José dos Campos, além de estabelecimentos relacionados à produção orgânica em Jacareí e Pindamonhangaba. Além disso, amostras de produtos vegetais também foram coletadas para análise laboratorial da qualidade orgânica.

  • Agro paulista cresce 11,2% e lidera exportações nacionais

    Agro paulista cresce 11,2% e lidera exportações nacionais

    São Paulo mantém a liderança nas exportações do agronegócio brasileiro. O setor paulista registrou alta de 11,2% entre janeiro e outubro de 2024, alcançando US$ 25,77 bilhões. No mesmo período, as importações somaram US$ 4,74 bilhões, resultando em um superávit de US$ 21,03 bilhões. Ou seja, esse saldo reforça a importância do agronegócio para a economia estadual.

    O levantamento, conduzido por Carlos Nabil Ghobril, coordenador da Apta, e pesquisadores do Instituto de Economia Agrícola (IEA), destaca que o setor agro respondeu por 43,6% das exportações paulistas no período. As importações do segmento representaram 7,4% do total estadual.

    Enquanto isso, os demais setores da economia estadual acumularam um déficit de US$ 26,13 bilhões, evidenciando o papel do agronegócio na redução do saldo negativo da balança comercial paulista.

    Principais produtos e crescimento

    Cinco grupos de produtos concentraram 79,8% das exportações agropecuárias paulistas:

    • Complexo sucroalcooleiro: 40,7% de participação (US$ 10,48 bilhões), com o açúcar representando 93% desse total.
    • Carnes: 11,2% de participação (US$ 2,89 bilhões), lideradas pela carne bovina (84,1%).
    • Produtos florestais: 10,3% de participação (US$ 2,66 bilhões), com destaque para celulose (55,2%).
    • Sucos: 9,1% de participação (US$ 2,34 bilhões), sendo 98,2% de suco de laranja.
    • Complexo soja: 8,5% de participação (US$ 2,18 bilhões), com 77,1% de soja em grão.

    Ao mesmo tempo, o café registrou alta de 41,4%, somando US$ 1,06 bilhão, com destaque para o café verde (71,7%). Outras altas incluem sucos (+30,6%), complexo sucroalcooleiro (+23,9%) e produtos florestais (+18,9%). Já o complexo soja sofreu queda de 35%, impactado por variações de preço e volume exportado.

    Importações e participação nacional

    Nas importações, os principais produtos foram salmão (US$ 383,63 milhões), papel (US$ 340,14 milhões) e trigo (US$ 271,41 milhões). Juntos, os dez itens mais importados somaram US$ 2,09 bilhões, ou 44,2% das importações agropecuárias paulistas.

    No cenário nacional, São Paulo respondeu por 18,4% das exportações do agronegócio brasileiro, superando Mato Grosso (16,9%) e Paraná (11,3%). O estado lidera as exportações de sucos (83,7%), complexo sucroalcooleiro (63,1%) e produtos alimentícios diversos (73,9%).

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    Balança comercial brasileira

    O agronegócio brasileiro acumulou superávit de US$ 123,78 bilhões até outubro de 2024, apesar de uma leve redução de 1,6% em comparação ao ano anterior. Em resumo, as exportações setoriais somaram US$ 140,02 bilhões, representando 49,3% das vendas externas do país.

    Os principais grupos exportados foram complexo soja (US$ 50,33 bilhões), carnes (US$ 21,49 bilhões), complexo sucroalcooleiro (US$ 16,60 bilhões), produtos florestais (US$ 14,31 bilhões) e café (US$ 9,75 bilhões). Portanto, juntos, esses produtos concentraram 80,3% das exportações do agronegócio brasileiro.

    Destaques incluem aumentos nas vendas de café (+51,0%) e complexo sucroalcooleiro (+26,6%). Por outro lado, o complexo soja registrou queda de 16,8%, refletindo oscilações no mercado internacional.