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  • Agricultores descobrem que o fruto da juçara vale mais do que o palmito ilegal

    Agricultores descobrem que o fruto da juçara vale mais do que o palmito ilegal

    Pequeno, roxo e nutritivo, o fruto da palmeira juçara (Euterpe edulis) conquista espaço crescente na gastronomia brasileira e desponta como alternativa econômica sustentável no litoral do Paraná. Historicamente devastada pelo corte ilegal para extração do palmito, a espécie, ameaçada de extinção, encontra no aproveitamento do seu fruto uma nova forma de protagonismo: gerar renda para agricultores familiares sem derrubar uma única árvore.

    O movimento ganha força com o projeto Paisagens Multifuncionais da Grande Reserva Mata Atlântica, conduzido pela SPVS (Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental) e financiado pelo Programa Biodiversidade Litoral do Paraná (BLP). A iniciativa promove o uso sustentável da juçara no território da Grande Reserva da Mata Atlântica (GRMA), bioma do qual resta pouco mais de 7% da cobertura original, parte significativa localizada justamente no litoral paranaense.

    “O fruto da juçara tem potencial de se tornar o principal produto da bioeconomia do litoral paranaense”, afirma Rodrigo Condé, coordenador de projetos da SPVS. Segundo ele, a versatilidade e a disponibilidade da espécie na região permitem integrá-la a sistemas agroflorestais, reduzindo a pressão pelo corte ilegal, sua principal ameaça.

    De sorvete a drink espumante: a juçara chega às cozinhas criativas

    Na gastronomia, o fruto aparece em preparos que vão de bolos, pães e sorvetes a molhos, pratos com peixe e bebidas sofisticadas. A coloração intensa e o sabor marcante diferenciam os produtos e ampliam o apelo comercial.

    O barista e influenciador digital Léo Oliva é um dos que experimenta a juçara em drinks para comercialização. “Por ter muitas antocianinas e taninos, a juçara me remete ao vinho. Tentei trazer essa referência com uma acidez diferente, semelhante à de um espumante, dentro de uma soda de juçara”, explica.

    Em Antonina, a empresária Maristela Mendes, fundadora da Bananina, produtora de balas tradicionais de banana, acaba de lançar uma versão com juçara. “Buscamos valorizar a juçara, que é típica da região e traz sabor e tonalidade roxa. O que agrega valor e contribui para incluir pequenos agricultores familiares”, diz ela, que aceitou o convite da SPVS para desenvolver o produto.

    Preservar compensa mais do que cortar

    A lógica econômica favorece a conservação. Enquanto o corte ilegal da palmeira para extração do palmito rende cerca de R$ 10 ao extrativista e ainda exige mais de oito anos para a espécie se regenerar, a venda da polpa do fruto pode atingir R$ 40 o quilo, com ganhos recorrentes a cada safra.

    “Não compensa cortar a palmeira, compensa preservá-la e coletar o fruto para comercialização”, resume Antonio Ozaki, o Tiba, da Cooperativa dos Pequenos Produtores Rurais de Antonina (ASPRAN), pioneira na despolpa da juçara no Paraná.

    Phablo Bittencourt, do Instituto Juçara, parceiro da SPVS na região desde 2012, reforça a vantagem do modelo. “Ao trabalhar somente com o fruto, além de manter a planta em pé, é possível explorá-la por anos após a frutificação. Assim, gerando renda de forma regular, sem riscos e com retorno muito superior”, explica.

    Cada palmeira produz, em média, até 3,5 kg de frutos por safra, podendo ultrapassar 10 kg em alguns casos. A coleta acontece de forma artesanal entre março e maio, e o processamento da polpa exige rapidez para preservar a qualidade.

    Cozinha laboratório impulsiona cadeia produtiva local

    O fortalecimento da cadeia produtiva da juçara já gera infraestrutura concreta na região. O BLP financia a criação de uma cozinha laboratório em Antonina dedicada a estudos e treinamentos com frutas nativas. Portanto, ampliando as oportunidades para agricultores familiares do litoral paranaense.

    “Essa cozinha está se moldando para ser um espaço coletivo e comunitário para a juçara, que oferece um alimento riquíssimo”, comenta Rayen Mourão, agrofloresteira e moradora de Morretes, integrante do Coletivo de Convivências Agroecológicas do Litoral Paranaense (CCA) e participante do projeto de agroflorestas BioSAF, em parceria com a SPVS.

  • Conheça o muruci: fruta nativa do Brasil está na época de colheita

    Conheça o muruci: fruta nativa do Brasil está na época de colheita

    O muruci (Brosimum gaudichaudii) é uma fruta nativa da Mata Atlântica brasileira, especialmente encontrada nas regiões Norte e Nordeste do país. Conhecida por seu sabor adocicado e aroma marcante, o fruto tem ganhado destaque não apenas pela sua palatabilidade, mas também por suas diversas utilidades e potencial econômico.

    O muruci é uma fruta de casca fina e polpa suculenta, que pode variar de amarelo a laranja. A árvore pode atingir até 15 metros de altura e floresce entre os meses de setembro e dezembro. A colheita geralmente ocorre entre janeiro e março, quando os frutos estão maduros.

    A produção do muruci é predominantemente artesanal, realizada por pequenos agricultores que cultivam a fruta em sistemas agroflorestais. Essa prática não apenas preserva a biodiversidade local, mas também contribui para a sustentabilidade ambiental, uma vez que as árvores de muruci ajudam a manter a qualidade do solo e a regular o microclima da região.

    Utilidades da fruta

    O muruci é uma fruta versátil que pode ser consumida in natura ou utilizada na produção de diversos produtos. Entre suas principais utilidades estão:

    • Alimentação: O muruci é frequentemente utilizado para fazer sucos, geleias, sorvetes e licores. Seu sabor doce e aroma característico fazem dele uma excelente opção para sobremesas e bebidas refrescantes.
    • Propriedades nutricionais: A fruta é rica em vitaminas A e C, além de conter antioxidantes que ajudam a fortalecer o sistema imunológico. Seu consumo regular pode contribuir para a saúde da pele e melhorar a visão.
    • Uso medicinal: Na medicina tradicional, as pessoas utilizam o muruci para tratar problemas respiratórios, inflamações e como um laxante natural. Além disso, costumam preparar infusões com as folhas da árvore devido às suas propriedades anti-inflamatórias.

    O cultivo do muruci apresenta um grande potencial econômico para os pequenos produtores rurais. Com o aumento da demanda por produtos naturais e orgânicos, essa fruta pode se tornar uma alternativa viável para diversificação da renda agrícola. Além disso, iniciativas de agroecologia têm incentivado o cultivo do muruci como parte de sistemas agroflorestais, promovendo a conservação ambiental.

    Regiões produtoras

    As principais regiões produtoras de muruci no Brasil incluem estados como Bahia, Pará, Maranhão e Piauí. Nesses locais, o clima tropical e as condições de solo favorecem o crescimento das árvores, permitindo uma produção sustentável ao longo dos anos.

    Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

    O muruci é uma fruta nativa com um rico potencial tanto nutricional quanto econômico. Sua versatilidade na culinária e suas propriedades benéficas à saúde fazem dela uma opção atrativa para consumidores conscientes. À medida que mais agricultores adotam seu cultivo sustentável, o muruci pode se consolidar como um importante produto regional no mercado brasileiro, contribuindo para a valorização da biodiversidade e o fortalecimento das economias locais.

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