Tag: solo

  • O que você joga fora pode salvar sua plantação

    O que você joga fora pode salvar sua plantação

    O que muitas pessoas descartam todos os dias pode se transformar em um aliado poderoso no campo. Cada vez mais produtores utilizam resíduos simples para melhorar o solo, reduzir custos e tornar a produção mais sustentável.

    Além de economizar, essa prática acompanha uma tendência crescente no agronegócio: produzir mais com menos impacto ambiental.

    Resíduos simples que fazem diferença

    Entre os exemplos mais comuns, a casca de ovo ganhou destaque nos últimos anos. Por ser rica em cálcio, ela ajuda a corrigir a acidez do solo e contribui diretamente para o desenvolvimento das plantas.

    Da mesma forma, muitos produtores reaproveitam a água do cozimento de alimentos, como legumes. Em vez de descartar esse líquido, eles devolvem ao solo nutrientes importantes para a produção.

    Assim, o que antes era considerado lixo passa a ter um papel útil dentro da lavoura.

    Economia dentro da propriedade

    O uso desses resíduos também impacta diretamente o bolso do produtor. Ao aproveitar materiais disponíveis na própria rotina, muitos reduzem a dependência de fertilizantes industrializados.

    Com isso, os custos diminuem e a margem de lucro tende a aumentar. Por esse motivo, diversos produtores já adotam essas práticas como complemento ao manejo tradicional.

    Sustentabilidade que gera resultado

    Além de reduzir gastos, o reaproveitamento de resíduos contribui para uma produção mais sustentável. Quando o produtor evita o descarte e reutiliza esses materiais, ele reduz impactos ambientais e melhora gradualmente a qualidade do solo.

    Ao mesmo tempo, essa prática fortalece um modelo de produção mais equilibrado. Dessa forma, sustentabilidade e produtividade passam a caminhar juntas no campo.

    Uma tendência que cresce no agro

    Nos últimos anos, produtores de diferentes regiões começaram a adotar essas soluções no dia a dia. Isso acontece porque são práticas simples, acessíveis e fáceis de aplicar.

    Além disso, cresce o interesse por alternativas naturais, tanto pela economia quanto pela preocupação ambiental. Como resultado, essas técnicas ganham cada vez mais espaço no agronegócio.

    O simples que pode fazer a diferença

    Embora essas soluções não substituam completamente técnicas mais avançadas, elas mostram que pequenas mudanças geram grandes resultados.

    No fim, o produtor transforma o que antes descartava em um recurso valioso. Em um cenário que exige eficiência e redução de custos, aproveitar melhor o que já está disponível pode fazer toda a diferença na produção.

  • Projeto de lei propõe mapeamento digital do solo brasileiro para agricultura sustentável

    Projeto de lei propõe mapeamento digital do solo brasileiro para agricultura sustentável

    A Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que pode transformar a gestão das terras no Brasil. O PL 4516/25 cria diretrizes para um programa nacional de monitoramento da saúde do solo, usando tecnologias modernas como sensoriamento remoto e análise digital.

    O autor do projeto, deputado Carlos Henrique Gaguim (União-TO), quer integrar a proposta à Lei da Política Agrícola. O objetivo central é padronizar a coleta e o armazenamento de dados sobre o solo em todo o país. O sistema integraria essas informações ao zoneamento agroecológico e a plataformas de gestão territorial.

    Dados públicos para todos os produtores

    Um dos pontos-chave do texto é a previsão de disponibilização pública das bases de dados. A medida facilitará o acesso de produtores rurais, de pequenos a grandes, a informações técnicas detalhadas sobre a qualidade de suas terras.

    O relator da proposta, deputado Alexandre Guimarães (MDB-TO), defendeu a aprovação. Ele argumenta que a falta de dados padronizados hoje prejudica o setor produtivo. “A ausência limita diagnósticos confiáveis, prejudica o manejo racional de insumos e reduz a eficiência produtiva”, afirmou Guimarães.

    Combate à degradação e ganho em sustentabilidade

    Segundo o relator, o novo sistema ajudará o país a combater problemas graves como erosão, perda de fertilidade e desertificação. Essas ameaças impactam diretamente a segurança alimentar e a biodiversidade.

    O projeto também prevê a criação de indicadores de qualidade do solo e sistemas de alerta precoce para degradação. A medida estimula a cooperação entre governo e instituições de pesquisa. Para Guimarães, a proposta “fortalece o manejo conservacionista, a agricultura de precisão e políticas públicas baseadas em evidências”.

    O relator da proposta, deputado Alexandre Guimarães (MDB-TO). Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

    O projeto tramita em caráter conclusivo. Agora, as comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça analisam a proposta. Após esse trâmite, se aprovado, seguirá para o Senado Federal. Somente após passar pelas duas Casas o projeto pode se tornar lei.

    Fonte: Agência Câmara de Notícias

  • Brasil é 3º em produtividade mundial de amendoim

    Brasil é 3º em produtividade mundial de amendoim

    O Brasil alcançou o 3º lugar mundial em produtividade de amendoim e atingiu média de 3,8 toneladas por hectare. A informação consta no livro Mapeamento e Quantificação da Cadeia do Amendoim Brasileiro, lançado pela ABEX-BR em Ribeirão Preto.

    Crescimento expressivo

    O levantamento mostra que a cadeia do amendoim movimentou R$ 18,6 bilhões e ampliou a produção em 300% na última década. A expansão ocorreu porque os produtores adotaram tecnologia de precisão e elevaram a eficiência no campo.

    Inovação no campo

    Cristiano Fantin, presidente da ABEX-BR, afirma que o uso de inovação consolidou o avanço. Ele destaca que 64% dos produtores utilizam agricultura de precisão, o que melhora o uso do solo e aumenta a rentabilidade. O estudo aponta que o amendoim fortalece a rotação de culturas porque fixa nitrogênio no solo. Essa capacidade reduz custos com fertilizantes e melhora as condições para os cultivos seguintes.

    A publicação também detalha o modelo de “desperdício zero” da cadeia. O rigor na qualidade e na rastreabilidade colocou o Brasil como 2º maior exportador mundial de óleo de amendoim e 4º em amendoim em grão. O setor reaproveita subprodutos como farelo e torta na nutrição animal. A casca, que representa até 25% do peso colhido, vira pellet para biomassa e geração de energia.

    Expansão de área plantada

    A ABEX-BR identificou ainda uma expansão de mais de 200% da área plantada em estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. A entidade avalia que a cultura se consolida como segunda safra rentável nas novas fronteiras agrícolas.

    Fantin afirma que o avanço amplia a segurança produtiva. Ele reforça que os dados do mapeamento ajudam a planejar infraestrutura e financiamento para essa nova geografia agrícola.

    O livro foi financiado pelo Núcleo de Promoção e Pesquisa da ABEX-BR e já está disponível para consulta no site da entidade.

  • Manejo racional reduz custo e mantém fertilidade do solo

    Manejo racional reduz custo e mantém fertilidade do solo

    Uma pesquisa realizada em Unaí (MG) mostrou que uma estratégia simples reduz custos com fertilizantes sem comprometer a produtividade das lavouras. Os cientistas testaram a adubação de restituição associada ao balanço de nutrientes durante três safras e seis cultivos. A técnica repõe apenas os nutrientes exportados nos produtos colhidos, o que torna o uso dos insumos mais eficiente.

    Os pesquisadores confirmaram que o ajuste do aporte de nutrientes favorece o uso consciente dos fertilizantes e conserva os recursos naturais. A prática também reduz a pegada de carbono e aumenta a eficiência energética das lavouras em solos de Cerrado com fertilidade construída.

    Estudo considera alta demanda nutricional

    As culturas anuais demandam grandes quantidades de Nitrogênio, Fósforo e Potássio, o que eleva o uso de fertilizantes no Brasil. Ou seja, essa necessidade pesa nos custos de produção e aumenta os riscos econômicos. Muitos produtores aplicam adubações tradicionais mesmo em solos com fertilidade acima dos níveis críticos.
    Pesquisas anteriores mostraram que áreas consolidadas do Cerrado acumularam estoques de nutrientes ao longo dos anos. Esse acúmulo supera a condição original de baixa fertilidade, mas ainda assim muitos agricultores mantêm práticas antigas por segurança.

    Artigo apresenta resultados

    O estudo, coordenado pelo pesquisador Álvaro Vilela de Resende, reuniu especialistas da Embrapa Milho e Sorgo e da UFV. A Fazenda Decisão, em Unaí, apoiou os experimentos. O artigo foi publicado na revista Pesquisa Agropecuária Brasileira, em seção dedicada à COP 30. A publicação integra a Jornada pelo Clima da Embrapa e celebra os 60 anos da revista.

    Testes ocorreram em lavoura comercial

    Foto: divulgação – Embrapa/Samuel Abreu

    Os pesquisadores instalaram parcelas de larga escala em um talhão com plantio direto e fertilidade construída. Os tratamentos envolveram a adubação de restituição com N, P e K exportados, o manejo padrão da fazenda e um controle sem adubação. As avaliações ocorreram durante três ciclos de soja e milho ou sorgo, com e sem braquiária em consórcio.

    Resultados indicam eficiência

    Os resultados mostraram que a adubação não altera a produtividade da soja no talhão analisado. O nitrogênio limitou o rendimento do milho, enquanto o consórcio com braquiária prejudicou o sorgo. No entanto, a braquiária aumentou a produtividade da soja seguinte.
    Resende afirma que a adubação de restituição, vinculada ao balanço de nutrientes, mantém a produtividade e a rentabilidade. A estratégia usa fertilizantes com mais eficiência e mantém a fertilidade do solo. O manejo também evita déficits ou excessos de nutrientes, o que favorece a sustentabilidade ambiental.

    Produtores ainda relutam em mudar

    O pesquisador lembra que a falta de resposta à adubação com Fósforo e Potássio já apareceu em estudos de outras regiões do Cerrado. Mesmo assim, muitos produtores continuam usando fórmulas fixas de NPK. Segundo Miguel Marques Gontijo Neto, os agricultores raramente calculam o balanço de nutrientes e desconhecem seu valor.
    Resende explica que o manejo adequado dimensiona apenas a reposição necessária dos nutrientes exportados e das perdas do sistema. Ele afirma que a estratégia simples permite acompanhar a fertilidade ao longo do tempo com análises de solo. O produtor, assim, evita excessos e reduz desperdícios.

    Estratégia pode ser automatizada

    A solução validada possibilita ajustar as adubações por talhão com precisão e baixo custo. Em geral, muitas fazendas podem automatizar o processo com ferramentas já disponíveis. O objetivo é equilibrar continuamente o aporte de nutrientes em sequências de cultivos e ampliar o uso consciente dos insumos agrícolas.
    Situações de desequilíbrio entre nutrientes adicionados e removidos são comuns e podem reduzir produtividade ou gerar desperdício. Em resumo, esse desequilíbrio também aumenta a pegada de carbono e reduz a rentabilidade. Por isso, a estratégia proposta contribui para maior eficiência energética e para a neutralidade ambiental das lavouras consolidadas.

     

  • Bioinsumo amplia restauração de áreas degradadas no Brasil

    Bioinsumo amplia restauração de áreas degradadas no Brasil

    Pesquisadores da Embrapa Agrobiologia (RJ) desenvolveram um bioinsumo de amplo espectro capaz de beneficiar mais de 30 espécies florestais leguminosas. Em geral, o produto promete revolucionar a recuperação de solos degradados e impulsionar o mercado de bioinsumos no País.

    O inoculante amplia o uso de uma técnica reconhecida desde os anos 1990, baseada em microrganismos que regeneram solos afetados por mineração, erosão ou ocupação urbana desordenada. O produto está em fase final de desenvolvimento e deve simplificar projetos de restauração ecológica em todos os biomas brasileiros.

    Pesquisa seleciona bactérias que beneficiam 31 espécies florestais

    Entre mais de 800 estirpes de rizóbios (bactérias do solo) estudadas pela Embrapa, duas foram selecionadas pela eficiência em simbiose com 31 espécies florestais. Em resumo, essa descoberta elimina uma das maiores barreiras à aplicação em larga escala da técnica: a especificidade entre bactéria e planta hospedeira.
    “Essas estirpes eliminam a limitação técnica e tornam o processo mais acessível”, explica Sérgio Faria, pesquisador da Embrapa Agrobiologia. O inoculante multiespécies permitirá atender várias leguminosas nativas e comerciais, ampliando as opções para viveiristas e restauradores.

    Inoculante multiespécies reduz custos e amplia eficiência

    A indústria de bioinsumos enfrenta desafios para produzir um inoculante específico para cada espécie florestal. Porém, com a nova formulação, será possível reduzir custos, simplificar a logística e aumentar a eficiência operacional. “Ter um produto de ampla compatibilidade representa um avanço técnico e econômico para o setor”, afirma Faria. Portanto, o objetivo é oferecer um único inoculante eficiente para diferentes espécies florestais, garantindo boa fixação de nitrogênio e desempenho estável em campo.

    Três décadas de pesquisa em restauração ecológica

    O avanço resulta de décadas de trabalho da Embrapa Agrobiologia, com apoio de universidades, instituições públicas e empresas privadas. A equipe une ciência do solo, microbiologia e ecologia para restaurar paisagens degradadas por meio de processos naturais.
    A técnica surgiu há mais de 30 anos, quando pesquisadores buscavam recuperar solos minerados e sem vida. Na época, menos de dez espécies leguminosas, como sabiá, gliricídia e saman, foram testadas.
    Hoje, a base de dados da Embrapa reúne centenas de espécies adaptadas a todos os biomas brasileiros, da Amazônia ao Semiárido. “Temos conhecimento para orientar o uso de leguminosas em qualquer tipo de solo e clima”, destaca o pesquisador Alexander Resende.

    Microrganismos transformam solo degradado em solo fértil

    A tecnologia se apoia na simbiose entre plantas e microrganismos. Os rizóbios colonizam as raízes das leguminosas, formam nódulos e convertem nitrogênio do ar em nutrientes para as plantas.
    Já os fungos micorrízicos aumentam o alcance das raízes, melhoram a absorção de água e fósforo e aceleram o crescimento vegetal.
    Essa relação fortalece o solo e reativa ciclos ecológicos essenciais, como a retenção de água e a ciclagem de nutrientes. “Selecionamos bactérias, fungos e plantas capazes de formar um sistema eficiente e sustentável”, resume Eduardo Campello, pesquisador da Embrapa.

    Resultados comprovados em áreas de mineração e erosão

    A técnica já foi testada com sucesso em áreas de mineração de bauxita e ferro na Amazônia e em Minas Gerais. Também mostrou bons resultados em jazidas de piçarra no Rio Grande do Norte e em encostas degradadas no Rio de Janeiro.
    Os primeiros sinais aparecem após 12 meses, com o solo coberto e a erosão controlada. Em até cinco anos, as áreas ganham aspecto de floresta jovem. Após dez anos, mais de 40 novas espécies vegetais voltam a crescer naturalmente — número que chega a 70 espécies na Amazônia.
    “A vida volta, e o solo volta a respirar”, diz Faria, que atua com microrganismos desde os primeiros testes da Embrapa Agrobiologia.

    Bioinsumo reduz impacto ambiental e fortalece metas climáticas

    O uso do inoculante dispensa a adubação nitrogenada mineral, reduzindo custos e evitando perdas de nitrogênio para a atmosfera e águas subterrâneas. Estima-se que metade do nitrogênio de adubos convencionais se perde por volatilização e lixiviação.
    A inovação também contribui para as metas ambientais do Brasil, como o Código Florestal, o Planaveg e os compromissos do Acordo de Paris.
    “Estamos na década da restauração, e é essencial mostrar soluções brasileiras baseadas na ciência”, reforça Resende.

    Parcerias fortalecem o desenvolvimento da tecnologia

    O projeto recebeu apoio de instituições como CNPq, Capes, Faperj e Faped, além de empresas como Alcoa, BHP, Vale, Petrobras e Norsk Hydro. Também participaram o Cenpes/Petrobras, o Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), a UFRRJ e diversas prefeituras locais.
    A Embrapa planeja ampliar os testes com inoculantes multiespécies e capacitar viveiristas em todo o País. A próxima etapa envolve parcerias com a indústria de bioinsumos para viabilizar a produção em larga escala.

    Voçorocas: feridas do solo curadas com ciência

    Foto: divulgação – Embrapa/Eduardo Campello

    Em tupi-guarani, “voçoroca” significa terra rasgada. O termo descreve as imensas crateras causadas pela erosão acelerada, que ameaçam lavouras, estradas e comunidades.
    Há voçorocas com mais de 50 metros de profundidade e 15 mil metros quadrados, formadas ao longo de dois séculos de mau uso do solo.

    Um levantamento da Embrapa Agrobiologia na bacia do rio Barra Mansa (RJ) identificou 154 voçorocas apenas no trecho estudado, com 3 milhões de metros cúbicos de solo erodido. “Sabemos o que precisa ser feito: manter o solo coberto, reintroduzir vegetação e usar espécies que melhorem sua estrutura”, enfatiza Resende.

    As leguminosas inoculadas com microrganismos benéficos ajudam a reconstruir a cobertura vegetal, fixar nitrogênio e estabilizar o terreno. A ciência comprova a possibilidade de curar as terras rasgadas que viram áreas produtivas e sustentáveis.

  • Laser detecta aumento de carbono em solos agrícolas

    Laser detecta aumento de carbono em solos agrícolas

    Um estudo inédito da Embrapa Instrumentação, em parceria com a Bayer, revelou ganhos expressivos de carbono em solos agrícolas brasileiros. Os pesquisadores usaram técnicas a laser para medir o carbono no solo em fazendas do Cerrado, Mata Atlântica e Pampa.

    No Cerrado, os solos com manejo sustentável, como o plantio direto, armazenaram até 50% mais carbono que áreas nativas. A pesquisa tem impacto direto no combate às mudanças climáticas e fortalece o mercado de créditos de carbono no Brasil.

    Estudo em fazendas comerciais

    Foto: divulgação – Embrapa / Vitor Freitas

    O trabalho seguiu o modelo on-farm, realizado durante a produção de soja, milho e algodão. Foram avaliadas 11 fazendas comerciais nos últimos cinco anos. Em geral, o objetivo foi produzir dados confiáveis em solos tropicais e subtropicais, incentivando sistemas conservacionistas. As ações se alinham ao Plano ABC+ e ao programa PRO Carbono da Bayer.

    Cerrado mostra maior potencial

    O químico Vitor da Silveira Freitas, sob orientação de Ladislau Martin Neto, destacou o ganho de até 250 toneladas por hectare. A média supera os 155 toneladas registradas em vegetação nativa do Cerrado.

    Na Mata Atlântica, a mudança de uso da terra reduziu o carbono. Já no Pampa, os estoques se mantiveram estáveis. Martin Neto afirmou que práticas como plantio direto aumentam a fertilidade, sequestram carbono e trazem retorno econômico ao produtor.

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    Técnicas rápidas e eficazes

    Os cientistas usaram duas técnicas fotônicas. A espectroscopia de plasma induzido por laser (LIBS) quantificou o carbono. Já a fluorescência induzida por laser (LIFS) identificou a origem do material orgânico. Segundo a pesquisadora Débora Milori, a técnica LIBS substitui o método internacional CHN com menor custo e mais rapidez.

    A empresa Agrorobótica, spin-off da Embrapa, já oferece a tecnologia no mercado. A certificadora Verra reconhece o método no mercado voluntário de carbono.

    Impacto no agro brasileiro

    Adriano Anselmi, líder técnico da Bayer, afirmou que mensurar o carbono com métricas confiáveis apoia a mitigação dos gases de efeito estufa. Ele ressaltou a importância do monitoramento, relato e verificação (MRV) com ferramentas digitais como Connecta Procarbono e Climate Fieldview.

    Martin Neto explicou que a matéria orgânica do solo (MOS) é sensível ao uso da terra. Sua redução pode comprometer a saúde e a produtividade do solo. Por outro lado, a restauração da MOS melhora a fertilidade, aumenta a retenção de água e amplia a produtividade agrícola.

    Futuro do agro sustentável

    Os pesquisadores concluíram que o uso combinado de técnicas fotônicas traz rapidez, precisão e custo menor para medir carbono. Para Martin Neto, manter e ampliar a MOS é essencial.
    Mais de 90% da produção agropecuária brasileira depende da chuva, o que torna urgente a adoção de práticas regenerativas.

     

  • Mapa global revela solos do planeta com alta precisão

    Mapa global revela solos do planeta com alta precisão

    Pesquisadores da Esalq/USP criaram o primeiro mapa global de solos com resolução de 90 metros. O trabalho reuniu imagens de satélite e dados coletados em campo. O estudo, publicado na revista The Innovation, levou seis anos para ser concluído. Mais de 50 cientistas de vários países participaram da pesquisa. A coordenação ficou com os professores José Alexandre Demattê e Raul Roberto Poppiel. Estudantes e pesquisadores do grupo GeoCiS da Esalq/USP também colaboraram.

    Destaques dos mapa global de solos

    O levantamento mostra que 64% da superfície terrestre tem solos arenosos. Ou seja, esses solos são menos favoráveis ao uso agrícola intensivo. Segundo Demattê, solos arenosos exigem manejo com conhecimento detalhado da mineralogia e da dinâmica da água. Muitas regiões ainda carecem desses estudos.

    A pesquisa apontou que áreas agrícolas têm pH até 1,6 unidades maior que áreas de vegetação nativa. O aumento está ligado ao uso contínuo de fertilizantes e corretivos. Esses insumos ajudam na produtividade, mas o uso excessivo altera o equilíbrio químico e biológico do solo. Os impactos podem se acumular ao longo do tempo.

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    Armazenamento de carbono

    Arte: divulgação – ESALQ/USP

    O estudo também destaca o papel do solo no armazenamento de carbono. Solos sob vegetação nativa guardam 54% do carbono orgânico global. Em contrapartida, em áreas agrícolas, o estoque médio de carbono é 60% menor. Poppiel afirma que preservar esse carbono é essencial para enfrentar as mudanças climáticas.

    Quando a matéria orgânica se perde, o solo perde fertilidade, biodiversidade e capacidade de reter água. Isso compromete a regulação climática. Portanto, os autores indicam práticas como plantio direto, culturas de cobertura e sistemas agroflorestais. Ou seja, essas ações ajudam a recompor a matéria orgânica e aumentar o carbono no solo.

    O estudo revelou relação entre carbono estocado e desenvolvimento econômico. Em geral, as dez maiores economias concentram 75% do carbono dos solos agrícolas globais.

    Países em desenvolvimento apresentam estoques menores, segundo os dados. Para Poppiel, isso abre espaço para políticas de incentivo à conservação e regeneração. Além disso, ele destaca que o mercado de créditos de carbono pode estimular a preservação dos solos e aumentar os estoques globais.

  • Novo biofungicida controla fungos de solo com alta eficácia

    Novo biofungicida controla fungos de solo com alta eficácia

    Uma bactéria encontrada no Cerrado originou um biofungicida inovador. O produto, chamado Eficaz Control, promete controlar fungos do solo com até 80% de eficiência. A Embrapa Milho e Sorgo, em parceria com a empresa Simbiose, desenvolveu a tecnologia inédita no Brasil. Em resumo, o diferencial é a utilização da bactéria Paenibacillus ottowii como agente biológico.

    O novo insumo combate patógenos que provocam podridão de raízes e colmos em culturas como milho e soja. Ele já tem registro para controle do Fusarium spp. e deve, em breve, atuar contra outros fungos.

    Controle eficaz contra doenças de solo

    O biofungicida apresentou resultados consistentes em testes de campo. Ou seja, a solução controlou fungos como Macrophomina phaseolina e Colletotrichum graminicola, responsáveis por perdas significativas na produção agrícola.

    Além da Paenibacillus ottowii, a formulação inclui a bactéria Bacillus velezensis. As duas cepas se destacaram em estudos iniciados em 2016, após um rigoroso processo de seleção. “A pesquisa avaliou 190 microrganismos coletados em milho e sorgo”, informa a pesquisadora Christiane Paiva. Segundo ela, além do controle, houve ganho de produtividade em milho e soja.

    As cepas foram isoladas no Cerrado, em Sete Lagoas (MG). Por meio de um acordo de cooperação, a Embrapa repassou a tecnologia para a Simbiose, que realizou testes em larga escala e desenvolveu a formulação final.

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    Pesquisas de nove anos para viabilizar a tecnologia

    O pesquisador Luciano Viana Cota explica que a combinação de microrganismos aumenta a eficiência e reduz a resistência dos fungos. “O controle é mais estável ao longo das safras”, afirma.

    O diretor de P&D da Simbiose, Artur Soares, relata que os estudos começaram em 2020, com ensaios realizados em diversas regiões do Brasil. “O desempenho superou os fungicidas químicos em controle de doenças e aumento de produtividade”, diz.

    O CEO do grupo Cogny, Marcelo Oliveira, destaca que o registro do Eficaz Control representa um marco para os biológicos. “Hoje, 40 milhões de hectares de soja usam químicos e apenas 1,5 milhão utiliza biológicos”, informa. Além disso, ele afirma que cinco multinacionais dominam mais da metade do mercado nacional. “O novo produto democratiza o acesso e fortalece a indústria brasileira de bioinsumos”, defende.

    Aplicação prática e menor impacto ambiental

    O Eficaz Control é aplicado no tratamento de sementes. Em geral, essa estratégia protege as plantas no estágio inicial e reduz custos. Além disso, a dose menor gera baixo impacto ambiental.

    Segundo a Embrapa, os sintomas de fungos no solo muitas vezes aparecem tarde, dificultando o controle químico. A podridão de raízes pode levar ao tombamento das plantas. “O Eficaz Control é inovador e eficiente no controle direto dos fungos no solo”, explica o pesquisador Rodrigo Véras. Ao mesmo tempo, ele ressalta que o controle químico é difícil porque os fungos se alojam em regiões de difícil acesso.

    A rotação de culturas e a resistência genética também não são suficientes. “O melhoramento genético para esse grupo de patógenos é complexo e demorado”, reforça Véras.

    Parceria fortalece a inovação no agro

    Para Alexandre Silva, chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Milho e Sorgo, as parcerias são essenciais. “Os bioinsumos são fundamentais para sustentabilidade e produtividade. Eles representam soluções seguras e ambientalmente corretas”, afirma.

  • Sistemas integrados aumentam carbono no solo e produtividade

    Sistemas integrados aumentam carbono no solo e produtividade

    A Embrapa Meio-Norte avaliou sistemas agrícolas no Matopiba. A região inclui áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Os pesquisadores compararam diferentes formas de uso do solo. Eles analisaram carbono, nitrogênio e qualidade física do solo.

    Sistemas integrados lideram no armazenamento de carbono

    ILP e pastagens mantiveram mais carbono em todas as camadas. ILPF e Cerrado nativo mostraram os menores estoques. Além disso, esses sistemas também elevaram o teor de substâncias húmicas. Em geral, essas substâncias melhoram a fertilidade e a estrutura do solo.

    Manejo adequado é chave para aumentar o carbono

    Edvaldo Sagrilo, da Embrapa, destacou a importância do manejo. Ele afirma: “Sem bom manejo, o ganho não acontece”. Portanto, boas práticas melhoram a retenção de carbono e nitrogênio.

    Vantagens vão além da produtividade nas lavouras

    Com mais carbono, o solo se torna mais fértil e produtivo. Além disso, os sistemas reduzem perdas de fertilizantes. Isso significa menos impacto ambiental e menor custo. Outra vantagem: menor emissão de gases do efeito estufa. Isso contribui para mitigar o aquecimento global.

    Carbono no solo pode virar crédito ambiental

    Com o avanço do mercado de carbono, o produtor pode lucrar. Mais carbono no solo poderá gerar créditos ambientais no futuro. Sagrilo lembra: “A sociedade também se beneficia com isso”.

    Estudo avaliou áreas em São Raimundo das Mangabeiras (MA)

    Os cientistas escolheram áreas com clima e solo similares. Eles compararam Cerrado, ILPF, ILP e pastagem.
    Amostraram o solo em quatro profundidades diferentes.

    Carbono aumentou até 108% nos sistemas conservacionistas

    ILP com plantio direto teve alta de 84% no carbono. ILP com aração subiu 108%; pastagem teve ganho de 66%.
    Resultados indicam sucesso dos sistemas a longo prazo.

    Produtor do Maranhão comprova vantagens no campo

    Fernando Devicari implantou ILP há 15 anos em Brejo (MA). Ele também adotou ILPF há nove anos na propriedade. Segundo ele, a matéria orgânica do solo dobrou no período.

    A produção de soja também aumentou com a melhoria do solo. Ele colhe 7,8 sacas a mais por hectare em áreas com ILP.

    Resultados podem se repetir em outras áreas do Cerrado

    Sagrilo diz que estudos em outras regiões mostram a mesma tendência. A integração lavoura-pecuária melhora produção e sustentabilidade. Esses modelos superam os sistemas convencionais em resultados.

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  • Grupo Jacto adquire SOLO e amplia atuação global

    Grupo Jacto adquire SOLO e amplia atuação global

    O Grupo Jacto, líder em tecnologias e soluções para o agronegócio, anunciou a aquisição da SOLO Kleinmotoren GmbH. A empresa alemã é focada na fabricação de pulverizadores manuais, motorizados e a bateria, além de sopradores e máquinas de corte. A negociação reforça a estratégia de crescimento internacional da Jacto e fortalece sua presença no mercado global de equipamentos agrícolas.

    A SOLO atende clientes em mais de 70 países, com fábricas na Alemanha e nos Estados Unidos, linha de montagem na China e centros de distribuição no Chile e na Nova Zelândia. Com 77 anos de tradição, a empresa manterá sua marca e portfólio, reconhecidos por avanços em tecnologias agrícolas e pela excelência em qualidade.

    Segundo Ricardo Nishimura, presidente do Conselho de Administração do Grupo Jacto, a aquisição permitirá que ambas as empresas acessem mercados complementares e ampliem a oferta de produtos e serviços para clientes em todo o mundo. “As tecnologias em comum criam sinergias ideais para novos desenvolvimentos, fabricação e distribuição”, destaca Nishimura.

    O Grupo Jacto, com 77 anos de história e atuação em cinco continentes. Opera nos segmentos agrícola, tecnologias de aplicação de polímeros, transporte e logística, movimentação e armazenagem, equipamentos para limpeza e setor médico-hospitalar.

    A aquisição da SOLO posiciona o Grupo Jacto como um dos principais players globais em soluções para a agricultura. E amplia sua capacidade de atender às demandas do mercado internacional. Investindo no desenvolvimento de tecnologias que impulsionam a produtividade e a sustentabilidade no campo.

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