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  • Silagem de sorgo cresce no Brasil e reduz custos da pecuária

    Silagem de sorgo cresce no Brasil e reduz custos da pecuária

    O sorgo começa a ocupar terreno no Brasil como alternativa viável para a silagem em áreas onde o milho não se desenvolve bem. A cultura, mais resistente à seca e de menor custo de produção, vem despertando o interesse de pecuaristas em regiões áridas, principalmente no Centro-Oeste e no leste do país.

    Arthur Behling Neto, professor da Universidade Federal de Mato Grosso, explica que o sorgo entrega segurança produtiva e bom desempenho nutricional para o gado, mesmo em condições climáticas adversas.

    “No Brasil e nos Estados Unidos o milho ainda domina na ensilagem por sua excelente qualidade, mas o sorgo tem se mostrado eficiente em áreas de pouca chuva e menor fertilidade”, aponta Neto.

    Além da tolerância ao clima, o sorgo garante vantagens econômicas. As sementes custam menos, exigem menos pesticidas e menor quantidade de fertilizantes. Portanto, fatores que pesam no bolso do produtor. Conforme os insumos sobem de preço, o sorgo se consolida como alternativa estratégica para reduzir os custos da alimentação animal.

    Tipos e usos mais comuns

    O Brasil cultiva diferentes tipos de sorgo, com destaque para as variedades graníferas, forrageiras e de biomassa. Segundo Neto, o sorgo forrageiro e o de biomassa se destacam na produção de silagem pela alta produtividade.

    “Estamos estudando híbridos que mantenham boa qualidade nutricional e ao mesmo tempo gerem rendimentos superiores”, explica o pesquisador.

    Na pecuária de corte, o sorgo forrageiro e o de biomassa suprem as dietas com volume e fibra a baixo custo. Já os produtores de leite costumam utilizar o sorgo granífero, por possuir maior teor energético e menos fibra. O que o torna comparável ao milho.

    Desafio de equilibrar produtividade e qualidade

    A principal dificuldade da silagem de sorgo é conciliar volume e valor nutricional. Plantas graníferas são mais curtas e oferecem até 35 toneladas por hectare, mas apresentam maior concentração energética. Já o sorgo forrageiro pode alcançar até 80 toneladas por hectare, e o tipo biomassa supera 120 toneladas, embora com maior teor de fibra e menor proteína.

    Para melhorar esse equilíbrio, a equipe da UFMT busca híbridos que mantenham alto rendimento sem comprometer a nutrição do rebanho.

    Manejo e fermentação

    O sorgo biomassa pode atingir até seis metros de altura e normalmente é colhido em dois cortes, realizados entre dezembro e abril, após o plantio de outubro. O ponto ideal para ensilagem ocorre com 28% a 30% de matéria seca, evitando grãos excessivamente duros.

    O teor de açúcares naturais favorece a fermentação. As variedades forrageiras apresentam até 18% de carboidratos solúveis em água, enquanto o sorgo sacarino pode chegar a 35%. Esses açúcares geram fermentação eficiente, mas podem provocar formação de etanol, problema que pode ser controlado com aditivos adequados.

    Mesmo com o avanço do sorgo, Neto defende que ele não substitui o milho, apenas complementa a silagem tradicional. “Ele é uma alternativa quando o milho não produz bem”, resume.

    Em tempos de clima irregular e insumos caros, o sorgo surge como aliado da pecuária brasileira, garantindo flexibilidade e segurança alimentar para o rebanho.

  • Técnica de alimentação revoluciona a pecuária leiteira no Vale do Jequitinhonha

    Técnica de alimentação revoluciona a pecuária leiteira no Vale do Jequitinhonha

    O Programa Integração Lavoura-Pecuária, implantado em Coronel Murta, no Vale do Jequitinhonha, tem como foco aumentar a produtividade e a qualidade do leite por meio da alimentação dos animais. Essa iniciativa beneficia diretamente a pecuária leiteira, principal atividade econômica do município, e resulta da parceria entre a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG), a prefeitura local e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

    A técnica utilizada consiste no plantio consorciado de sorgo e capim para a produção de silagem. O extensionista da Emater-MG em Coronel Murta, Kadson Siqueira, explica que o projeto começou em 2022 com o objetivo de fornecer alimento de qualidade para os animais durante o período de estiagem.

    “No início do projeto, muitos pecuaristas desconheciam a possibilidade de integrar lavoura e pecuária. Realizamos um trabalho de campo para apresentar o sistema aos agricultores do município e regiões vizinhas. Oferecemos assistência técnica completa, desde o preparo do solo até o armazenamento da silagem”, destaca Kadson Siqueira.

    Unidades demonstrativas mostram resultados positivos

    Dois pecuaristas do município cederam suas propriedades para servir como unidades demonstrativas do programa. A Fazenda Vereda, do agricultor Ronivaldo Rodrigues Prates, foi pioneira na ação. Ronivaldo decidiu participar para melhorar a produção e garantir uma alimentação de qualidade para o rebanho.

    “Com muito esforço, consegui alcançar o objetivo. Enfrentei desafios como ervas daninhas, insetos e variações climáticas, mas a orientação da Emater-MG foi fundamental para superar esses obstáculos. A silagem de qualidade tem melhorado significativamente o leite produzido”, comemora Ronivaldo.

    Programa Integração Lavoura-Pecuária, implantado em Coronel Murta, no Vale do Jequitinhonha. Emater-MG / Divulgação

    Animado com os resultados, o pecuarista planeja expandir a propriedade e aprimorar as atividades no futuro. “Sou grato pela oportunidade e espero continuar evoluindo”, afirma.

    Após observar o sucesso do colega, o produtor Clélio Bitencourt Murta também aderiu ao programa, abrindo sua propriedade como unidade demonstrativa. Ele destaca os ganhos obtidos: “A experiência tem sido muito positiva, tanto no aumento da produção quanto na melhoria da qualidade do leite”.

    Como funciona o sistema e os cuidados necessários

    Kadson Siqueira ressalta que o sistema de plantio consorciado é simples de implantar e manejar. O sorgo e o capim são plantados simultaneamente, e a colheita para silagem ocorre aproximadamente 90 dias depois. Os custos iniciais para os pecuaristas foram baixos.

    “Devido à baixa pluviometria, optaram pelo sistema de sequeiro, eliminando gastos com irrigação. A Embrapa forneceu as sementes, enquanto a prefeitura disponibilizou o maquinário para plantio e a ensiladeira para a colheita. A adubação segue a análise de solo, e o monitoramento constante evita pragas, doenças e ervas daninhas”, explica o técnico.

    O volumoso produzido apresenta alto valor nutricional, o que eleva a produtividade e a qualidade do leite. A expectativa da Emater-MG é ampliar o número de produtores beneficiados pelo programa ainda neste ano.

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  • Silagem de qualidade aumenta a produtividade do rebanho

    Silagem de qualidade aumenta a produtividade do rebanho

    A silagem bem produzida garante mais eficiência e economia na pecuária de corte e leite. Para isso, cada etapa do processo precisa seguir rigorosamente as recomendações técnicas.

    O engenheiro agrônomo Thiago Neves Teixeira, da Sementes Oeste Paulista (SOESP), destaca que detalhes fazem toda a diferença no resultado final. Segundo ele, erros na escolha da cultura, na colheita ou no armazenamento podem gerar perdas expressivas e comprometer o desempenho do rebanho. “Quando mal manejada, a silagem perde valor nutricional e provoca impacto negativo na saúde e produtividade dos animais”, afirma Teixeira.

    A seguir, o especialista lista dez práticas essenciais para obter uma silagem nutritiva, estável e segura para o rebanho.

    1. Escolha adequada da cultura

    A seleção correta da forrageira é o primeiro passo para garantir qualidade. Além disso, Teixeira recomenda variedades de Panicum maximum com alta produtividade de matéria seca e fibra de qualidade. “Prefira plantas com menor teor de lignina e mais folhas que colmos. Isso favorece a digestibilidade e eleva o valor nutritivo da silagem”, explica.

    2. Condução eficiente da lavoura

    Uma lavoura bem manejada é essencial para fornecer matéria-prima de qualidade. “Sem uma planta de qualidade, não há silagem de qualidade”, reforça Teixeira. Ele orienta fazer análise de solo, adubação adequada e controle eficiente de pragas e plantas daninhas. “O foco deve estar na saúde da planta desde o início”, afirma.

    3. Colheita no momento certo

    O ponto ideal de colheita ocorre quando a planta atinge entre 28% e 40% de matéria seca. Para capins tropicais, esse índice costuma ser mais próximo de 28%. Ou seja, colher fora desse intervalo reduz a digestibilidade ou compromete a fermentação. “A Embrapa recomenda monitorar a matéria seca com frequência”, lembra Teixeira.

    4. Corte com tamanho adequado

    O tamanho das partículas interfere na compactação, fermentação e digestibilidade da silagem. Em geral, para o Panicum, o ideal é cortar entre 1,5 e 2,5 centímetros. “Cortes menores aumentam perdas e causam distúrbios metabólicos. Ao mesmo tempo, partículas grandes dificultam a compactação e a ingestão pelos animais”, destaca o especialista.

    5. Regulagem do maquinário

    Equipamentos bem ajustados garantem corte uniforme e colheita eficiente. “Regulagens erradas prejudicam a compactação ou afetam a ruminação dos animais”, alerta. Teixeira recomenda checar o maquinário antes do início da colheita para garantir um processamento homogêneo.

    6. Compactação adequada

    “Compactar bem é essencial, especialmente com capins fibrosos como o Panicum”. A compactação elimina o ar e evita fermentações indesejáveis. Segundo estudos da Embrapa, silos bem compactados mantêm os nutrientes e reduzem perdas no processo de armazenamento.

    7. Vedação contra entrada de oxigênio

    O uso de lonas resistentes, com proteção UV e vedação eficiente, evita a entrada de oxigênio. Isso impede a fermentação aeróbia e o surgimento de microrganismos prejudiciais. “Oxigênio no silo consome nutrientes, gera calor e acelera a deterioração da silagem”, explica Teixeira.

    8. Use sementes certificadas

    A qualidade da silagem começa com sementes de procedência confiável. Ou seja, sementes certificadas garantem germinação uniforme, alta produtividade e formação homogênea da pastagem. “Isso resulta em plantas forrageiras mais nutritivas e silagem de melhor qualidade”, destaca o especialista da SOESP.

    9. Adição de inoculantes microbianos

    A aplicação de aditivos melhora a fermentação e reduz perdas após a abertura do silo. Para o Panicum, Teixeira indica o uso de inoculantes à base de bactérias produtoras de ácido lático. “Esses aditivos aceleram a queda de pH e melhoram a conservação da silagem ao longo do tempo”, afirma.

    10. Avaliação da fermentação

    Silagem bem fermentada tem cheiro levemente ácido, temperatura estável e ausência de mofo. O pH deve ficar abaixo de 4,5. “O tempo mínimo de fermentação é de três a quatro semanas. O ideal é manter o silo em anaerobiose total”, conclui Teixeira.

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