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  • Queijo Artesanal do Vale do Suaçuí ganha regulamentação e poderá ser vendido em todo o país

    Queijo Artesanal do Vale do Suaçuí ganha regulamentação e poderá ser vendido em todo o país

    O Queijo Artesanal do Vale do Suaçuí alcançou um marco histórico com a criação do Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade (RTIQ), oficializado nesta semana em São Pedro do Suaçuí, no Leste de Minas. O documento padroniza a produção do queijo, garante segurança sanitária e libera sua comercialização em todo o Brasil, desde que o produto possua o registro no Ministério da Agricultura (SIF), o Selo Queijo Artesanal ou o SISBI-POA (Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal).

    Foto: Diego Vargas/Seapa

    Durante o evento, os dirigentes da Emater e da Secretaria de Agricultura entregaram simbolicamente o Certificado do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), com aporte de R$ 192 mil. E 560 toneladas de fertilizante agrosilício destinados aos municípios do Vale do Suaçuí.

    Queijo com sabor e identidade mineira

    Produzido há cerca de 50 anos, o Queijo Artesanal do Vale do Suaçuí tem massa cozida a até 45 °C, que garante textura semidura e sabor semelhante ao do parmesão. A regulamentação deve beneficiar aproximadamente 200 produtores, permitindo que comercializem o produto formalmente e ampliem o alcance de mercado.

    “O RTIQ elimina barreiras e abre novos caminhos de comercialização dentro e fora de Minas”, destacou Gilson Sales. Na região, 66 agroindústrias familiares produzem mais de 678 toneladas anuais. Segundo o secretário de Estado da Agricultura, Thales Fernandes, o reconhecimento “estimula o desenvolvimento econômico, turístico e gastronômico, fortalecendo o queijo como símbolo do Vale do Suaçuí”.

    Trabalho conjunto e tradição preservada

    A conquista resulta de uma ação integrada entre a Secretaria de Agricultura, Emater-MG, Epamig e IMA. A Emater caracterizou a região e comprovou o vínculo cultural da produção. A Epamig realizou pesquisas de campo e análises laboratoriais que identificaram as particularidades do produto. Já o IMA elaborou o RTIQ, com os parâmetros de identidade, inspeção e qualidade exigidos.

    De acordo com Tâmara Temponi, extensionista da Emater em Santa Maria do Suaçuí, a tradição começou nos anos 1980. Foi quando um ex-funcionário de uma indústria de laticínios do Sul de Minas levou à região a receita do queijo tipo parmesão. “O novo modo de fazer se espalhou rápido, pois o queijo é mais resistente e mantém a qualidade em viagens longas”, contou.

    Produtores comemoram conquista

    Entre os produtores, a regulamentação representa valorização e esperança. Francélio Fernandes Otoni, de 47 anos, produz cerca de mil quilos por mês com a receita ensinada pelo avô. “Meu sonho é ter um rótulo e levar nosso queijo para novos mercados”, afirmou.

    Fotos: Diego Vargas/Seapa

    Já Ester Jardim dos Anjos, que fabrica ao lado do marido e do filho cerca de 700 quilos mensais, acredita que o reconhecimento mudará a realidade dos produtores. “Agora poderemos vender para grandes centros a preços melhores e mostrar o potencial do Vale do Suaçuí”, celebrou.

    Hoje, a produção se concentra principalmente em São Pedro do Suaçuí, Santa Maria do Suaçuí, José Raydan, Água Boa e São Sebastião do Maranhão.

  • Comunidade mineira amplia produção de polpas de frutas do Cerrado

    Comunidade mineira amplia produção de polpas de frutas do Cerrado

    A produção de polpas de frutas do Cerrado tem impulsionado a economia da Comunidade de Gerais Velho, em Ubaí, no Norte de Minas Gerais. Após conquistar o registro no Serviço de Inspeção Federal (SIF) do Ministério da Agricultura em 2023, a Unidade de Processamento de Polpa de Frutas do Cerrado, vinculada à Associação Quilombola de Gerais, ampliou sua atuação e agora atende mercados institucionais, como escolas estaduais e municipais.

    A iniciativa, criada há 15 anos, ganhou novo fôlego com a regularização sanitária, permitindo a comercialização formal das polpas em programas governamentais. Atualmente, 65 agricultores familiares participam do projeto, que nasceu como alternativa para aproveitar as frutas típicas dos quintais da região e aumentar a renda local.

    Segundo Arlene Mendes Pereira, extensionista da Emater-MG, a associação precisou adaptar a estrutura física, atualizar o Estatuto Social e adotar o Manual de Boas Práticas de Fabricação para obter o selo do SIF. Com o apoio técnico da Emater-MG, o grupo padronizou embalagens e rótulos para polpas de acerola, manga, cajá, tamarindo, jenipapo, goiaba, maracujá e umbu, frutas do Cerrado com forte aceitação nas escolas da região.

    Em 2024, a unidade comercializou cerca de 1.700 quilos de polpas para escolas estaduais e 500 quilos para escolas municipais de Ubaí, por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). O secretário municipal de Agricultura, Hélio Ferreira Veloso, destaca que os produtos são livres de aditivos químicos e açúcares. Além de garantirem renda aos produtores locais.

    Para 2025, a associação já realiza entregas regulares às escolas estaduais de Ubaí e aguarda novas chamadas públicas municipais. Também iniciou a distribuição para escolas de Brasília de Minas. E já foi classificada em oitavo lugar no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) estadual.

    Capacitação

    A capacitação dos trabalhadores é feita anualmente. E conta com apoio da Emater, Prefeitura e Secretaria Municipal de Agricultura. O presidente da Associação Quilombola de Gerais, Xisto Martins Pereira, afirma que o projeto busca expandir. Mas enfrenta desafios como o alto custo da energia e a necessidade de uma câmara fria para armazenamento. “Temos esperança que as coisas fluam e estamos nos dedicando para conseguir essas melhorias”, destaca.

    A experiência de Ubaí mostra como a valorização das frutas do Cerrado e o acesso a mercados institucionais podem fortalecer a agricultura familiar e promover o desenvolvimento sustentável no Norte de Minas.

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