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  • Plano de recuperação tira Shell e Cosan do controle majoritário da Raízen

    Plano de recuperação tira Shell e Cosan do controle majoritário da Raízen

    A Raízen aprovou um plano de recuperação extrajudicial que redesenha completamente a estrutura de capital e a governança da companhia. A empresa vai emitir 14 bilhões de novas ações ordinárias, que a Shell adquirirá em troca do aporte de R$ 3,5. Um cálculo que resulta em R$ 0,25 por ação. O restante do pacote de novas ações ordinárias e preferenciais servirá para converter parte da dívida detida por bancos e investidores.

    Analistas do UBS BB projetam que, ao final do processo, os credores poderão deter cerca de 83% do capital da empresa. Ou seja, o equivalente a aproximadamente 72% das ações ordinárias, segundo dados publicados pela ADVFN. O movimento reduz drasticamente a participação histórica de Shell e Cosan. Elas hoje dividem 44% do capital da Raízen cada uma, com os 12% restantes nas mãos do mercado.

    Como fica a fatia dos credores

    Do total de R$ 61 bilhões em dívidas, pouco mais de R$ 30 bilhões dos créditos migraram para novos instrumentos. Eles tem vencimentos mais longos, novas taxas de juros e condições compatíveis com a capacidade futura de geração de caixa da Raízen.

    O BNY (Bank of New York Mellon) figura como o principal credor da companhia, com R$ 26,1 bilhões em títulos de longo prazo. Na sequência aparecem os Bondholders Globais (R$ 7,5 bilhões), o agente fiduciário Pentágono SA (R$ 6,35 bilhões), a True Securitizadora (R$ 6,43 bilhões) e o banco BNP Paribas (R$ 4,2 bilhões), além de outras instituições financeiras que completam o quadro de credores.

    As debêntures somam R$ 13,8 bilhões da dívida em recuperação. A maior parte dos investidores institucionais (fundos de pensão, fundos de investimento e os bancos BTG, Porto Seguro e Citibank) optou por preservar os valores aplicados. Eles vão receber 45% em ações e converter os 55% restantes em novas debêntures de longo prazo.

    Os ativos incentivados que já existiam vão manter a isenção tributária para pessoas físicas, com retorno de IPCA + 9% ao ano e vencimentos programados para 2033 e 2035. Já os acionistas minoritários ficarão com uma fatia irrelevante do capital após a reestruturação, mas tendem a ver o acordo com alívio, já que ele evita um cenário de quebra da companhia.

    A divisão entre energia e combustível

    O plano prevê fatiar a Raízen em duas empresas distintas até o fim de 2027: uma dedicada a energia e outra ao setor de combustíveis. Segundo apuração do InvestNews, o negócio de etanol, açúcar e bioenergia e a operação de combustíveis na Argentina ficam na Raízen Energia. Enquanto a distribuição de combustíveis no Brasil, com a marca Shell, os cerca de 6,8 mil postos e o negócio de lubrificantes vão para a Raízen Combustíveis. A reportagem aponta ainda que, após a transação, a alavancagem da unidade de combustíveis deve cair para 4,8 vezes o Ebitda, e a de energia, para 2,2 vezes. E que o conselho pretende buscar um investidor estratégico para a operação de combustíveis por meio de um processo competitivo.

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    Foto: Divulgação Raízen

    A separação faz parte de um programa mais amplo de desinvestimentos, que já inclui a venda integral da operação argentina. Em junho, a Raízen se desfez de 100% do negócio no país vizinho, vendido por US$ 1,42 bilhão a duas empresas controladas pela suíça Mercuria Energy Group. O pacote envolveu a Refinaria de Avellaneda, uma fábrica de lubrificantes, ativos de GLP e uma rede com mais de 800 postos de combustíveis.

    Contexto da crise

    O processo de recuperação extrajudicial da Raízen é hoje o maior em andamento no Brasil. A companhia protocolou o pedido junto à Justiça de São Paulo depois de meses de negociação entre Shell, Cosan e credores, que, em determinado momento, chegaram a romper as tratativas por divergências sobre o tamanho do aporte de capital necessário para evitar a recuperação judicial.

    Como parte da governança durante a reestruturação, a empresa também cria o cargo de Chief Restructuring Officer. Ele ficará sob o comando do atual diretor financeiro da companhia. E será acompanhado por um executivo indicado pelos credores e por um comitê de cinco membros escolhido por eles.

  • Com dívida de R$ 65 bi, Raízen aciona recuperação extrajudicial e busca apoio

    Com dívida de R$ 65 bi, Raízen aciona recuperação extrajudicial e busca apoio

    A Raízen (RAIZ4) protocolou nesta quarta-feira (11) pedido de recuperação extrajudicial na Comarca da Capital de São Paulo para reestruturar aproximadamente R$ 65,1 bilhões em dívidas financeiras. A joint venture entre a Cosan (CSAN3) e a Shell construiu o plano em acordo com seus principais credores quirografários (aqueles sem garantia real) e já obteve adesão expressa de detentores de mais de 47% das dívidas financeiras, percentual mínimo exigido para protocolar o pedido.

    O processo tem escopo estritamente financeiro. Dívidas com clientes, fornecedores, revendedores e demais parceiros comerciais ficam fora do plano e continuarão sendo honradas normalmente, conforme os contratos vigentes.

    O que o plano prevê

    Segundo a companhia, o plano de reestruturação pode incluir injeção de capital pelos acionistas, conversão de parte das dívidas em participação acionária, alongamento de prazos de pagamento, mudanças na estrutura societária e venda de ativos.

    A Raízen terá 90 dias, a partir do processamento da recuperação extrajudicial, para atingir o percentual mínimo necessário à homologação do plano. Uma vez homologado, o acordo passa a vincular 100% dos créditos sujeitos às novas condições de pagamento. Inclusive aqueles cujos detentores não aderiram voluntariamente.

    Shell e família Ometto entram com R$ 4 bilhões

    Parte central do processo é a capitalização de R$ 4 bilhões liderada pela Shell. O plano prevê um aporte de R$ 3,5 bilhões da petroleira britânica e mais R$ 500 milhões de um veículo de investimento ligado à família do empresário Rubens Ometto, controlador da Cosan. O capital reforçaria o caixa da empresa enquanto ela renegocia as dívidas com os credores.

    Foto: Divulgação Raízen

    A Cosan, por sua vez, não deve participar diretamente da capitalização, embora acompanhe as negociações na condição de acionista. “Nós como acionistas e conselheiros temos acompanhado esta evolução e acreditamos que nos próximos dias a gente deva ter novos desdobramentos desse plano”, afirmou o CEO da holding, Marcelo Martins, em teleconferência com analistas.

    Como a Raízen chegou até aqui

    A situação financeira da Raízen se deteriorou ao longo dos últimos anos sob o peso de investimentos elevados em expansão, instabilidade climática nas safras de cana-de-açúcar e juros altos no Brasil. Fatores que corroeram o caixa da maior produtora de etanol de segunda geração do mundo. A dívida líquida da empresa alcançou R$ 55,3 bilhões no fim de dezembro de 2024, segundo dados divulgados anteriormente pela companhia.

    Nos dias que antecederam o anúncio, a Cosan já sinalizava ao mercado que uma solução estava próxima. O CEO Marcelo Martins descreveu as conversas com credores e acionistas como “bastante avançadas”. “Isso tudo acabou resultando em uma conversa estruturada com os credores, e que nós acreditamos hoje que deva levar a uma evolução que a gente possa encontrar uma solução satisfatória para o mercado que resolva definitivamente o problema de Raízen”, disse o executivo.

    Foto: Divulgação – Raízen

    Em fevereiro, a própria Raízen já havia comunicado ao mercado que avaliava a recuperação extrajudicial como caminho para reorganizar o endividamento.

    O que é recuperação extrajudicial?

    Diferente da recuperação judicial, processo mais amplo que envolve o Judiciário desde o início. E suspende execuções, a recuperação extrajudicial permite que empresas negociem diretamente com credores e levem o acordo ao juiz apenas para homologação. O mecanismo, previsto na Lei 11.101/2005, é mais célere e preserva melhor a imagem da companhia perante o mercado, segundo especialistas em direito empresarial.

    A Raízen é uma das maiores empresas do agronegócio brasileiro, com operações em açúcar, etanol, incluindo etanol de segunda geração a partir do bagaço de cana, e distribuição de combustíveis. A companhia opera mais de 35 usinas no Brasil e está presente em mais de 6.000 postos de combustíveis sob as bandeiras Shell e Raízen.