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  • Crise no leite: Câmara debate criação de fundo nacional e tarifas

    Crise no leite: Câmara debate criação de fundo nacional e tarifas

    Representantes do setor de produção de leite pressionaram o Congresso Nacional nesta quinta-feira (7) por medidas urgentes de proteção à produção nacional. Em audiência na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, produtores, cooperativas e entidades rurais defenderam a criação de um fundo nacional financiado com recursos do Imposto de Importação de produtos lácteos, além de tarifas compensatórias contra o que chamam de concorrência desleal de países do Mercosul.

    Deputado Welter (PT-PR). Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados

    No centro do debate está o Projeto de Lei 431/26, apresentado em fevereiro pelo deputado Welter (PT-PR). A proposta cria um fundo destinado a financiar ações de fortalecimento da produção nacional, estabilidade econômica dos produtores e desenvolvimento sustentável do setor.

    Para o coordenador do ramo agropecuário da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Rodolfo Jordão, o mecanismo é essencial para garantir resiliência ao setor. “É um instrumento para que, nos momentos de crise, a gente consiga reagir e, nos de bonança, fortalecer a cadeia produtiva”, afirmou.

    Das 1.200 cooperativas agropecuárias existentes no país, 150 atuam na produção de leite e respondem por mais de 50% da produção nacional, o que evidencia o peso estratégico do setor para o agronegócio brasileiro.

    Dumping e importação clandestina: a ameaça que vem de fora

    O consultor da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Ronei Volpi, revelou que a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) protocolou, há dois anos, um pedido formal de investigação antidumping junto ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, sem resposta até o momento.

    Dumping é a prática de exportar produtos abaixo do custo de produção para conquistar mercados e eliminar concorrentes locais. “Se houve dumping, nós precisamos, antes tarde do que nunca, impor tarifas compensatórias para a importação do leite”, cobrou Volpi.

    Luis Corti: setor enfrenta custos elevados de produção e baixos preços pagos aos produtores. Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados

    A situação é ainda mais grave no Paraná. O deputado estadual Luis Corti (PSD) informou que o estado, segundo maior produtor de leite do Brasil, já perdeu 40% de seus produtores. Ele denunciou que o leite em pó importado da Argentina e do Uruguai chega ao Brasil para ser reidratado e, em alguns casos, entra clandestinamente próximo ao vencimento ou já vencido. “Como a polícia já denunciou, isso representa riscos reais à saúde pública”, alertou.

    Projetos em tramitação: o que muda para o produtor

    Além do fundo nacional, outros dois projetos foram debatidos na sessão:

    • PL 5738/25 — Já aprovado pela Comissão de Agricultura, proíbe a reconstituição de leite em pó importado para produção de leite líquido e queijo no Brasil.
    • PL 20/26 — Propõe a criação do Instituto Nacional do Leite, com foco no planejamento estratégico de toda a cadeia produtiva.
    • PLP 4/26 — Proíbe incentivos fiscais a empresas que utilizem leite em pó ou derivados importados em sua produção.
    Vânia Marques apontou riscos para agricultores familiares. Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados

    A presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais (Contag), Vânia Marques Pinto, foi enfática ao defender o instituto. “Se não houver medidas que garantam a criação de um fundo e de um instituto que planeje essa cadeia produtiva, num futuro próximo teremos uma redução significativa dos agricultores familiares que hoje produzem leite.”

    O que o governo já faz e o que o setor ainda cobra

    O diretor do Departamento de Assistência Técnica do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Marenilson Batista da Silva, destacou iniciativas em andamento, como a Rede ATER Leite, parceria entre o ministério e a Embrapa para transferência de tecnologias ao setor, e o programa Da Terra à Mesa, lançado no ano passado para fortalecer a agricultura familiar.

    Ainda assim, para o deputado Welter, as medidas em vigor são insuficientes diante da crise. “Temos que achar o caminho para uma política nacional do leite. A Câmara dos Deputados tem que dar uma resposta para esse setor”, disse o parlamentar.

    Os projetos seguem em análise nas comissões temáticas da Câmara.

    Fonte: Agência Câmara de Notícias

  • Fazenda amplia produção com investimento em robôs

    Fazenda amplia produção com investimento em robôs

    Localizada em Carambeí, Paraná, a Fazenda Melkland, referência em automação no setor leiteiro da América Latina, anuncia a construção de uma nova unidade de produção que contará com oito robôs de ordenha Astronaut, além dos sistemas Juno e Collector para manejo alimentar e limpeza automatizada.

    Atualmente, a propriedade possui 1.800 vacas da raça holandesa, com 800 em lactação, e desde outubro de 2022 vem investindo em tecnologias avançadas para aumentar a eficiência, o bem-estar animal e a sustentabilidade da produção. A nova estrutura permitirá acomodar mais 480 vacas em lactação, elevando o total para cerca de 1.200 animais ordenhados.

    Para Lorena Delezuk, economista e sócia-proprietária da Melkland, a automação é fundamental para garantir a sustentabilidade e atrair a nova geração ao campo. Especialmente diante da escassez de mão de obra na região, dominada por indústrias. “A tecnologia facilita a gestão, melhora o bem-estar animal e torna a rotina dos funcionários mais eficiente e menos desgastante, o que é essencial para manter jovens motivados na atividade”, afirma.

    Início da experiência com robôs

    A experiência prática da fazenda começou com a instalação de dois robôs Lely em 2022, que atenderam 120 vacas, enquanto 600 continuaram na ordenha convencional. O sucesso dessa fase levou à decisão de manter esses robôs na sede e adquirir oito novos para a expansão. Desde a adoção da ordenha automatizada, a produção média por vaca aumentou em cerca de sete litros diários. O resultado é atribuído ao manejo cuidadoso, nutrição adequada e maior conforto proporcionado pela automação. Que permite às vacas decidir quando ordenhar, se alimentar e descansar.

    Além dos robôs de ordenha, a Melkland utiliza o robô Juno, que mantém o alimento sempre próximo às vacas, incentivando a alimentação frequente por meio de um apito sonoro. E o robô Collector, pioneiro no Brasil, que limpa automaticamente os corredores, contribuindo para a higiene e saúde dos animais.

    A nova unidade está prevista para entrar em operação no segundo semestre de 2025. “Continuaremos investindo em automação para facilitar o trabalho e motivar as novas gerações. A tecnologia é um pilar essencial para a evolução da pecuária leiteira”, conclui Lorena Delezuk.

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