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  • Seminário internacional debate futuro da cerveja artesanal

    Seminário internacional debate futuro da cerveja artesanal

    Juiz de Fora recebe, no dia 26 de agosto, o 1º Seminário Internacional das Cervejarias Mineiras, evento que vai discutir tendências, desafios e oportunidades do mercado cervejeiro no Brasil. A iniciativa, organizada pelo Sebrae Minas e pela Associação das Cervejarias da Zona da Mata Mineira (Unicerva ZM), reúne produtores, especialistas e representantes da cadeia produtiva para analisar o cenário atual do setor.

    O seminário integra a programação da Semana da Cerveja Mineira 2026, que acontece entre os dias 24 e 30 de agosto na cidade. A agenda inclui o Concurso Mineiro de Cervejas, a Feira Tecnológica, com fornecedores de equipamentos, insumos e soluções, e o Festival da Cerveja Mineira, que reúne cervejarias, gastronomia e atrações musicais.

    A programação do seminário inclui palestras e mesas-redondas sobre temas estratégicos, como comportamento do consumidor, inovação, avanços técnicos e posicionamento de mercado. O evento prioriza a troca de conhecimento, o networking e a qualificação dos participantes.

    Especialistas internacionais

    O evento contará com a presença de dois especialistas europeus: Luc de Raedemaeker, da Bélgica, e Henri Reuchlin, da Holanda. Eles vão apresentar experiências de mercados cervejeiros mais maduros e contribuir com referências sobre qualidade, cultura cervejeira e inserção internacional.

    Luc de Raedemaeker dirige o Brussels Beer Challenge e preside a Associação de Lambic da Bélgica. Ele abordará temas como produção cervejeira e cervejas monásticas. Já Henri Reuchlin, fundador da BIERburo, da plataforma StiBON e do Dutch Beer Challenge, falará sobre concursos internacionais, cultura cervejeira e o cenário europeu.

    Segundo o analista do Sebrae Minas, Gustavo Magalhães, o seminário deve gerar insights sobre mudanças no consumo, novos formatos de venda e estratégias de posicionamento. A proposta, segundo ele, é fortalecer a identidade e a competitividade das cervejarias artesanais brasileiras.

    O coordenador-geral da Semana da Cerveja, João Cleber Gonçalves, destaca que o evento também vai estimular conexões e parcerias no setor. A expectativa é ampliar a relevância da região no mercado cervejeiro nacional.

    Rota turística cervejeira

    Durante o seminário, os organizadores vão apresentar o pré-lançamento da Rota Turística Caminhos e Cervejas. O projeto reúne cervejarias artesanais, atrativos turísticos, gastronomia e hospedagem em um roteiro integrado de turismo de experiência.

    A rota conecta 24 estabelecimentos em três polos cervejeiros: Juiz de Fora (12), Petrópolis (9) e Três Rios (3). A iniciativa busca impulsionar o turismo qualificado, valorizar a cultura local e ampliar a competitividade regional.

    Polo cervejeiro em crescimento

    Juiz de Fora se consolidou como um dos principais polos de cerveja artesanal em Minas Gerais. Entre 2018 e 2022, o número de cervejarias registradas no Ministério da Agricultura dobrou, passando de 15 para 30 unidades.

    Atualmente, o município ocupa a segunda posição no estado e a sétima no país em número de cervejarias. Desde 2017, Juiz de Fora possui o статус de Arranjo Produtivo Local (APL), reconhecimento que reforça sua relevância na cadeia cervejeira.

    O setor movimenta cerca de R$ 48 milhões por ano na cidade, com geração de aproximadamente 120 empregos diretos e 600 indiretos. A produção mensal chega a 400 mil litros de cervejas especiais, segundo maior volume de Minas Gerais.

    Histórico do evento

    Realizada anualmente, a Semana da Cerveja Mineira atrai público crescente. Em 2025, o evento reuniu cerca de 20 mil pessoas e registrou o consumo de 20 mil litros de chope.

    O concurso contou com 60 cervejarias de 22 cidades mineiras. Já a Feira Tecnológica reuniu 17 expositores e 42 cervejarias de Minas Gerais e da região serrana do Rio de Janeiro.

    Serviço
    • Data: 26 de agosto
    • Horário: 12h às 18h
    • Local: Cultural Pub (Av. Eugênio do Nascimento, 815 – Aeroporto, Juiz de Fora)
    • Informações: (32) 99911-9991 (Unicerva) | (32) 99986-0262 (Sebrae Minas)
    • Site: www.cervejamineira.com.br
  • Brasil registra maior número de cervejarias da história

    Brasil registra maior número de cervejarias da história

    O setor cervejeiro brasileiro encerrou 2025 com três marcas históricas simultâneas: maior número de cervejarias já registrado, recorde de valor exportado e superávit comercial inédito. Os dados constam no Anuário da Cerveja 2026, publicado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), e pintam o retrato de uma indústria que se reinventa mesmo sob pressão econômica e climática.

    cerveja

    O país chegou a 1.954 cervejarias ativas, distribuídas em 794 municípios. São quase 800 cidades onde a bebida gera emprego, renda e identidade local. No total, o setor emprega mais de 2,5 milhões de pessoas ao longo da cadeia produtiva e responde por mais de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

    Exportações e balança comercial em alta

    Pela primeira vez na série histórica, o valor exportado ultrapassou US$ 218 milhões. Um resultado que reflete não apenas volume, mas também o aumento do prestígio da cerveja brasileira no exterior. O setor registrou superávit recorde de US$ 195 milhões na balança comercial e exportou para 77 países.

    Para o presidente-executivo do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), Márcio Maciel, o resultado confirma a capacidade de adaptação da indústria. “Os números do Anuário mostram um setor que segue evoluindo e ampliando sua presença no país. Nos cenários desafiadores que enfrentamos em 2025, a cerveja provou que pode se reinventar e se adaptar. O brasileiro faz questão da cerveja em seus momentos de celebração e conexão”, afirma.

    Portfólio em expansão

    O Anuário também registrou retomada no número de produtos registrados, que chegou a 44.212, e crescimento de 2,1% nas marcas de cerveja, totalizando 56.170 rótulos no mercado brasileiro. O dado sinaliza que, apesar da concentração em grandes grupos, o ecossistema de inovação segue ativo.

    Os estilos preferidos do brasileiro continuam sendo as Lager Leve Clara, responsável por 58,3% da produção, seguida da Pilsener, com 32,4%, e de Outras Lagers, com 8,5%. Mas é nos nichos que o crescimento mais chama atenção.

    Cerveja sem glúten cresce 418% em um ano

    O dado mais surpreendente do levantamento é o crescimento de 417,6% na produção de cerveja sem glúten. O volume saltou de 71 milhões para 367,9 milhões de litros entre 2024 e 2025. Isso é o equivalente a 2,35% de tudo que o Brasil produziu na bebida no período. O avanço reflete uma mudança estrutural no comportamento do consumidor, que busca cada vez mais alternativas adequadas a restrições alimentares ou a um estilo de vida mais consciente.

    Imagem: Divulgação

    Esse crescimento integra uma transformação mais ampla no perfil do consumidor brasileiro, que busca mais diversidade, qualidade e alternativas com menor teor alcoólico. Cervejas sem álcool também registraram alta expressiva. A produção sem álcool cresceu 536,9% no ano anterior, chegando a representar 4,9% do volume nacional, segundo o Anuário de 2025.

    Interiorização como vantagem competitiva

    A presença em quase 800 municípios não é coincidência. A lógica da cerveja favorece a produção próxima ao consumo: quanto mais fresco o produto, maior a qualidade percebida. Isso impulsiona a interiorização, o desenvolvimento regional e a criação de ecossistemas produtivos distribuídos pelo país. Um diferencial que poucos segmentos da indústria de alimentos conseguem replicar.

    Dados de consumo fora do lar mostram que 63% dos brasileiros ainda consomem cerveja em bares e restaurantes, com São Paulo e Rio de Janeiro liderando com índices acima de 70%. Mesmo com uma leve retração no número de consumidores, as ocasiões de consumo fora de casa cresceram 20%, totalizando mais de 41,4 milhões de eventos. Ou seja, quem bebe, bebe mais vezes.

    Um setor sob pressão, mas em movimento

    O cenário não é apenas de euforia. A Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil) aponta que o consumo de cerveja no Brasil caiu 5% em 2025, pressionado pela ascensão dos drinks prontos para beber (Ready to Drink) e pela mudança de hábitos, especialmente entre consumidores mais jovens.

    Ainda assim, os números do Anuário mostram que o setor respondeu com diversificação, inovação e internacionalização. E que a cerveja brasileira nunca esteve tão presente, nem tão variada.