Neste 3 de maio é celebrado o Dia do Sertanejo. A data teve origem em Aparecida (SP), onde, a partir da década de 1970, a rádio local passou a reunir duplas sertanejas em celebração à cultura do homem do interior. Com o apoio de religiosos do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, nomes como Tonico e Tinoco e Irmãs Galvão ajudaram a consolidar a iniciativa.
Mas, afinal, quem é o sertanejo? Para estudiosos, definir o sertanejo brasileiro não é tarefa simples. A extensão territorial do país, somada à diversidade geográfica, cultural, social e histórica, deu origem a múltiplas formas do viver sertanejo. Mas, em sentido literal, o sertanejo é o habitante do “sertão”, palavra que remete a regiões afastadas e, originalmente, pouco povoadas.
O fato é que, seja nas caatingas do Nordeste, nas coxilhas do Sul, no interior de São Paulo e Goiás ou nas montanhas de Minas Gerais, a vida sertaneja mantém uma ligação com a natureza. É dessa relação que surgem a cultura, os modos de vida, o conhecimento prático e a expressão artística das pessoas do campo. E, sobretudo, surge a vida de trabalho. “O sertanejo é, antes de tudo, um forte”, escreveu Euclides da Cunha. Podemos acrescentar: ele é também, antes de tudo, um trabalhador — alguém que constrói sua vida a partir da relação profunda com a terra.
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Tradição e inovação no campo
Nas últimas décadas, a evolução tecnológica tem transformado significativamente o trabalho rural. Plataformas digitais, maquinário moderno e veículos de alta performance substituíram, em grande parte, o esforço manual simbolizado pela enxada. Ao mesmo tempo, o chamado “sertanejo raiz” passou a ocupar um espaço de valorização cultural, sendo reverenciado como patrimônio clássico diante das novas tendências musicais.
Ainda assim, mesmo com as mudanças trazidas pela modernização e pela força do agronegócio, elementos essenciais permanecem na diversidade dos Brasis do campo: o apego à terra, à família, às tradições religiosas e culturais e à dedicação ao trabalho — hoje cada vez mais produtivo e estratégico.
Não há, de fato, como ignorar o sertanejo na economia nacional. Em 2025, o agronegócio representou cerca de um quarto do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, um avanço em relação aos 22,9% registrados no ano anterior.



