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  • Conheça o Frescal de São Joaquim, tradição com mais de 200 anos

    Conheça o Frescal de São Joaquim, tradição com mais de 200 anos

    Quem já visitou São Joaquim ou frequentou uma boa churrascaria catarinense provavelmente já se deparou com o Frescal. Mas poucos sabem de onde vem o nome, como a carne é preparada e o que a diferencia de um charque ou de uma carne de sol convencional. A resposta está nas montanhas do Planalto catarinense. E numa história que mistura tropeiros, frio de altitude e o comentário casual de um jornalista paulista.

    Nesta semana, o produto ganhou mais um capítulo importante: o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) reconheceu o Frescal de São Joaquim como Indicação Geográfica (IG) na modalidade Indicação de Procedência (IP). Com isso, Santa Catarina passa a contar com 11 IGs, reforçando a posição do estado como referência em produtos agropecuários de identidade regional.

    O que é o Frescal de São Joaquim?

    O Frescal é uma carne bovina salgada e dessecada, produzida artesanalmente na região serrana de Santa Catarina. Ao contrário do charque, que é seco ao sol por vários dias e perde boa parte da umidade, ou da carne de sol, o Frescal passa por um processo de maturação mais curto, de até 48 horas. O resultado é uma carne com coloração rosada, textura macia e suculência preservada: nem fresca nem seca, como o próprio nome sugere.

    As peças bovinas são salgadas e curadas ao ar livre ou em ambientes controlados, sempre sem exposição direta ao sol. O processo mantém características artesanais que resistem ao tempo, transmitidas de geração em geração pelas famílias da Serra Catarinense.

    O processo de preparo mantém características artesanais. Foto: Divulgação/Frigozan

    A qualidade do Frescal começa antes do abate. O gado é criado solto, alimentado em pastagens nativas de altitude, num ambiente de temperaturas baixas que contribui para a maciez e o sabor característicos da carne. Trata-se de um produto em que território, clima e tradição produtiva se tornam inseparáveis.

    Como surgiu o nome “Frescal”?

    A origem do nome é, ela mesma, uma boa história. Há cerca de 50 anos, um jornalista de São Paulo visitou uma churrascaria em São Joaquim e provou a carne local. Diante da dificuldade de classificá-la, pois não era charque e não era carne fresca, ele teria dito que era um “frescal”. O termo pegou, viajou pelo país e acabou batizando definitivamente o produto.

    Mas a carne em si é muito mais antiga que o nome. Desde o século 18, a região serrana catarinense funcionava como ponto de descanso e engorda para o gado que os tropeiros conduziam do Rio Grande do Sul até Sorocaba, no interior paulista. Nas longas viagens, salgar a carne era uma necessidade de conservação. Com o tempo, as famílias locais foram aperfeiçoando a técnica, transformando uma solução prática em uma tradição culinária.

    Um produto com múltiplos reconhecimentos

    O Frescal já acumulava honrarias antes da Indicação Geográfica. Foi o primeiro produto cárneo de Santa Catarina a receber o Selo Arte, concedido pela Cidasc, que distingue alimentos artesanais produzidos em conformidade com legislação específica. O município de São Joaquim também instituiu oficialmente o Churrasco de Frescal como prato típico local. E o produto já havia sido declarado patrimônio cultural catarinense.

    Agora, com a IG, o Frescal passa a ter proteção formal de origem. A Indicação de Procedência (IP) reconhece produtos ou serviços que ganharam notoriedade por sua origem em determinada região, sem exigir que o meio geográfico determine exclusivamente as características do produto, mas registrando a ligação da reputação com aquele território.

    Como funciona uma Indicação Geográfica?

    A Indicação Geográfica é um instrumento de propriedade intelectual que protege produtos com origem, características ou reputação vinculadas a um lugar específico. No Brasil, o INPI é o órgão responsável pelo reconhecimento. Duas modalidades compõem o sistema: a Indicação de Procedência (IP), que exige notoriedade associada ao local, e a Denominação de Origem (DO), que vincula as características do produto essencialmente ao meio geográfico.

    No caso do Frescal de São Joaquim, a Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape) foi responsável por emitir o documento oficial de delimitação da área geográfica submetido ao INPI. O processo contou com apoio do Sebrae/SC, Coopernovilhos, Faesc e Sindicato de São Joaquim.

    Para o secretário Admir Dalla Cort, o impacto vai além do simbolismo. “A Indicação Geográfica agrega valor aos produtos e abre novos mercados. Portanto, gera mais renda e oportunidades para os produtores e para toda a cadeia produtiva”, afirmou.

    Assim, com o novo registro, o Brasil chega a 172 Indicações Geográficas: 129 Indicações de Procedência e 43 Denominações de Origem, entre nacionais e estrangeiras. Santa Catarina, com suas 11 IGs, segue ampliando o mapa de produtos que carregam a identidade de seus territórios. E o Frescal de São Joaquim é agora o mais novo símbolo dessa história.

  • Queda na colheita do pinhão deve elevar preços na Serra Catarinense

    Queda na colheita do pinhão deve elevar preços na Serra Catarinense

    Santa Catarina inicia no próximo dia 1º de abril mais uma safra de pinhão. A região serrana, que concentra as maiores florestas de araucária do Estado, deve colher 3,7 mil toneladas neste ano, uma queda de 32% em comparação com 2025.

    No ano passado, os 18 municípios da Serra produziram 5,4 mil toneladas e movimentaram mais de R$ 32 milhões. A redução na oferta, no entanto, traz um alívio para os produtores: a expectativa é de que os preços subam.

    Segundo a Epagri, o quilo do pinhão pode alcançar valores iguais ou superiores à média de R$ 6,44 pagos ao produtor em 2025. “A lei da oferta e da procura deve compensar a quebra na safra”, afirma o gerente regional da Epagri em Lages, José Márcio Lehmann.

    O pinhão representa uma importante fonte de renda para os moradores da Serra Catarinense. Das 34 mil famílias rurais cadastradas pelo IBGE na região, cerca de 10 mil (30%) incluem o extrativismo da semente no orçamento doméstico.

    Lehmann destaca que a Epagri acompanha os dados municipais e oferece suporte técnico para que os produtores aproveitem a safra com segurança e qualidade. “Em 2025, a colheita já havia sido menor que em 2024. Agora, reduzimos ainda mais, mas os valores devem equilibrar a balança”, completa.

  • Mirtilo: cultura rende até R$ 250 mil por hectare e atrai pequenos produtores

    Mirtilo: cultura rende até R$ 250 mil por hectare e atrai pequenos produtores

    A Epagri realizou na última semana um Dia de Campo em Palmeira, município de 2,7 mil habitantes localizado a 40 quilômetros de Lages. O evento reuniu agricultores de diversos municípios da Serra Catarinense interessados em conhecer o cultivo de mirtilo como alternativa de renda.

    A iniciativa faz parte da estratégia da empresa de promover a agregação de valor e a viabilidade econômica dos empreendimentos rurais catarinenses. Durante o evento, produtores conheceram a experiência bem-sucedida da Palm Berries, propriedade comandada pelo fruticultor Celso Claudino e seu genro, João Carneiro.

    Dois hectares geram até R$ 250 mil por safra com mirtilo orgânico

    A Palm Berries ocupa apenas dois hectares entre as florestas de pinus da família. Nesta área, Celso e João cultivam cerca de três mil pés de mirtilo. Cada planta produz, em média, entre cinco e dez quilos da fruta por safra.

    A comercialização acontece em todo o Brasil. O produto alcança R$ 60 por quilo no varejo e R$ 30 no atacado, sem embalagem. “O pinus é uma cultura de longo prazo. Quem plantar agora vai começar a ganhar dinheiro em oito ou nove anos. O mirtilo é muito mais rápido. Se plantar agora uma muda boa, no ano que vem já pode colher”, explica João Carneiro.

    O produtor reforça o potencial econômico da cultura: “Nosso projeto inicial era de dez toneladas por hectare. Se o produtor conseguir o mesmo, vai girar em torno de R$ 250 mil por safra”.

    Cultivo orgânico dispensa agrotóxicos e facilita manejo

    A dupla de produtores adota o sistema orgânico de produção. “Além de dar dinheiro, a cultura do mirtilo é muito prazerosa. É uma planta fácil de manejar. Como aqui não gostamos de veneno e fazemos tudo orgânico, é necessário fazer a roçada manual para manter o pomar sempre limpinho. Mas, no geral, não dá muito trabalho”, afirma o fruticultor Celso Claudino.

    Mirtilo é alternativa para diversificação da renda das famílias agricultoras. Foto: Pablo Gomes / Epagri

    A simplicidade do manejo atrai especialmente pequenos produtores que buscam diversificar a renda familiar sem grandes investimentos em maquinário ou insumos químicos.

    Clima da Serra favorece adaptação do mirtilo

    A extensionista rural Maêve Silveira Castelo Branco, da Gerência Regional da Epagri em São Joaquim e líder do Programa Fruticultura na região, destaca a adaptabilidade da cultura ao clima serrano.

    “Originalmente, o mirtilo provém da América do Norte, em regiões de sub-bosque, e existe em áreas de matas onde ocorre naturalmente o pinus”, explica Maêve. A especialista ressalta que a planta também se adapta facilmente a áreas sem pinus, pois o cultivo é bastante simples.

    Convivência entre o mirtilo e as florestas de pinus é perfeitamente possível. Foto: Pablo Gomes / Epagri

    “Claro que tem algumas exigências, principalmente em relação ao solo e disponibilidade de água, mas é uma planta que pode se adaptar a pequenas e grandes áreas de cultivo. Por isso, é uma boa alternativa para diversificar a produção aqui na região, o que gera empregos, aumenta a renda e promove a qualidade de vida das famílias”, completa a extensionista.

    Produtores viajam mais de 200 km para aprender sobre mirtilo

    O sucesso da Palm Berries atrai agricultores de toda a Serra Catarinense. A agricultora Ana Claudia Wawrzyniak viajou mais de 200 quilômetros entre ida e volta para participar do Dia de Campo. Moradora de Cerro Negro, ela já produz pequenas frutas como amora, fisális e framboesa, além de uma quantidade ainda pequena de mirtilo.

    “Atualmente, tenho 130 pés de mirtilo. Nesta visita a uma propriedade onde a atividade deu certo, pude aprender mais, e vou levar o conhecimento para aumentar minha produção”, conta Ana Claudia.

    Pedro Donizete de Souza, secretário de Agricultura, Pecuária e Pesca da Prefeitura de Lages, participou do evento e demonstrou entusiasmo com a cultura.

    “O mirtilo tem um potencial muito grande e é ideal para o pequeno produtor rural, pois é um trabalho que pode ser feito com a família. É uma alternativa de renda e que tem mercado. A atividade ainda está no início, mas já está dando muito certo e podemos ver os resultados na prática. Certamente toda a nossa região tem muito a ganhar com o mirtilo”, avalia o secretário.

    O engenheiro-agrônomo José Márcio Lehmann, gerente regional da Epagri em Lages, destaca a importância institucional de eventos como o Dia de Campo.

    “Neste caso, é o mirtilo, uma cultura nova, mas que já está dando resultado. Por isso a importância de oportunizar aos produtores a diversificação baseada no clima da região. A Epagri tem este papel institucional de levar à sociedade as várias possibilidades de cultura”, conclui Lehmann.

  • Produtores cultivam mirtilo em área de reflorestamento

    Produtores cultivam mirtilo em área de reflorestamento

    A produção de mirtilo cresce na Serra Catarinense e atrai investidores que buscam alternativas lucrativas ao setor florestal tradicional. A fruta, ainda pouco cultivada na região mais fria do Brasil, apresenta alta rentabilidade e potencial de geração de empregos.

    Celso Claudino, um dos maiores produtores catarinenses da fruta, comprova a viabilidade do negócio. Ele cultiva três mil pés de mirtilo em área de reflorestamento no interior de Palmeira, município com 2,7 mil habitantes localizado a 40 quilômetros de Lages.

    Pomar está entranhado em uma grande área de reflorestamento. Foto: João Carneiro / Divulgação

    O empresário comercializa a produção em todo o território nacional. Consumidores exigentes pagam até R$ 60 por quilo no varejo. No atacado, Celso vende o produto sem embalagem por cerca de R$ 30 o quilo.

    Cada pé produz entre cinco e dez quilos da fruta anualmente. “Se produzir dez quilos, uma árvore rende R$ 300. O mirtilo oferece alta rentabilidade para pequenos e grandes produtores”, explica Celso.

    Fruta européia se adapta ao clima frio catarinense

    O mirtilo, conhecido também como blueberry, tem origem nas regiões frias da Europa e Estados Unidos. A fruta azul e arredondada concentra antioxidantes, fibras e vitaminas em sua composição.

    Foto: João Carneiro / Divulgação

    Celso e o genro João Carneiro, sócio na administração do pomar, criaram a marca Palm Berries em referência ao município de Palmeira. “Consumo diariamente e minha qualidade de vida melhorou muito. A fruta faz bem para a saúde e, para quem investe, também para o bolso”, afirma o produtor.

    O empresário destaca ainda o potencial turístico da atividade. “O pomar passa por várias fases de beleza, como a florada em setembro. Além de gratificante, pode atrair visitantes”, complementa.

    Epagri oferece suporte técnico e acesso a políticas públicas

    A Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) apoia produtores estabelecidos e novos investidores interessados no cultivo de mirtilo.

    Celso e João recebem orientações técnicas sobre doenças no pomar, poda adequada das plantas e produção de mudas. A propriedade já conta com viveiro próprio para multiplicação das plantas.

    “Temos especialistas em fruticultura e programas que apoiam a implantação de pomares. Todos os escritórios municipais da Epagri prestam este tipo de assistência”, informa Clayrton Accacio Cruz da Silveira, extensionista rural da empresa em Palmeira.

    A Epagri planeja realizar evento na propriedade de Celso para divulgar a atividade. “Queremos mostrar que o mirtilo e outras frutas do mesmo contexto podem gerar boa renda para famílias, especialmente em pequenas propriedades”, conclui o técnico.

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